Joana Marques Vidal, o palimpsesto

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 24/10/2018)

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(Nota prévia. Esta entrevista deve ser vista como um exercício crítico ao nítido enviesamento político das acções da anterior Procuradora, não correspondendo, obviamente a declarações reais de Joana Vidal. Quero deixar isso claro, não vão os menos atentos acusar a Estátua de publicar “fake-news”.

Estátua de Sal, 24/10/2018)


O texto abaixo é o da verdadeira entrevista concedida por Joana Marques Vidal ao Expresso e que se encontra escondido por debaixo das mentiras publicadas, basta escarafunchar o papel ou o ecrã com uma carica para recuperar a versão original.


Ficou surpreendida com a dimensão do fenómeno da corrupção em Portugal?

Devo dizer que fiquei. Mas mesmo muito. É que eu só entrei para o Ministério Público em 1979, sabe. Quando cheguei a 2012, ainda estava completamente verde nestas porcarias da corrupção. Sabia lá eu o que havia para aí. Mas depois, aqueles senhores muito simpáticos que me convidaram para procuradora-geral da República, o senhor Pedro, a senhora Paula e o senhor Aníbal, explicaram que Portugal estava infestado de socialistas, e que esses socialistas andavam todos a roubar para dar ao chefe, um tal de Sócrates de quem nunca tinha ouvido falar. Fiquei banza com a corrupção que esse bandido andava a fazer. É que era corrupção mesmo corrupta, uma coisa do Diabo.

Há a Operação Marquês, o caso Lex, os Vistos Gold, etc. O que é que se passou para estes processos terem acontecido num espaço tão curto de tempo, durante o seu mandato, quando não aconteciam tanto em mandatos anteriores, nomeadamente no do seu antecessor, Pinto Monteiro?

Ora, o que é que se passou… que raio de pergunta… Então não se está mesmo a ver?… Oiça lá, esse Pinto Monteiro não é o tal que foi uma vez almoçar com Sócrates, o chefe dos corruptos portugueses? Pois, portanto não estou a perceber a pergunta. Só se quiserem que eu faça um desenho.

Qual é o papel do procurador-geral da República? É deixar que se faça?

O papel do procurador-geral é promover a organização, a articulação interna e a capacidade de gestão que permita aos magistrados irem ao aeroporto deter fulanos que estejam a chegar ao País precisamente com a intenção de se dirigirem ao Ministério Público para prestarem declarações. Acho que se eles estão com essa maçada, então o mínimo que um procurador-geral pode fazer é proporcionar um automóvel com condutor e serviço de bagageiro de modo a que esses cidadãos não tenham a despesa do táxi. Claro, se ainda der tempo para avisar a malta da comunicação social, mais composto fica porque todos podem ver nos telejornais e primeiras páginas como é que tratamos cidadãos inocentes dispostos a colaborar com as autoridades.

E a atitude de o Ministério Público não ter medo de investigar políticos, ou inclusivamente de os prender?

Bem lembrado. Isso dá muito jeito e, inclusive, é giro. Só acrescentaria a atitude de o Ministério Público não ter medo de devassar e achincalhar políticos, familiares dos políticos, amigos dos políticos e colegas dos políticos. Porquê? Porque nos concebemos como um Ministério Público democrático. Já que esses políticos não têm moral – e não têm, aquilo é uma devassa dos infernos – então comem todos.

Tem pena que os seus argumentos não tenham sido suficientes para convencer os juízes do Tribunal Constitucional em relação a uma lei para o enriquecimento ilícito?

Tenho muita pena, muita pena. É uma pena haver socialistas em tanto lado, até no Tribunal Constitucional. Mas sabe como é, eles reproduzem-se a uma velocidade doida nos esgotos e depois passam pelas canalizações e buracos dos edifícios. Foi assim que conseguiram empestar o Tribunal Constitucional.

A delação premiada seria também um bom instrumento nesse combate?

A delação premiada… eu não gosto da palavra. A delação tem em si mesmo um sentido pejorativo para os portugueses, atendendo à nossa história recente com a ditadura. Portugal deveria caminhar num sentido de realmente alargar o âmbito da colaboração premiada, que já está prevista no nosso sistema jurídico há muito tempo em leis específicas como a lei da droga. Se a colaboração premiada continuar a causar reticências, tenho outras opções para sugerir. Por exemplo, a cooperação remunerada, o contributo recompensado, a ajudinha bacana, a sacanice valiosa e a pulhice d’ouro. É escolher.

