O meu partido também ganhou as eleições: cresceu meio milhão de votos

(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 26/05/2025, revisão da Estátua)

Imagem gerada por Inteligência Artificial

(Este artigo resulta de um comentário a um texto do Carlos Esperança que publicámos sobre o futuro do PS no pós eleições de 18 de maio, (ver aqui). Pela sua acutilância na defesa de algumas verdades incómodas – e por isso mesmo sempre polémicas -, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 26/05/2025)


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O PS francês morreu pelas mesmas razões que levam à morte do PS português, que é algo que já previ há uma década: o PS transformou-se num P”S”, i.e. num partido sem qualquer representatividade de quem trabalha, num partido nem sequer social-democracia, quanto mais com algum pingo de socialismo. Tal como em França, primeiro mataram o socialismo, depois exterminaram a social-democracia, e a seguir, só quando o partido deixou de ter eleitores é que exclamaram: “Ah, que desilusão, e agora quem combate a Direita?”.

Mas de exclamações parvas feitas por parvos já estou eu farto. Em França o eleitorado não está dividido apenas entre a direita (Macron, neoliberal pinochetista que deu a estocada final dentro do P”S” francês) e a extrema-direita. Em França, o eleitorado divide-se entre em três grandes grupos, que competem pela vitória eleitoral nas presidenciais e legislativas:

  1. Uma coligação de forças antifascistas de diferentes sectores, a France Insoumise de Mélenchon reúne forças comunistas, socialistas, sociais-democratas, e Verdes, uns mais eurocéticos e outros mais europeístas, uns mais críticos da criminosa NATO e outros mais cúmplices.
  2. Os neoliberais que fazem de conta que são democráticos e moderados, liderados pelo Macron, um mero capataz dos banksters e oligarcas franceses.
  3. E uma direita de Le Pen que pelo seu discurso atrativo antissistema reúne conservadores e patriotas (nada de mal aqui, bem pelo contrário), mas também é o local onde votam nacionalistas, fascistas e racistas.

Em Portugal esta divisão existe de forma igual do ponto de vista ideológico, mas não do ponto de vista das proporções.

  1. A esquerda é só cerca de 10%, do PCP, BE e Livre, e pior: nem sequer uma coligação tem capacidade para fazer como em França.
  2. Os neoliberais pinochetistas e traidores do país (e em particular dos trabalhadores) são o PAN, PS, PSD, CDS, e IL, num total que continua há décadas acima dos 60%, e é a causa do estado a que isto chegou.
  3. E o Chega, que tem o mesmo perfil do RN da Le Pen, com uma nuance: em Portugal não há patriotismo, e a propaganda da NATO/EUA penetra mais de 95% das pobres e indefesas mentes do ignorantíssimo eleitorado português.

O povo em França já viu qual é o problema; o Macron e a fação neoliberal pinochetista e traidora já só tem 15% de aprovação e semelhante votação – e nas eleições europeias, e na primeira volta das presidenciais fica pouco acima disso.

As chantagens do tipo “ai a extrema-esquerda” e “ai a extrema-direita” cada vez enganam menos pessoas, e pouco tempo faltará para a França se ver livre do problema, pois já faltou mais para se ver umas eleições presidenciais onde os dois mais votados (que passam à segunda volta, disputam a presidência, e passam como favoritos à chamada “terceira volta” que são as legislativas francesas) serão a esquerda mais o centro antifascista e a direita patriota nacionalista. Nesse momento, será o momento da verdade para a França: trocar o problema (neoliberais) por uma solução (Mélenchon) ou por um problema de cor diferente (Le Pen)?

Ora, em Portugal, o povinho ignorante continua a dar uma maioria de dois terços ao problema: PAN + PS + PSD + CDS + IL. Enquanto assim for, o Chega continuará a subir, de eleição para eleição. Já a esquerda antifascista (que reúne os anti UE do PCP, os Eurocéticos que já há várias eleições deixaram de votar no BE, os Euro-resignados que foram votando na Mortágua, e os Euro-iludidos do Livre) vai continuar abaixo dos 15%, como tem sido hábito. A exceção foram as eleições europeias durante a austeridade, e as eleições que deram origem à Geringonça, onde a esquerda soube capitalizar o descontentamento. Mas devido a um conjunto de erros próprios, de limitações do eleitorado, e de muita – mas mesmo muita – propaganda e manipulação dos meios de comunicação social detidos pelo regime (oligarquia nacional, UE e EUA) e dos seus bots nas redes sociais, a esquerda portuguesa está neste momento a ser efetivamente cancelada.

