Com papas e bolos…

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 04/03/2024)

Após a morte de Navalny, lamentavelmente, ninguém no ‘mainstream’ parou uns segundos para pensar, para questionar, não enganar e não ser enganado.


Após a morte de Navalny, lamentavelmente, ninguém no ‘mainstream’ parou uns segundos para pensar, para questionar, não enganar e não ser enganado.

O caso Navalny trouxe-me à memória muitos outros casos, em que as opiniões públicas, resultado da ação da designada Comunicação Estratégica são levadas a acreditar em versões enviesadas dos acontecimentos. Para se atingirem determinados objetivos políticos, versões deturpadas dos factos são apresentadas de modo a serem percebidas como verdades indiscutíveis. Falamos de manipulação das perceções.

A minha atenção para este fenómeno foi despertada por um acontecimento que relatei num livro publicado em 2016. Quando um jornalista perguntou ao responsável de uma empresa de Relações Públicas (RP), contratada por croatas e muçulmanos bósnios, para promover as suas causas, ou, se quisermos, as suas imagens públicas, qual era o feito de que mais se orgulhava, a resposta saiu pronta e sem hesitação: “Colocar a opinião pública judaica do nosso lado”, leia-se, contra os sérvios bósnios acusando-os de nazis.

Esta “tese” punha em causa toda a história da Segunda Guerra Mundial, nos Balcãs. Quem, na verdade, combateu as forças de Hitler foram os sérvios, tanto os que alinharam com os partisans como os monárquicos. Os croatas e os muçulmanos estiveram do lado errado da história, engrossando as fileiras da Wehrmacht e das SS com unidades próprias. Milhares de judeus morreram às mãos dos croatas em campos de concentração na Croácia.

Ambos os presidentes Tuđman (croata) e Izetbegović (muçulmano bósnio) tinham escrito livros onde expressavam ideias muito inconvenientes e inapropriadas. O primeiro defendia, com grande convicção, ideias antissemitas e racistas, enquanto o segundo defendia, como objetivo último da sua ação política, a criação de um Estado islâmico fundamentalista. As questões ideológicas não foram impedimento para o Ocidente se colocar do lado dos croatas e dos muçulmanos na guerra que dilacerou o país, entre 1992 e 1995.

Perante cartões de visita tão inapresentáveis, como dizia o responsável da empresa de RP, havia todas as razões para que intelectuais e organizações judaicas fossem hostis, tanto a croatas como a muçulmanos. “O nosso desafio [da empresa de RP] era reverter esta atitude. E nós fizemos isso magistralmente. Foi um tremendo golpe”. E foi mesmo. Conseguiram colocar as opiniões públicas ocidentais contra os supostos sérvios nazis. É para isto que servem as empresas de Relações Públicas. Limpar imagens, alterar perceções. Foi dinheiro bem empregue!

Apesar do Tribunal de Haia ter, em 2016, ilibado Milosevic da responsabilidade pelos crimes de que foi acusado, ficou para a história como o “carniceiro dos Balcãs”. O mal já estava feito, pouco ou nada serviu a “retificação.” A verdade histórica apurada a posteriori não produz efeitos retroativos. Não faz breaking news.

Na altura, a internet não tinha ainda a utilização generalizada que tem nos dias de hoje, nem existiam redes sociais. Como dizia o referido membro da empresa de RP, a diferença fazia-se através de uma boa base de dados, um computador e um fax. A base de dados devia conter algumas centenas de nomes de jornalistas, políticos, académicos e representantes de organizações humanitárias. Eles encarregar-se-iam de propalar e difundir as “notícias”.

Com a morte de Navalny aconteceu algo semelhante ao que acabo de contar. O Kremlin foi acusado de imediato e sem hesitações da sua morte, em várias versões. Não tenho informação para me pronunciar sobre as causas de tão trágico acontecimento. Mas a débil verosimilhança do que se conta não resiste a um apuramento dos factos, mesmo ligeiro e rápido que seja. Lamentavelmente, ninguém no mainstream parou uns segundos para pensar, para questionar, não enganar e não ser enganado.

Foi dilacerante ver como ideias estúpidas conseguiram ganhar tração e prevalecer. Os difusores da “verdade” podiam ter-se interrogado, por exemplo, qual seria o interesse do Kremlin em aniquilar um opositor irrelevante – considerado no Ocidente o grande opositor de Putin, vá lá saber-se porquê –, quem fez essa avaliação e com que métrica, quando estavam em curso negociações para ser trocado por um agente russo. Por outro lado, só um ignorante pode acreditar na morte de Navalny causada por envenenamento com Novichok.

