(David Schultz. in CounterPunch.org, 07/01/2026), trad. Estátua)

Cleptocracia, capitalismo de compadrio, imperialismo, colonialismo, política do carbono ou política ao estilo Kissinger. Chame-lhe o que quiser. Mas o semi-golpe de Trump na Venezuela é mais um exemplo da política retrógrada da administração Trump, e está destinado a arrastar os EUA para mais um atoleiro, que lembra o Iraque, o Afeganistão e talvez até o Vietname
Há um ditado que diz que os Estados estão sempre preparados para lutar a última guerra. As visões incoerentes de Trump sobre os EUA sempre foram retrógradas, portanto, tornar a América grande novamente sempre foi retrógrado, olhar para os EUA através de óculos cor-de-rosa, vendo uma época em que os EUA dominavam o mundo.
No entanto, como Karl Marx observou uma vez em O 18 Brumário, a primeira vez que a história se repete é uma tragédia, a segunda vez é uma farsa. O que está a acontecer na Venezuela encaixa-se perfeitamente nessa segunda categoria. Não é apenas repetição, mas repetição desprovida de seriedade estratégica. O que resta é um espetáculo disfarçado de arte de governar.
Desde o início, ficou claro que a Venezuela nunca teve a ver com drogas. A Estratégia de Segurança Nacional 2025 do governo Trump deixou isso claro. Em vez de se concentrar em narcóticos, governança ou questões humanitárias, ela ressuscitou uma visão explicitamente imperialista de domínio do hemisfério. A Venezuela foi enquadrada como um problema de controlo, não de aplicação da lei.
Esse documento exigia uma atualização da Doutrina Monroe, que alguns críticos rapidamente apelidaram de «Doutrina Donroe». A premissa era direta: os Estados Unidos deveriam dominar o hemisfério ocidental. A Europa seria deixada para a Europa, a Ásia para a Ásia e a África mal merecia menção. Isso não era realismo, mas sim nostalgia disfarçada de estratégia.
No entanto, a Estratégia de Segurança Nacional de 2025 dificilmente era uma estratégia. Parecia um discurso de campanha travestido na forma de política externa. Oferecia slogans, não planos, e branding em vez de análise. A Venezuela parecia menos um estudo de caso e mais uma oportunidade de marketing.
O documento prenunciava o que logo ficou claro: a Venezuela nunca foi uma questão de drogas, mas de domínio. Esse domínio baseia-se numa memória histórica mais antiga, enraizada no início do século XX. Durante esse período, os Estados Unidos trataram grande parte da América do Sul como uma extensão económica das suas próprias necessidades industriais. O petróleo da Venezuela foi extraído, exportado e monetizado com pouca consideração pela soberania venezuelana.
O semi-golpe orquestrado por Trump é uma tentativa de recapturar essa era perdida. É uma tentativa de recuperar o petróleo que os Estados Unidos outrora tomaram abertamente e sem remorsos. A lógica é surpreendentemente familiar. Como foi dito uma vez durante os debates sobre o Canal do Panamá, o que foi roubado “de forma justa” deve ser mantido. Essa mesma lógica agora sustenta a política dos EUA em relação à Venezuela.
A decisão de Trump de acusar Nicolás Maduro de crimes relacionados com drogas é igualmente retrógrada. Ela faz lembrar a justificação do governo Bush para prender Manuel Noriega décadas antes. Em ambos os casos, as acusações criminais substituíram a legitimidade política. A aplicação da lei tornou-se uma fachada para a mudança de regime.
Essa política retrógrada também visa reviver a política do carbono num momento em que ela está a perder rapidamente a relevância. A trilogia de Daniel Yergin — The Prize, The Quest e The New Map — documenta como o século XX girou em torno do petróleo e do domínio energético. Mas a lógica económica que antes favorecia os combustíveis fósseis está a desgastar-se. A energia renovável não é mais especulativa; está cada vez mais barata, rápida e escalável.
A China compreende essa mudança e está a agir de acordo. Está a investir fortemente em energia solar, eólica, baterias e infraestrutura elétrica. Os Estados Unidos, por outro lado, sob Trump, procuraram dobrar a aposta no petróleo e no gás. A Venezuela torna-se, assim, um campo de batalha simbólico entre os regimes energéticos do passado e os do futuro.
Mesmo para os padrões de mudança de regime, esse esforço é estranhamente incompleto. Henry Kissinger, apesar de todas as suas falhas morais, pelo menos compreendeu como executar um golpe de forma decisiva. O Chile sob Allende é uma prova sombria dessa competência. O que Trump arquitetou, em vez disso, foi um semi-golpe, sem legitimidade e sem controlo.
Trump declarou que os Estados Unidos irão governar a Venezuela, mas não necessariamente de forma direta. Em vez disso, irão recorrer a sanções, embargos, pressão financeira e apreensão das receitas do petróleo. A oposição ao regime não foi trazida a terreiro, mas sim marginalizada. A vice-presidente de Maduro continua no cargo e há poucas evidências de que os militares tenham desertado.