Mas vê alguma recetividade a isso na Assembleia da República?

Naaaa, ’tá de chuva. O problema da Assembleia da República são dois: está cheia de socialistas e cheia de portugueses. Talvez com a crescente imigração de brasileiros consigamos ter, daqui por 25 anos, uma Assembleia da República onde se celebre o exemplo e legado de Sérgio Moro. Enfim, estas coisas demoram na Europa, longe vão os tempos em que era canja prender com facilidade a malandragem. Mas temos de lutar para que voltem, temos de lutar.

Foi informada antecipadamente da detenção de José Sócrates?

Claro! Então iam fazer caixinha comigo, a chefa?!… hehehe…

Deu a sua concordância?

Não só dei a minha concordância como dei urros de felicidade e grandes palmadões nos costados do Rosário! Que festa, pá! Agora, isto não se pode contar assim porque há para aí umas coisas, umas leis ou lá o que é, que dizem que os magistrados não precisam de pedir autorização aos procuradores-gerais para fazerem as suas avarias. O Pinto Monteiro, esse socialista asqueroso, estava sempre a resmungar contra isso porque dizia que lhe dificultava muito a corrupção que ele andava a fazer a mando do Sócrates. Lembro-me muito bem disso e uma vez até cheguei a ter pena dele.

Então, porque lhe deram conhecimento?

Estou convencida que foi porque eu tinha ido à terra uns dias antes e trouxe de lá um presunto magnífico e um garrafão de água-pé como já não se encontra em lado nenhum. O pessoal sabia disso porque tinha deixado os produtos em cima da mesa e eles gostavam sempre de espreitar para dentro do gabinete a ver se apanhavam estes mimos regionais. Mas também pode ter sido por causa de uma aguardente de pêra que um familiar me tinha oferecido em Aveiro no ano de 2009 e que foi um sucesso louco lá na Procuradoria.

Era a primeira vez que se colocava a questão de deter um ex-chefe de Governo. Como é que se sentiu?

Olhe, deixe cá ver se encontro palavras para explicar… A minha preocupação foi perguntar: têm fundamentos suficientes, indícios aprofundados, em termos jurídicos e factuais? Têm verificada a situação que leva a essa decisão processual? “Não temos. Nem fazemos puto ideia de qual seja o crime em causa.” Então, ao perceber que o fulano ia ser engavetado à má-fila, sem sequer ser preciso provar fosse o que fosse, nem ter de perder mais tempo a vasculhar papelada aqui e ali, comecei a sentir uns calores que iam subindo pelas pernas, passaram pela barriga e vieram alojar-se no peito deixando-me a arfar. Ao mesmo tempo, tinha as mãos geladas e os pés com formigueiro. Foi incrível e inesquecível. Só comparável com o meu primeiro beijo ou com a primeira vez que fui ao Colombo.

Acompanhou de perto este processo?

Diga-me você. Acha que me ia aborrecer de um processo com tanta escuta e tanto interrogatório? Só a ler a listagem do que os arguidos guardavam nos computadores e telefones passei noites e noites em branco. Absolutamente fascinante descobrir o que aquela maltósia andou a fazer com as suas vidas.

O engenheiro Sócrates chegou a acusar o Ministério Público de fazer uma perseguição política, de que havia um plano para impedi-lo de se candidatar a Presidente da República. Estava à espera de ataques deste género?

Aqui tenho de fazer uma confissão: estava à espera de bem pior. Quando foi aquilo do gamanço em Tancos, o primeiro suspeito que me ocorreu foi o Sócrates. Em segundo lugar, coloquei o Vara. Cheguei a fazer uma lista. Para ver a seriedade da coisa, nessa lista entram dois Santos Silva, e não foi por erro. E depois de Tancos voltei a desconfiar de Sócrates por causa do incêndio no Pinhal de Leiria. Ainda hoje estou convencida de que aquilo foi ele a fazer um ensaio para incendiar a Procuradoria-Geral da República com vista a destruir pelo fogo a nossa acusação. Está com azar porque já mandei colocar um balde junto da secretária de cada magistrado. Pelo que só lhe resta o armamento roubado em Tancos que ainda esteja em falta. Do mal o menos.

