(Manuel Loff, in Público, 07/01/2026)

A dupla impunidade imperialista e fascista, com Trump como com Hitler, consegue-se quando quem tem capacidade de a impedir prescinde de o fazer.
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Perguntada anteontem se a UE entendia que o ataque militar dos EUA à Venezuela foi “uma intervenção, uma invasão, um ato de agressão, um golpe externo?”, a porta-voz da Comissão Europeia recusou-se a discutir a “terminologia” dos acontecimentos, e criticar ou condenar Trump. “Não creio que isso seja relevante” (PÚBLICO, 6/1/2026 ). O tom foi o mesmo entre os governos da UE, desde o chanceler alemão (para quem a questão legal é “complexa”) até Paulo Rangel, que não só encontra “intenções benignas” em Trump, como, jurista que é, precisava ainda assim de falar com “os seus “homólogos na Europa e os EUA, no sentido de ter uma visão mais completa da situação” para poder definir o ataque à luz do Direito Internacional.
É coerente que Israel, campeão das violações de direitos humanos e da legalidade internacional, tenha “felicitado” Trump “pela sua decisão” e “aplaudido as forças militares estadunidenses que levaram a cabo uma operação impecável” (a expressão é a mesma que tem usado a oposição antichavista e os seus vários porta-vozes em Portugal). A ele juntaram-se Milei, Zelensky e Corina Machado; era inevitável. Mas é patético que Rangel, para quem Portugal “valoriza sempre a legalidade internacional e a Carta das Nações Unidas”, não consiga perceber o que percebeu Guterres e os governos dos maiores países da América Latina ou o de Espanha: que se trata de uma violação descarada de toda a legalidade internacional. E que este é, depois da impunidade israelita na Palestina, um dos atos fundadores da Nova Ordem trumpista. Hitler quase conseguiu impor uma na II Guerra Mundial. Foi o que se viu.

Mas voltemos à questão da “terminologia”. Regularmente insultados por toda a pandilha MAGA, que os neoliberais que dominam quase todos os governos europeus, em grande parte dos casos de mãos dadas com neofascistas que se sentem vingados por Trump, manifestem tanta falta de vontade em chamar as coisas pelos nomes, quer face a este ato de guerra ilegal contra a Venezuela como em três anos de genocídio em Gaza, diz tudo do processo de degeneração política que o neoliberalismo tem significado desde há já meio século. Esse processo tem um nome: fascização.
Trump reproduz neste século o que Mussolini inaugurou na política de massas de há cem anos: uma “liderança desinibida” e narcísica como lhe chama Wendy Brown em Nihilistic Times (2023). Quando a justiça italiana acusou, em 1925, vários squadristi fascistas do assassinato de Matteotti, um dos deputados socialistas que ainda sobravam no Parlamento, Mussolini, já então à frente do Governo, vangloriou-se de ser o capo do partido dos assassinos e desafiou, mão na anca, quem o quisesse enfrentar: “Fui eu que quis que as coisas chegassem a este ponto extremo”. Chama-se a isto impunidade, e o fascismo é, nos anos 1920-45 como nos dias de hoje, a reivindicação da impunidade do mais forte para fazer valer uma supremacia que julga ter-lhe sido dada pela acumulação de riqueza, pela tradição, por Deus ou simplesmente pela sua capacidade real de desprezar os valores da igualdade e todas as regras da própria constitucionalidade liberal.
A dupla impunidade imperialista e fascista, com Trump como com Hitler, consegue-se quando quem tem capacidade de a impedir prescinde de o fazer. No sistema internacional, deveria ser a ONU e o TPI quem deveriam atuar. Que não o possam fazer agora, e que continuem a não poder fazê-lo no genocídio de Gaza, deve-se exclusivamente aos EUA e aos seus aliados europeus no Conselho de Segurança. E à desoladora cobardia política (e moral) dos dirigentes dos aliados dos EUA na NATO, esse bando de “chamberlains”, como lhes chamou Ana Sá Lopes neste jornal em referência ao estadista britânico que apaziguou Hitler até ele invadir a França em 1940. Já nem sequer é ironia que eles se possam encontrar muito brevemente na mesma posição de Maduro quando Trump mandar invadir a Gronelândia, convencido, como dizia ontem com razão um assessor de Trump, que “ninguém oporá resistência armada aos EUA”. Apostamos em como a primeira-ministra da Dinamarca vai engolir a sua tese de que esse dia seria o do “fim da NATO”?
