Uma reflexão sobre a Venezuela

(Boaventura Sousa Santos, in A Viagem dos Argonautas, 01/08/2024)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de um evento perto de uma imagem do falecido presidente da Venezuela Hugo Chávez em Caracas, Venezuela, 4 de fevereiro de 2024

Não sou, nem nunca fui, um chavista ferrenho. Hugo Chavez foi um benévolo meteorito político que abalou o sub-continente latino-americano e o mundo na primeira década do século XXI. Em 2013, logo após a morte de Hugo Chavez, escrevi um texto intitulado “Hugo Chavez: o legado e os desafios”. Identificava alguns sinais de autoritarismo e de burocratização e terminava o texto com a seguinte frase: “Sem ingerência externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está no terreno é usar todos os meios para virar os pobres contra o chavismo, a base social da revolução bolivariana e os que mais beneficiaram com ela. E, concomitantemente com isso, provocar uma ruptura nas Forças Armadas e um consequente golpe militar que deponha Maduro.

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19 pensamentos sobre “Uma reflexão sobre a Venezuela

  1. Seria realmente interessante que os comentadores (e nao me estou a excluir) se centrassem mais nas questões prévias que convém analisar em vez de aproveitarem o espaço para darem vazão a emoções e sentimentos, em textos confusos e, por vezes, deficientemente articulados.

    No caso presente, o que se nota é que acabamos por não definir o conceito de esquerda, que de facto é dificil e se presta a muita confusao. Nao referimos que aquilo a que chamanos de esquerda acaba por ser uma espécie de saco de gatos que nao se entendem nem sobre o que é essencial.

    Portanto, a bem de um entendimento mínimo, condiçao indispenasvel ao diálogo, deveriamos desde logo decidir se, por exemplo, um partido politico que nao põe em causa o sistema capitalista e que pretende que apenas é preciso reformar o capitalismo e restabelecer a democracia liberal na sua pureza originaria é um partido de esquerda ou uma mistificaçao.

    Eu nao tenho dúvida em considerar que tal partido nao é de esquerda, porque defendo que a estrutra económica da sociedade é determinante para a estrutura politica da mesma; esta até se pode apresentar formalmente como democrática, mas nao o é, se a base económica o nao for;
    ora nunca ninguem se lembrou de defender que o capitalismo é uma forma democrática de resolver os problemas económicos.
    Assim o que acontece nestas circunstâncias é que o verdadeiro poder nao está na esfera politica mas na esfera económica. Por isso é que os politicos ou dançam a vontade do dono espontaneamente, ou sao relegados para uma posiçao secundária, praticamente irrelevante e acomodavel pelo sistema, ou sao corrompidos, caso tipico do que acontece nos Estados Unidos onde a prática legal do lobby foi a maneira encontrada para branquear a corrupção.

    Resumindo, como nao estabelecemos com precisão mínima aquilo de que estamos a falar, nao preenchemos o primeiro requesito para um entendimento frutífero e, apesar das melhores intenções, acabamos por fazer o jogo que à partida queremos evitar.

  2. Há aqui camaradas comentadores quotidianos que pensam que são melhores que os outros e, curiosamente, gostam de se armar em bófias. Peço encarecidamente à moderação para que ponha ordem no regabofe e, me dispense de vir para aqui assistir a novelas. Caso contrário, faço como fiz aos bastiões das estruturas de média corporativas e deixo dissolver a minha presença na Estátua de Sal.

