Os EUA vão abandonar a NATO?

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 06/11/2026)


A tentativa de lançar o debate sobre a possibilidade de a NATO existir sem os americanos não passa de um exercício fútil e absurdo. Os EUA pretendem reduzir os seus gastos com a NATO, mas não o seu poder na Aliança.


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Poucos entenderam Donald Trump quando ele disse que a NATO se encontrava obsoleta. O que ele afirmou, de forma sintética, foi que a Aliança deixou de servir os interesses da política externa norte-americana do modo que teve na Guerra Fria e no período que se seguiu, nomeadamente no Afeganistão. Além de não ser verdade, Trump estava a ser injusto e ingrato, uma vez que a NATO continuava a ser extremamente útil na confrontação que os EUA travavam com a Rússia na Ucrânia.

Mas havia que saber ler nas entrelinhas. Trump estava implicitamente a dizer que a NATO era inapropriada para o embate que os EUA pretendiam travar com a China no Índico-Pacífico. Era preciso uma nova NATO que continuasse a servir os interesses norte-americanos noutras áreas do globo onde os EUA pretendiam intervir. Os factos vieram dar-lhe razão, Trump não esquecerá a indisponibilidade dos aliados para o socorrerem, quando precisou deles, em fevereiro de 2026, para superar o desaire militar do ataque norte-americano ao Irão, que levou ao fecho do estreito de Ormuz.

Uma narrativa agressiva e ameaçadora da NATO relativamente à China podia agradar a Trump, mas era insuficiente. Com base nesta reação europeia, não será difícil extrapolar o que farão os aliados europeus num putativo confronto dos EUA com a China, em que a possibilidade de virem a prevalecer é cada vez mais remota. Os EUA não podiam contar com a Aliança. Era a isto que Trump se referia quando considerava a NATO obsoleta.

O facto de a NATO ter deixado de ter a importância que já teve no cálculo estratégico norte-americano reforçou os argumentos dos que, nos EUA, pugnavam pela redução das despesas com a Aliança, transferindo esse ónus para os restantes Estados-membros.

Uma leitura errada

A redução dos gastos com a defesa europeia declarada por Washington, impondo uma divisão dos encargos, foi recebida com muita ansiedade e desconforto pelas chancelarias europeias, que interpretaram isso como um abandono da defesa da Europa. O sentimento de insegurança gerado levou alguns aliados europeus, como a França e a Polónia, a assinarem em maio de 2026 um tratado bilateral de defesa mútua. A Alemanha e a Grã-Bretanha estão a seguir o mesmo caminho, preparando também o seu próprio acordo de defesa mútua.

A assinatura de tratados de defesa mútua entre membros da Aliança denota desconfiança na eficácia da NATO e descrédito na sua capacidade de honrar o seu compromisso fundamental: o Art.º V e a defesa coletiva, o leitmotiv primordial que justifica a sua existência.

Tudo indica que os aliados europeus estão a fazer uma leitura errada dos propósitos declarados da Administração Trump. A exigência de Trump para os aliados aumentarem, até 2035, as suas despesas com defesa para 5%, sendo 3,5% delas destinadas às designadas despesas essenciais de defesa, e o anúncio da redução da presença de forças norte-americanas na Europa, inserem-se numa divisão de tarefas que Trump quer implementar e não numa estratégia de abandono da defesa da Europa.

Uma leitura atenta da NSS (Estratégia de Segurança Nacional), publicada em novembro de 2025, e da NDS (Estratégia de Defesa Nacional) publicada em janeiro de 2026, devia sossegá-los. Em nenhum momento é dito naqueles dois documentos que os EUA vão abandonar a defesa da Europa.

Pelo contrário, é claramente dito nesses documentos que os EUA não sairão do continente europeu: “O Departamento [da guerra] continuará também a desempenhar um papel fundamental na própria NATO, mesmo enquanto ajustamos a postura e as atividades das forças norte-americanas no teatro de operações europeu, de modo a ter em melhor conta a ameaça russa aos interesses norte-americanos, bem como as próprias capacidades dos nossos aliados”. O compromisso norte-americano com a defesa da Europa permanece inalterado, mas a Europa deve assumir a responsabilidade principal pela sua própria defesa convencional.

Este pensamento baseia-se em duas premissas fundamentais: (1) “Moscovo não está em posição de reivindicar a hegemonia europeia”; (2) “a “NATO europeia” “supera a Rússia em termos económicos, população e, por conseguinte, em poder militar latente”. Trump considera que a Europa deixou de ter capacidade de vir a ser um polo estratégico competidor dos EUA – seguramente que a destruição do Nord Stream e a dependência energética europeia dos EUA que se seguiu, muito contribuiu para isso -, e que a Rússia não atacará a Europa.