Chegou a haver uma fricção entre a procuradora-geral e os investigadores relativamente ao tempo da investigação. No final, acha que é uma boa acusação?

Mais do que boa, óptima. Veja bem, conseguimos misturar tudo e mais alguma coisa no processo, só faltou incluir o afundamento do Titanic e a Guerra da Crimeia. Nem daqui a trinta anos ele se livra daquilo. E, com sorte, vai mesmo de cana ou vai ficar sem um tostão. Mas mesmo que algum juiz socialista e corrupto acabe por ilibá-lo dado não termos provas de crime algum de corrupção, lá isso é verdade, acho que estamos de parabéns porque para nós é igual ao litro. Foi apanhado e triturado. Está feito em merda para o resto dos seus dias. E ainda teremos uma estátua para celebrarmos condignamente a Operação Marquês, gravem estas palavras!

Um relatório polémico feito pela inspeção do Conselho Superior do Ministério Público em 2014 sobre métodos usados pelo DCIAP, o departamento que investigou a Operação Marquês, dava conta de críticas que nós agora vemos na defesa dos arguidos deste caso e que têm a ver com os chamados processos administrativos, ou seja, investigações que estariam a decorrer fora do âmbito do inquérito-crime. O que tem a dizer sobre isto?

Não tenho muito. É que agora estou cheia de pressa. Instalei o Wi-Fi em casa e ando a tentar navegar o máximo que posso, descontrai-me tanto. Já passei por um sítio de apoio ao regresso do Bruno de Carvalho para salvar o Sporting, pelo que devo estar mesmo a chegar ao fim da Internet.

E não há um abuso por parte do Ministério Público em relação a esses procedimentos?

Mas quais procedimentos? Os procedimentos de apanharmos os corruptos? Tenha juizinho e fale do que interessa. Tudo o que servir para entalarmos os socialistas, isto é, os marginais, é santo.

Mas também têm um tempo de duração limitado. Não podem ficar adormecidos…

Ó homem, você é que me parece andar a dormir. Acha mesmo que é possível apanhar algum corrupto que dê gostinho, daqueles a pingar e exalar corrupção por onde passam a caminho do Rato, apenas com as leis que esses corruptos aprovam no Parlamento? Oiça lá, você é parvo ou faz-se?

E como vê as suspeitas levantadas sobre uma alegada batota que o Ministério Público teria feito para escolher o juiz de instrução Carlos Alexandre, para que fosse ele e não outra pessoa a acompanhar o inquérito-crime da Operação Marquês?

Vejo com naturalidade e simpatia. Provavelmente, são suspeitas vindas de pessoas que sabem do que estão a falar ou de pessoas de bom gosto. Qualquer das alternativas faz-me todo o sentido.

Passaram-se quatro anos desde que foram abertas as investigações ao colapso do BES. Em que pé estão?

No pé direito. Como sabe, a família Espírito Santo não era propriamente conhecida por conviver com a esquerdalha.

Há capacidade em Portugal para investigar offshores e esquemas financeiros nos casos do universo BES?

Haver, há. Mas tem de se ter em atenção que se trata, na enormíssima maioria desses esquemas financeiros do BES, de gente séria. Ora, ninguém quer um Ministério Público que não consiga distinguir entre a gente séria e a canalha. Com a canalha, pode-se atalhar nos procedimentos e acelerar um bocado porque eles já estão habituados a levar nas orelhas. Com a gente séria tem de se ter cuidado e outras maneiras. É que a gente séria não está nada habituada aos ambientes policiais e judiciais e depois estranha e até pode desenvolver alergias que acabam por prejudicar e atrasar ainda mais as investigações. Pelo que o melhor é ir com calma, offshore a offshore, esquema a esquema, mas sem pressa e, acima de tudo, sem stress. A gente séria odeia stress e eu percebo-os muito bem porque sou igual. Séria e alérgica ao stress.

Acredita que vai ser possível descobrir quem são os beneficiários efetivos do famoso saco azul do Grupo Espírito Santo?

Uma coisa lhe posso dizer com grande confiança. Sejam quem forem, são pessoas que merecem respeito e consideração. Não estou nada a ver o Grupo Espírito Santo a ir escolher um saco de cor azul, uma cor tão bonita, se em causa não estivesse a fina flor da nossa sociedade.


