O golpe que não chegou a ser e como vai a política cá no quintal

(Por oxisdaquestão in blog oxisdaquestao, 30/04/2024, revisão da Estátua)

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Depois de tramarem António Costa, parecia que o próximo seria Sanchez, o líder do PSOE de espanha. Chegou a ser anunciada a sua possível demissão decorrente da tramóia que lhe armaram a partir de actividades pouco lisas da esposa. Acontecia isto numa altura em que o socialista se apresentava como defensor da Palestina e do reconhecimento pela Onu de um seu estado independente!

Nota: quando em França a Assembleia Nacional teve iguais propósitos aconteceram os atentados de paris, o mais falado de todos contra o do Charlie Hebdo que gerou comoção e deu aso a uma manif de chefes políticos com Merkel à cabeça e Natanyahu no meio deles com a sua cara de assassino a querer dizer: “Atenção, é isto que acontece aos que se atrevem a ir contra os interesses sionistas de israel …”

Sanchez resolveu o seu caso marital com o dramatismo de uma telenovela de 5 dias de ausência para pensar a sua atitude. Nesses 5 dias ele pôde desenvencilhar-se do assunto e ter 2 pesquisas de opinião, uma pró-PSOE e outra direitista do Vox+PP, com resultados simétricos e a mostrar que o país tanto se alegraria com ou sem ele no Governo. Sanchez é ainda necessário à estabilidade CEE-UE porque garante a pacatez dos que são dia-a-dia esmifrados pelos preços em subida, o desemprego, a dificuldade de pagar a renda, o desalento de viver na podridão do capitalismo Ibérico, feito para ricos e para cada vez menos espanhóis. Sanchez, ao mesmo tempo que suporta o nazismo de Kiev com milhões de milhões, vende armas a Israel e chora pelos palestinos as suas lágrimas de crocodilo. Um perfeito artista da corda bamba sob os olhares da Mossad!

Os donos de Espanha decidiram manter Sanchez no poder como sendo ainda a melhor pedra do seu jogo de alinhamento ao imperialismo e à NATO. E o homem ficou, terminada a telenovela dos 5 dias e encerrado o caso da esposa vivandeira e comerciante de influências e mercadorias. Um lawfare mediático que deu em nada! Em Espanha não há lítio nem um porto como Sines, as razões do GOLPE dado ao nosso anterior 1º ministro pela PGR e pela Presidência da República. Sanchez, tal como Costa, estão apontados à Europa; veremos para onde e para quê…

O estilo de Montenegro a governar vai ser o do publicitário e propagandista, e conta com as tv’s para isso. É que a realidade não se compadece com ilusões e, à 5ª mentira, passará a ser visto como um aldrabão mais, que não manda nada de fundamental no país, e só vai gerir niquices à PPD-AD. A sua campanha eleitoral está, agora se vê, cheia de coisa nenhuma e que o digam os professores, que nem a recompensa de atacarem o governo do PS, receberam já! A treta do IRS é o que se vai sabendo:

Bons tempos para os PPD’s nos quais para o governo mostrar serviço à troika punha Gaspar a vangloriar-se do imenso aumento dos impostos que tinha decretado! E Coelho justificava o roubo de rendimentos pela futura limpeza da saída do torniquete do BCE que se viu, depois, ser suja e emporcalhada com milhões acrescidos à dívida e entregues aos bancos que na especulação se tinham abeirado da falência!

Montenegro vai sobrevoar todas as encrencas que o capitalismo de colónia lhe apresentar. Como vendedor da banha da cobra estará atrás das cortinas da publicidade e da propaganda que um gabinete de relações públicas à gringa vai processar e difundir em seu favor.

Entramos numa nova fase da política nacional: a do embuste como sistema.

Um dia em Paris quiseram que Eça de Queiroz subisse em balão. Recusou. ” Eu não sou político, meus amigos!” E depois de um silêncio, esclareceu: ” Só os políticos é que conhecem a complicada arte de se equilibrarem nos ares !”

