Por onde andaste Rui Rio?

(In Blog O Jumento, 05/10/2017)
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Não sou militante do PSD mas imagino a pergunta que muitos dos seus militantes estarão a fazer nestas horas, onde andou Rui Rio durante estes anos?
Rui Rio não deu a cara por nada, não correu riscos, diz que nada disse e sugere que foram os jornalistas que falaram por ele, como se fossemos néscios e não soubéssemos como se colocam notícias. Rui Rio não só não deu a cara, como em três anos andou escondido na penumbra. Umas vezes criticava ou fazia leves críticas a Passos, quando lhe convinha aparecia a dar algum apoio, mas desaparecia logo de seguida.
Onde estava Rui Rio enquanto Manuela Ferreira Leite tinha coragem de criticar ou apoiar as decisões governamentais de Passos Coelho? Onde estava Rui Rio quando muitos dos críticos de Passos Coelho assumiram a coerência que lhes impunha a sua militância. Rui Rio estava mas não era ali, estava à espera que algo corresse mal ao seu partido, andou anos a esperar pela sua oportunidade.
Rui Rio é o modelo nacional da cobardia política, Rui Rio não apoiou para que não o criticassem, não criticou para que não o criticassem, não esteve presente para que não o criticassem, não falou para não se expor, para que não o avaliassem. O que pensou Rui Rio das melhores soluções quando o país precisava delas porque atravessava um dos piores momentos da sua história. Nas horas difíceis Rui Rio preferiu a ausência, entre a coragem e a cobardia optou sempre e de forma sistemática pela cobardia, porque a cobardia o poupava, a cobardia não o comprometia.
Onde estava Rui Rio quando foi preciso criticar Passos Coelho e o seu governo ou a sua forma de fazer oposição? Rui Rio escondeu-se porque o silêncio não o comprometia, Rui Rio preferiu deixar o país e o seu partido entregue a Passos Coelho apostando que tudo lhes corresse mal, esperou anos neste silêncio cobarde até ás eleições autárquicas da passada semana.
A cobardia e oportunismo de Rui Rio não pode ser vista apenas na perspectiva de Passos Coelho. Essa ausência premeditada serviu para não se comprometer com o seu próprio partido e ao fazê-lo recusou-se a servir a democracia e o país durante os últimos quatro anos.
Rui Rio é o falso atleta que em vez de se cansar ao longo de 30 quilómetros optou por deixar os seus adversários lutarem e ficarem exaustos, para entrar à socapa na corrida a 12 quilómetros da meta. Em quatro anos apareceu uns minutos numa arruada no Porto, o mesmo Porto de cujos maus resultados eleitorais se aproveitou, ele que sugeriu que enquanto Passos estava na Lisboa do desastre eleitoral, ele estava no Porto onde o seu candidato teria sucesso.
Estamos apenas perante cobardia ou face a um candidato cujos fracos recursos intelectuais o levaram a  ter receio de correr riscos, e que durante quatro anos receou que quando abrisse a boca ou entraria mosca ou sairia asneira? Porque andou escondido Rui Rio durante todo este tempo?

Escolher o líder do PSD por concurso

(In Blog O Jumento, 04/10/2017)
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(Legenda: Marques Mendes estuda para o exame a líder. Rio recebe a táctica de Pacheco. E Santana, que já precisa nem de estudar nem de treinador, abarca os outros candidatos com um sorriso de Misericórdia e mostra-lhes o cartão laranja).

