Gaza, a ignomínia

(Por José Gil, in Público, 05/10/2025)

Samah Matar, uma mãe palestiniana deslocada, com o seu filho Youssef, que sofre de paralisia cerebral e está desnutrido, numa escola onde pernoitavam, quando, em Julho, uma grave crise de fome atingia a Cidade de Gaza, por causa da guerra e do bloqueio movidos por Israel.

Gaza tornou-se o epítome da nova moral da força que faz do princípio da violência e da morte do outro a norma que deve presidir às relações entre as nações, entre os povos e entre os indivíduos.


Vimos com horror o massacre dos israelitas cometido pelo Hamas a 7 de Outubro de 2023.
A barbárie que vitimou mais de mil civis atingiu um grau de crueldade inimaginável. Ninguém, no dia seguinte, negava a Israel o direito de responder tomando como alvo a organização terrorista. Hoje, dois anos depois, tornou-se escandalosamente difícil evocar o 7 de Outubro perante a destruição apocalíptica de Gaza. Porquê? Se não faz sentido estabelecer comparações morais entre crimes tão hediondos, as atrocidades do Hamas não são “piores” do que a matança da população palestiniana perpetrada pelo Exército israelita.

Afirmar o contrário é tentar justificar o assassínio de todo um povo. É supor que os israelitas têm o “direito de se defender” de qualquer modo, direito exclusivo que lhes adviria do seu passado histórico de discriminação e de sofrimento sem fim — e que culminou no Holocausto. Passado que fez do povo judeu a vítima eleita da injustiça dos poderes estabelecidos do Ocidente, isto é, vítima da humanidade inteira (e assimilar a humanidade ao Ocidente é já um preconceito eurocêntrico). Considera-se agora que a vida de cada judeu vale mais do que a de qualquer outro ser humano — julgamos assim redimir-nos do Holocausto, nós, herdeiros dos ocidentais culpados daquele crime.

É a crença no valor superior de um judeu — e, portanto, de um israelita — que justifica que se arrase Gaza com os seus dois milhões de palestinianos, que se abatam mulheres e crianças, que se atire a matar contra os que, esfomeados, acorrem aos locais de ajuda alimentar — e que se troque um soldado israelita por centenas de militantes do Hamas. A vida de um palestiniano vale menos do que a de um judeu. A vida de uma criança palestiniana vale menos do que a de uma criança israelita. Ora, a erosão deste princípio, produzida pela guerra de Gaza, faz com que se torne difícil lembrar o 7 de Outubro. Foi uma convicção deste tipo — mas, ao invés, desumanizando os judeus — que levou o anti-semitismo hitleriano ao Holocausto.

Poder para a guerra

Como foi possível esta reviravolta que converteu um povo mártir em responsável por um massacre tão abominável como o que sofreu na Segunda Guerra Mundial?

Ele, que devia ser o primeiro a afirmar e a praticar as normas mais básicas de respeito pelo outro, ergueu-se, arrogante e feroz, e decidiu vingar-se bombardeando e matando a que julga ser raça inferior. A lógica que levou os descendentes das vítimas dos campos da morte nazis a uma tal posição de poder prepotente mostra como o exercício do poder político, voltado essencialmente para fins de sobrevivência, se transforma em poder para a guerra, com todas as consequências bárbaras que acarreta, sobretudo quando detém uma enorme superioridade bélica.

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A ameaça de morte de Israel brandida pelos Estados árabes foi constantemente amplificada pelo discurso paranóico do poder israelita que via nela a continuação do projecto de “solução final” do Holocausto; e, para dele definitivamente se livrar, virou-o contra o inimigo, começando pela expulsão brutal, em 1948, dos palestinianos e árabes das suas terras (Nakba), seguido pela política dos colonatos e pela transformação de Gaza num vasto campo de concentração. Projecto que culmina agora com a sua destruição. O processo que levou à guerra actual e à decisão de eliminar por completo a presença e a existência de um povo do seu território implicou a inversão imaginária da posição de vítima (do Holocausto) na de carrasco; e a inversão e projecção da ameaça de aniquilação total (reactivada pelo 7 de Outubro) sobre o inimigo árabe-palestiniano.