O resultado é um impasse perigoso. Isso cria as condições para um conflito civil, em vez de uma transição política. À medida que a instabilidade cresce, o envolvimento dos EUA aprofundar-se-á por necessidade, e não por planeamento. A infraestrutura petrolífera precisará de proteção, e a proteção exigirá tropas.
Quando esse momento chegar, a justificação mudará. Será enquadrada como segurança, estabilidade ou necessidade humanitária. Mas o motivo subjacente permanecerá o mesmo. O controlo dos recursos será mais uma vez disfarçado como interesse nacional.
A fase final deste episódio provavelmente envolverá enriquecimento pessoal. Trump tem consistentemente confundido a linha divisória entre poder público e ganho privado. A Venezuela oferece outra oportunidade para branding e lucro. Isso é a repetição de como as elites americanas anteriores, incluindo os Rockefellers, beneficiaram do petróleo venezuelano há um século.
Bem-vindos à América de Trump e Pump. Quanto mais bombeamos, mais nos dizem que crescemos. É uma história antiga com um novo logótipo. E, como tantas vezes antes, é provável que termine mal.
David Schultz é professor de ciências políticas na Universidade de Hamline. É autor de Presidential Swing States: Why Only Ten Matter.
Fonte aqui
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Falta acrescentar a:
“…A fazer lembrar os chefes dos povos derrotados pelo Império Romano. Levados para Roma. Obrigados a marchar nos triunfos ante os insultos da populaça e executados. Longe de tudo o que tinham conhecido. Da terra que fora sua.
Kadhafi e Saddam pelo menos morreram na sua terra.”
1º – Para quê ir tão longe no tempo se, aqui ao virar da esquina havia material?
https://www.youtube.com/watch?v=Ml2vwz1s15U
2º – Grande consolação morrer na própria terra, para ambos, sunitas, pelo menos podem candidatar-se a Mártires e terem a recompensa devida no Além.
Suponho que isto já seja no Além, à moda do desGoverno de Portugal, no que toca a passaporte das Tugalândia, na hora., sem papéis, nem bichas, com os custos a serem arcados pelos vivos que ainda trabalham.
PS: está a decorrer Plenário convocado pelo Sindicato dos Casseteiros (K7) e Ofícios Correlativos?
São quase 17:00 e as piranhas ainda não andam por aqui. Está frio, é certo, mas não devem abusar da aguardente para se aquecerem.
“Não podíamos esperar, o país está em cima de um mar de petróleo”. Esta justificação da invasão do Iraque, vomitada por Donald Rumsfeld, um sionista sinistro então assessor de outro ladrão e assassino cruel, George W. Bush, espelhou claras como o meio dia as verdadeiras causas da guerra que custou mais de um milhão de vidas iraquianas.
Para a cleptocracia ianque, que não começou com Trump, os países nunca tiveram os recursos, estão simplesmente em cima deles.
E se os povos tiverem de ser mortos para que os ladrões possam saquear o que dizem ser deles será isso mesmo que acontecerá.
Foi sempre isso que aconteceu. Daí “as veias abertas da America Latina” consubstanciadas numa longa sucessão de intervenções armadas diretas e uso de fantoches locais para sacar recursos. Sempre tudo regado com rios de sangue.
Mas também noutros locais as veias se abriram como na Líbia e no Iraque e em qualquer outro local onde essa corja de ladrões achou que havia algo que era deles.
Quando o homem do sexo oral na Sala Oval lançou a atoarda de que os Estados Unidos seriam a partir da derrota da União Sovietica o polícia do mundo deveria ter dito com verdade que os Estados Unidos reforçariam a partir daí a sua posição de ladrões do mundo.
Porque e o que sempre foram.
São e cada vez mais inventivos.
Essa de raptar um Chefe de Estado, enfia lo numa prisão sórdida no seu país e faze lo julgar por uma múmia e um pouco mais infame.
A fazer lembrar os chefes dos povos derrotados pelo Império Romano. Levados para Roma. Obrigados a marchar nos triunfos ante os insultos da populaça e executados. Longe de tudo o que tinham conhecido. Da terra que fora sua.
Kadhafi e Saddam pelo menos morreram na sua terra. E mais que provável que isso não aconteça com Maduro. Que também teve a pouca sorte de o seu país estar em cima de um mar de petróleo.
Esta ideia que os recursos dos outros são na realidade deles justifica o delírio do cerdo de pelo cor de laranja de que Chavez lhes roubou o petróleo.
Na realidade e o que todos pensaram desde esse bandalho do Obama que classificou a Venezuela como grave ameaça a segurança nacional dos Estados Unidos.
Mas este bandalho homicida e o único que o diz claramente, tudo como Rumsfeld antes dele.
Tudo isto e sórdido mas ainda temos líderes europeus a achar isto normal.
“Nos não gostávamos do Maduro” diz a louca leitona, digo letonas, da Kallas.
Também não gosto do Montepardo mas isso não me dá o direito de lhe dar um tiro nos cornos.
Tenham vergonha no focinho.