O autor é colunista do PÚBLICO e escreve segundo o acordo ortográfico de 1990
Será que a história se repetirá, mas agora como farsa? Será? Basta olhar para a armamentista alemã e os seus palhaços do CE, Costa e Kajasa, para temer pelo que se seguirá! Ouvir a ópera de Verdi, Macbeth, não chega par ver tempos risonhos …
É tão engraçado ver a ginástica atrapalhada dos euro-atlantistas do status quo, que um dia pensaram, fruto de tanta propaganda e histórias para boi dormir, que também eles pertenciam ao “mundo livre”, iluminados pelo “farol” do “sonho americano”, sob protecção do Grande Irmão…
Os “grandes líderes” ainda não sabem bem o que hão-de dizer, parecem baralhados, hesitam, contradizem-se, têm que ” pesar todos os factos”, quando noutras ocasiões são lestos a condenar no imediato.. por um lado o hábito é o de seguidistas inveterados e cegos, fiéis escudeiros sempre à cata das benesses e migalhas que sobram, de uma aparição partilhando o mesmo palco, de uma foto de “família”, um convite para uma cimeira fas Lajes, um lugar na tribuna ao lado do hiPOpoTamUS cor-de-laranja no Mundial de Futebol, com medo de serem rejeitados, humilhados e insultados pelo “parceiro” americano, de passarem para a temível “lista negra”, que termina carreiras e pode destruir reputações ou mesmo vidas. Por outro, a centelha de consciência que lhes resta, o alarme no cérebro reptiliano, que desta vez estão a enfiar-se numa “zona” muito obscura e duvidosa, e que será mais difícil convencerem-se e justificarem-se com as tiradas do manual de encantamento de pategos, como “estamos do lado certo da História”, ou “eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”…
De tanto darem palmadinhas nas costas, bajularem o Grande Irmão e anuírem e colaborarem com o gangsterismo e a pirataria yankee, pensando que é problema das vítimas e não deles, que até podem ganhar com isso, como verdadeiros idiotas úteis, quanto mais não seja por evitarem semelhantes tratamentos abusivos e destrutivos, os próximos podem ser eles, quando se tornarem ridículos empecilhos, mesmo sendo servis facilitadores e colaboradores de todos os caprichos e desmandos.
Parecem uma matrafona com um fato de ballet a fazer piruetas e a rodopiar em bicos de pés… tal é a espontaneidade na adesão aos “valores e princípios comuns”, e a capacidade que têm para liderar os destinos dos portugueses em particular e dos europeus em geral.
Ana Sá Lopes está errada. Os dirigentes europeus não são Chamberlains.
Chamberlain tentou apaziguar Hitler pensando que se contentaria com algumas cedências, tentando a todo o custo evitar uma guerra de dimensões dantescas.
Os dirigentes europeus sonham marchar ao lado desde Hitler versão 3XL e come merda e partilhar os frutos do saque.
Não sao Chamberlains, sao Quislings, Hortis, Antonescus. Definem se, tal como esses, como aliados.
Estes aliados de Hitler acabaram mal.
Os aliados do novo Hitler provavelmente farão muitos de nós acabar mal.
Valha nos um megalodonte que os encontre.
O António Guterres se tivesse um pingo de vergonha já à muito que se tinha demitido, uma vez que a ONU que para as grandes Potencias o que a ONU diz ou não diz para elas isso não conta, e a UE que deveria ser independente de qualquer Potencia passou a ser vassalo, que moral tem agora a UE para criticar qualquer País que invada outro ou que prendam o seu Presidente, gostemos ou não do presidente do País onde isso acontecer, é aos cidadãos de cada Pais que tem de mudar ou não o seu Presidente ou o seu governo.
E o que e que espera o Governo brasileiro para meter na cadeia todos os bandalhos que nss redes sociais e por outros meios fazem votos para que o porco assassino faça o mesmo ao presidente brasileiro?
Lugar de criminoso e na cadeia.
E quem apela a que se cometa um crime contra o mais alto magistrado de uma nação, por mao de uma potência estrangeira pode também muito bem ser acusado de alta traição.
Estão a espera de que?