Palestinianos desesperam para receber alimentos de uma cozinha comunitária no final de Agosto — a fome atinge a Cidade de Gaza e as áreas vizinhas 

Gaza tornou-se um campo de extermínio de ratos humanos que fogem para todos os lados enquanto são bombardeados pelos aviões israelitas que os abatem à vontade, às dezenas, todos os dias. No meio de escombros e de lixo, os palestinianos dormem ao relento ou em tendas, correm humilhados e esfomeados para a ajuda humanitária que não chega, vivem sem cuidados médicos, sem higiene, doentes, feridos, mutilados, constantemente escorraçados. Vão de um sítio para outro, supostamente seguro, mas onde são baleados, despedaçados, mais uma vez desapossados da sua condição de humanos.

Nas imagens e nos relatos que nos chegam, é como se víssemos desenrolar-se, a céu aberto, uma outra versão da vida dos prisioneiros de Auschwitz. Gaza transformou-se no laboratório social de um Mengele genocidário: testa-se a resistência de um povo que, morrendo todos os dias um pouco, há-de acabar por abandonar a sua terra ou ser expulso por cinco mil dólares por pessoa — deixando-a livre, para os grandes empreendimentos imobiliários construírem a “Riviera do Médio Oriente” sonhada por Trump.

À frente dos nossos olhos

Tudo isto se passa diante dos nossos olhos com a cumplicidade da Europa, dos Estados Unidos e das nações democráticas que se calam perante os crimes de Israel. Neste sentido, Gaza é hoje o revelador sintomático de uma situação geopolítica mundial abstrusa, absurda, que nos afecta a todos, individual e colectivamente: as relações de força que determinam as estratégias e acções políticas das grandes potências, que condicionam a guerra e a paz e, directamente, a vida dos indivíduos, cessaram de se mascarar com ideologias, doutrinas políticas, religiões ou normas de direito internacional, para aparecer na sua nudez, na sua crueza ou crueldade brutas — e serem aceites como “normais”.

A visibilidade (não a transparência) dos acontecimentos, processos e iniciativas que giram à volta dessas relações de força alcançou um tal grau de intensidade e extensão que os valores jurídicos e a moral política já não contam — vale apenas a força, não há sequer lugar para o cinismo, a mentira ou a denegação, que tendem a desaparecer, dissolvidos na universalidade e clareza da violência que ocupa todo o campo político. Putin e os seus “crimes contra a humanidade” perpetrados na Ucrânia; Netanyahu e o assassínio colectivo de uma população indefesa; a repressão brutal das revindicações femininas pela polícia de Teerão; a inimaginável crueldade dos taliban contra as mulheres afegãs; a morte pelas bombas e pela fome das crianças palestinianas são “admitidos” com indiferença pelas democracias ocidentais.

Putin, Netanyahu, Trump e outros autocratas e criminosos de gravata continuam a exibir-se na cena mediática internacional, atraindo simpatias, elogios, posturas reverenciais, como se nada fosse. Porque acontece que esses homens não são apenas pessoas, representam a força de uma política que impõe aos povos um estado de espírito. Os sistemas autocráticos actuais concentram todo o tipo de poder (político, militar, económico, judicial) num só indivíduo. Deste, dos seus interesses e da sua vontade, depende a vida de milhões de seres humanos — o destino dos ucranianos nas mãos de Putin; as vidas dos palestinianos de Gaza e da Cisjordânia sacrificadas para que Netanyahu escape à justiça do seu país. Estes factos escandalosos, a sua impunidade ofensiva, a ausência de uma instância que os impeça e os puna — quando, por outro lado, a sua presença é cada vez mais exigida pelo sentimento de injustiça que vai emergindo na opinião pública — são mais uma faceta do bloqueio e da passividade a que a consciência política das nações parece condenada.

Gaza reflecte uma situação planetária paradoxal: a democracia de Israel comporta-se como uma autocracia; o povo descendente da Shoah apoia a “solução final” que os seus dirigentes programaram para os palestinianos; as vítimas tornaram-se verdugos, o “bom” é agora “mau” e cruel — e são eles os nossos aliados, depositários do mais profundo legado de humanidade, aquele que, precisamente, deveria fundar a nossa fé na democracia, depois do Holocausto.