  3. Qual esquerda? A que diz que andar a fazer a guerra e a interferir na vida de países que não estão a venda e ma ideia e por isso e alvo de uma campanha de pura difamação e vai perdendo votos justamente porque a malta acredita?
    E que essa esquerda ainda não pediu nada disso.
    Mas há uma coisa que se diz Esquerda com quem o Boaventura se identifica ou pelo menos se identificou quase sempre que a última vez que divergiu do império foi por altura da guerra do Iraque.
    Após isso adoptou uma conveniente postura de Nen-nem de modo a poder ficar em cima do muro sem ter de se opor às aleivosias do império.
    O nem-nem permite lavar as maos como Pilatos e até fazer diapasão com o império.
    Nem Nato nem Kadhafi permitiu lhes achar perfeitamente lógico a destruição da Libia pois Kadhafi era um ditador.
    Nem Estados Unidos nem Maduro permitiu andar a meter o pau no Governo venezuelano já desde o tempo de Chavez sem uma única palavra de condenação a bloqueios vários, sancoes e ingerências.
    E, na dúvida, os alvos do Império não fazem nada pela democracia portanto não vale a pena muita indignação pelo que lhes acontece. Foi assim com o assassinato de Qassem Soleimani.
    Putin e um malandro e o putinismo e uma coisa muito má pelo que na Ucrânia nem Nato nem Putin.
    Pelo que nos últimos dois anos e meio esta esquerda se tem dedicado a condenar a Rússia sem uma palavra sobre os ataques nazistas ao Leste do país, a repressão de Herr Zelensky e o nosso apoio a tal traste.
    Ate integrou a romaria a Kiev mostrando lealdade total.
    Ate teem descortinado uns alegados socialistas que deploram a invasão pois que o pais estava muito bem sob Herr Zelensky e sus muchachos nazis.
    No
    Tudo bem, assim se livraram da campanha negra e consequente perda de votos.
    No caso do genocídio em Gaza lá arrepiaram caminho apesar da total condenação do Hamas e de qualquer tipo de resistência armada. Mas só porque o genocídio se tornou demasiado brutal e demasiado reconhecido pelos próprios perpetradores para ser possível continuar em cima do muro ou até apoiar os pobres israelitas atacados. A não ser assim talvez víssemos a Marisa em Tel Aviv.
    Enfim, esquerda nao e isso e por mim podem ir todos ver se o mar da choco.

  4. Se não fossem sobejamente conhecidos os métodos do império, caninamente secundados pela criadagem, bastaria ler este artigo de Boaventura Sousa Santos para perceber o tratamento que há alguns meses lhe foi dado, com a aplicação coordenada e amplamente divulgada do “método Assange”: acusações de cariz pessoal (comportamento sexual abusivo é sem dúvida o mais eficaz), com o objectivo inconfessado de o desacreditar e anular social e politicamente. Com “sorte”, metê-lo atrás das grades e destruí-lo física e psiquicamente. Com mais “ainda” ainda, matá-lo. Ora toma que é democrático!

    John Kirby, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, há bocado, no canal do militante n°1 do PSD:

    “A NOSSA PACIÊNCIA, e a da comunidade internacional [leia-se “nossos criados e vassalos”], ESTÁ A ACABAR-SE. ESTÁ A ESGOTAR-SE, à espera que as autoridades eleitorais venezuelanas sejam claras e divulguem todos os dados sobre estas eleições.”

    Ai que medo! Que horror! Todo eu me arrepio quando assisto a estas inadmissíveis interferências eleitorais moscovitas nas eleições amaricanas… perdão, parece que me enganei. Se são as autoridades amaricanas a interferir em eleições no seu quintal, é claro que está tudo bem. As minhas humildes desculpas! Espero que o deslize não me valha uma guia de marcha para Guantánamo! Mais uma vez, as minhas humilíssimas e chorosas desculpas!

  5. Uma reflexão a não perder. B. Sousa Santos escalpeliza a situação venezuelana e faz uma coisa imprescindível que a maior parte se abstém de fazer: contextualiza, procede ao enquadramento histórico, sem o qual é fácil distorcer a interpretação dos factos. Felizmente é um homem de uma esquerda lúcida e corajosa coisa que rareia por estas bandas.

    Ele estranha e eu também que haja “consenso à direita e à esquerda sobre a necessidade de auditar os resultados.” Quer dizer, a esquerda, melhor, a parte que nem é lúcida nem é corajosa põe-se em bicos de pés para provar à direita que é tão séria e tão exigente quanto ela. Daria vontade de rir, se não desse vontade de chorar!

      • O BE é aquele partido que nunca foi a Havana (nem sequer acompanhando o Presidente Marcelo), mas foi a Kiev, no lugar do fascista do Chega, para abraçar nazis numa ditadura racista.
        Será a Isabel Pires uma nazi-fascista?

