Teatro de enganos, com bufões e arlequins

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 31/05/2024)


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A autorização do emprego de armas da NATO contra território da Rússia é uma operação de marketing político, que pretende fazer as opiniões públicas dos estados fornecedores acreditar da utilidade das suas comparticipações, convencendo-as de que contribuem para alterar a situação militar a favor da Ucrânia.

Na realidade, as armas fornecidas por países da NATO já estão a ser empregues em território russo e sobre alvos russos: a destruição do gasoduto NordStream II, o ataque a navios russos no Mar Negro, o ataque a bases russas e a refinarias foram realizadas com armas de países da NATO e com pessoal militar destes. Nada de novo. Esta encenação pretende justificar ações que se destinam a proporcionar uma imagem mais favorável à Ucrânia para ser apresentada na conferência prevista para a Suíça. Constitui, no entanto, uma jogada arriscada: a Rússia pode ser tentada a uma jogada de força e eleger Karkiv como objetivo principal, estragando a festa da Suíça e obrigando o “Ocidente Alargado” a intervir diretamente…

As afirmações da NATO e dos políticos guerreiros, que se contradizem, de que, por um lado, é necessário rearmar a Europa porque os russos a vão invadir, e por outro a de que é com o material que é fornecido à Ucrânia que se impede a tomada de uma cidade como Karkiv, a curta distância das bases logísticas da Rússia, por umas forças armadas com o potencial desta, não revelam nem discernimento dos políticos, nem respeito pelos cidadãos.

Mas são estas políticas e estas trafulhices que estão a votos nas próximas eleições. Gente desta devia fazer como o Paulo Rangel, não se meter em altas cavalarias e beber uns copos em Bruxelas.

O Zelensky que trate do assunto com o Biden. O chefe da NATO é um cabo quarteleiro. Nada do que ´nos estão a dizer corresponde a qualquer realidade. Estamos num teatro de enganos, com bufões e arlequins, mas caríssimo.

7 pensamentos sobre “Teatro de enganos, com bufões e arlequins

  1. Acerca do que se está a passar e do prenúncio da terceira guerra mundial, andamos todos muito preocupados, é certo, mas temos esquecido de denunciar aquilo que verdadeiramenbte se encontra na origem do processo a que estamos a assitir. As pessoas, mesmo as que se dizem de esquerda, ainda nao perceberam que esta guerra é vital para o capitalismo e para a sua permanencia porque promove aquilo que de vez en quando alguns designam doutoralmente de “destruiçao criativa “- a associaçao (propositada) entre os dois termos leva-nos a ser coniventes com o primeiro.
    O capitalismo vive do crescimento ilimitado e com frequencia a unica possibilidade de crescer é destruir; nao é por acaso que se diz jocosamente que os Estados Unidos, o maior promotor de guerras desde a segunda metade do seculo XX, “primeiro partem as pernas e depois vendem as muletas”; começaram a aprendizagem com o Japao, primeiro lançaram bombas atómicas e depois foram la “ajudar” na reconstruçao!
    Mas nao se venha dizer que são so os Estados Unidos os culpados; os verdadeiros culpados sao os que se escondem por detras dos interesses corporrativos capitalistas e estes manipulam os governos; nomeadamente no caso da Europa, tanto faz estarem la socialistas ou sociais democratas, so mudam as moscas… Os socialistas ate deviam ter vergonha na cara porque se deixam comprar autenticamente por um prato de lentilhas ou entao são tolos, ou são ignorantes, ou nao sabem o que andam a fazer, venha o diabo e escolha – de facto faz tempo que meteram o socialismo na gaveta!
    Resumindo, concentremo- nos no sistema economico que nos domina e percebamos que enquanto nao tomarmos consciência de que é nele que nos devemos focar nao há soluçao para os nossos males.
    As ideias têm de circular, é preciso chamar os bois pelos nomes, pois so começam a surgir alternativas quando pensamos nelas. Ora nao vejo ninguem a colocar o dedo na ferida e a ferida é o sistema iniquo em que vivemos, de produçao desenfreada, de exploraçao de uns povos por outros, de riqueza extrema perante miséria massiva escandalosa. É isto que queremos? Ainda seremos capazes de nos indignarmos ou vamos esperar que o planeta, uma vez destruido, resolva o problema por nós? !

  2. Certíssimo. Em desespero, o Império mostra a sua verdadeira face sanguinolenta contra todos os que ousem desafiar a sua hegemonia em nítido declínio e até agita o espantalho da legislação internacional, quando é sempre o primeiro a esmagá-la. Felizmente que as suas narrativas equivocadas se estão a desmoronar por todos os lados.

