O ilusionismo como profissão (Ou o confinamento produtivo de Portas)!

(Joaquim Vassalo Abreu, 19/04/2020)

Há largos tempos alguém perguntou ao Arquitecto Nuno Portas opinião acerca do seu filho Paulo. “ Um homem muito inteligente”, respondeu ele!

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Sem dúvida que o é, mas sendo a inteligência, por definição e natureza, algo que temos, seja ela inata ou seja ela desenvolvida, mas que deve ser direccionada para a partilha e esclarecimento universais, daquilo que por ela mais facilmente atingimos ou obviamos, quando ela apenas serve para satisfação própria de objectivos pessoais e egoístas, ela torna-se naquilo que bem define o Povo: ESPERTEZA!

Ora a esperteza nada tem a ver com inteligência. Como em Marques Mendes e muitos outros…

Porque, na verdade, para além das “prédicas” que têm, dada talvez a sua superficialidade e esperteza, nos horários nobres das Televisões, eles têm o privilégio de a exacerbarem ao máximo que as suas inteligências alcançam, em algo redutor e dirigido.

Pois quando analisam, ao contrário do Marcelo quando também o fazia, pois este num dualismo para ele didático ao menos dizia que fulano de manhã esteve mal e de tarde esteve bem, de bem com todos mas falando de todos, estes apenas abordam uma parte da questão omitindo sempre, e deliberadamente, a outra parte, a menos interessante…

Mas, mais grave ainda tornam-se, porque alguém isso permite, “especialistas” de tudo e mais alguma coisa e, tendo ido ao Google consultar algo de imediato, na passadeira que lhes estenderam e no palco que lhes erigiram, promulgam verdades definitivas…Assim tipo “Josés Gomes Ferreiras” desta vida que, logo a seguir a seja que decisão política anunciada for vêm, mesmo que seja a quente, transmitir a sua (ou de quem servem) enquadrada opinião.

É assim o “ilusionista” Paulo Portas, que do que fala percebe tanto quanto eu, mas que tendo o dia inteiro para vasculhar, aparece com gráficos e mais gráficos, como se fossem oriundos de alguma tese sua, para onde direcciona a sua sábia esperteza.

Mas alguém por acaso lhe conhece alguma obra, um livrinho que seja? Alguma tese, acerca do que for? Nada! Mas, assim de repente, tornou-se num “especialista”!

Onde guardará esse extraordinário acervo de seis mil fotocópias tiradas em duas ou três noites, em trabalho de louvável memória futura, de documentos do Ministério da Defesa precisamente antes de o deixar? Alguém nestes anos todos quis saber? Não…É que os papéis não falam, mas “dizem” e quem algo sabe cala! E, por tudo isso e quiçá mais, ele aí anda, implante e soerguido, distribuindo esperteza….

Mas que faz ele agora que deixou o seu Mexicano sombrero? Agora que nem emular a Diva pode? Dedica-se ao Confinamento Produtivo!

Mas não me vou alongar mais pois, deste outro “figurão e camaleão” da vida e política Portuguesas, já desenhei nos idos de 10/02/2015, há mais de cinco anos portanto, o seu retrato e a este chamei precisamente de “ O Ilusionista”!

Abram, por favor…( basta clicar em cima)!


Este amigo que eu canto, (Portugal)

(Joaquim Vassalo Abreu, 18/04/2020)

Na Pandemia do Covid 19 o campeonato dos números está na ordem do dia!

Se isso me interessa? Interessa! Se me interessa de sobremaneira? Não! Se estou atento? Estou! Se me deixa feliz estar Portugal num óptimo lugar no ranking mundial da luta? Deixa e muito! Se isso me sossega? Não!

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Mas há várias coisas que me deixam extremamente feliz e nem é preciso comparar com os nossos vizinhos espanhóis que em nada se entendem! Nós felizmente entendemo-nos e assumimos nesta “guerra” que somos todos soldados!

Na união por um objectivo e, ultrapassando demais considerandos, sabendo e intuindo ser por ora a grande batalha das nossas vidas!