Fonte aqui

O que nos vale é ter acabado a impunidade – ou os sucessos do Ministério Público

(In Blog Aspirina B, 13/10/2018)

MP

(A impunidade é como a igualdade: há sempre uns mais impunes que outros.

Comentário da Estátua, 15/10/2018)


1 – Inventona de Belém, Cavaco queixa-se que anda a ser espiado e o Ministério Público faz escutas ao Sócras.

2 – Cavaco faz permuta manhosa da vivenda Mariani pela cena da Coelha, 5 vezes mais área e qualidade superior, subavaliação à vista desarmada, papéis falsos, construção ilegal, etecetera & tal; Ministério Público investiga o Freeporcos na base de uma denúncia anónima dum gajo do CDS, que trabalhava no gabinete do Santana Lopes, em colaboração com agentes da judiciária.

3 – Cavaco e filha, embrulhados numa história de mais valias nunca vistas com acções do BPN, nunca justificou a compra e muito menos a venda; Ministério Público investiga um sucateiro que deu uma caixa de robalos ao Vara.

4 – BES financia o genro do cavaco na compra do barracão atlântico, o banco faliu, não se sabe se pagou, se ficou a dever mas aparentemente aquilo é dele mais umas herdades que entretanto comprou. estranho para um gajo que só tinha credores à perna; Ministério Público investiga cartões de crédito dos ministros do governo Sócras e guarda resultados na gaveta para melhores dias.

5 – Falência fraudulenta do BPN, gang Cavaco à solta, só o Oliveira Casca foi dentro mas por pouco tempo e ainda gozou com a justiça; Ministério Público preocupado com 20 perguntas que não fizeram ao Sócras nos últimos 10 anos de investigações e fugas ao segredo de justiça.

6 – Governo sócras muda localização do futuro aeroporto da Ota para Alcochete por pressão do Cavaco, baseado em estudo pago pelo vanzelina, para os amigalhaços da primária do Cavaco comprarem terrenos em Alcochete com dinheiro emprestado pelo BPN. Ministério Público chamado a investigar Sócras por negociatas com a Elos e mais não sei quê relacionado com o troço do Poceirão que foi cancelado pelo Passos, negociata do Sérginho com condições ruinosas para o Estado.

7 – Desapareceram uns milhões com a compra dos submarinos e apareceram vestígios no CDS por intermédio do Capelo Rego. Idem com uns pães duros, mais umas broas com armamento e sobreiros do BES. Investigações borregaram, tudo gente séria. Ministério Público investiga Sócras por suspeita de receber bué de milhões do saco azul do GES.

8 – Orlando Figueira empresta dinheiro por baixo da mesa ao Carlos Alexandre e encaminha currículo do filho para a Sonangol e é tudo normal. investigam-se cabras & cabritos.

9 – Passos vende a PT à azeitice por uma broa e o Ministério Público resolve investigar Sócras porque não vendeu ao Belmiro.

10 – A corporação queria demitir o Centeno por causa dumas entradas para a bola, mas como a coisa não tinha ponta por onde pegar, abortaram a coisa e meteram a bucha dos cartões de crédito dos Secretários de Estado do Sócras.

11 – Rangel decide na Operação Marquês a contragosto da corporação, é investigado e há buscas em direto na TV manhosa por uma cena que afinal ninguém ainda sabe o que é, mas que afinal pode não ter sido nada. Dizem que havia um pacote com 10k euros na garagem.

Poderia ficar aqui a noite inteira, a enumerar exemplos da luta contra a corrupção e prisão de poderosos, mas seria fastidioso porque começam e acabam todos da mesma maneira: ai-é-então-espera-aí-que-já-comes.


Fonte aqui

Tancos? A imprensa de referência (ahahahahah!) explica

(Por Valupi, in Blog Aspirina B, 11/10/2018)

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(Os direitolas querem a cabeça do Ministro. Só do Ministro? Parece pouco. Trata-se de conjugar o verbo saber. Eu sei, tu sabes, ele sabe. Se o ministro sabia, Costa sabia, logo venha a cabeça de Costa. Se Costa sabia, Marcelo sabia, logo venha a cabeça de Marcelo, que será sempre o responsável último por ser o Comandante Supremo das Forças Armadas. 

