Averiguar certezas

(Virgínia da Silva Veiga, 23/01/2019)

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Não tenho visto notícias. Vi aquela das luvas nas messes do exército, por alto. E cá com Deus e comigo: “desde o tempo de Salazar que me lembro de haver corrupção nas messes”.

A surpresa que – em verdade não foi nenhuma -, é como é possível continuar ainda nos dias de hoje a haver uma corrupção das mais badaladas antes do 25 de Abril. Messes, cantinas de escolas, hospitais, compadrio com fornecedores de comida é história tão velha que só a vejo a preto e branco.

E, afinal, ainda aí andam elas ao vivo e a cores! Como é possível?

Qual é a diferença entre este meu comentário e os daquela malta que gosta muito da página de Carlos Alexandre e adorava a Marques Vidal, a Joana? É que eu acho mesmo que, apesar destas vergonhas, Portugal está melhor e, graças a nós, vai ficar ainda melhor sem ser preciso estragar a Democracia, menos ainda de a pôr na dependência de suspeitas de crimes públicos por quem nunca os mandou investigar.

Não gosto do Ministério Público lisboeta, de alto nível. Aquilo anda mesmo muito mal.

Porque eu, chamando-me Joana – aí garanto! – tinha tido umas reuniões a alto nível, não para me condecorarem, que nem queria que ouvissem falar de mim, com Presidentes da República, que mandam nas Forças Armadas, e Primeiros Ministros, para, de forma cordial, discreta, acertarmos como íamos todos garantir vigilância, para que se não perpetuasse tal herança do Estado Novo.

Há muito tinha acabado com gente desta e, provavelmente, para não fazer pior mal ao país, nem disso tinha dado nota. Acabava, ponto final. E que nem se atrevessem a voltar a brincar aos desperdícios que aí, garanto, teríamos assunto!

Não, não armava banzé, nem confusão, as reuniões de alto nível são para isso, para juntar discretas formas de acabar com insuportáveis atitudes sem causar, por vezes, nefastos efeitos. É assim que as entendo. Estamos no século XXI.

Não é que ainda há corrupção nas messes? Nos hospitais e nas escolas?

Aquela Vidal está para me explicar quem foi. Não entendo quem por ela tenha a menor simpatia. É a imagem, péssima, que me deixou. Chutava para o ar, dava tiros para cima, para que se não visse a verdade do que mais destrói Portugal. As messes, alguns tipos da banca, pedreiras…

Já me calei, que a minha paciência com esse género de gente, mandando, que sabendo não sabia, incomoda-me. A grande corrupção em Portugal – milhões de milhões – começa aqui e acaba num qualquer acolá. Numa pedreira, também, por exemplo.

Quem tinha ou tem por obrigação tomar conta dos casos que não ande só a passear de camioneta e outros que se não armem em erguer bandeiras contra a corrupção que nunca mandaram investigar, sendo ancestralmente conhecida.

Nunca gostei de gente que, podendo saber de tudo isto, aceitou condecorações por suspeições, sem nunca averiguar certezas.

O Deputado de Aveiro

(Virgínia da Silva Veiga, 17/01/2019)

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Há um pormenor que me não canso de lembrar: Luís Montenegro, esse todo, é o nosso deputado por Aveiro. O PSD foi o partido mais votado nas últimas legislativas neste distrito e o cabeça de lista foi exactamente este mesmo indivíduo.

Daqui se deveriam tirar duas simples conclusões. A primeira delas é que nada tendo feito por Aveiro nada se esperava fizesse pelo País. Mas. é conclusão demasiado simplista, porque pelo país fez: ajudou a vender a pataco os nossos sectores estratégicos enquanto aumentava a dívida pública e permanecíamos devedores ao FMI. Lá se foi a nossa esperança de independência energética, os nossos lucrativos CTT, o nosso emblemático, e igualmente lucrativo, Oceanário, concessionado, e até a desgraçada TAP ia indo pelo cano da falta de visão estratégica, para não lhe chamar outros nomes.

A segunda conclusão, mais fácil, tira-se das afirmações que então fez, quando assumiu esse papel de liderar Aveiro: a nova direcção do PSD de então varreu 40% dos antigos militantes das listas para deputados e instalou os que se viram de que ele próprio é exemplo. Gabou-se então disso. Pode ouvir-se ainda, numa simples pesquisa na net.

Aí têm o retrato do nosso deputado que hoje se apresenta a instalar a confusão na política nacional e, logo, na estabilidade que nos tem feito ser emblema internacional.

Montenegro, o nosso deputado, o que os aveirenses escolheram como melhor de todos, tem o comportamento das aves de rapina que sobrevoam os céus em voo onde os distraídos não notam a postura de ataque. A qualquer momento, descem em voo picado e cravam garras em presa a abater. Alimentam-se dos incautos que quando se apercebem já estão esventrados.

O deputado aveirense teve ocasião de se candidatar a líder do PSD. Não se candidatou. Nas conjecturas possíveis de quem assiste ao que vê, tudo aponta para um cenário com tanto de plausível como de conjectura: sabedor de que a geringonça pusera a nu a espoliação feita aos portugueses e a Portugal, sem disso haver necessidade, como a prática demonstrou, do alto do tal voo planado, caladas as gargalhadas sobre Centeno, percebeu que talvez pudesse concorrer contra Rio mas nunca ganharia eleições nacionais.

Seria um líder a prazo. Foi então que surgiu Santana, vindo do que, a léguas, cheirou a acordo entre ambos. Santana ganharia a Rio, protagonizava os desastres eleitorais que as sondagens apontavam, Montenegro viria depois como salvador. Combinação perfeita.

Deram com presa velha. Apesar do sotaque e o estilo pouco dado a favorecer os media, Rio venceu. Caldo entornado.