Os nossos vizinhos olham para nós e não entendem como o nosso Parlamento, com pequenas divisões apenas de pormenor, não amplifica qualquer diferença e ao contrário deles se mostra solidário e uno nessa mesma missão, missão essa que, de resto, pertence a todos. E sem ódios nem acrimónias! Somos assim, nem convencidos nem arrogantes, somos assim…

Como pode um qualquer país vencer uma guerra se os seus Generais não se entendem, nem quanto à táctica nem quanto à acção? É o paradoxo espanhol numa ocasião como esta.

E aí sinto-me particularmente orgulhoso do nosso sentido de Nação mas, muito mais ainda, da nossa consciência solidária e no deixar para outros tempos o explicitar das diferentes visões! Pois elas são hoje uma só: A Nossa sobrevivência colectiva! Sem mais…

E a homenagem de gente que tem estado permanentemente no terreno, numa atitude sempre profilática e aconselhadora, que não repressiva, mas cumprindo e zelando sempre de modo eficiente e ao mesmo tempo condescendente a causa comum, numa sabedoria inata que vem do sentir de comunidade, Todas as Forças de Segurança, aos verdadeiros “soldados” das frentes de trincheira, emocionou-me ontem! 

 E emocionou-me porque senti não ser nada programado e nem sequer com qualquer resquício de hipocrisia, mas sim um acto voluntário de gente que estando de corpo e alma na mesma batalha reconhece que é ali, nos Hospitais, que trabalhando e doando, se salvam vidas mas também de arrisca a sua própria vida. E eles, todas as Forças de Segurança e de Protecção, que sabem ter um estatuto de exclusividade aceite e normativo, melhor reconhece que outra classe que não o tem, isso mesmo aceite e cumpra! De louvar? Sim, e duplamente!

Mas isto relembrou-me uma coisa que eu pela vida já um pouco longa que tenho nunca esqueci, nem a nossa História recusa: podemos ser tudo, ter todos os defeitos desta vida e nem vale a pena enumera-los pois também são nosso património ( cada Povo é como é…) , mas quando o nosso mesmo que diverso sentimento converge, venha lá quem venha, como no Futebol, venham Franças, Brasis ou Alemanhas… Somos sempre um só!

E como disse o Presidente ( que agora e nestes tempos também é o meu Presidente) :  Milagre? Milagre é Portugal!

E por isso hoje, sem qualquer rebuço eu digo: que sorte nós temos neste preciso momento histórico:

Ter um autêntico “couraçado” como Primeiro Ministro! Um Capitão do navio equilibrado e colaborante; marinheiros às velas que de tão atentos nem dormem; e todos os restantes membros da tripulação, qual olímpica regata, coordenados e eficientes e apenas fixados na vitória.

E comedidos todos, acrescento agora depois da metáfora!

Orgulho imenso eu sinto em ter nascido neste lugar no extremo da Europa e dando lições de vida ao poderoso vizinho, que é tão meu amigo, no Amor sim, mas muitas vezes exagerado no seu auto convencimento.

Este Amigo que eu Canto-

Portugal ( Ary dos Santos)

Desde quando nasci

Que o conheço e lhe quero

Como a um irmão meu

Como ao pai que perdi,

Como tudo o que espero.

É um homem que tem o condão da doçura

No sorriso de água, nos olhos cansados,

É metade alegria, é metade ternura

Nas palavras cantadas, nos gestos dançados,

Nos silêncios magoados.

Tem um rosto moreno

Que o inverno o marcou

E apesar de ser forte,

É um homem pequeno

Mas maior do que eu sou.

Tem defeitos, é certo. Como todos nós.

Sonha, às vezes demais,

Fala, às vezes no ar

Mas quando dentro dele a alma ganha a voz

É tal como se fosse o som do nosso mar,

Se pudesse falar…

Foi capaz de mentir,

Foi capaz de calar

É capaz de chorar e de rir,

Tem um quê de fadista,

Tem um quê de gaivota,

E a mania que há-de ser artista.