        O BE é aquele partido que “era” contra a NATO e “era” contra a guerra, mas tem uma Marisa Matias no EUroparlamento a mamar à grande e a repetir o que diz quem lhe dá a mama: mais armas para a guerra na Ucrânia? Com certeza, desde que não seja um negócio… Será a Marisa atrasada mental?

        O BE é aquele partido que apoia os independentistas do Kosovo (aka região de maioria albanesa, ainda invadida pela NATO), mas acha que o povo do Donbass e da Crimeia não pode ter o mesmo direito de votar pela sua Auto-determinação, nem sequer após ser vítima do golpe da CIA e dos Nazis (a “revolução da dignidade” Maidan).
        Será o BE um projecto da CIA ou da NATO em Portugal?

        O BE é aquele partido que fez manifestações contra a exploração de hidrocarbonetos em Portugal, que apoia as sanções à Rússia e corte das importações de gás limpo e barato, mas que nunca na vida teve uma palavra para condenar a importação de NLG dos EUA vindo do fracking.
        Será que o BE trabalha para os oligarcas do gás USAmericano?
        Ou para as companhias de electricidade Europeias que tanto especulam e lucram com esta situação?

        O BE que pede mais armas para os Nazis e imperialistas no Ucranazistão, é o mesmo BE que nunca na vida pediu armas para a resistência na Palestina, nem mesmo duranre um genocídio. E condenou a legítima resistência armada do Hamas, mas nunca condenou os batalhões nazis como o Azov…
        Será o BE um partido financiado pelo lobby Sionista ou pelo lobby Stepan Banderista?

        O BE diz que é pela liberdade, mas alguma vez condenou a censura dos canais de notícias Russos? Censura essa que é uma obediência cega a não-eleitos em Bruxelas e uma violação da Constituição Portuguesa!
        Será o BE afinal de contas um grupo de fans de Oliveira Salazar e da censura do antigo regime em nome da “defesa” nacional contra os “subversivos”?

        O BE quer que eu chame “they/them” a pessoas singulares, quer que eu pergunte os pronomes antes de falar normalmente com alguém, quer homens de saia, mulheres de barba, e quer gorilas a competir ao lado de mulheres nos Jogos Olímpicos.
        O BE nuna exigiu uma única medida directa de apoio à criação de família por parte de jovens casais heterosexuais durante a Geringonça.
        Será que o BE é mesmo um partido Português, ou trabalha em nome da agenda woke pela extinção da civilização ocidental?

        O BE comdenou o Irão por causa da morte de uma única mulher Curda em circunstâncias polémicas criadas/difundidas pela máquina de propaganda e refime change do império USAmericano.
        Na realidade o Irão é um exemplo de tolerância de diferentes religiões, etnias, e visões políticas!
        Esse mesmo BE nunca disse nada em público com a mesma visibilidade e sonoridade contra as agressões (operações de invasão, ocupação, e bombardeamentos) feitos pelos EUA e pela Turquia no Curdistão Sírio e Iraquiano.
        O BE quer mesmo saber das mulheres Curdas? Ou só quer saber do que a agenda mediática falar? Aka do que a MainStreamMedia do regime tornar assunto do dia?

        O BE continua a ser pela saída do €uro e regresso à normalidade monetária, às políticas nacionais de pleno emprego, à soberania estratégica, ou o BE passou a ser dedensor do “dólar” de Frankfurt, projecto monetário imperial e federativo que tanto mal fez e, às escondidas dos cidadãos comuns e diatraídos, tanto mal continua a fazer à macroeconomia portuguesa?

        O BE ainda é EUrocrítico, ou já mamou o Eurofanatismo todo? Ou é um partido sem estratégia sólida e só vive dos oportunismos e conjunturas e só voltará a ser Eurocrítico (por conveniência) durante a próxima crise do €uro e quando a próxima ronda de austeridade NeoLiberal se tornar demasiado óbvia?