Para tornar a situação ainda mais absurda, o insuspeito general Budanov, chefe dos serviços de intelligence ucranianos, veio confirmar a tese russa, afirmando que Navalny teria morrido de morte natural. Dispensaremos da análise muitos outros temas igualmente merecedores de atenção, mas que poderão ser considerados menos ponderosos para o caso (consumo frequente de narcóticos, a visita do advogado na véspera da morte, a coincidência da morte com a inauguração da Conferência de Segurança de Munique, a defesa da ocupação da Crimeia e, simultaneamente, a oposição à operação militar russa na Ucrânia, xenofobia, ligação comprovada a organizações neonazis, etc.).

É muito preocupante que um acontecimento desta natureza, com as implicações políticas conhecidas, não tenha sido objeto de maior escrutínio, ou, se quisermos, de escrutínio tout court. Se é compreensível que as massas não o tivessem feito, o mesmo não se poderá dizer de outros segmentos da sociedade, enquadráveis naquilo que poderemos designar por elites (académicos, fazedores de opinião, intelectuais, etc.). Terá sido desleixo? Não parece credível.

A ausência de interrogações sobre o assunto leva-me a introduzir dois temas na discussão, transportando-a para um outro patamar: o conceito de socialização e poder hegemónico, desenvolvido por John Ikenberry e Charles Kupchan, dois académicos liberais norte-americanos; e o conceito de Comunicação Estratégica.

Ikenberry e Kupchan publicaram, em 1990, na International Organization, um artigo fabuloso, onde explicam como as potências hegemónicas se devem comportar para afirmarem o seu controlo sobre os outros Estados, entenda-se os Estados subordinados. As suas propostas têm como referência aquilo que os EUA devem fazer para o conseguir.

Segundo eles, a cooperação dos Estados secundários com a potência hegemónica exige a adesão a crenças substantivas. A aquiescência advém da socialização dos líderes dos estados secundários; das suas elites aceitarem e interiorizarem as normas articuladas pelo poder hegemónico e, portanto, seguirem políticas consistentes com a sua noção de ordem internacional.

Este processo exige que os líderes e elites dos Estados secundários interiorizem as orientações, e aceitem a normatividade dos valores propostos pela potência hegemónica. Para o processo de socialização resultar, é essencial a recetividade daqueles dois segmentos da sociedade às normas articuladas “superiormente.”

A Comunicação Estratégica desempenha um papel crucial no processo de socialização dos líderes e das elites das nações secundárias. Trata-se de um conceito aglutinador de conceitos, como sejam, as relações públicas, a diplomacia pública, as operações de informações e as operações psicológicas. É o veículo utilizado para moldar atitudes e comportamentos dos diferentes segmentos da sociedade.

Sem entrarmos em grandes considerações conceptuais, diremos que abre as portas ao exercício de operações psicológicas sobre as populações amigas, coisa que o conceito isolado de operações psicológicas proíbe, criando uma barreira conceptual muito ténue entre o permitido e o não permitido. Com a criação do conceito de Comunicação Estratégica as fronteiras esbateram-se. O que não se podia efetuar sobre as populações amigas, acaba por se fazer sob a capa da Comunicação Estratégica. Abrem-se as portas à desinformação sob um manto límpido e assético.

A socialização ajudou a produzir elites que aceitam sem reticências e discussão as crenças básicas propostas pela potência hegemónica, e que agem e pensam em conformidade e de modo normalizado; a Comunicação Estratégica amplifica e difunde essas crenças, através de uma seleção criteriosa de temas e mensagens. A “não normatividade” é penalizada com a ostracização (e não só). É para aí que caminhamos.

Se fosse vivo, George Orwell teria nas democracias liberais de hoje muita matéria para fazer uma revisão alargada do seu “1984”.