Quando vê que precisa

É capaz de roubar,

Mas também sabe dar a camisa.

Foi capaz de sofrer,

Foi capaz de lutar,

È capaz de ganhar

E perder.

É um amigo meu que às vezes me ofende

Mas que eu sei que me escuta,

Que eu sei que me ouve

E também compreende.

Quantas vezes lhe digo que tenha juízo,

Que a mania dos copos só lhe faz é mal,

Que a preguiça não paga e que o trabalho é preciso.

Ele encolhe-me os ombros num despreso total,

Este tipo é assim, mas…

Foi capaz de mentir,

Foi capaz de calar

É capaz de chorar e de rir,

Tem um quê de fadista,

Tem um quê de gaivota,

E a mania que há-de ser artista.

Quando vê que precisa

É capaz de roubar,

Mas também sabe dar a camisa.

Qual o nome final

Deste amigo que eu canto?

Pois é claro que é

Portugal.


Não perecendo da doença, iremos morrer da cura?

(Joaquim Vassalo Abreu, 15/04/2020)

Eu adivinho que a reflexão que faço me trará críticas infindas e, sei lá até, impropérios sem nome mas, por dever de consciência e sabendo estar a expôr algo de politicamente incorrecto, e para muitos blasfemo, mesmo assim não deixarei de o fazer.

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E não deixo de o fazer pois vou percebendo existir nesta crise, que a grande maioria de políticos e comentadores, de todos os quadrantes credos e estratos sociais, afirmam nunca vista, algo de tão paradoxal que ferindo a minha capacidade de entendimento me obriga a questionar da sua proporcionalidade.

Em 13 de Março p.p., perante a declaração de Pandemia por parte da OMS, num texto que escrevi titulado de “RELATIVIZAR É PRECISO” , eu já demonstrava algum cuidado de análise e relevava o facto de este vírus, ao contrário de muitos outros seus antecedentes, apresentar uma característica algo inovadora: o de ser de algum modo “democrático”. De atingir todos de igual modo, sejam ricos ou sejam pobres, conhecidos ou desconhecidos, importantes ou ignotos. Dizia eu a 13 de Março p.p.

E também escrevia:

Por isso se vê tanto afã de todos os governantes e poderosos do mundo de tão assustados que também estão, pois não podem comprar o seu não contágio”. E também:

Mas, por outro lado, é também preciso relativizar pois o seu efeito devastador não é maior do que o para todos já normal surto de gripe em alturas críticas do ano. Este ano ainda não sei mas lembro-me que em anos anteriores esses surtos de gripe sazonais foram responsáveis por mais de mil mortes por ano, de pessoas de maior risco naturalmente, e as urgências e os hospitais entraram em ruptura.

Mas é essencialmente necessário relativizar e aproveitar para relembrar que morrem de fome mais de 25 mil crianças por dia no mundo e nunca se vislumbrou qualquer medida ou sentimento de culpa por parte desses mesmos governantes e poderosos.

“ O que se devia agora que estão tão preocupados e assustados, tanto como todos os outros era, à boleia desta pandemia, exigir-se mudanças de políticas a nível global que reparem essa autêntica calamidade que é a fome.” Dizia eu…

E, acrescento, como em relação aos Refugiados, nunca vislumbrei, para além de qualquer sentimento de culpa, qual específico apoio, seja financeiro seja humanitário. Era (e é) um problema de outrém…É e será perante qualquer catrástrofe, a menos que directamente nos atinja, problema de outros…

Mas quem? Os que morrem de fome, da malária, de desnutrição e de total abandono em África, no Médio Oriente pejado de guerras que nunca compraram, das populações indefesas da Síria, do Iraque, do Yemen, do Afeganistão, do Líbano, da Faixa de Gaza…os que de modo ignoto e sem menção nos noticiários e jornais perecem todos os dias?

Até que parece ser proibido, porque demasiado violento(?) , ver imagens de crianças em Campos de Refugiados de fronteiras Europeias descalças pisando neve… As suas mortes nunca serão notícia e nunca para qualquer estatística contarão. São os “Ningunos”, como profetizou Eduardo Galeano.