        O BEntem alguma coisa de Socialista, ou sequer de Social-Democrata, ainda, ou passou a ser só o partido do arco-íris LGBT+ que de vez em quando repete “ai os salários dos trabalhadores”, “ai o SNS”, etc, só para fazer de conta que é de Esquerda?

        E finalmente, o BE vai apresentar o seu próprio candidado pró-NATO/EUA/Ucranazistão nas próximas presidenciais, ou vai juntar-se à restante Coligação-Woke-Faz-De-Conta-Que-É-De-Esquerda com o Livre e o PS do Pedro Nuno Santos (cuja idoleologia é cortar salários e despedir ao mesmo tempo que se paga milhões à CEO, como vimos na TAP), a finalmente apoiar directamente a agente corrupta da NED (National Endowment for Democracy, USA) chamada Ana Gomes?

        E quando o império genocida naZionista ocidental, de anglo-americanos e seus vassalos) activar a guerra por procuração em Taiwan e/ou nas Filipinas contra a China, quantos segundos vão passar desde o primeiro míssil Chinês ser disparado e o BE repetir toda a propaganda do império a apoiar os “independentes” desses “países” e a condenar o “agressor não provocado e não justificado” na China?

        São demasiadas perguntas, interrogações, e dúvidas, para um partido tão pequeno.
        O BE e o Livre, o Bernie Sanders e a AOC, o Gabriel Boric, etc, é tudo gente que me traiu, que mente com todos os dentes na língua e assim trai os seus países, os seus eleitores alvo, e a humanidade.

        Portugal não pode continuar a ter só no PCP, um partido Comunista, a alternativa decente perante a degeneração do restante regime/império/civilização.
        Portugal precisa de um BSW também!
        O Bündnis (aliança) Sahra Wagenknecht é o novo partido da Esquerda Alemã, já com boas perspectivas nas sondagens e à frente de todos os partidos do actual governo no Leste da Alemanha. É mesmo de Esquerda, não faz favores aos NeoLiberais. É mesmo patriota, não deve nada aos Globalistas/EUrofascistas. É mesmo pela paz, não é mais uma cheerleader da NATO/Pentágono. É mesmo pelo povo, não é mais um clube de lunáticos woke. E é mesmo anti-fascista, não é um falso “antifa” que dá abraços a imperialistas e beijinhos a nazis ucranianos.

        PS: e já agora, na Direita também fazia falta um partido patriota e soberanista, EUrocrítico e pelo menos pela paz (já nem digo anti-NATO). Que fosse tradicionalista sem ser ultra-comservador. Que percebesse a importância do Estado e do que é público, em vez de ser mais um vendido NeoLiberal/Pinochetista. Uma Direita popular e não populista, nem elitista/oligárquica. Que rejeitasse claramente o passado (e presente) do fascismo português.

        Mas se calhar, o que estou a pedir não são dois novos partidos, mas sim um país inteiro feito de novo… Ou o mesmo país com um povo diferente. É que atualmente metade do povão é cabr*o e gosta da b*sta que temos, enquanto a outra metade do povinho, coitadinho, sabe lá do que é que eu estou para aqui a falar.

        PS2: quando é que os palermas do PCP usam o imenso dinheiro do partido e o cérebro para perceber que neste século precisam de um “Avante” na TV e não apenas em papel? Portugal, uma colónia do império tão pequena, já vai com 9 canais de desinformação e propaganda: RTP1, RTP2, RTP3, SIC, SICNotícias, TVI, TVI24/CNNPortugal, CMTV, e Now. Fora a transmissão dos internacionais: Bloomberg, CNN, FOXNews, BBC, SkyNews, Euronews, i24 (que mostra o genocídio em directo e com orgulho…). E mais uns quantos.

        E no entanto, depois de décadas a queixarem-se, com razão, a dizer que são cancelados, marginalizados, censurados, atacados, e vítimas de calúnia e manipulação nos órgãos NÃO-livres da MainStreamMedia, os “génios” do PCP continuam a achar que neste século basta o Avante continuar a ser impresso em papel e distribuído a meia dúzia de fiéis seguidores octagenários…

        Se o PCP quer assim tanto desaparecer, vão-lhe fazer a vontade.

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