  3. Claro que consideração pelos ucranianos não temos nenhuma.
    Como não tivemos quando os escravizamos na construção civil e nos campos e a elas nas limpezas e nas casas de putas.
    Mas a verdade é que os ucranianos ao reavivarem velhos ódios e se recusarem a seguir em frente puseram se a jeito para o que lhes está a acontecer.
    Gostava de poder dizer ao António, ao André e ao José que não teem razão e que esta gente ainda acordará para a luz de um pouco de bom senso.
    So algum bom senso que ainda há na Rússia nos pode efectivamente salvar de ver os tais cogumelos cor de laranja.
    Porque a gente perigosa e psicopata que armou as maos de Israel para o genocídio de Gaza não vai parar. Já provou que bom senso não tem nenhum. Já para não falar do mais elementar sentido de humanidade.
    Nunca serei capaz de perceber o que move Stoltemberg que viu um fascista atacar o parlamento do seu pais e matar a tiro sete dezenas de crianças. Como pode agora instigar nos a apoiar gente capaz de fazer o mesmo. Como pode apoiar o mesmo tipo de gente.
    E as pateras esperam por quem sobreviver.

  4. Os textos do António e do André fazem todo o sentido e apontam o caminho certo. Mas gostaria de ir um pouco mais longe. De facto, sabe-se que a guerra da Ucrânia é muito mais que a guerra da Ucrânia. Como foi muito bem salientado, a Ucrânia sõ é considerada um país há muito pouco tempo. Desde sempre esse território pertenceu a outros estados com destaque para a Polónia, Rússia, Império Austro-Húngaro, etc. O actual conflito é um ponto de convergência de vários outros conflitos já antigos e nunca resolvidos. Nas base há um conflito étnico. O herói histórico do país é o sr. Bandera, com estátuas e nome em avenidas e praças. A sua fama advém de ter dinamizado o assassinio de milhares de cidadãos polacos. O novo governo nazi nascido do golpe de Maidan em 2014, prontamente reconhecido pela civilizada Europa dos direitos e valores, iniciou de imediato uma guerra contra cerca de metade da população russa ou russófila, em especial com mortíferos ataques às provícias do leste, mas não só. Num segundo nível mais elevado, os EUA, sempre eles, há décadas que vinham intensificando o apoio a grupos nazis, instigando-os a combater russos e a Rússia. A um terceiro nível, há o claro conflito da NATO contra a Rússia e a um quarto nível a guerra eterna entre os EUA propriamente ditos e a Federação Russa, a partir da estúpida premissa de que este país foi, é e tem de ser o eterno inimigo de estimação do amigo americano, sem que haja quaisquer razões de substãncia que tal justifique. Portanto, o essencial é a guerra perene que os EUA movem contra a Rússia, neste caso, através de um cordeiro sacrificial, a Ucrânia. Os EUA têm repetidamente mostrado não ter a mínima consideração pelo povo do país que levaram para a guerra, pois o seu único e reiterado objectivo seria enfraquecer o urso. Como Lavrov já declarou, todas as guerras que o cidente tem movido contra a Rússia tiveram sempre o condão de a tornar cada vez mais forte e hoje isso é bem evidente, ao mesmo tempo que a velha Europa enfraquece todos os dias, a ponto de se tornar uma quase colónia americana (só na Alemanha há mais de 200 bases e instalações NATO. 150 na Itália). Acresce que os EUA se têm oficialmente declarado como país que não reconhece nenhumas instituições internacionais acima da sua soberania, ou seja, para eles o direito internacional sequer existe. A ùnica coisa que existe é a lei da selva. O facto de Portugal cooperar abertamente com essa postura, coloca o nosso país numa rota extremamente perigosa e Putin já advertiu os pequenos países para esse perigo.

  5. A utilização de drones aéreos com tecnoligia portuguesa para atingir as bases do sistema de alerta precoce da Federação Russa para a aproximação de mísseis balísticos intercontinentais é um atentado à soberania de Portugal. A quem interessa inutilizar o sistema de defesa da Federação Russa contra ataques nucleares? Aos EUA, esarmsmentià França e ao Reino Unido, potências nucleares que apostam na eficácia de um ataque preentivo. Portugal não tem armas nucleares, devia neste momento lutar pelo desarmamento. Em vez disso, o nosso governo finge que aventureiros portugueses sem um pingo de consideração pelo seu país ponha os seus lucros à frente da srgurança de Portugal. Esta aventura dos Tekelevs nada tem a ver com a apregoada solidariedade com o regime da Ucrânia. Os radares atingidos na Federação Russa supervisionavam o espaço aéreo a Sul, sibre o Irão e o Mar Cáspio. Esta aventura luso-britânica increve-se num eventual conflito nuclear entre os Estados Unidos da América e a Federação Russa. Cabe a nós, portugueses, impôr ao governo em Portugal o respeito pelos interesses nacionais. O imobilismo não é opção.