A leitura da ameaça russa feita por Washington diverge claramente daquela feita pelos dirigentes europeus, por sinal subscrita por largos setores do partido democrata. A concretizar-se essa possibilidade remota, Washington reserva-se a prerrogativa de intervir.

Uma «NATO 3.0»

Trump sabe que os europeus meteram na gaveta a ideia de uma Europa estrategicamente autónoma, apesar dos arrufos frequentes de Bruxelas nesse sentido. A não ser assim, a visão de Trump para a NATO e para a defesa europeia representaria uma oportunidade histórica para a Europa concretizar as aspirações de autonomia estratégica articuladas pelos seus fundadores e reiteradas em vários documentos estratégicos associados ao projeto europeu.

Recorrendo ao que se encontra previsto na NSS, e na então recentemente aprovada NDS, o subsecretário da guerra Elbridge Colby informou os europeus, na ministerial de defesa da NATO, em fevereiro de 2026, sobre algumas ideias fundamentais do que irá ser a política externa norte-americana. “Os Estados Unidos estão a dar prioridade às ameaças aos interesses norte-americanos mais importantes, especialmente no que respeita à defesa do território nacional e aos seus interesses no Hemisfério Ocidental, bem como ao reforço da dissuasão por meio da negação no Pacífico Ocidental.” Acrescentando, que “esta abordagem da «NATO 2.0» já não serve o seu propósito – certamente não para os Estados Unidos”.

Nesta nova NATO que Colby apelidou de “NATO 3.0”, “o que é necessário é… algo muito mais próximo da «NATO 1.0» do que a abordagem dos últimos trinta e cinco anos. Esta «NATO 3.0» exige esforços muito maiores por parte dos nossos aliados para que estes assumam a responsabilidade principal pela defesa convencional da Europa.” “Nós, no Departamento da Guerra, continuaremos a preparar as nossas forças para cumprir a nossa parte nos termos do Art.º V, com a Europa a assumir a liderança na sua defesa convencional”. “Queremos parcerias, não dependências.”

Noutros tempos, estas declarações teriam sido interpretadas pelos europeus como uma oportunidade e não como um perigo.

Curiosamente, já em 1997 Brzezinski dizia algo muito parecido: “A unidade europeia exigirá que essa estrutura se adapte à nova realidade de uma aliança baseada em dois parceiros mais ou menos iguais, em vez de uma aliança que, para utilizar a terminologia tradicional, envolva essencialmente um hegemónico e os seus vassalos.”

“Olhando para o futuro, a promessa para 2026 e os anos seguintes é esta: uma NATO em que a Europa seja o principal defensor convencional do teatro de operações europeu, apoiada pelo poder estratégico e pelo alcance global dos Estados Unidos”.

Portanto, os EUA continuarão a desempenhar um papel vital na aliança, mas ajustando a distribuição de forças e a sua atividade no teatro europeu tendo os europeus de assumir custos que não assumiam do antecedente. “A Europa aumentará o seu contributo para a Aliança que continuará a ser liderada pelos EUA.”

Trump “apenas” pretende reduzir os custos com uma Organização que perdeu a utilidade do passado, transferindo esses custos para os europeus, mas sem prescindir da posição de liderança que os EUA sempre dispuseram. Trump nunca manifestou interesse em retirar o chapéu nuclear à Europa, como também não ameaçou retirar os meios de comando e controlo que disponibiliza para a NATO e que os europeus não dispõem.

A intervenção de Colby foi omissa relativamente a um possível emprego da NATO no Indo-Pacífico. A “NATO 3.0” que ele propõe assemelha-se mais à “NATO 1.0” do que à “NATO 2.0”, que ele refuta. Embora seja prematuro prospetivar o papel da NATO no Indo-pacífico, no momento em que este artigo foi escrito, parece que a Administração Trump não alimenta grandes ilusões sobre a sua utilidade nesse potencial teatro de operações. O que não significa que os EUA não possam vir a beneficiar da colaboração de alguns Aliados e parceiros da Aliança.