Montenegro tinha agora que esperar as derrotas eleitorais que as sondagens fazem crer. E foi aí que entrou um factor com o qual não contava: Santana, ao tempo que cerrava as fileiras contra Rio, foi-se apercebendo de não precisar de Montenegro para nada. Formou um partido.

E agora, Luís? Agora o mal até nem seria por aí além. Santana ajudaria a diminuir ainda mais os resultados de Rio, do PSD. Nem era pior. E eis que os estudos revelam outra surpresa: apesar do homem do Norte não enfileirar por estilos liberais, o PSD resulta na última sondagem, isolado do CDS, com um número que, somado ao atribuído ao partido de Santana, num cenário em todo favorável ao PS, resultava, afinal em qualquer coisa entre os 28 e os 30%. Porque é esse o resultado da última sondagem, se bem lido e melhor analisado.

Afinal, fala-se tanto em saber quem são os deputados da nossa terra, aí têm um. Rio, ainda sem ir a debates eleitorais nem mostrar os candidatos, afinal não estava a deixar o PSD moribundo. Era, portanto, necessário sair rapidamente à ribalta com um discurso que minimizasse o líder.

Estávamos nesta parte do filme quando surge no horizonte outra ave de arribação com a qual Montenegro já não contava: Pedro Passos Coelho disposto a recandidatar-se. Montenegro vê esvairem-se todas as tão bem pensadas estratégias, não tem outro remédio senão avançar imediatamente, ainda que em plena pré-campanha para as europeias. Um aborrecimento.

E aí está ele no ponto de onde nunca saiu: tentar conquistar o PSD e transformá-lo ao gosto liberal dos seus apoiantes Hugo Soares, Paula Teixeira da Cruz, Maria Luís Albuquerque. Na ribalta da penumbra, Marco António Costa e Miguel Relvas. Montenegro é um estratega, um calculista. Rio – aí é que está – não é um menino de coro. O PS do Porto que o diga.

Não incomodou a Rio a purga de Santana, até agradeceu, porque viu à légua que o PSD tinha um palácio construído e andavam a decorá-lo com janelas de alumínio, nada a condizer com o ancestral tom da casa. Liberais para um lado, sociais-democratas para o outro e siga que o caminho sempre se fez caminhando, foi a estratégia adoptada por um Rui Rio – ele o disse – mais favorável em fazer entrar mais militantes do que incomodar-se com os que saiam por se não reverem na linha fundacional.

E é a isto que os portugueses hoje vão começar a assistir e que se resume a uma simples pergunta: o PSD vai regressar à linha de origem, a que lhe deu vitórias, ou será um dos cinco partidos liberais que se vão candidatar às próximas legislativas?

Aguarda-se para ver. Como o candidato aveirense ajudou a desgraçar a classe média e ameaça voltar a mais do mesmo, escuso de dizer o que penso. É um colega. Não esqueço isso como nada esqueço sobre o ex-presidente da Câmara do Porto.

Lê-se por aí ter sido o escritório do deputado aveirense favorecido por ajustes directos envolvendo milhares de euros de proveitos em casos nunca explicados. Deve ser mentira. Como é meu deputado, gostava de lhe ouvir uma explicação sobre tais boatos. Só para que nesse aspecto também sobre ele não pairasse também esta outra sorte de desconfianças.

Fala-se tanto da necessidade de se saber quem são os nossos deputados, e como pode a nossa terra contribuir para o país, pois aí têm o meu contributo para conhecermos o mais votado dos nossos. Não por mim, isso sabe-se.

Personalidade do ano (Pela negativa)

(Virgínia da Silva Veiga, 30/12/2018)

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A personalidade do ano pode ser eleita pela positiva ou pela negativa. Pela positiva já se sabe que o meu voto vai para Mário Centeno com um agradecimento pessoal tão grande que não tenho memória de assim estar tão grata a um político. Pelo meu grande País que ele lembrou e encaminhou para ser mesmo grande.

Pela negativa, o meu voto vai para Lucília Gago, a mulher que conseguiu, em pouquíssimo tempo de mandato, legitimar a exigência de que fosse imediatamente demitida.

Como se não bastasse o recrudescimento das violações ao segredo de Justiça, a manifesta absoluta conivência com certa comunicação social recrudesceu. Impunemente já se ouvem inquéritos de tudo e um par de botas.

Lucília, como, se não bastasse, uma funcionária do Estado, desrespeita a AR e, não se limitando a dar opinião, tenta fazer de si objecto de chantagem de desvirtuamento da Democracia.

É de tal natureza esta criatura que conseguiu fazer os mais insuspeitos ter saudades da tal outra criatura que andou de braço dado com a comunicação social deixando, para memória futura, tal baralhada e promiscuidade de que o país não tem memória, falo de Vidal, a tal Joana que nunca entenderei que alguém defenda.

A forma como conseguiu destruir face aos portugueses a imagem da Justiça e do MP é qualquer coisa que nunca imaginámos possível. Joana conseguiu. Conseguiu que os Portugueses entrassem num Tribunal como quem vai a um mercado de cebolas! Sem qualquer respeito.

Pois Lucília, chegou agora e já a bateu aos pontos, de tal natureza e horror que nos faz ter saudades da antecedente, sem as ter.

Não era fácil ser tão má em tão pouco tempo. Com ela a balda é absoluta e nem justificações dá a ninguém. Também prescindimos.

Ameaçou demitir-se e isso é quanto os portugueses lhe reconheceriam. Se tivesse coragem para isso porque, decididamente, para ordem não tem, de espécie nenhuma.

Nem para ela própria. Que se vá.

Lucília Gago, é do prisma negativo, a personalidade do ano.