Donald à beira de um ataque de nervos

(António Gil, in Substack.com, 25/04/2025, Revisão da Estátua)


O homem é tão temperamental como o pato.


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Do pato a gente conhece os seus acessos de ira e os seus quacks descontrolados . De Trump conhecemos as suas diatribes e desabafos. Eis o último:

‘’ Pára, Putin: deixa-me concentrar na guerra comercial contra a China e nas tarifas que apliquei a todo o mundo. E no bombardeamento do Iémen. E nas ameaças ao Irão, na perseguição dos estudantes ‘anti-semitas’ e outras exigências de Bibi Netanyahu. E na absorção da Groenlândia e do Canadá. E nas lutas anti-imigração. E na drenagem do pântano do Estado profundo, na purga dos juízes hostis, no despedimento dos elementos hostis dentro das agências federais, incluindo o Federal Reserve . E nas lutas internas dentro da minha administração. E…’

Putin não entende que Trump é um homem muito ocupado e não lhe está a facilitar a vida, reconheça-se. Oh se ao menos ele fosse presidente de um grande país como Trump, então ele entenderia…espera, espera, Putin é presidente de um grande país. Mas não tão grande como…espera, espera, o país de Putin é maior ainda que os EUA. Oh sim, mas Putin não tem tantos problemas como o pobre Donald. Putin só tem a Ucrânia como alvo das suas preocupações. Espera, espera, ele também tem inimigos dentro do seu país, alguns imigrantes da Ásia Central que, de vez em quando, fazem atentados terroristas a mando da CIA, talvez até da Mossad…

Hummm…pára de arranjar problemas a Putin, Donald. Se calhar ele não te ouve porque tu também não o ouves. Que tal deixares de colaborar com os ucronazis, com armas e informações via satélite, para começar? E, por falar nisso, por que razão achas que a Ucrânia é um problema teu? Tu mesmo passas a vida a dizer que essa guerra não teria começado se tivesses estado na Presidência entre 2020 e 2024, lembras-te? Embora logo a seguir digas que foste tu quem forneceu os Javelins e outras armas que possibilitaram tal guerra. Oh, tens de admitir, Donald, a coerência não é o teu forte.

Eu sei, eu sei, andas cansado e irritadiço. É normal, propuseste-te fazer muitas coisas e nenhuma delas é fácil. E a imprensa, bem como as televisões que estão nas mãos de teus inimigos, não te dá tréguas. Os líderes europeus, que foram tão fofos com Biden, mesmo quando ele explodiu o Nord-Stream nas suas caras, também não te dão tréguas. As fundações dos ‘filantropos’ globalistas, não te dão tréguas. Nem mesmo dentro da tua administração, aqueles que escolheste, dão tréguas uns aos outros e, por tabela, não te dão tréguas a ti. Que raio de ideia foi essa de escolheres gente com pontos de vista e toleimas tão diferentes entre si e pouco condizentes com o que te propuseste fazer?

Vamos ver o que podes fazer em vez de gritares com Putin, ok? Afinal a Ucrânia realmente só é um problema teu se quiseres que seja. As tarifas e a guerra comercial com a China foram ideia tua, lembras-te? Nesse caso, podes fazer o habitual: declaras vitória e retiras tudo. Essa é uma linda tradição seguida por vários presidentes do teu país.

Concentra-te na frente doméstica pá, esquece o mundo e os países que nem sabes situar no mapa. Tu não tens nem exército nem diplomatas para entenderem que as ameaças já não intimidam ninguém.

A paz começa em casa. É aí que tens de te impor. Usa a desclassificação dos arquivos outrora secretos e começa a ir atrás dos teus inimigos. A uns apanharás com as calças em baixo, usando o dossier Epstein. A outros deitarás a unha usando as revelações do dossier Crossfire Typhoon, quando te tentaram demitir, lembras-te? No primeiro caso fritas os dois Bills (o Clinton e o Gates) entre peixe mais miúdo. No segundo caso grelhas a mulher do Clinton, alguns peixões do FBI e calhando ainda o Obama e o Soros. Mesmo que não consigas cozinhá-los a todos, se esturricares um deles, em cada caso, isso vai servir de exemplo e acabará com a hiperatividade de muitos. Ah e não te esqueças dos media, muitos jornalistas e pivots da TV estão metidos nos dois casos até às orelhas.

Agora volta ao trabalho. Tens muito que fazer, mesmo que só te dediques à pacificação doméstica. Vai por mim e segue os meus conselhos. Não voltes a pensar no resto do mundo enquanto a tua casa for a bagunça que é!

Fonte aqui.

25 de abril, o grande vencedor

(Adão Cruz, in Blog A Viagem dos Argonautas, 25/04/2021)

(Republico este excelente texto que – faz hoje quatro anos -, trouxe para a Estátua. Está lá tudo. A importância político-social do 25 de Abril, a alegria do povo, as conquistas alcançadas e os perigos ameaçadores de retrocessos infames. O que talvez lá não esteja é essa vontade vergonhosa da direita cancelar hoje a festa de Abril, como se a Liberdade não merecesse celebração. Sim, não é nem nunca foi a festa deles, mas antes o dia de carpirem o óbito de uma ditadura com a qual conviviam felizes.