Apesar da exagerada ansiedade de alguns líderes europeus, tudo indica que os EUA não abandonarão a Europa. A defesa europeia continuará a efetuar-se no quadro da NATO e não em nenhuma instituição europeia alternativa. A tentativa de lançar o debate sobre a possibilidade de a NATO existir sem os americanos não passa de um exercício fútil e absurdo. Os EUA pretendem reduzir os seus gastos com a NATO, mas não pretendem reduzir o seu poder na Aliança, tencionando continuar a definir a sua agenda.

A prova do empenho norte-americano na defesa europeia é evidente. Na recente redistribuição de comandos da Aliança, os EUA cederam aos aliados europeus dois comandos de Forças Conjuntas, mas não prescindiram do SACEUR, o comando militar mais importante da NATO, o único de escalão estratégico militar e dos três comandos de componente.

Foi durante as Administrações Trump que foram desenvolvidos e consolidados dois conceitos fundamentais de atuação da Aliança, erigidos sob a supervisão de generais norte-americanos: em junho de 2020, o DDA (Deterrence and Defence of the Euro-Atlantic Area), com o objetivo de reformular a estratégia da Aliança após as alterações de segurança iniciadas com a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014; e a EFDI (Iniciativa de Dissuasão do Flanco Oriental), iniciada pelo comandante do Exército dos EUA na Europa e em África e do Comando Terrestre Aliado da NATO, que consiste em restabelecer a dissuasão por negação, através do reforço da defesa e da prontidão em todo o flanco oriental da NATO.

A peugada norte-americana na definição do futuro da Aliança, em particular no domínio militar, é demasiadamente forte para se poder alegar com credibilidade o seu abandono da Aliança. Não é verosímil aceitar que os EUA alguma vez fossem abrir mão de um ativo tão importante como a Europa, na prossecução do seu projeto de primazia global facilitando a intrusão de um rival, sabendo-se ser a geoestratégia o principal racional inspirador da sua ação externa.


13 pensamentos sobre “Os EUA vão abandonar a NATO?”

  1. O que tem salvo a Rússia até agora e justamente a sua superioridade convencional sobre esta Europa e Estados Unidos supostamente tão mais ricos que ela.
    Porque a maior peta que nos teem vendido e que a Rússia está a combater contra a Ucrânia.
    A Rússia está a combater contra todo o Ocidente pois que desde a primeira hora para lá foram muitos milhares de mercenários de todo o lado.
    Mercenários que teem recebido o melhor que o Ocidente tem.
    Armas maravilha que teem sido sucessivamente destruídas.
    A única coisa que tem faltado são ataques directos a partir de território ocidental e se eles não acontecem e por saber que provavelmente serão destruídos como tem sido destruído tudo o que tem sido dado a ucranianos e mercenários.
    E por saber que um Oreshnik em Londres e capaz de ser mal recebido por povos que não estão dispostos a morrer em nome dos sonhos de conquista dos seus dirigentes.
    A Rússia não e uma ameaça sinplesmente porque não precisa desta merda para nada.
    Tem tudo o que nos não temos por isso e ao contrário.
    Deixemos nos de tretas de PIB.
    Os pobres somos nós.
    Só que em vez de sermos como os que pedem humildemente na porta da igreja temos dirigentes que querem que sejamos como os salteadores medievais que matavam viajantes para lhes roubar a riqueza.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  2. O Primeiro Ministro da Eslováquia, Robert Fico, tem um valente par de bolas de aço!

    “The referendum on Slovakia’s accession to the EU may have been falsified, according to the Prime Minister.

    Slovakia joined the EU in 2004.

    “We held a referendum that would not have been successful if it had not been falsified.

    This needs to be said. The margin of votes was so slight that, in my opinion, adjustments were made so that the results would be as they should have been, for Slovakia to approve accession to this organization,” Robert Fico stated.”

    in: DD Geopolitics

    A ditadura da UE é assim: uns que ERAM um bocadinho mais soberanos repetiram referendos até dar o resultado “certo”, outros ajustaram votos para dar o resultado “certo” logo à primeira (Eslováquia, Montenegro), e os mais cornos e ignorantes do grupo, tipo Portugal, nem sequer referendos fizeram.

    Mas mesmo que fizessem referendos limpos, sem manipulação,os resultados não seriam legítimos, pois o consentimento é previamente criado pela propaganda quase omnipresente e os povos votam só depois da lavagem cerebral ser feita.