Passado um mês, reflectindo profundamente, olhando para os anos recentes, para a última década, para as Pandemias entretanto surgidas e rapidamente debeladas ( Gripe das Aves, Gripe Suína etc..) e para o ressurgimento/ estabilização das economias dos países do sul e para onde as crises económicas foram mais cirúrgicamente enderessadas, causa-me uma intrigante estranheza a desproporção entre a sua realidade e as suas consequências económicas.

E a primeira pergunta que me surge, sabendo estatisticamente que a larguíssima percentagem dos óbitos supostamente provocados por este novo Corona Vírus é em idades superiores aos 80 anos, é: tendo-nos hoje sido transmitido que neste período de cerca de mês e meio foram contabilizadas 599 mortes por ele provocadas, quantas pessoas pereceram em Portugal neste mesmo período na sua totalidade?

É que seria da maior importância termos um número comparativo para aferirmos, ou não, da sua relatividade! Quantas pereceram por outros motivos já que do COVID 19 sabemos. E em mesmo tempo no ano anterior?

O que eu estou questionando é a “relatividade” e a “proporcionalidade”! O que eu estou questionando é o facto de, mais uma vez relativizando e não mais que isso, passado o primeiro impacto, aferido o comportamento global da nossa população, da sua consciência e dos inerentes perigos de postura daqui para a frente e ainda mais num período de debelação, virmos a sofrer mais pela cura do que pela doença.

Perante os números que são avançados a nível global de quebra da riqueza produzida (PIB) num só mês e meio e, pior ainda, do tempo que será preciso para retomar uma normal estabilidade nas relações a todos os níveis entre os Países, eu pergunto-me:

Mas, presumindo a crise estabilizada, é claro, estando os instrumentos de estabilização financeira promovidos e prontos a serem utilizados, para quê afectar-se o futuro de gerações e de um modo quiçá “normal” conduzir o País e as suas gentes a uma pobreza da qual não se saberá o fim, adiando o reatamento da Economia? E depois:

Para mim existe algo que não faz nem tem sentido. Estes programas em catadupa de apoios, de linhas de crédito, de programas financeiros, do BCE, do BEI, FEE, do sei lá que mais, um maior que o outro, um em paralelo e outro na perpendicular, um para isto outro para aquilo, mas que vão todos, se forem, desaguar à Banca, onde só numa ínfima parte serão disponibilizados não lhes parece um paradoxo? Vêm de onde? De que cofres sairão todos esses “triliões”, a serem efectivamente reais?

Isto não lhes parece, como a mim, uma coisa programada?

Será que o “cerco” às economias e às soberanias dos Países mais débeis, à boleia do Vírus, não tem nome? Tem e chamam-se Fundos, soberanos e não só, donos da maior parte das empresas no mundo, donos das Bolsas, sempre sedentos de “sangue” e poder e têm nomes: BLACKROCK, o rei dos reis, (só o nome já assusta), PIMCO, VANGUARD, BRIDGEWATER etc e demais Fundos Soberanos dos quais o mais forte é o Fundo Norueguês do Petróleo, administrado pelo Norges Bank, mesmo sendo tido como o mais transparente de todos.

A eles pertence 75% do PIB Mundial!

Para eles uma crise é sempre bem vinda! Dos escombros retiram mais riqueza… E à custa de quem? Dos de sempre e retirando sempre e sempre o pão à pobreza…

PS– Nunca mais me esqueço. Trabalhava eu em Paredes de Coura na década de 80 num Banco e tínhamos um cliente emigrante e empresário no Brasil e que todos os anos nos vinha visitar e um dia eu perguntei-lhe: Sr. Cerqueira, como consegue gerir os seus negócios com uma inflação daquelas (chegou a mil por cento ao mês ou dia, já nem sei, quando houve a conversão do Cruzeiro para Real, penso)? Ele respondeu-me: Sr. Vassalo, para mim quanto mais bagunça melhor!