A sociopatia e a compreensão das reparações coloniais

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 29/04/2024)

Nem quero imaginar quanto vai pagar a Espanha ao Iraque, ou à Siria,de reparações pela Mesquita de Córdova e pelo Alhambra de Granada, obras dos árabes que vieram de Damasco e da Mesopotâmia com Abderramão, o príncipe fugitivo, e chegaram à Península Ibérica através do Norte de África!


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A proposta de reparações coloniais feita pelo presidente da República causou perplexidade a quem ainda é dado a surpresas e interrogações a quem procura estabelecer relações de causa e efeito nas suas atitudes. De um modo geral serviu para alimentar os comentadores e entreter os programas das televisões após as eleições. O elenco do “circo comentarial” dividiu-se entre malabaristas do Bugalho e ilusionistas do Marcelo.

O que terá levado o senhor prior Montenegro a elevar o menino de coro a cónego da sua confraria em Bruxelas e o mestre de fogos-de-artifício de Belém a sacudir a esfarrapada passadeira que se desenrolou de Lisboa ao Índico durante cinco séculos?

Deixando Montenegro e Bugalho na prateleira dos monos, resta a questão mais séria do que parece das reparações coloniais. Porque tirou Marcelo um assunto tão mal enterrado do jazigo onde repousava coberto de teias? O que pretende Marcelo? Matar o pai Baltazar, governador colonial e ministro das colónias que passaram a ser províncias ultramarinas e o padrinho Marcelo, esse sim, ministro das colónias e chefe do governo que se ofereceu em sacrifício por elas, sacrificando na guerra uma geração de portugueses? O que pretende Marcelo com a proposta? Entalar a direita colonialista, dizendo-lhe, já que foram colonialistas, agora paguem e devolvam o que sacaram em café, em diamantes, petróleo, em cervejas Cuca, Nocal, Laurentina e 2M, em tabaco, madeiras, amendoim e até em chá licungo, caju para aperitivos, minérios de ferro e terras raras? Provocar a esquerda, dizendo-lhes, ora tomem lá seus anticolonialistas de garganta, sou eu que vou fechar a loja do colonialismo, devolver aos fornecedores os produtos em dívida? Ou afrontar os dirigentes dos novos estados fruto do colonialismo, confrontá-los com a sua matriz neocolonial? Dizer-lhes: Angola, Moçambique, a Guiné apenas existem porque o colonialismo oficializado pelos europeus na Conferência de Berlim de 1884/5 lhes deu origem, como deu às Rodésias, hoje Zâmbia e Zimbaué, à Tanzânia, ao Senegal, à Costa do Marfim, à República Centro Africana, aos Camarões, à Nigéria. Nem depois da dita conferência de Berlim qualquer negro africano se considerava centroafricano, camaronês, liberiano, angolano, sudoesteafricano, moçambicano, guineense, ou guinéu, rodesiano, mas sim balanta, ovambo, mandinga, maliniano, bailundo, cuanhama, mandinga, macua, ronga, maconde, ajaua, papel. Enfim, afirmar aos presidentes de Angola, Moçambique, Guiné, Timor, São Tomé e Cabo Verde que eles, não sendo sobas, não detendo a autoridade ancestral, têm a mesma legitimidade dos governadores coloniais!

Oferecer compensações pelo colonialismo aos atuais dirigentes dos estados africanos resultantes do colonialismo é entalar-lhes o rabo.

A quem entregar o espólio? A quem mais se bateu pela independência dos novos estados? Ao PAIGC na Guiné-Bissau, ao MPLA em Angola e à FRELIMO em Moçambique? E os outros, a FLING, a FNLA, a UNITA, a COREMO, a UNDENAMO? E, na Guiné, quem recebe a cota dos caboverdeanos? E, em Angola, quem recebe a cota de Holden Roberto, mas também a dos irmãos Pinto de Andrade, ou de Chipenda, ou de Savimbi? E em Moçambique quem recebe a cota de Uria Simango, por exemplo, ou de Kavandame? E quem na Guiné tem direito a receber a arte Nalu? Ou as cabeças reduzidas dos Felupes? E, em Angola quem recebe as obras dos Tchokwé? E, em Moçambique, quem recebe as esculturas maconde? Porque deverão ser restituídas as obras de culturas ancestrais, com identidade própria criada ao longo dos tempos, muito antes do colonialismo e muito antes dos novos estados-nação de matriz europeia aos dirigentes aculturados que hoje, fruto das circunstâncias da História, dirigem governos regidos por princípios estrangeiros às culturas de origem? E como devolvemos a esses povos os deuses que lhes matámos, substituindo-os pelos nossos?