Assim, faço já aqui um leitura alternativa do que se passou nestas últimas eleições:

  1. O PCP foi cancelado pela propaganda da NATO mais nazis e pela rigidez discursiva que os impede de captar novo eleitorado que substitua os velhotes wue vão morrendo.
  2. O BE foi destruído – em parte – pela própria liderança (ao encostar-se à NATO mais nazis) e em outra parte pelo paleio mentiroso do PS: o “Ah e tal vocês é que acabaram com a Geringonça);
  3. E o Livre não fidelizou voto nenhum (ou fidelizou poucos); simplesmente o seu crescimento é na realidade uma inflação conjuntural pois foi o caixote do lixo (ou voto de protesto) de uma parte do BE (os que comeram a mentira sobre a morte da Geringonça) e do PS (os mais esquerdistas que olham para Pedro Nuno Santos e vêm o que realmente ali está: um Macron, mas na versão super incompetente).

No final de contas, voltou a ganhar o meu partido, o da abstenção, que teve um crescimento de meio milhão de votos. Haverá muitas razões diferentes para a postura abstencionista, mas vou falar só das minhas:

  1. Não reconheço qualquer legitimidade a um sistema eleitoral onde os partidos da frente elegem deputados sem ter votos, enquanto partidos mais de trás têm votos atirados LITERALMENTE para o lixo, o que levou o BE a ter um deputado apesar de ter votos para quatro, e no passado levou o CDS a ficar sem deputados mesmo quando teve votos para pelo menos dois. Nos distritos mais pequenos chega-se ao absurdo de só se eleger deputados de dois partidos ou só de um, indo todos os outros votos para o LIXO. Esta lei antidemocrática VIOLA a Constituição, foi feita pelo PS+PSD, e leva a um total de votos desperdiçados que ronda a fasquia de UM MILHÃO de votos.
  2. Mesmo que houvesse democracia representativa, não haveria soberania. Portugal não decide nada. Tudo são ordens de Bruxelas (UE), Frankfurt (€uro), Washington/Londres (NATO), e Jerusalém ilegalmente ocupada (lobby sionista genocida).
  3. Sendo que desde 2022, há ainda uma influência de NAZIS vinda de Kiev, que é tolerada pelos portugueses devido a toda a lavagem cerebral feita pelas fake news deste regime imperial ocidental, que os portugueses comem, até à última migalha, sem qualquer capacidade de contraditório.

Ou seja, quando o cidadão chega à urna de voto, o seu voto é baseado numa mentira. Logo esse resultado eleitoral é ilegítimo. E mesmo que fosse legítimo, há forças externas opressoras que nos dão ordens e ameaçam os países que não lhes obedecerem.

Tenho muitas mais razões para não votar em Portugal, mas fico-me por estas, que são as mais importantes; são factuais, e provam que Portugal já não é a democracia livre, representativa e soberana que está definida na Constituição desde 1976.

Portugal é hoje uma parvónia repleta de ignorantes, uma mera província totalmente vassala de um império criminoso, fascista, nazi, terrorista, colonial, e genocida. Enquanto França ainda tem hipóteses de resolver o problema via eleições, Portugal já passou essa fase.

O estado a que isto chegou pede, como disse um certo major-general português, uma nova revolução, para RESTAURAR o 25 de Abril, a independência, a decência, e a democracia representativa e soberana!

E – o que é ainda mais importante – para nos tirar da vassalagem ao império (EUA/NATO) que nos está a levar para uma morte certa, economicamente, demograficamente, e quiçá até para um alargamento da guerra por procuração (planeada, provocada, iniciada, e prolongada pelos EUA/NATO, em Kiev agora, em Taiwan em breve, e não só!) contra a maior superpotência da história da Humanidade: a aliança entre Rússia e China.

Uma aliança sem um pingo de intenções ofensivas, uma aliança que tiveram de forjar por motivos existenciais, para se defenderem da permanente e crescente agressão anglo-americana, à qual os nossos traidores prestam total vassalagem, e onde nos condenam a ser cúmplices de crimes contra a Humanidade, mas sempre apresentados nas fake news (RTP, SIC, TVI, BBC, FOX, CNN, Euronews, etc) como sendo acções “defensivas”, e em nome da “liberdade” e “democracia”. Não!