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11 pensamentos sobre “Com papas e bolos…

  1. Não, não se trata de denunciar,apenas, o que é apresentado como uma invasão da Ucrânia por parte da Rússia à revelia do direito internacional, como se a cupação de uma parte da ilha de Chipre por um membro da NATO, a Turquia, dos sírios Montes Golã por parte de Israel ou do Saara Ocidental por parte de Marrocos, só para dar alguns exemplos, tal direito, ao invés, respeitassem, mas de, a tal pretexto, se expressar toda uma russofobia incontida por parte de muito boa gente, russofobia que encontrará as suas raízes no ódio a tudo o que possa lembrar, ainda, a União Soviética e valores em que assentava, que não os do capitalismo, cancelando desde simples desportistas a artistas, em suma, tudo o que russo seja, enquanto, numa hipócrita duplicidade de critérios, não há cancelamentos respeitantes a Israel, sancões económicas a serem-lhes aplicadas, perante o genocídio de que um povo Palestiniano está a ser alvo por parte deste país, transmitido em direto, que nem se podendo evoca o seu desconhecimento, como no tempo se evocou em relação ao Holocausto!

  2. Tão genial como o replicar das alegações da Dra Clinton de que o Kadhafy andava a dar viagra aos soldados para cometerem violações.
    Ou a história da malta de Tripoli não sair a rua para confraternizar com aquelas milícias maltrapilhas e vindas sabe Deus de onde porque estava muito calor. Fiquei a saber que se o 25 de Abril tivesse sido a 25 de Agosto ninguém teria saído a rua.
    Por essa altura também foram apresentadas meio queimadas alegadas vítimas de um sanguinário filho do Kadhafy num qualquer complexo militar.
    Todas as vítimas eram homens de fato militar completo. Sendo que a maior parte dos mercenários rebeldes de militar só tinham muitas vezes as armas ou se tinham calças não tinham camisa ou vice versa não era preciso muito para saber que os desgraçados eram na realidade os defensores do complexo que caíram na asneira de se render. E que foram mortos e incinerados para não terem lugar no paraíso porque assim reza a cartilha do fundamentalismo islâmico. Os malditos de Deus são incinerados para as suas almas não terem salvação, tal como fazia a caridosa e crista inquisição.
    Quando ao tal sanguinário tinha sido morto, e segundo os seus matadores enterrado, onde, ninguém soube, dois dias antes das suas supostas vítimas terem sido encontradas.
    Para que ninguém olhasse decentemente para os corpos foi logo avisado que as imagens poderiam ferir sensibilidades. Não era preciso tanto porque a maior parte das pessoas já estavam tão anestesiadas na história daquele malandro do Kadhafy que não iriam descortinar porque é que a história podia muito ser aldrabice, como tenho a certeza que foi.
    Foi nesse ano da graça de 2011 que apaguei a televisão. Assim tivesse também apagado as revistas que talvez não tivesse levado com uma dose de veneno.

  3. A propósito das vigarices merdiáticas no desmembramento da Jugoslávia, vou contar-vos uma história. Quando a tropa independentista croata combatia o ainda exército jugoslavo, nessa altura já maioritariamente composto por sérvios, porque os outros se passavam automaticamente para o lado independentista, um noticiário da RTP mostrou a seguinte cena, filmada na praça de uma povoação, tudo indica que a partir de um primeiro ou segundo andar de um prédio da dita praça: militares croatas armados até aos dentes rodeavam e agrediam barbaramente, a murro e pontapé, soldados sérvios do exército jugoslavo feitos prisioneiros, obviamente desarmados, entre eles uma mulher-soldado. Que os agressores eram militares croatas sei-o porque a RTP o disse na peça. E pela mesma peça fiquei a saber que os agredidos eram soldados sérvios do exército jugoslavo. Pouco subliminarmente, porém, ou seja, sem qualquer ambiguidade, a mesmíssima RTP “explicava-nos” que as agressões mais não eram, afinal, do que “represálias” por maldades antes cometidas pelos agredidos, implicitamente bem merecidas. Que maldades merecedoras de tão bárbaras “represálias” tinham os sérvios feito, isso não nos disse a bendita “peça” da RTP, mas sendo os sérvios, oficialmente, os únicos maus da fita, só não digo que estava meio caminho andado para convencer os crentes (como no Euromilhões) porque na verdade o caminho estava todo feito.

    Alguns meses depois, continuando os sérvios com o exclusivo de maus da fita oficiais, e estando a guerra de desmembramento da Jugoslávia já então assanhadíssima no Kosovo, um noticiário da RTP-2 indignava-se e indignava-nos com as maldades infligidas pelos demónios sérvios aos pobres kosovares albaneses, esses conhecidos e ternurentos escuteiros. Como não podia deixar de ser, a peça da RTP ilustrava as ditas maldades com elucidativas imagens. E que imagens eram essas? As mesmíssimas que a mesmíssima RTP nos mostrara meses antes, de prisioneiros sérvios a levar porrada de militares croatas, seus captores. Saída, porém, da competentíssima Divisão de Alquimia da RTP, explicava-nos agora a bendita “peça” que os agressores eram energúmenos sérvios e os agredidos pobres kosovares muçulmanos, desgraçadas vítimas inocentes dos demónios oficiais.