Está em curso uma tentativa de golpe de Estado de opereta contra o regime democrático. Os direitolas estão à espreita. De cabeça em cabeça até à derrocada final das instituições do país, tentando abrir caminho para um Bolsonaro á portuguesa.

Estátua de Sal, 11/10/2018)

Era uma vez um ministro da Defesa que qualificou a discriminação contra alunos no Colégio Militar por razões de orientação sexual, discriminação assumida publicamente pelo subdirector do estabelecimento de ensino, como “absolutamente inaceitável”, pedindo explicações e exigindo medidas concretas para evitar casos desses. Perante a ausência de medidas concretas, Azeredo Lopes exigiu a demissão do subdiretor – o que o então chefe do Exército, general Carlos Jerónimo, considerou uma intromissão abusiva na cadeia de comando militar e, por isso, demitiu-se.

Estávamos em 2016, e a partir daí esse ministro da Defesa passou a sair à rua com alvos pintados nas costas, no peito e na cabeça. Os magníficos generais portugueses não iriam perdoar a afronta do civil armado aos cágados.

Em Maio de 2017, esse mesmo ministro da Defesa lembrou-se de encomendar material para reforçar a segurança no paiol de Tancos, algo que os seus antecessores no cargo não fizeram, talvez por falta de tempo ou lembrança. Porém, este ministro da Defesa de que falamos não teve a presença de espírito para, concomitantemente, mudar as instalações do seu Ministério para Tancos, em ordem a ele próprio poder levantar os olhinhos, entre um papel e outro que tem de assinar, para ir vigiando a cerca por onde os meliantes ameaçavam entrar. Errou gravemente, pois alguém terá percebido que o ministro da Defesa não ia mesmo conseguir defender o perímetro do paiol de Tancos a partir da sua escrivaninha em Lisboa, pelo que fizeram o óbvio: gamaram o que quiseram e puderam antes que chegasse o tal material de segurança encomendado pelo tal ministro da Defesa.

Assim que a imprensa de referência (ahahahahah!) soube do episódio, de imediato exigiu a cabeça do ministro da Defesa. Porquê? Porque se a imprensa de referência (ahahahahah!) não servir para dar cabo de ministros da Defesa já marcados para abate pelos valentes generais do exemplar Exército português, então servirá para quê? Só para pagar aos directores-pavões e aos caluniadores profissionais que contrata para encher o chouriço? Pois. Entretanto, a rapaziada da Polícia Judiciária Militar organizou uma cegada com a rapaziada da GNR de Loulé e com um rapaz tímido que só pedia para o deixarem em paz, número artístico esse que vai entrar para a História. Nesse entusiasmo todo, alguém se lembrou que era muita fixe envolver o ministro da Defesa. Se não para a diversão na Chamusca, seguramente para o after party. Vai daí, foram falar com o chefe de gabinete do ministro, o general Martins Pereira, e até lhe entregaram uma folha com uma história. Consta que esses valentes testemunharam um telefonema do general chefe de gabinete para o ministro que não estava no gabinete nessa memorável ocasião.

Estes são os factos conhecidos publicamente e a imprensa de referência (ahahahahah!) está em êxtase porque, diz, é desta que o ministro da Defesa vai pelos ares. E porquê? Porque se insinua à boca cheia que o ministro da Defesa mentiu ao negar ter tido conhecimento do memorando e de ilegalidades nele inscritas. O que, portanto, implica que o primeiro-ministro também mentiu, e logo na Assembleia da República. E se o primeiro-ministro mentiu e tem tido a cobertura do Presidente da República enquanto os cães ladram e tentam abocanhar um pedacinho do Governo, então o Chefe de Estado, que acumula com ser o Comandante Supremo das Forças Armadas, também nos está a tourear. É esta a tese da imprensa de referência (ahahahahah!).

Quanto à hipótese de os militares terem querido resolver a coisa só entre eles e, de caminho, terem aproveitado para queimar irremediavelmente o ministro da Defesa, isso já são ideias muito rebuscadas, completamente loucas, que a terem alguma veracidade teriam de ser primeiro validadas pela imprensa de referência (ahahahahah!). Fiquemo-nos pelo bom senso, sentido de Estado e respeito pela Lei que os factos conhecidos permitem constatar, então.


Fonte aqui