Para memória futura da decadência ocidental

(José Goulão, in AbrilAbril, 18/11/2024)

Os BRICS relacionam-se em plano de igualdade, valorizam acima de tudo a independência e a soberania de cada Estado de alguma maneira envolvido no processo e negoceiam entre si segundo perspectivas mutuamente vantajosas, a negação absoluta do espírito imperial ainda dominante no sistema de vida no planeta.

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A cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) realizada no dia 25 de Outubro em Kazan, na Federação Russa, conseguiu reunir cerca de 50 delegações de alto nível de outros países, foi a primeira com a participação dos quatro novos membros de pleno direito – Egipto, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irão – e criou um grupo de parceiros em situação de elevada sintonia com o espírito da organização: Argélia, Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Indonésia, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Turquia (membro da NATO), Uganda, Uzbequistão e Vietname.

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A crueldade bíblica tomou o poder em Israel

(José Goulão, in AbrilAbril, 16/09/2024)

Itamar Ben-Gvir, Benny Gantz, Benjamin Netanyahu, Bezalel Smotrich

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Em numerosos comentários e opiniões que proliferam a propósito da situação actual nos territórios da Palestina conhecidos como Israel, sobretudo depois das grandes manifestações em curso contra o governo, existe a convicção de que o problema único é o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Isto é, uma vez que este se demita ou seja demitido, a crise ficará resolvida e tudo regressará à paz do senhor com a continuação da metódica limpeza étnica dos palestinianos.

Puro engano, piedosa ilusão. Nada voltará a ser como dantes no chamado «Estado judeu».

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«Homem moderno»

(Inês Torrado, in AbrilAbril, 24/09/2024)

Os avanços das ciências e das tecnologias, com evidentes conquistas para a Humanidade, têm evoluído ao serviço dos interesses e dos negócios do capital, perdendo-se pouco a pouco a vertente humana e social.

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Hoje damos mais valor ao conhecimento teórico do que à experiência acumulada ao longo da nossa História. Camões já referia que importava o conhecimento, mas aliado às aprendizagens e experiências ancestrais.

Hoje, o tempo acelerou, não sobrando espaço para os nossos rituais lentos. Tempos de encontros onde se trocavam histórias e experiências, memórias e raízes, saberes e prazeres, de outros mundos que permitiam melhor entender o nosso. 

Também no trabalho nos roubaram o espaço do prazer. Manuel Serrat relembra, quando se cantava «…a lavrar a terra, a picar a pedra, a amassar o ferro, encantando os gestos…». 

Pouco a pouco roubaram-nos a voz para acompanhar quem trabalha, mas também para dialogar, entoar poemas ou contos, cantar e embalar. A voz para transmitir informações vai ficando entregue a interlocutores robotizados e monocórdicos. E como importa ser ouvido, ser capaz de escutar para ser compreendido! 

Não nos calaram, nem nos ensurdeceram, com o silêncio nem com os sons da natureza, mas criando tanto ruído que nos entopem os ouvidos e surripiam os espaços de escuta. 

O tempo, hoje, desvaloriza a mão e tudo o que esta representa para a Humanidade. Julgo até que a mão nos relembra a nossa dimensão.

Hoje, os teclados e os botões são a regra, usando apenas alguns dedos.

Tantos anos a desenvolver a capacidade da mão para trabalhar, escrever, desenhar… E com elas nos exprimimos, pensamos, criamos, mas também nos cumprimentamos, tocamos, acarinhamos. O uso das nossas mãos está intimamente ligado ao desenvolvimento e à activação do cérebro. O desuso das mãos poderá colocar o cérebro em cheque…

Roubaram-nos a capacidade de olhar e de nos encantar. Continuamos a ver, mas como absorver tantas informações, demasiado rápidas e excessivas, que nos cegam, nos distraem e que não conseguimos memorizar, ficando uma «amnésia» de tanto excesso!

Roubaram-nos a mobilidade, passando a maior parte do tempo sentados a trabalhar, ou refastelados no sofá e entretidos por ecrãs. Como integrar no nosso dia-a-dia a mobilidade no trabalho, no lazer, no brincar? Resta-nos, após o dia de trabalho, ir tonificar e relaxar para os ginásios, como uma reabilitação obrigatória e individual.

Roubaram-nos o conhecimento, a cultura, as recordações, ficando tudo guardado em memórias externas, na internet. Até o pensamento fica atrapalhado, confundindo onde encontrar as informações com o conhecimento destas. Também os pensamentos mais complexos e profundos ficam dificultados pelo desuso das nossas memórias e a perda da nossa literacia.

Agora querem-nos roubar e artificializar a inteligência… já conseguem falar, responder, escrever e criar por nós… 

Pode saber bem viver adormecido, mas um dia roubarão as nossas almas.

Acordai!