    Militarmente, uns ainda se mantêm neutrais: Irlanda, Áustria, Suíça, Moldávia, Sérvia.
    Outros mantiveram a neutralidade tanto quanto puderam, i.e. até à captura política final e à manipulação emocional dos respectivos povos pela propaganda made in Langley=CIA (Suécia, Finlândia).
    Outros foram sendo anexados ao império do Pentágono ao longo das últimas décadas por uma continuidade de agenda/política sem um único ziguezague entre Bill Clinton, George W Bush, Barack Obama, Trump v1, Biden, Trump v2, etc.
    E os mais cornos e ignorantes, tipo Portugal, simplesmente deram continuidade à herançabda ditadura fascista (co-fundadora da NATO em 1949) e continuam anexados a esse grupo militar ofensivo terrorista mesmo em violação da própria Constituição, que desde 1976 exige a neutralidade militar do país.

    E porque é que a DITADURA FASCISTA COLONIALISTA de Salazar foi co-fundadora da NATO em 1949?
    Porque os EUA ameaçaram invadir os Açores durante a Segunda Guerra Mundial, para melhorar a sua logística quando finalmente, com vários anos de atraso, e muita consideração para com a Alemanha capitalista de Hitler, decidiram entrar na guerra.
    O imperador fascista e colonialista genocida Churchill, muito amigo do seu gémeo geopolítico em Santa Comba Dão, fez de mediador e basicamente foi assim:

    Porco Inglês: “Hello, dear António, I have to tell you that USA wants a base in Azores, and you either accept that, or Roosevelt will invade it”

    Porco Português: “Ok, mas em troca em quero apoio para o meu governo”

    Porco Americano: “First, we use your territory, and for now we “give” you the fact that we do not invade nor bombard you and later we will see what deal we can make, if, IF Franco does not kill you in the meantime”

    (… a União Soviético ganha a guerra e hasteia a bandeira em Berlim…)

    1949:

    Porco Inglês: “Hello, my dear friend António, I think we came up with a solution that suits us all. After all, we have common enemies.”

    Porco Português: “Ok, seremos a aliança contra os comunas (anti-fascistas) e contra os pretos (anti-colonialistas) e contra os terroristas subversivos (os democratas em geral).”

    Porco Americano: “First, you join NATO, then you vote for the creation of “israel”, later our CIA and MI6 will train your PVDE (PIDE), and as long as you stay in line, we got your back.”

    E foi assim, mais paleio menos paleio, que a ditadura fascista colonialista de Portugal fez, como lhe chamam os historiadores mais sérios e informados sobre este assunto, um autêntico SEGURO DE VIDA, que levou o Estado Novo são e salvo de 1945 até 1974, ano em que um grupo de Capitães fez soar os alarmes nas pocilgas de Washington DC e Londres.

    Tal como mostram os documentos das secretas (CIA e MI6) entretanto tornados públicos.

    Houve pânico em Langley e em Londres, pela possível perda de um aliado tão querido como a DITADIRA FASCISTA COLONIALISTA, e agora também CIMINOSA DE GUERRA.
    Ai, ai, ai, se esses “comunas” do MFA tiram este país da NATO e da “democracia liberal”… ainda vamos ter de fazer ali também uma intervenção “defensiva” como a do Vietname…

    A natureza dos porcos não mudou nada nestas décadas todas!

    É por isso que digo e repito, para Portugal se tornar decente e recuperar a independência, i.e. deixar de ser vassalo do Pentágono via NATO e deixar de ser uma província da ditadura da UE, Portugal tem de fazer uma revolução pelo menos tão disruptiva como a de 25 de Abril de 1974.
    Mas ao contrário dessa, não se pode voltar a cometer os mesmos erros de deixar a escumalha à solta e de nos mantermos exatamente na mesma boca do leão, geopoliticamente falando.

    Será necessário prender ou expulsar a escumalha, ou pior…
    E será necessário uma aliança militar imediata com a Rússia e a China, idealmente seguindo a lição da Coreia do Norte no que ao desenvolvimento rápido de ICBMs e de armas nucleares diz respeito.

    Quanto à “crise” da saída da Euro ditadura, eu pergunto: preferem o gasóleo a mais de 2 € por litro, ou preferem ter Escudos na carteira e comprar gasóleo à Rússia a menos de metade desse preço?
    Qual desses dois cenários é que é realmente sinónimo de crise?

    Preferem importar electricidade de Espanha e ter apagões?
    Ou preferem ter um ou dois reactores nucleares modulares de nova geração, com reutilização de 90% do combustível radioactivo, construídos em parceria com a Rússia e a China, e que garantirão que Portugal deixa de ser um importador de electricidade e de estar dependente de fenómenos meteorológicos?
    Qual das duas situações é que é crise?