    Não é difícil imaginar a cena. Diz um lacaio merdiático para o outro: “Eh pá, arranja-me aí umas imagens para ilustrar uma peça que refere agressões bárbaras de demónios sérvios a escuteiros kosovares muçulmanos.” Responde o outro: “Meu, só tenho imagens antigas de prisioneiros sérvios a levar porrada de militares croatas. Serve?” Responde o primeiro: “Claro que serve. O pagode é estúpido e ignorante [além de sereno] e não dá por nada. Para quem é bacalhau basta e o patrão não se esquecerá de nos recompensar a criatividade e capacidade de desenrascanço.”

    Genial, não é?

  4. Sem contar que os 43 países devem incluir, para além dos europeus, Estados Unidos, e os três asiáticos, Japão, Austrália e Coreia do Sul, Palau e Nauru, que tambem votaram nas Nações Unidas a favor de Israel.
    Fazem número mas não mudam o essencial, a maior parte do mundo estás se nas tintas para o Navalny e os pobres defensores de que a Rússia se renda a nazis. Pelo menos tanto como nos nos estamos nas tintas para o Assange, para os jornalistas mortos pelo estado genocida de Israel que são já mais de 100 e para os mortos na Ucrânia que já foram alguns. Sem contar quem teve de pedir penico na Rússia para não ser preso na Alemanha onde as condições prisionais também não são nada boas para a saúde.
    Quando o Gonzalo Lira morreu numa masmorra ucraniana as autoridades nazis disseram que os mortos eram tantos que não iam devolver o corpo do desgracado por falta de opções logísticas. O homem seria cremado e as cinzas dadas a família.
    Para quando a exigência da libertação de quem ainda continua naquelas masmorras e a exigência de um relatório internacional aquelas mortes todas?
    Mas esses já serão todos traidores e pro russos pelo que merecem todos os maus tratamentos e a morte. Claro como a água suja.
    Já os pobres defensores de que a Rússia aceite a submissão, a divisão é a pilhagem dos seus recursos porque querem ser a nova elite de ricos do ghetto de Varsóvia, são todos uns coitadinhos.
    Não sei se o Navalny morreu de morte matada ou morrida, o que sei é que com a história de consumos que o senhor tinha a história do coágulo reconhecida pela secreta ucraniana e bem possível. Quem já não conheceu gente ex toxicodependente morta de coisinhas dessas relativamente cedo quando ate estava a tentar endireitar a vida? E alguns desses coitados nem precisavam ter complicações de saúde como diabetes.
    Por mim estou me nas tintas para o que esta gente ladra porque a última vez que não estive a vida correu mal.
    Foi um discurso de ódio num editorial da revista Visão contra quem não se queria ir vacinar contra a covid dividindo os desgraçados entre os mariquinhas que tinham medo de ter uma febrezinha ou levar uma pica, mais outras três classes que já não me lembro, e o destino de todos seria os cuidados intensivos de um hospital onde seriam picados até à morte que me resolveu a ir dar aquela porcaria.
    Eu nessa altura já me tinha deixado dos tais serviços noticiosos mas ainda lia algumas revistas quando outros as compravam.Foi um erro.
    Por isso estou me nas tintas para o que esta gente ladra contra a Rússia. Energias para ter medo de uma guerra não me restam nenhumas pois grande guerra e viver num mundo dominado por esta gente.
    Já agora, um bom inquérito internacional ao excesso de mortes que sempre há de cada vez que impingem a quem ainda cai mais um reforço da vacina covid era capaz de ser de valor. Vao ver se o mar dá choco.

  5. No site da SIC Notícias, há bocado:

    “A Rússia deve autorizar a realização de um inquérito internacional independente e transparente sobre as circunstâncias desta morte súbita”, afirmam os 43 países, que consideram a sua morte “mais um sinal da repressão crescente e sistemática na Rússia.”