Neste sentido, Gaza espelha da forma mais aguda o que acontece hoje às democracias, minadas pela violência da extrema-direita: os seus mecanismos institucionais políticos e jurídicos tendem a funcionar ditatorialmente, enquanto o discurso e os rituais de ostentação se mantêm aparentemente “democráticos”, afirmando a liberdade para o povo. Uma mesma lógica distorcida tece o fio que liga afectiva e politicamente Netanyahu a Orbán, Orbán a Putin, Putin a Trump, Trump a Bolsonaro, a Milei e a Meloni. Mas essa lógica deixa atordoados os jovens que se iniciam na democracia: será mesmo Putin o responsável pela guerra da Ucrânia? As atrocidades do Hamas no 7 de Outubro não justificam a retaliação empreendida por Israel?

A moral política evaporou-se, os fins agora justificam os piores meios porque o que está constantemente em jogo é, alegadamente, a sobrevivência das nações — foi uma questão “existencial”, como diz Putin, que levou a Rússia a invadir a Ucrânia; é uma questão de “segurança nacional” que faz Trump afirmar que os Estados Unidos “precisam de ter” a Gronelândia; é a sobrevivência de Israel que legitima a sua política bélica contra os palestinianos e os árabes. Porque os fins são derradeiros, todos os meios — e, antes de mais, a guerra — são bons para os atingir.

No discurso polarizado extremista do MAGA invoca-se a necessidade de matar para o renascimento da América; e todo o discurso xenófobo e racista dos movimentos populistas europeus fazem da morte do inimigo a condição primeira da sobrevivência. Gaza tornou-se o epítome da nova moral da força que faz do princípio da violência e da morte do outro a norma que deve presidir às relações entre as nações, entre os povos e entre os indivíduos. O genocídio dos palestinianos viabiliza a vida do povo israelita — aceitá-lo é aceitar a nova ordem mundial.

A política da força

A impunidade com que Netanyahu, Putin e Trump conduzem a sua obra de destruição vem da supremacia que a violência adquiriu nas relações entre Estados. O império da força leva à impotência dos povos e dos indivíduos. Nunca como agora essa impotência se manifestou tão agudamente: desde as manifestações de centenas de milhares de bielorrussos, ou de iranianas, durante semanas e semanas, de que só resultaram a repressão brutal e o reforço dos regimes autoritários até ao massacre, executado na impunidade, dia após dia, aos olhos de todos, dos palestinianos de Gaza, é toda uma série crescente de crimes cometidos pela pura violência do poder que paralisa, sidera e petrifica as vontades. É um terror legal, de Estado, que se abate sobre a população mundial.

A violência é política, física e mental, intelectual e emocional, e violência bélica letal. Gaza concentra em si a visão da impunidade obscena de todos os assassinos e violadores do direito internacional. As resoluções da ONU ou do Tribunal Internacional de Haia, as iniciativas das ONG, as denúncias dos media, os protestos populares revelam-se impotentes para conter a injustiça. A violência desfaz o simbólico: as manifestações de massa, as greves da fome, as imolações públicas, os sacrifícios mais corajosos perdem toda a sua eficácia. A impunidade vem da estratégia da violência, mas também da espécie de dilema a que ela condena todo o tipo de resistência possível: porque é da sobrevivência da nação prepotente que se trata, ou se aceita a eliminação do inimigo — por qualquer meio —, ou se é eliminado por ele. Ou se apoia o morticínio dos palestinianos para salvar Israel e os reféns, ou se é destruído pelo Hamas. Ou o Governo americano (e os Governos europeus) expulsa os imigrantes (“assassinos e violadores”), ou o seu país desaparecerá.

Este dilema em forma de extremo duplo impasse violenta e bloqueia o pensamento e a acção, deixando o campo aberto à política da força que avança sempre arrasando tudo à sua frente, sem hesitações, sem culpabilidades nem escrúpulos. É a lógica da violência neofascista. É ela que está a reduzir Gaza a cinzas. É ela que sufoca os resistentes que, não se deixando vergar aos ditames desta lógica, procuram ainda meios de lutar contra a ignomínia que nos atinge a todos.