    Preferem ter um país em paz, com dignidade e cabeça levantada, ou preferem ver o vassalo de serviço a apertar a mão a nazis e a prometer ser cada vez mais um participante numa guerra do outro lado do Mundo, já para não falar de todas as vergonhas nojentas que foram as colaborações em todas as agressões dos EUA/NATO por esse Mundo fora?
    Qual destas é que é a crise?

    Preferem uma balança externa negativa, com muitas importações da Alemanha, e uma Auto-Europa a servir de esmola, ou preferem um país com saldo externo positivo, sanções/tarifas para produtos dos EUA/Alemanha, e re-industrialização com participação privilegiada na BRI (nova rota da seda) da China?
    Qual destas é a crise?

    Preferem ver jovens acampados em tendas e velhotes expulsos de casa, e famílias afogadas em rendas/prestações de especulação, enquanto os ricos acumulam casas atrás de casas, e a Administração Interna fascista manda cargas policiais contra os sem-tecto?
    Ou preferem um país onde a habitação seja um direito para os Portugueses e a especulação (dos porcos capitalistas e dos expats VIP) seja derrotada?
    Qual destas situações é a crise?

    Preferem um pais que tem contas aprovadas pelos ditadores em Frankfurt, que nos obrigam a cortar salários e carreiras e pensões e serviços públicos, ao mesmo tempo que nos obrigam a vender/privatizar as jóias e a gastar mais na guerra imperial?
    Ou preferem um país onde o povo é quem decide o orçamento, e onde a Defesa é mesmo só defesa, e onde o custo de um F35 dá para mandar vir uma fornada inteira de uma fábrica de veículos militares da Rússia ou da China?
    Qual destas hipóteses é que é a verdadeira crise?

    E querem um país onde esvoaçam bandeiras dos EUA enquanto bombardeiam escolasde meninas em Minab, bandeiras do Reino Unido enquanto comete limpeza étnica nas Maldivas só para fazer lá uma base militar no meio do Índico, bandeiras dos nazis ucranianos glorificadores de Stepan Bandera, bandeiras dos Sauditas e Emirados enquanto exterminam crianças no Sudão e Iémen respetivamente, e bandeiras de “israel” enquanto comete genocídio em Gaza e invade o Líbano e bombardeia meia dúzia de países?
    Ou preferem um país que se possa orgulhar da sua decência?
    Qual destas opções é que é a verdadeira crise? Neste caso uma crise de moralidade!

    Pois bem, as pessoínhas que estão com medo que os EUA deixem a NATO e querem 5% do PIB gastos no tributo imperial, deviam era ganhar noção e ter vergonha na cara!
    E as pessoínhas que abanam as bandeirolas da ditadura UE, deviam era ser todas corridas à chapada no focinho até deixarem de ser idiotas!!

    Com certeza, na geopolítica não bastam os princípios, também é preciso pragmatismo.
    Mas o pragmatismo actual, isento de quaisquer princípios, e atolado em corrupção e vassalagem, é o nível zero da geopolítica, é a ausência total de dignidade e de soberania, é ter o focinho enfiado no fundo da pocilga por baixo de todos os outros porcos amontoados em cima de nós!
    Nem sequer Salazar baixou a este nível. Ele ao menos ainda negociava o preço, antes de baixar as calças…

  3. O título não condiz com o texto. Sempre rigoroso na análise. Mas a Europa está assim tão ameaçada pela Rússia, um país muito menos rico que a Europa da U.E é o que sobra dela, em matéria de população e produto interno bruto. A Rússia tem vantagens na riqueza das terras raras, gás e petróleo o que não é pouco, e daí, porventura os EUA e a Europa da UE salivarem por aquelas riquezas, daí a NATO colar-se à fronteira ocidental da FRussa e sentir o impulso provocado pelo salivar das riquezas da Rússia, um país que também é europeu, de fragmentar a Federação Rússia, pulverizando-a e abocanhar com o instinto imperialista mas embrulhado na defesa do demoliberalismo, nos direitos humanos e na defesa do direito internacional com regras(que são sempre as estimuladas pelos vencedores). Se a NATO pudesse esfrangalhar a FRussa pelas armas, com custos da morte de populações, tentará fazê-lo, em nome dos grandes valores ocidentais, o adiamento do ataque está preso pela noção do poder nuclear russo, que assusta os mandantes da UE e da NATO, porque sabem que pode sobrar para eles e para os seus filhos.