No dicionário neoliberal, “defensivo” é cometer genocídio em Gaza, destruir por completo a Líbia e colocar armas de destruição em massa à volta da Rússia e da China; “democracia” é obedecer a Washington e Bruxelas e sermos aliados dos nazis de Kiev (ao ponto de proibirmos as celebrações do Dia da Vitória a 9 de Maio) e dos colaboradores dos terroristas da al-Qaeda na Síria (agora no poder em Damasco), e “liberdade” é vivermos numa bolha de desinformação (fake news) onde não sabemos a verdade, e onde os reais jornalistas (aqueles que denunciam os crimes dos regimes ocidentais e recusam ser corrompidos pela USAID, NED, e companhia) são cancelados, ameaçados, vigiados, presos, e assassinados.

Enquanto isto se passa, onde estão os portugueses? Estão nas ruas a deitar foguetes porque uma equipa de bola ganhou uma competição, na praia descansados a dormir a sesta ou a ler revistas cor-de-rosa, em casa a ver reality shows sobre “casados” e outras putarias.

Ou a serem treinados para salivar – que nem o cão de Pavlov – quando ouvem a campainha nas fake news: ele é os “terroristas” do Hamas, a “agressão” de Putin, o “perigo” da China, os “negacionistas” da pandemia, a “extrema-esquerda” que “vai destruir” a economia, os “irresponsáveis” que não se querem integrar no “paraíso” da UE, o excesso de “socialismo” que nos impede de crescer, etc. E o que eles se fartam de salivar, meu deus, parece uma cascata…

17 pensamentos sobre “O meu partido também ganhou as eleições: cresceu meio milhão de votos

  1. Já agora, não prefiro uma coisa nem outra. Tanto apanhei porrada com Governos de direita como da pseudo esquerda que e o PS.
    E ate te dei exemplos como as taças moderadoras no SNS ou as propinas no ensino superior que não poupavam ninguém.
    Ou aquele indecente imposto de 25 por cento do subsídio de Natal que não poupou ninguém, ganhasse o desgraçado o que ganhasse.
    Houve funcionários das Finanças, que provavelmente estão entre os que, para ti, teem um tacho, a ter os quatro pneus do carro cortados por conta dessa m*rda. E não, o Estado não lhes pagou os pneus.
    Ou a Socrática sobretaxa de IRS. E a Contribuição Extraordinária de Solidariedade.
    Podia estar aqui o resto da noite a dar exemplos de políticas PS muito pragmáticas e dignas da direita como os contratos a prazo, os tarefeiros e assim por diante mas como não tenho um tacho amanhã trabalho.

  2. Vender se a CIA e ser pragmático? Fixe, mas olha onde a m*rda desse pragmatismo nos trouxe.
    E essa de o homem vendeu se a CIA, meteu o socialismo na gaveta mas não concordava com os princípios ciaticos vale o que vale.
    E como eu ser cúmplice de um roubo por esticão mas não acreditar em roubos por esticão.
    A União Europeia onde o Marocas nos quis meter a força encheu os bolsos a meia dúzia, ia nos matando a fome nos anos da troika e agora arrasta nos para uma guerra contra a Rússia.
    Estamos em vias de ter um partido abertamente fascista como segunda força política e pelo andar da carruagem mas próximas eleições podem mesmo formar Governo.
    Foi esse o resultado de cinco décadas de políticas pragmáticas para não ofender os grandes poderes.
    Ja agora meu lindo pragmático, as vacinas da COVID, que a grande czarina da União Europeia queria tornar obrigatórias em toda a União Europeia, correram te bem?
    E que eu preferia ter tido acesso às vacinas de Cuba do que passar o que tem sido a minha vida nos últimos três anos e ter enterrado amigos.
    Vai comer uma bolachinha Vieira e de seguida ver se o mar da choco do grande, daquele que e bom para grelhar. Come um com cerveja pode ser que te passe a azia e percebas que estás a defender uma treta. Políticas homicidas e cruéis.
    Porque a chuchas empedernidos eu posso dizer a mesma coisa. Falar com vocês e falar com a parede e igual.
    Continua a votar na vaselina mas vai ver se o mar da choco.