11 pensamentos sobre “Gaza, a ignomínia

  1. No presente momento nem latas de ração lá entram e Israel continua a bombardear o território de Gaza apesar do Hamas ter aceite o suposto plano de paz de Trump.
    Quando todos os reféns ainda vivos forem soltos e os corpos dos mortos devolvidos o genocídio vai continuar.
    Por cá continuamos a ter cheganos sem vergonha nas trombas a acusar os activistas detidos pelos sionistas e que lá passaram horrores de não se preocupar com os portugueses.
    Grandes filhos de puta. Por acaso Portugal está ocupado por uma potência estrangeira, com os bombardeamentos a matar 600 mil pessoas em dois anos, o povo a morrer de fome e dezenas de milhares de cidadãos detidos em prisoes medievais e sujeitos a torturas medonhas?
    E isso que se esta a passar em Gaza seus filhos de uma puta.

  2. Já agora, para que o autor e outros possam informar-se sobre a colaboração das democracias liberais ocidentais com a extrema-direita supremacista e ultra-nacionalista ucraniana, de índole nazi-banderista, e todo o processo histórico que conduziu até à situação política actual, que não interessa divulgar muito nos dias que correm, antes ocultar com desinformação e propaganda, vou deixar aqui alguns documentos académicos:

    📄 “The “Romanian operation” of the NKVD of the Ukrainian SSR in Odesa Oblast in 1937-1938: technology, target groups, scope” by Олег Бажан

    📄 “Unlikely Allies: Nazi German and Ukrainian Nationalist Collaboration in the General Government during World War II” by Amber Nickell

    📄 “‘All the Heroes are Dead:’ U.S. Covert Operations in Ukraine, 1949-1953” by Thomas Boghardt

    📄 “COLLABORATIONISM IN UKRAINIAN HISTORY DUE TO II WORLD WAR” by I.H. Bohatyrov

    📄 “ORGANIZATION OF UKRAINIAN NATIONALISTS AS AN INSTRUMENT OF EXTERNAL INFLUENCE” by Sergey Melnichuk

    Tal como hoje em dia o Ocidente, guiado pelo Grande Irmão, apoia indefectivelmente o sionismo em Israel, ou seja, a ocupação e opressão colonial, a repressão e perseguição dos palestinianos, os crimes de guerra, a limpeza étnica, o cerco, o embargo, o genocídio, assim também apoiou e suportou e financiou o supremacismo e o ultra-nacionalismo, o nazismo no leste europeu. Por isso as armas e munições e pacotes financeiros exorbitantes são fornecidas aos ucranianos e aos… israelitas. E aos palestinianos umas migalhas, umas latas de ração e pouco mais, e é se a “democracia” israelita permitir, porque há subnutrição e fome e doença em Gaza, há escassez, há privação – ao contrário dos fornecimentos milionários para a Ucrânia, que o corrupto aparelho de Estado usa em seu próprio benefício, como é amplamente sabido.

  3. Num texto que procura a confusão ou a “salada russa”;internacional para explicar o que acontece em Gaza e na Palestina, é estranho que nem por uma vez se mencione a palavra “sionismo” (ou “sionista”), corrente da política expansionista e colonial israelita, e a captura pela extrema-direita do aparelho de Estado e das forças armadas. Será propositado, um tabu?

    Antes prefere o autor tocar ao de leve, sem desenvolver ou aprofundar, na situação política e militar da Rússia (Ucrânia), Irão (que recentemente foi bombardeado à margem do direito internacional por Israel, a tal “democracia” aliada, e os EUA, com aviões a passar pela basevdas Lajes – mas o autor nada disto refere), Afeganistão (os taliban foram armados, treinados e financiados pela CIA e os americanos, quando ainda eram apenas mujahideen sublevando-se contra o Estado laico e a União Soviética, antes de serem caçados por morderem a mão do Grande Irmão e resolverem correr com eles – também nada disto é abordado, só as suas vítimas), etc…