    Pergunta estúpida: se a morte de Navalny é “mais um sinal da repressão crescente e sistemática na Rússia”, ou seja, se a conclusão de um eventual “inquérito internacional independente e transparente sobre as circunstâncias desta morte súbita” já está tirada, para quê um “inquérito internacional independente e transparente sobre as circunstâncias desta morte súbita”?

    Na mesma magnífica “peça” da SIC Notícias:

    “Estes países apelam à Rússia para que liberte os presos políticos, jornalistas, ativistas dos direitos humanos e opositores à guerra na Ucrânia.”

    Eh pá! Não sabia que o Julian Assange estava preso na Rússia! Já tínhamos Stratford-upon-Avon, agora também temos Belmarsh-upon-Siberia. O que a gente aprende de geografia com a criadagem! Vou já ali à loja do chinês comprar um libré!

  6. Em guerra já nos estamos. O que foram muitas das restrições covideiras se não uma guerra sem quartel contra as nossas vidas?
    As nossas ruas tornaram se espacos hostis, os bancos das praças e jardins “trancados” por fitas da polícia. Polícias patrulhavam as ruas e multavam grupos de amigos que se reuniam velhos que se demoravam a comer na rua.
    Criou se uma cultura pidesca em que gente promovida a “agente de saúde pública” denunciava grupos de jovens que se reuniam, amigos que confraternizavam, velhos que continuavam na rua depois da hora de recolher.
    Podíamos ir trabalhar que aí já não ficávamos doentes. Mas o lazer estava proibido. As nossas vidas tornaram se um eterno não.
    Não vais ao futebol, não vais ao café, não vais ao cinemas, a um teatro, a um restaurante. Não vais comprar uma alface a um supermercado a quatro quilómetros da tua casa, que até vende uns vegetais em conta porque já fica noutro concelho.
    Deveria ter havido medidas de atenuar o contágio, sem dúvida, mas deviam ter sido pensadas, sem transformar a vida das pessoas numa prisão.
    Transformaram nos em prisioneiros das nossas próprias casas, as nossas vidas foram cortadas.
    Eu insisti sempre em continuar a percorrer as ruas já tomadas por tudo quanto era pássaro, aquelas ruas antes tão movimentadas agora eram só frequentadas por patos, pombos e gaivotas. E alguém que caminhava so.
    Resisti a essa loucura o mais que pude, caminhava só e continuei a ir ao mar quando ate a praia estava proibida. Sempre pensei que se um dia saísse uma multa deveria servir ao autuante para remédios.
    Todas estas medidas que, as tantas não impediram que quase toda a gente apanhasse a doença foram o caldo de cultura para que aceitarmos dar uma vacina não testada como deve ser. Uma vacina que garantidamente matou ou estropiou tanto como a doença. Que ainda hoje nos é apresentada como a unica proteção contra a doença. Uma proteção que, e tão perigosa como a doença.
    Quem não perdeu gente para a doença perdeu para a vacina.
    Os que nos fizeram isto continuam impunes, pior ainda, continuam a impingir as vacinas como se nada fosse e a espalhar a fake news que aquilo protege de alguma coisa sem nos dar cabo da saúde e até da vida.
    Continuam a chamar teóricos da conspiração a quem diz que aquilo é um veneno. Mesmo a quem sentiu no lombo que aquilo é um veneno.
    Por isso eu não tenho medo de morrer numa guerra. Tenho só medo, e muito, de viver num mundo dominado pela gente que nos fez, e continua a fazer isto.
    Se esta gente dominar o mundo voltarão a fazer nos isto ou pior é não haverá para onde fugir.
    Depois de tudo o que passei, de todas as mortes e destruicoes que vi, de tanta gente que ainda esta estropeada já não me sobram energias para ter medo de uma guerra.

  7. Certíssimo. Como é norma na propaganda corporativa NATO-Ocidente, sempre que surge um acontecimento grave, a primeira e única posição é atirar com uma versão culpando o inimigo, isto antes de qualquer investigação séria, independente, consistente. Foi assim com a sabotagem do Nordstream, com a invasão da Ucrânia, com a operação do Hamas e em muitos outroa casos. Essa versão inicial, geralmente muito martelada, é difundida insistentemente para que fique no subconsciente colectivo. Mais tarde, se houver investigação e se se chegar a conclusões opostas, isso já passou, o foco passou a ser outro e tudo continua, no melhor dos mundos.