  3. Avaliação Política
    Dois amigos conversando:
    — Metade dos nossos políticos não presta para nada.
    — É verdade. E a outra metade é capaz de tudo.

    (Será mesmo assim🙄?)

  4. Ó Projeto de baleia, embora falar contigo e bater c’os cornos na parede seja a mesma coisa, deixa-me reforçar que o facto de dizer que o PS alinhou com os dictames da CIA não quer dizer o mesmo que apoiar a visão capitalista/neo feudal do poder global economico/financeiro preconizado pela direita portuguesa na sua generalidade. Só estou a constatar o óbvio e a tentar ser pragmático.
    Também não percebi qual era a tua solução milagrosa, embora talvez possas fazer o obséquio de explicar.
    Já deu para perceber que estou ideológicamente mais próximo do PCP, tanto no âmbito social como em todas as suas posições quanto à cena internacional. Só critico a sanha anti PS que, no fundo, tem favorecido o setor dos merdas colaboracionistas que existem em todos os partidos e que, no caso do PS, partido de poder, é apaparicado pelos mérdia com os resultados que todos vemos. O resultado desta luta, reafirmo, tem sido o benefício das forças mais reaccionárias e anti serviço público que nos têm atrasado o país nos últimos anos. Continuo a acreditar que, com o PS, o recuo é muito melhor e até há melhorias. É que, por mais que se tentem desresponsabilizar da merda que fazem, é bastante diferente.
    Voltando à vaca fria e continuando a tentar ser pragmático:
    Eu preferia estar a ser governado pelo PS. Vocês, os puros, preferem assim, certo?
    Conheci muitos “esquerdistas” assim. São os que têm os seus “tachos” garantidos e se esquecem que os outros têm que sobreviver no dia a dia.

  5. Sem desprimor pelo Partido dos Abstencionistas, com a sua ala indigente, a outra prepotente e ainda a outra simplesmente ausente, e o seu programa de governo, mescla de “no fare niente” com “laissez-faire”, tão cedo não vai passar à frente do Patega e celebrar um 2.º lugar como só eles o sabem fazer, nem tampouco fazer parte de uma coligação governamental ou mesmo obter maioria absoluta. Talvez possam ser eles que vão começar o crowdfunding de bombas atómicas para os Houthis, ou o Zelensky, eles lá decidirão nos seus congressos que reúnem multidões na praia, nos festivais de Verão ou nas reentrés de Setembro e Outubro, quando voltarem aos centros urbanos e se reunirem outra vez nas grandes superfícies, dado que turista e estrangeiro, mesmo que seja dos Abstencionistas, não tem direito a abster-se nas eleições portuguesas, mesmo que a práxis e a ideologia seja semelhante à que efectuam nos seus países.
    Mal por mal, e como isto está mesmo “tudo minado”, e quem o diz é o supra-sumo das lides do dirigismo desportivo português, o delfim do ex-Primeiro Ministro, que já ele “nunca soube”, quanto mais este que o sucedeu algum dia saberá, mas aparecia em tudo o que era processos de corrupção desportiva, judicial, lavagem de dinheiro, propaganda e desinformação, e na altura até tinha um fiel escudeiro de seu nome André Ventura a dissertar nas CMTV desta vida, onde tinha palco, ganhou nome e muito fez pela defesa “dos valores e princípios” do grande líder que defendia, e da instituição “maior que Portugal” que todos eles representavam e representam, dizia eu, como “esta m—- está toda minada”, por que não André Ventura candidatar-se à presidência do Benfica, voltar às suas origens, ao seu meio, à sua gente, às suas promessas de virtuosismo encarnado e amanhãs que cantam glórias e vitórias inevitáveis, e deixar a política e esses assuntos parlamentares e governativos, menores e mundanos, quando comparados com a altivez e a grandeza do “clube do povo”? Vai que é tua, Ventura, e o 2.º lugar é garantido, quiçá com uma greve dos árbitros ao Sporting e mais uns castigos à sua direcção por fazer declarações sobre arbitragens não venha logo um título de campeão já para o ano que vem!