    Mas por que não referir que o Ocidente em peso (NATO e a nova sucursal, UE) fornece armas, munições, treino, informações, instruções e até homens (mercenários ou nem por isso) à Ucrânia, mas despreza até ajuda humanitária, mantimentos e medicamentos ao povo massacrado de Gaza? Como não tocar nessa ambiguidade gritante quando se discorre sobre o que se passa em Gaza, e se refere Ucrânia, Irão e Afeganistão de passagem? A duplicidade, a hipocrisia, não seriam dignas de menção em vez do caldinho de “grandes líderes” sem escrúpulos? É que a falta de escrúpulos não afecta todos os povos de igual modo… e até parece que os Macrons, os Johnsons e Starmers, os Merz, as von der Leyens e os Ruttes, entre muitos outros, não têm responsabilidades nem são cúmplices da situação actual, nem bajulam os Bidens, os Trumps e os Netanyahus (estes sim, unha com carne e grandes “artífices” do genocídio).

    E por que não se refere a voraz tendência dos israelitas de assassinar jornalistas, socorristas, funcionários da ONU, fornedores e transportadores de alimentos, mantimentos e cargas destinadas à subsistência mínima dos palestinianos? Não é também o cerco uma forma de extermínio, um crime de guerra? Vamos mesmo comparar os métodos genocidas da “democracia” israelita, ou melhor, do sionismo de extrema-direita, com o que se passa em outros pontos do mundo?

    E o nazismo e supremacismo dos ucranianos e aliados europeus em relação aos russos, já não merece menção? Seguindo precisamente os passos de Bandera e outros ucranianos, que no século passado colaboraram com os nazis em matanças de judeus, ciganos, polacos, etc, em pogroms que vitimaram dezenas de milhares… era esse o objectivo para a Ucrânia e o alargamento da NATO, uma limpeza étnica, primeiro removendo os direitos políticos e de cidadania (golpe Maidan, altamente promovido pela CIA, UE e os supremacistas de extrema-direita ucraniana), depois as liberdades civis, a língua, os costumes… um pouco à semelhança do sionismo na Palestina.

    E enquanto não se olhar de frente para o problema do supremacismo, racismo, classismo que acarreta a ascensão da extrema-direita, e fingirmos não ver as suas nuances quando esta nos parece “aceitável” por perseguir os povos e minorias com que não simpatizamos, não haverá solução, e seremos cúmplices da sua hipocrisia e falta de escrúpulos.

    • Por que não estabelecer as diferenças de tratamento ocidentais face à Rússia e a Israel?

      A exclusão das provas desportivas continentais e internacionais das selecções e equipas russas? Israel nem sequer se situa no continente europeu e continuam as suas selecções e equipas a participar nas provas desportivas europeias (ver o que se passou na última La Vuelta, a “excepção” à regra, pois foram repudiados em larga escala).

      A exclusão de eventos sociais, culturais, políticos, etc da Rússia e a permanência da participação de Israel (Festival da Eurovisão da Canção, por exemplo)?

      A que se deve esta dualidade, a discrepância de critérios?

      Por que não foi referida, já que se entrou por alusões a outros conflitos que não o que dá o título ao artigo?

    • A isto somam-se os pacotes de sanções infindáveis, que parecem afectar mais os países europeus que a Federação russa, e não se aplicam a Israel.

      Também a retenção de activos, propriedades, títulos, imobiliário, meios de transporte e bens de luxo, etc russos. Nenhuma destas medidas foi ainda aplicada aos israelitas, independentemente de serem posse do estado, de cidadãos individuais ou grupos privados – vai tudo a eito se for russo, escapa tudo se for israelita.

      Entretanto os EUA (o Grande Irmão) continuam a tentar parcerias com a Rússia, sejam no âmbito do nuclear, da indústria aero-espacial, de exploração do Ártico, acordos energéticos, etc. Parece até que o plano para separar a Europa da Rússia foi feito para os beneficiar, impondo tarifas e fazendo exigências negociais aos satélites europeus enquanto os obriga a afastar-se dos russos e os encaminha para um conflito à escala continental (no mínimo) contra a Federação russa!

      Se isto não é hipocrisia, não sei o que será.