A proposta de Marcelo levanta problemas onde eles não existiam. Esse é um comportamento que a ciência explica muito melhor do que a opinião política baseada no empirismo, no comentarismo de que Marcelo Rebelo de Sousa foi um mestre. É um comportamento não apenas típico dos assassinos em série, mas de uma grande percentagem de “homens de estado”, ou de “grandes homens”, ou pretendentes a sê-lo. Tipos que a ciência classificou de “sociopatas”, que em inglês é apresentado com a sigla DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).

Segundo um artigo científico de Renato M.E. Sabbatini, PhD, neurocientista, doutor pela Universidade de São Paulo e pós-doutoramento no Instituto de Psiquiatria Max Planck, em Munique, o DSM define um “distúrbio da personalidade antissocial (DPA)” e lista as suas principais características: Os sociopatas são caracterizados pelo desprezo pelas obrigações sociais e por falta de consideração pelos sentimentos dos outros. Exibem egocentrismo patológico, emoções superficiais, falta de auto perceção, pobre controlo da impulsividade, irresponsabilidade, pouca empatia e ausência de remorso. São geralmente cínicos, manipuladores, incapazes de manter uma relação e de amar. Mentem sem vergonha, roubam, abusam, trapaceiam, negligenciam as suas famílias e parentes. São “predadores intra espécies que usam o charme, a manipulação, intimidação e violência para controlar os outros e para satisfazer as suas próprias necessidades. Na sua falta de consciência e de sentimento pelos outros, apropriam-se friamente daquilo que querem, violando as normas sociais sem o menor senso de culpa ou arrependimento. Os sociopatas são incapazes de aprender com a punição, e de modificar os seus comportamentos. Quando descobrem que o seu comportamento não é tolerado pela sociedade, reagem escondendo-o, mas nunca o suprimindo, disfarçando de forma inteligente as suas características de personalidade. Por isso, os psiquiatras usaram no passado o termo ‘insanidade moral’ ou ‘insanité sans délire’ para caracterizar esta psicopatologia. “

O sociopata geralmente exibe um charme superficial e tem uma inteligência normal ou acima da média. Tem boa presença social e boa fluência verbal. Em alguns casos os sociopatas são os líderes sociais. Poucas pessoas, mesmo após um contacto duradouro com os sociopatas, são capazes de imaginar o seu “lado negro”, que a maioria dos sociopatas é capaz de esconder com sucesso durante sua vida inteira, levando a uma dupla existência. Sob situações de stress, os sociopatas podem adquirir o status de líderes regionais ou nacionais.

Se analisarmos os comportamentos dos chefes políticos, todos eles, à luz dos comportamentos típicos da sociopatia — se os tomarmos como potenciais sociopatas — talvez consigamos encontrar respostas para muitas interrogações a propósito das atitudes dos políticos que nos surgem a propor-se para nos conduzirem à felicidade.


Os 61 mil milhões de dólares de Biden e o recrutamento coercitivo do regime de Kiev

(SCF, in Resistir, 28/04/2024)

Esta semana, o presidente dos EUA, Joe Biden, proclamou a aprovação pelo Congresso de 61 mil milhões de dólares em ajuda militar adicional à Ucrânia como “um bom dia para a paz mundial”. A exaltação de Biden é macabra. A obscenidade é que mais ucranianos serão sacrificados pelo imperialismo ocidental e pelo seu brutal regime neonazi em Kiev.

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