  8. Está visto vamos para a guerra!

    A morte não tem o mesmo valor que tinha há 20 anos atrás, se me perguntarem.
    Eu não iria lutar para salvar esta sociedade, isso é claro, mas por outro lado a morte assusta-me menos do que viver nesta sociedade que está realmente a começar a ser hostil à vida.
    Só que acabaram de aprovar uma lei em bruxelas que lhes permite confiscar todos os seus bens em caso de guerra (requisições) e, se não quiser ir combater, tem de pagar uma multa de 500.000 euros e 5 anos de prisão. Se não pagar, serás requisitado.
    Digam-me porque é que aqueles que acham que somos demasiados na terra não exterminam o pai a mãe os filhos os irmãos os primos os sogros os pais.
    Assim este assunto será resolvido muito rapidamente.
    É o que digo às pessoas à minha volta. Aprenda a viver como se houvesse um corte de eletricidade em toda Portugal durante 2 semanas.
    Depois de ter tomado conta do que precisa (luz, filtragem da água, meios de pagamento, energia, reservas alimentares, etc.), começa a multiplicar por 10 as suas hipóteses de sobrevivência.
    Faz-me lembrar o velho provérbio: “Quando a merda é possível, já foi feita. Quando é impossível, está a ser feita…”.
    Resta-nos a oração (para os crentes) e a preparação prática (para todos aqueles que sentem com o coração) …
    A guerra não é um assunto para rir – a guerra é, acima de tudo, a pior coisa que pode acontecer ao ser humano: ver o seu ambiente súbita e gravemente desestabilizado, assistir a tantas mortes trágicas e repentinas, tanta violência e barbárie. Perder tudo, ter de deixar tudo para trás, partir para o desconhecido, passar fome, frio, vaguear, etc…
    Com o aquecimento global com potencial para acabar com tudo, o que se confirma ano após ano, é melhor pensarmos no futuro! Se houver uma maneira de usar mísseis nucleares táticos em locais estratégicos (complexos industriais) como pretexto para uma guerra nuclear “cirúrgica”, ela será usada …
    Há muito pior. Isto é apenas o começo. Para muitos, o totalitarismo existe por aqui.
    O pior da guerra seria a guerra nuclear. Sem este aspecto, a guerra, tendo em conta o número de seres humanos na Terra, é motivo de riso em termos de perdas. Historicamente, não foi a guerra nuclear que destruiu a humanidade. E continua a ser assim hoje. Excepto que somos coletivamente culpados pelo que nos está a acontecer.
    O problema desta espiral construída por uma Europa autoproclamada líder é que resistir a ela não nos levará a lado nenhum se não a pararmos. Podemos ter uma horta, um bunker, água enlatada ou barras de ouro para “resistir”, mas nada nos fará sair da situação, excepto o próprio problema. Basta olhar para as hortas da Ucrânia, para o seu abastecimento de água, para os seus medicamentos, etc., para perceber que a sobrevivência em zonas não combatentes não consiste em esperar que as coisas passem.
    Esta Europa tem de mudar, tem de ser a Europa que foi vendida aos cidadãos, ou seja, “uma Europa pacífica”. O que estamos a ver agora não tem nada a ver com o que foi a Europa de outrora.
    Como dizia um dos meus amigos de economia, quando criar inflação se torna perigoso, quando desvalorizar a moeda é impossível e quando não há dinheiro público suficiente para impulsionar o investimento, resta uma última opção para reanimar uma economia: a guerra.
    É neste ponto que nos encontramos.
    A Ucrânia está acabada, o que significa que a NATO perdeu. Dado o estado lamentável dos países europeus e americanos, teremos uma guerra, não vejo solução, pois ninguém cederá e aceitará o diálogo.
    Agora, uma guerra terrestre não vai durar muito tempo, por isso a energia nuclear é a melhor solução.
    Claro que se está a organizar para que, se houver uma guerra, ela ocorra longe da América e, se possível, no coração da Europa, tal como na última guerra mundial, que reproduz o mesmo cenário hoje!
    Sabendo que aqueles que querem a guerra podem ser protegidos dela, que os países ricos já não têm capacidade de crescimento e, portanto, interesse com populações adicionais capazes de se revoltar e derrubar a ordem estabelecida.

    Que os russos tenham a gentileza de partilhar os seus recursos nas nossas condições” ?? … parece-me que não se trata de uma questão de partilha mas de uma relação comercial entre um vendedor e um comprador. Éramos “clientes” da Rússia em boas condições antes de os anglo-saxónicos terem introduzido o caos da guerra para se apoderarem do mercado dos combustíveis fósseis.

