(Luís Rocha, in Facebook, 20/03/2026, Revisão da Estátua)

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O ano de 2026 que, saudades, não nos vai deixar.
Um ano em que a geopolítica se tornou, finalmente, o espetáculo de revista de um império que sempre prometeu ser. E no centro do palco, com a sua cabeleira dourada e o seu ego Big Mack, quem mais senão o nosso querido Donald J. Trump. O homem que, com a subtileza de um javali numa loja da Vista Alegre, decidiu redefinir as relações internacionais como quem joga bingo. A diplomacia, é uma chatice. Os tratados, guardanapos de papel usados. A ONU, de certeza um clube literário para desocupados. O que importa é a força bruta, o grito mais alto e, claro, a vitória, mesmo que seja uma vitória pírrica sobre a decência.
Assistimos, com um misto de horror e fascínio mórbido, à sua cruzada contra o Irão. Uma nação que, por mais teocrática e repressiva que seja, ousou não se curvar. O que para Trump é um insulto pessoal, uma afronta ao seu estatuto de “melhor negociador de todos os tempos”. Os ataques coordenados, a retórica estridente, tudo aponta para um desmembramento que, se concretizado, abrirá as portas do inferno.
No entanto o Irão, na sua milenar sabedoria persa, parece conter em si a teimosia de uma mula e a resiliência de um camelo. E, ironicamente, essa teimosia pode ser a nossa última esperança contra a barbárie que se avizinha. Sim, a barbárie que usa gravatas até aos joelhos e tem acesso a códigos nucleares.
Depois de Teerão, quem se segue na lista de “maus” a serem disciplinados, será Cuba, claro. A ilha que, apesar de todos os embargos e sanções, insiste em não se tornar um resort de golfe. Trump, com a sua visão estratégica de jogador com dados viciados, já prometeu “fazer algo muito em breve” com Cuba. Talvez a transforme no 51º estado, ou a venda ao México para pagar o muro que nunca irá construir. As opções são infinitas quando se tem a imaginação de um megalómano e o poder de uma superpotência.
Venezuela, México, Canadá, até a Gronelândia, todos estão na mira do homem que não aceita um “não” como resposta à sua insanidade.
E a Espanha, que ousou criticar Israel e denunciar um genocídio? Essa pagará caro a sua insolência. A vingança, para Trump, é um prato que se serve gelado, de preferência, com umas tarifas estratosféricas e absurdamente infantis.
Aquele aglomerado de nações que, na sua riqueza e fragilidade, se tornou o alvo perfeito para o predador, chamado União Europeia, que não espere pela demora. Por mais que Ursula von der Leyen e a sua comitiva se desdobrem em salamaleques e bajulações, a verdade é que a Europa é vista como uma presa fácil. Rica, mas fraca. Próspera, mas desprotegida. Um convite irrecusável para uma “operação de desmantelamento concertada”. Para quê a solidariedade e a cooperação quando se pode ter tudo à força.
A Europa, na sua eterna ingenuidade, ainda acredita no diálogo e no bom senso. Trump, por outro lado, acredita na cultura da marreta. E a marreta, é a sua política externa demolidora.
No fim, o que nos resta é a esperança de que o Irão resista. Que o regime dos ayatollah, na sua peculiar forma de resistência, consiga atrasar o inevitável. E, confesso que nunca na vida julguei vir a escrever estas palavras. Porque se o império do capricho triunfar sem oposição, se a força bruta se tornar a única lei, então o mundo será um lugar muito menos interessante. E muito mais perigoso.
Preparem-se, pois, para a próxima temporada do Grande Circo Geopolítico. Os bilhetes já estão esgotados, e o espetáculo promete ser… Explosivo. Mas não se sentem muito à frente pois pode haver radiação…
Beijinhos e até à próxima…
Referências consultadas
https://relacoesexteriores.com.br/ataques-dos-eua-ao-ira…
https://www.aljazeera.com/…/well-be-doing-something…
https://au.finance.yahoo.com/…/spain-nchez-says-trump…
https://moderndiplomacy.eu/…/europe-draws-a-line-on…
https://energymixweekender.substack.com/…/winners-and…