    • E se pensarmos o quanto a cultura do refluxo esofágico, do congestionamento gastrointestinal e da azia tem tradição no futebol em Portugal, e tanto afecta o clube do regime nos dias que correm, ainda mais sentido fará uma transferência deste calibre, do mago da cartilha futebolístico-política, do génio da retórica e da demagogia, de um partido com pouca história e inventado à pressão para um histórico do futebol português cuja mítica data de fundação ainda hoje está obnubilada e é debatida pelos eruditos.
      O Benfica provavelmente deixaria de contar com defesas e extremos esquerdos, mas vejam pelo lado positivo, isso até poderia ser bom, certamente os orçamentos passariam a ser mais em conta, menos despesistas. E mais sobraria para André Ventura amealhar e construir um futuro de glórias e vitórias sem fim…

  6. Ainda bem que reconheces, Vieira, que o partido onde votas se vendeu aos americanos e a CIA, embora não com as letras todas.
    Continua pois a votar no partido merdoso, criado pela CIA e que nunca quis dar vida decente ao povoas sim que fossem enrabados com vaselina.
    Já agora, sabias que em Portugal há mais gente sem casa para viver que em Cuba?
    Que cada vez mais gente que trabalha vive em tendas, caravanas e onde calha?
    Que a cada vez mais gente sobra muito mes no fim do ordenado?
    Que cada vez de espera mais nos hospitais e que morre gente a espera da ambulância?
    Sabias que um em cada cinco tugas e pobre e isso só vai crescer?
    Sabias que vamos mesmo dar 5 por cento do nosso PIB para torrar em armas?
    Foi a isso que chegamos depois de tanta vaselina.
    Que a vaselina te faça bom proveito.
    Vai ver se o mar da choco.

  7. É interessante que, mesmo aqui, se vai consolidando a narrativa anti PCP que nos fala há muitos anos da “cassete” e hoje de “rigidez discursiva que os impede de captar novo eleitorado”. Por isso, a denúncia dos baixos salários que estão a matar a sociedade, da precariedade cada vez maior e que afecta de uma maneira gritante a malta mais nova (aqueles, muitos, que não estão ser preparados para ir p’a fora e que não fazem erasmos), dos preços das casas a quem ninguém consegue chegar, a defesa do SNS como uma das grandes conquistas do regime saído da revolução, a denúncia dos lucros obscenos das grandes corporações, a defesa intransigente do humanismo, da solidariedade, é designada por “rigidez discursiva” e trespassa mesmo as mentes mais lúcidas, algumas das quais se podem, felizmente, encontrar por aqui. Uma palavra para este Blogue: nunca acabem.

  8. Ah, grande craque!
    Toda esta verborreia só para dizer que é tudo estúpido e os que votam em branco é que são os maiores.
    Portanto, se isto está minado e se encaminha a passos largos para uma ditadura assumida, eu vou alienar a única coisina que dá algum trabalho a contornar: O voto, último resquício da parca democracia que ainda nos resta.
    Espetacular! Como é que nunca pensei nisto.
    E se todos votarem em branco? -Dizem estes iluminados que pairam acima desta plebe ignorante (como eu)- Ora isso é que vai ser uma revolução do caralho!
    Devem pensar que o descrédito na política e nos políticos, tão apregoado (e ampliado) pelos mérdia não faz parte da estratégia.
    E, para não variar, o PS é o culpado desta merda toda porque não representa a verdadeira esquerda.
    Parece que somos todos uns meninos que acreditam no Pai Natal.
    O António Campos (fundador do PS) explicou como esta merda foi combinada a seguir à (autorizada) revolução dos cravos e se organizaram as fações partidárias sob indicação dos nossos (vós incluidos) donos:Os EUA (isto para simplificar, claro)
    Acham mesmo que o poder incrustado ao nível global ia deixar que, em plena guerra fria, este retângulo de merda, mas muito estratégico, virasse descontroladamente à esquerda?
    Ou nos tornávamos numa Cuba, embargados e sem recursos para sobreviver, ou caíamos em guerra civil e ditadura, outra vez.
    Resumindo, para não maçar mais essas cabecinhas superiormente iluminadas:
    Este idiota, chamado Vieira, ainda acredita que o sistema só poderia mudar a partir de dentro e muuuito devagariiiinho, se tivessemos sorte, dado o contexto de poder em que estamos inseridos e que foi fabricado ao longo de alguns séculos (se calhar, nunca mudou muito).
    Por isso eu vou votando (enquanto me deixarem) no que mete um bocadinho de vaselina para não doer tanto. Mas, pelos vistos, há quem prefira à bruta.