  4. Ate aquele pessoal do Bloco de Esquerda nos primeiros tempos vinha com a conversa do terrível e injustificado ataque do Hamas, na velha lógica de enguias.
    Suponho que depois de três dias nos carinhosos braços dos assassinos bíblicos por parte de uma sua dirigente possam ter contribuido para ajudar a perceber que muitas razões houve para o levantamento do guetto de Gaza.
    Porque foi isso que o 7 de Outubro foi.
    Viver sob o domínio de assassinos bíblicos, supremacistas, com desprezo total a absoluto pelas vidas de todos quantos não sejam da sua raça e religião deve ser o mais parecido que há com o Inferno na terra.
    Metam isso nos cornos. E impossível que alguém não se radicalize quando é tratado assim.
    Nenhum de nós aguentaria o destino dos palestinianos.
    Nunca desejei nem a Mortágua nem a ninguém aquilo que sofreu nas unhas daqueles assassinos.
    Mas já que aconteceu que sirva para alguma coisa.
    Imaginam o que seria serem assim detidos na Rússia e vir o próprio Putin dar lhes um enxovalho? Prometer prisão e tortura?
    Passar dois dias sem água e sem comida debaixo de um Sol abrasador? Talvez na Ucrânia fosse difícil a parte do sol abrasador no mês de Outubro mas o jejum forçado arranjava se.
    E que uma coisa e ver nos na televisão o Ben-Gvir a dizer alarvidades. Outra coisa é ver o monstro pela frente, estar em seu poder.
    Um monstro que e impune quando se trata de palestinianos porque o Ocidente e governos bandalhos como o nosso lhes dão essa impunidade.
    Todos os activistas libertados não teem dúvidas de que se não fossem europeus teriam sido mortos nas condições mais degradantes possíveis como todos os anos acontece a palestinianos nessas prisões.
    Foram libertados por pressões externas que nunca aconteceram quando se trata de palestinianos. Alguns ainda estão presos e a pressão deve continuar até que todos sejam soltos.
    E arrepiante pensar que há palestinianos há décadas naqueles mesmos infernos de tortura que nada mais sao que prisões medievais. Dignas de uma gente que vive há quatro mil anos.
    Devemos continuar a denúncia ate que os assassinos bíblicos deixem de chacinar impunemente.
    Pelo menos durante uma noite os palestinianos de Gaza puderam pescar porque a marinha israelita que lhes fazia cerco estava entretida a raptar activistas.
    Para alguma coisa já serviu.
    Mas que sirva também para todos termos um vislumbre do que e o Inferno das vidas palestinianas para ninguém ter tentações de arranjar justificações para aquela corja de assassinos bíblicos, excepto a cambada de fascistas do costume.
    Vamos ter ao longo do dia de hoje muitos comentadeiros e políticos a dizer ainda mais alarvidades do que já disseram ao longo dos últimos quatro dias.
    Vao ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.
    Morte ao sionismo.

  5. O José Gil, enfim, é um filósofo português. Ao contrário dele, o George Galloway não precisa de ir buscar o Putin e outros para expor as atrocidades israelitas. Hoje até fumegava, até porque tem sentido no pêlo aquilo em que a Grã-Bretanha se está a transformar:

  6. Ó José Gil, eu sei que não me ouves nem vês, mas olha que, com essa arriscada mania de uma no cravo e outra na ferradura, arriscas-te a partir os dedinhos à martelada! Sem nada pedir em troca, aproveito para te informar, meu querido filósofo esclerosado e empalhado, que a Estrada da Beira nada tem a ver com a beira da estrada e alhos e bugalhos são coisas diferentes, tal como de categorias diferentes são o cu e as calças. Last but not least, podes também ter a certeza de que não se pode comparar a Feira de Borba com o olho do cu! Beijinhos, meu querido, e cumprimentos à arrasteira, tua carinhosa companheira!

  7. Mas se para um texto passar temos de repetir mentiras e enganos, transformar actos de resistência em vontade de cometer atrocidades sem motivo nenhum, ignorar os crimes sionistas que os precederam, ignorar que nunca aquela gente nunca quis partilhar terra com ninguém, repetir a falácia de que foi a vontade de compensar os judeus pelos crimes do Ocidente que ditou o abandono dos palestinianos a assassinos biblicos, não se esquecer de juntar no mesmo saco também a Rússia quando se condenam as atrocidades sionistas, como se o que se passa na Ucrânia pudesse ser comparado, mais vale ficar quieto.
    E poupar quilómetros de tinta que o texto e comprido.
    E escolher outros meios de passar a mensagem.