À medida que Abril recua, vão perdendo o pudor e a máscara vai-lhes caindo lentamente: a ambição de ser algoz estás-lhe na genética e nunca os abandonou.

A luta não vai ser fácil, mas que Abril nos inspire e nos redobre as forças.

25 de Abril, SEMPRE!

Estátua de Sal, 25/04/2025)


Fonte aqui


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Do diário da Diana – 12 anos – Escola C+S da Musgueira – Take 6

(Carlos Esperança, in Facebook, 24/04/2025)

Diana a escrever o diário – Imagem gerada por IA

(O texto que segue é mais uma deliciosa e pertinente alegoria. Infeliz e provavelmente mais ancorada na realidade do que seria desejável. Os meus parabéns ao Carlos Esperança.

Estátua de Sal, 24/04/2025)


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A minha mãe adora o 25 de Abril e eu também. O meu pai detesta-o. Se a democracia fosse futebol, cá em casa a democracia ganhava 2-1.

Ontem a minha mãe estava possessa. Ouviu o Ventura a fazer promessas, como se as pudesse cumprir, e disse que há mais gente estúpida do que ela pensava e que esse aldrabão de feira parece um encantador de burros.

Como o meu pai andava com o táxi a dizer mal dos taxistas do Bangladesh e de todos os imigrantes, ficámos à conversa depois de jantar. A minha mãe não detesta só o Ventura, está desiludida com o Costa, irritada com o Montenegro e furiosa com o Marcelo.

Ó Diana – dizia –, vê a falta que o Costa faz cá e a inutilidade que é ele na União Europeia, onde bastavam a Von der Leyen e a Kaja Kallas para fazerem asneiras e serem humilhadas pelo desmiolado Trump!

Em Portugal a vergonha desceu à rua e o 25 de Abril está de regresso ao 28 de maio. O país está entregue ao Bando dos Quatro que emigram para Roma em gozo de férias de nojo pela morte do Papa, um homem decente que junta no funeral a escória da política e o refugo dos católicos, os que diziam cobras e lagartos do pontificado e fingem agora ser fervorosos admiradores de quem defendeu a paz e os pobres.

Em Portugal, durante o funeral do Papa, o país fica entregue aos bichos. A substituir o PR fica o Pacheco de Amorim, ex-terrorista do MDLP ou outro vice-presidente da AR; em vez do PM o Miranda Sarmento – porque até o MNE, o indizível Rangel, foi como acólito do PR, PAR e PM para perfazer o Bando dos Quatro, saborosa expressão de humor e raiva da minha mãe numa alusão a um grupo de radicais da China de Mao.

De facto, quando um ministro, em nome do governo que se ausenta para o estrangeiro no dia 25 de Abril, diz que «(…) o Governo cancelou toda a agenda festiva e adiou as celebrações relativas ao 25 de Abril», até eu percebo que não estamos num país de gente séria, estamos nas mãos de traidores, que trocam a Pátria por uma missa em Roma.

E, como se não bastasse, o ministro das Finanças de um governo em gestão, que já gastou a folga orçamental herdada, prepara-se agora para, segundo alega, em conluio com o PS, endividar o País em mais 1,5% do PIB para a Defesa, isto é, para armas.

Disse que pediu a Bruxelas para contrair mais 1,5% do PIB numa dívida que não conta para o Orçamento do Estado. Perguntei à minha mãe como era isso. Irritada, não comigo, nunca se zanga comigo, ela disse que era um expediente para esconder a dívida, até termos de pagar o capital e os juros. Nem sequer é uma dívida da UE, é só nossa.

E à custa de quem – perguntei eu? – De todos nós, respondeu ela. Vão às pensões e aos benefícios sociais. Mas o Nuno Melo disse que uma coisa não tinha a ver com a outra… – retorqui eu. E li, no sorriso triste da minha mãe, o desprezo por tal energúmeno e a dimensão da mentira.

E acrescentou ela: – Se tivéssemos um PR com um módico de dignidade, alertaria o Governo que nos impôs para o descaramento de tomar decisões com o PS sem saber se os dois têm a maioria em relação aos restantes. E acrescentou: – Ó Diana, que legitimidade têm de decidir despesas que oneram as gerações futuras sem as discutirem antes das eleições?

Que a Alemanha, queira gastar 500 mil milhões de euros, é lá com ela, embora esteja na origem das duas grandes guerras mundiais e esquecida da proibição de se rearmar, mas que a UE queira gastar 800 mil milhões também é connosco. Não digo que sou contra o armamento da UE, mas é preciso que se saiba para quê, para nos defendermos de quem e que sacrifícios estamos dispostos a fazer, incluindo o de morrer na Gronelândia ou em qualquer área da UE que vier a ser invadida.

A minha mãe diz que somos vítimas de bullying e que há uma campanha de intoxicação em curso para evitar que discutamos o que interessa aos portugueses para que interesses alheios possam prosperar.

Estou a pensar que amanhã não poremos cravos vermelhos na jarra da sala, por causa do meu pai e, antes que na rua comece a ser tão perigoso como dar vivas à República ou dizer mal do Salazar no tempo dos meus falecidos avós, eu e a minha mãe, só as duas, vamos da Musgueira ao desfile da Av. da Liberdade para gritarmos a plenos pulmões…

Viva o 25 de Abril! Sempre!

Musgueira, 24 de abril de 2025 – Diana