Com o pessoal do PSD à procura da poção mágica que lhes devolva o poder, não faltarão os que falem em refundação ou no modelo de escolha do líder. Quando o PS escolheu as diretas e isso resultou, houve logo no PSD quem defendesse a mesma solução. Quando o PS organizou reuniões magnas com independentes o PSD passou a fazer o mesmo. Com poucas soluções novas por descobrir, no plano programático Passos ainda testou em Loures um Trump à portuguesa, mas não resultou. Porque não o PSD adotar para a liderança o que fez para os mais altos cargos da Administração Pública? Porque não escolher o líder por concurso?
Poderia colocar um anúncio do tipo:
“Procura-se alguém em boas condições psicológicas, bem-parecido, que irradie inteligência, com coragem política, que não tenha um currículo de trapalhadas e confusões, com experiência para o cargo, que possa assumir o cargo de imediato e com disponibilidade para trabalhar 12 horas por dia, prescindindo de fins de semana e de férias, tendo o vencimento indexado ao do teso do primeiro-ministro. O candidato teve ter resistência psicológica para suportar artigos caluniosos, investigações avulsas do MP, traições de amigos e companheiros de partido e sabe Deus o que mais pode sofrer um líder partidário.»
Gostaria de ver o Marques Mendes desfilar num casting sem poder contar as inconfidências que alguém lhe faz contando com o seu estatuto de “Garganta Funda” da Nação. Como é que Marques Mendes explicaria ao júri que já não é aquele líder fraco que nem chegou a resistir na liderança do PSD até às eleições legislativas? Será interessante ver Marques Mendes apresentar a sua candidatura sabendo que de um dia para o outro as suas empresas fantasmas podem ter protagonismo de primeira página. Ainda por cima falta julgar o caso dos Vistos Gold.
Santana Lopes que é candidato a tudo, desde a presidência do SCP ao cargo de Provedor da Santa Casa que em boa hora soube abichar, afirma mais uma vez a sua disponibilidade para se candidatar. Mas irá largar o seu canto confortável para se arriscar a estar menos tempo na liderança do PSD do que esteve da última vez?
Rui Rio o mais provável sucessor de Passos Coelho passaria numa prestação de provas ou em testes de avaliação da inteligência se tal fosse condição prévia na avaliação de um futuro líder do PSD? Duvido, acho que a diferença entre Passos e Rio está, entre outras coisas, na inteligência, Passos é o menos inteligente entre os menos inteligentes, Rio é o menos burro entre os mais burros.
Mas além de Rio ter um discurso que depois de espremido não escorre nada de intelectualmente confortante, tem um conceito de coragem e frontalidade política muito questionável. Nunca criticou os excessos de Passos na política económica, um dia sugeria que discordava, no outro garantia que apoiava. Ora sugeria que Passos devia sair, ora aparecia a almoçar com Passos como garantia da sua lealdade.
Sejamos honestos, em matéria de inteligência, coerência, lealdade, capacidade e coragem a maioria dos candidatos à liderança do PSD chumbaria se tivessem de passar pelo crivo de um júri independente, rigoroso e honesto.

Quem se chega à frente?

(In Blog O Jumento, 03/10/2017)
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Há duas possibilidades para Passos Coelho ser arredado da liderança do PSD, ou o próprio se demite ou outros se candidatam ao cargo. Se Passos Coelho se demitir da liderança do PSD alguém terá de se candidatar, nem que seja o Zeca Mendonça das caneladas. Uma coisa é certa, sem perspetivas de virem a ganhar as legislativas ninguém no seu pleno juízo apresentará uma candidatura à liderança do PSD.
Alguém está a ver o Morais Sarmento deixar as dezenas de milhares de euros que ganha como advogado para ser líder do PSD onde ganha uns trocos, trabalha 15 horas por dia, sem direito a fins de semana e a férias? Alguém consegue ver o Santana Lopes deixar as mordomias da Santa Casa para se espetar outra vez na liderança do PSD?
É este o drama do PSD, ninguém credível aceita fazer um sacrifício quando tudo aponta para uma vitória do PS nas próximas legislativas. O último que teve a coragem de o fazer e aceitou liderar um PSD falido foi Marcelo rebelo de Sousa e todos sabemos o que aconteceu. Durão Barroso poupou-se e quando viu que podia ganhar as eleições rasteirou Marcelo.
Todos exigem que Passos se demita, mas a verdade é que mitos dos que fazem essa exigência estão desejando que tal não venha a suceder. A última coisa que Rui Rio quer neste momento é ser líder do PSD, é por isso que anda no jogo do toca e foge desde há muito tempo. Prefere ser a alternativa sem ter de dar a cara.
Se Passos não se demitir vai ganhar o próximo congresso com uma maioria digna da Coreia do Norte e os ex-líderes e putativos candidatos irão lá fazer o discurso da praxe, nenhum deles quererá ficar com a nódoa de não ter estado ao lado do partido, como se viu nestas eleições.

A não ser personalidades de pouco peso, ninguém tem pressa de assumir a liderança do PSD, fazem pressão com jantares em Azeitão (a versão da Mealhada do PSD) mas a verdade é que Rui Rio não dá a cara, há quase dois anos que anda por aí a brincar ao gato e ao rato, revelando falta de coragem para enfrentar Passos Coelho.

Todos dizem que querem que Passos saia, mas na verdade consideram cedo para exigir a sua saída. Preferem que seja o atual líder a aguentar o partido até que surjam sondagens oportunistas que digam  que com Rui Rio o PSD ganha e que com Passos o PSD perde. Nessa altura todos fugirão de Passos Coelho como se tivesse peçonha e até o pessoal do Observador descobre as qualidades de Rui Rio. O próximo líder começa da pior forma, aclamado por um bando de ratazanas em fuga.