  6. Acusar a Rússia de agressão é discutível. De acordo com o direito internacional, foi a Ucrânia que agrediu as repúblicas autónomas do Donbass, que pediram ajuda à Rússia…

    De facto, a Rússia reconheceu oficialmente a independência de Dombass antes de intervir para ajudar um país em dificuldades (e a Ucrânia não respeitou os acordos de Minsk, quando a Rússia, tendo assinado esses acordos, podia intervir).

    O problema que os ocidentais têm com o direito é o facto de darem demasiada importância ao valor transcendental do direito e de pretenderem jogar com este quadro em seu benefício.
    Passo a explicar.
    Para um ocidental, as regras do direito são imutáveis, como quando se joga um jogo de tabuleiro de damas ou outro qualquer.
    Na realidade, antes da existência da escrita, os direitos eram aceites através do hábito e do costume. Os direitos adquirem legitimidade porque existe uma estabilidade a que as pessoas se habituaram e, por isso, a situação é adequada. O direito escrito e, naturalmente, as constituições, as cartas e as declarações dos direitos do Homem são documentos algo solenes que só se tornam válidos porque se baseiam na realidade de uma sociedade num determinado momento.

    O problema para os ocidentais surge quando um Estado entra em colapso ou quando há uma revolução. Os ocidentais (mas o resto do mundo é igual, só que os ocidentais agem como se estivessem seguros do seu golpe de Estado) não dispõem de um aparelho jurídico, de uma teoria do Estado que seja válida para legitimar o rescaldo de um golpe de Estado e de uma revolução. Aqui, depois de Maidan, em 2014, o discurso sobre a legitimidade do regime ucraniano instaurado pelos americanos não faz qualquer sentido. O golpe pôs fim a um equilíbrio precário, a uma estabilidade até então aceitável. O Ocidente recusa-se a acreditar que a instabilidade criada abre uma caixa de Pandora de exigências que vão destruir a unidade de um país.

    A partir do momento em que um país é desestabilizado, há um estado de coisas, é certo que com o respeito pela lei, mas as crises são evidenciadas e não são ilegítimas. E é necessária uma situação de estabilidade que dure alguns anos para que o Estado de direito regresse. Durante anos, não houve Estado de direito na Ucrânia. E, de facto, com os acordos de Minsk, podemos ver quem procurou restabelecer o Estado de direito o mais rapidamente possível, e quem não o fez.

    A definição da fronteira é também um problema, uma vez que a Ucrânia herdou as fronteiras de um enclave da URSS. É preciso ser muito ingénuo para acreditar que as fronteiras da Ucrânia eram naturalmente estáveis no final da URSS. A crise étnica foi-se instalando e acabou por eclodir. A legalidade e a legitimidade não passaram de uma mera fachada política do Ocidente para servir os interesses americanos na Ucrânia.
    A Ucrânia não existia com estas fronteiras antes da URSS, e a Ucrânia não é uma unidade étnica, não apenas o Donbass e a Crimeia, uma vez que todo o sudoeste é uma extensão russa do século XVIII e não é de todo uma Ucrânia de Lvov.

    Trata-se de um CONTRA-ATAQUE DA COLIZÃO RUSSA UCRÂNIA como consequência de 8 anos de bombardeamento da sua própria população por Kiev, após o golpe de Maidan dos EUA e da UE.
    Este contra-ataque cumpre a obrigação da Carta das Nações Unidas de proteger a população.
    Os 40.000 soldados ucranianos desta coligação ucraniano-russa, segundo Jacques Baud, que trabalhou para a NATO na Ucrânia de 2014 a 2017, estão EM CASA na Ucrânia.
    20.000 soldados (ou seja, metade) vêm do exército nacional, que abandonaram em 2014 para não terem de disparar contra os seus familiares no Donbass.

    Os ucranianos orientais, os cidadãos com dupla nacionalidade e os russos ucranianos puseram em ação o seu “artigo 5º”.
    Só que o pedido de ajuda que é o artigo 5º da NATO é um pedido dirigido a países completamente estrangeiros que fazem parte desta coligação da NATO, enquanto a Rússia e a Ucrânia estavam no mesmo país há 33 anos.

    O rei dos serviços secretos dos EUA, George Friedman, disse bem que “Maidan é o golpe (dos EUA) mais flagrante da história”.
    Por isso, o contra-Maidan será TOTAL.
    A europa deve punir os Estados Unidos pela carnificina que criaram, mantiveram e financiaram, negando ao mesmo tempo a paz de março de 2022.

    Estamos a lidar com bastardos verdadeiramente perigosos que não estão a ser punidos e que também lixaram os países europeus.
    A maioria são charlatães da política internacional e por tanta charlatanice vamos para a 3° guerra mundial!

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