  9. — “O PCP foi cancelado pela propaganda da NATO mais nazis e pela rigidez discursiva que os impede de captar novo eleitorado que substitua os velhotes que vão morrendo.”
    EXACTAMENTE, apesar de eu até ter votado neles, ainda que sem qualquer ilusão de utilidade do voto. Foi um berro de desespero, para marcar uma posição que não marcaria abstendo-me ou votando em branco. Foi o equivalente a um “Foda-se, porcos, ainda estou e estaremos aqui! E um dia sereis agarrados à mão! Vão para o ca*#@lho que vos insemine!”

    — “Portugal é hoje uma parvónia repleta de ignorantes, uma mera província totalmente vassala de um império criminoso, fascista, nazi, terrorista, colonial, e genocida.”
    EXACTAMENTE AO QUADRADO!

    — “No dicionário neoliberal, “defensivo” é cometer genocídio em Gaza, destruir por completo a Líbia e colocar armas de destruição em massa à volta da Rússia e da China; “democracia” é obedecer a Washington e Bruxelas e sermos aliados dos nazis de Kiev (ao ponto de proibirmos as celebrações do Dia da Vitória a 9 de Maio) e dos colaboradores dos terroristas da al-Qaeda na Síria (agora no poder em Damasco), e “liberdade” é vivermos numa bolha de desinformação (fake news) onde não sabemos a verdade, e onde os reais jornalistas (aqueles que denunciam os crimes dos regimes ocidentais e recusam ser corrompidos pela USAID, NED, e companhia) são cancelados, ameaçados, vigiados, presos, e assassinados.”
    EXACTAMENTE AO CUBO!

  10. Também gostei. Ha muita coisa sobre a forma como a partidocracia está organizada que e verdade. Mas infelizmente a abstenção não é o caminho para dar a volta a isto. Supondo que a abstenção rondava os 90 por cento, os deputados seriam distribuídos segundo os votos expressos e tudo continuava como antes.
    E lirismo ficar a espera que aprendam alguma coisa só porque são cada vez menos os que ainda vão votar.
    Aprender com os erros não faz parte da natureza do homem político.
    Alias, se alguém fosse de aprender alguma coisa não estaríamos mais próximos do que nunca de uma guerra total com a Rússia.

  11. Gosto francamente do artigo. Diz verdades que são incómodas. Mas como nos definiu Almeida Garret, “O país é pequeno e a gente que nele vive também não é grande.”

  12. O problema e que isto e como a tal fábula, “a formiga votou no insecticida por não gostar da barata. Morreram todos incluindo o grilo que se absteve”.
    Tudo bem que melhor e ficar em casa do que sair do buraco para votar no Chega como teem feito muitos.
    Mas a abstenção e a solução mais destrutiva e que abre as portas aos fascismos. Porque ficamos entre os vencidos da vida que querem destruir outras vidas e por isso votam no fascismo e os vencidos da vida que querem poder dizer “eu estou acima das politiquices, não voto em ninguém”.
    Mais valia a esse e outros vencidos da vida votar nos tais partidos a esquerda cujos votos vao para o lixo. Mas enfim, antes isso que votar Chega mas penso que não e atitude de que ninguém venha gabar se.
    Ate porque os abstencionista não contam para nada, tudo e dividido de acordo com os votos expressos.
    Dizer que a abstenção teve esta ou aquela percentagem não vale nada, a abstenção não é um partido e não elege um único deputado. Não vale nada a não ser para fazer comentadeiros traçar cenários apocalípticos sobre o futuro da democracia.
    Não digo que nunca beberei da água da abstenção.
    Se houver uma segunda volta entre o almirante que acha que impediu uma invasão russa e o Ventura ou qualquer outro chegano, que infelizmente, e o cenário mais provável, de certeza que não sairei de casa.
    Mas isso e uma situação extrema e terrível. Como as eleições que opuseram Biden a Trump.
    Não e com abstencionismos que travamos o fascismo.

    • “Mais valia a esse e outros vencidos da vida votar nos tais partidos a esquerda cujos votos vao para o lixo”

      Qual é exactamente a diferença entre abster-se e um voto que vai para o lixo?
      Parece-me que ser contra a partidocracia e depois defender o mecanismo que a legitima é um bocado contraditório…
      Abster-se é recusar-se a participar nesta farsa, pelo menos para mim.

      Mas isto devo ser eu que sou da “parvonia”..

      Cumprimentos

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