  8. Creio que o texto de José Gil no Público reprodizido aqui pela Estátua de Sal, misturando ou omitindo causas e consequências, talvez reflita um possível contorno ao ambiente de cancelamento e censura que tomou conta dos “nossos” media e que, porventura para que fosse possível melhor expôr a condenação da humanidade ao uso e abuso da força para (impondo a vontade do mais forte) resolver conflitos.

  9. Uma nota. Metade das vítimas civis do levantamento do guetto de Gaza resultaram da aplicação a civis da infame doutrina Hannibal que prevê que a morte e melhor que a queda em poder do inimigo.
    Helicópteros Hellfire destruíram guerrilheiros e reféns e reféns foram alvejados pelas costas no caminho para Gaza.
    Há imagens disso portanto não vale a pena dizerem que e mentira.
    Não duvido que muitos guerrilheiros quisessem matar aqueles inocentes civis que vinham com mesas e cadeiras de praia enquanto apreciavam a sua soldadesca a disparar contra quem se manifestação contra o cerco do outro lado de tres cercas de arame farpado.
    Mas muito desse levantamento visava justamente conseguir reféns que eles julgavam os protegeriam da selvageria israelita.
    E chamar a atenção do mundo para a situação insustentável que devia tanto ali como na Cisjordânia.
    Nesse tempo em que o assassino encartado Netanyahu voltou ao poder, só no ano 2023 centenas de palestinianos tinham sido assassinadas por soldados e colonos na Cisjordânia, outros tantos feridos, milhares encarcerados em condições dignas de um curral de porcos. Alias, estão melhor os porcos porque essas são alimentados e não são espancados.
    Nunca o Hamas ou qualquer outro grupo de residência palestiniano poderia prever a indiferença do Ocidente ante o seu extermínio em directo.
    Nunca poderia ter imaginado a ignominia de comentadeiros como a Ferra Aveia e tantos outros.
    Nunca poderia ter imaginado um total desprezo pela vida de um povo massacrado pelos sionistas há quase 80 anos.
    Nunca poderia ter imaginado que os sionistas se iam estar nas tinhas para os reféns pois cada refem morto alimentava a sua narrativa de que estavam lutando contra “animais”.
    Os sionistas começaram a expulsar os palestinianos assim que chegaram.
    Quando os países árabes, depauperados por séculos de colonialismo e saque finalmente intervieram já tinham ocorrido maus de 20 massacres, sido destruídas pelo menos 200 aldeias e sido expulsas 200 mil pessoas.
    Os sionistas nunca respeitaram quem na terra vivia e nunca quiseram partilhar a terra que criminosamente acreditam que lhes foi dada por Deus.
    Nos campos de concentração designavam por “muçulmanos” os que já estavam totalmente emaciados pela fome.
    A Europa queria livrar se deles e queria continuar a controlar o petróleo. A Rússia queria livrar se dos seus.
    Daí acharam boa ideia despeja los na Palestina, armados até aos dentes.
    E não venham com a treta da culpa do Ocidente porque não pega.
    Os ciganos foram alvo do mesmo tipo de perseguições seculares, foram exterminados pelo nazismo tal como os judeus e ninguém lhes deu a ponta de um corno.
    Continuam a ser o bode expiatório das extremas direitas, agora mais ainda pois que e perigoso falar contas os judeus. Nunca se sabe onde estarão os assassinos da Mossad.
    A verdade e que os sionistas são assassinos, cruéis, vivem há quatro mil anos atrás e o Ocidente apoia os porque lhes dá jeito. E mais ainda quando não querem comprar
    petróleo e gás russo e de algum lado ele tem de vir.
    E parem de comparar a Rússia e Putin aquela corja de assassinos bíblicos. O resto e conversa para boi dormir.
    E vao chamar antissemita ao diabo que os carregue.

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