  4. E assim vai a internacional fascista e a sua presença nefasta nas redes sociais.
    Estaria o guarda redes do Andorra a ser crucificado se fosse de ascendência sueca ou ucraniana e não aquilo a que se chama “um preto retinto”? Duvido e faço pouco.
    Se fosse israelita, o atingido fosse árabe e o sionista se tivesse lançado ao lance ao grito “morte aos pretos da areia” quem lançasse a mínima critica seria acusado do tal antissemitismo.
    Assim já se fala até em acusações criminais sendo que a ocorrerem será a primeira vez que uma morte acidental em campo vale isso tudo.
    A Europa está realmente a tornar se um sítio muito mal frequentado.

  5. Carlos Moedas, o assassino do elevador da Glória, assinou por decreto a saída da acampada do Rossio até porque os turistas que se espera venham ao Mercado de Natal beber vinho quente gozando temperaturas bem mais amenas que mais a Norte não podem ser incomodados por malandros que não querem trabalhar para poderem comprar T2 por meio milhão de euros ou pagar rendas moderadas de 2300 euros.
    Espera se mais saraivada de bastonadas nos próximos dias.
    Candidatos a Imperador impiedoso há muitos.

    • E o Pedro Duarte resolveu que quer instalar uma pista de gelo, logo na Praça D. João I. Já viram a instrumentalização comercial para efeitos do “spin” que estas sumidades querem dar às “Acampadas”? Sempre a dividir e a denegrir para reinar…
      Estas carolas direitolas farsolas javardolas não páram…

  6. Nunca deixo de ler os comentários aos artigos da Estátua. Hoje e após o imeeenso bocejo do artigo do major general, foi divertido

    • Na realidade isso é uma premissa pertinente para o início de uma discussão importante:

      – os médicos e enfermeiros que são formados com dinheiro público, mas acabam em clínicas privadas de operações plásticas fúteis, para não dizer nojentas.
      Médicos e enfermeiros cuja decisão/ambição pessoal ajuda a prejudicar o SNS, onde faltam médicos para executar cirurgias realmente necessárias para a população;

      – os recursos hospitalares desperdiçados com a vaidade de meia dúzia de ricos e/ou acéfalos, que são transformados em lixo não reciclável, sem que isso tenha um pingo de impacto positivo na sociedade.
      E são blocos operatórios que não estão a ser usados na cirurgias plásticas reconstrutivas que são realmente necessárias.

      * Estes médicos e enfermeiros são gente sem ética, que devia devolver por inteiro e com juros o que o Estado investiu na sua formação.
      * Estas clínicas privadas são inimigas da população em geral, pois de facto contribuem indirectamente para piorar a saúde em Portugal.
      * Estes pacientes são gente doente da cabeça, que devia estar acompanhada em consultas regulares no psicólogo ou psiquiatra, e quiçá internadas devido ao perigo que representam para si próprias.
      * E as carteiras destes clientes têm dinheiro a mais, que obviamente devia ser mais taxado, de forma a que essa riqueza fosse re-distribuída por quem realmente precisa, por exemplo na comparticipação do Estado nas despesas que os portugueses têm na saúde oral/dentária, praticamente INEXISTENTE no SNS.

      Joaquim Camacho, pensavas que estavas a fazer uma piada com um cu de silicone, mas na realidade estás a falar de coisas sérias e a lançar uma discussão importante e que faz falta!
      😉

      Numa nota mais brincalhona, mas igualmente cândida, eu tenho a dizer que sou contra todas as cirurgias plásticas feitas por vaidade/futilidade, pois na prática são uma forma de publicidade enganosa! Quer nos sites de encontros, quer nas redes sociais, quer nos sites de putas.
      Vês a foto de um cu gostoso ou de umas tetas deliciosas, mas depois, após marcar o encontro e de perder tempo e dinheiro para ter sucesso no engate, depois de tirar a roupa, começa-se a ver as formas pouco naturais e as costuras e cicatrizes, e confirma-se que é só plástico e é, sinceramente, uma desilusão do caralho. Literalmente!

      E pior: não há nenhuma autoridade nem associação do consumidor/fornicador que nos acuda para termos o reembolso.
      Pagas por picanha do Brasil gourmet, mas ou ficas em jejum, ou tens de fechar os olhos e comer carne picada de origem duvidosa envolvida em plástico.
      E andam aqueles cabrões na faculdade de medicina tantos anos só para no final me estragarem o petisco!

      Por isso digo e repito: mais vale uma maminha natural e pequenina, do que um mamalhão artificial digno do plasticão.

      AJ Applegate forever!
      Bimbos shall not pass!!

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