    Já me vejo a sair à rua em busca de recursos, um pouco como num famoso jogo de vídeo. É verdade que dá vontade de ir. Mal posso esperar que os nossos líderes iniciem uma guerra termonuclear global.

    O ser humano passa o tempo a destruir-se a si próprio e, o que é mais triste, a arrastar consigo toda a sua base, o seu ambiente e os outros reinos sensíveis e inteligentes que, aos seus olhos, não têm direito a ter uma palavra a dizer.
    No fim de contas, o facto de o poder de decisão estar nas mãos destes últimos é a única verdadeira tragédia. A escolha esteve sempre nas nossas mãos, com os resultados perpetuamente ineptos a que assistimos… Evolução nula ou quase nula.
    Assim, a humanidade passa mais metade do seu tempo a dar tiros nos pés e a outra metade a pedir ajuda.
    A nossa salvação, se é que existe, parece estar na intervenção de uma alta hierarquia, cansada de ver os pobres aprendizes assumirem o papel de chefes e decidirem complacentemente o pior.

    A Rússia (tal como a Coreia do Norte) utiliza projécteis de 152 mm; segundo estimativas “neutras” em relação ao conflito, dispara 8 a 10 mil por dia.
    São as de 155 mm (calibre NATO) que estão agora em falta; a França produz apenas 30 mil por ano e poderá, na melhor das hipóteses, duplicar esse número até ao final de 2025…

    Os ucranianos têm certamente falta de munições e de sistemas de armamento, mas é a “carne fresca” que mais falta faz: as baixas ucranianas são estimadas em 470.000-550.000 desde fevereiro de 2022, sem contar com os feridos, nem com a perda dos habitantes das zonas “libertadas”, nem com os milhões que já deixaram o país (para a Europa ou para a Rússia) – e que nunca mais voltarão.
    Apenas uma fracção destas perdas é oficialmente reconhecida por Kiev (a maior parte é considerada como “desertores” ou “desaparecidos”) – o que lhes permite pagar pensões com dinheiro que não têm, ou que já desviaram. Mas quando a Rússia envia um avião cheio de prisioneiros, os ucranianos preferem abatê-lo, para dar o exemplo, em vez de os trocar…

    Será interessante observar os pormenores da futura “desmobilização” na Ucrânia. De acordo com estimativas “neutras”, dos 300-400 mil soldados desmobilizados no papel, apenas 10% serão de facto desmobilizados – os outros 90% morreram de facto; no entanto, terão de ser recrutados outros tantos soldados para os substituir, em condições cada vez mais difíceis para Kiev.
    É por isso que Macron (e outros) sugeriram o envio de tropas terrestres para limitar o colapso da linha da frente e abrandar o desastre previsto.

    Note-se, no entanto, que estão em curso investigações para desenvolver armas termonucleares “limpas”, cuja ignição já não se basearia no plutónio, mas num processo não radioativo de muito alta energia (constrição axial, MHD, plasma, etc.). Paradoxalmente, isto seria uma catástrofe: os dingos que nos governam poderiam ser encorajados a utilizar armas “limpas” ou mesmo “miniaturizadas” de uma forma mais “tática” – sem ter em conta o inverno nuclear que provocariam igualmente…

    Especialmente porque hoje (04/03/24) a Alemanha acaba de fazer um golpe de propaganda!
    A guerra é a continuação da política!
    É uma loucura que ninguém entende…
    É o mesmo que em ’14; que em ’39 (porque ’14 não tinha resolvido o problema da dívida); e hoje é o mesmo que em ’14.
    E hoje, em 2024, os financeiros do mundo querem outro mundo…

    Preparem-se amigos, agora é que está quente!

    O mesmo se aplica à guerra e às questões climáticas ou ecológicas, que é frequentemente evocado o conceito de “síndroma da mudança de base” ou de amnésia geracional.
    Na minha opinião, para além de estarmos habituados à ideia de guerra ou de qualquer acontecimento extremo deste tipo, é também o quadro de referência histórico, simbólico e político das sucessivas gerações que torna possível este estado de espírito.

    Por um lado, é a ideia de que poderíamos sair impunes, de que seria uma forma de catarse da humanidade à custa do desaparecimento de uma grande parte dela, e o facto de essa mesma ideia ser produzida na cabeça de uma geração de pessoas que já não têm a experiência da guerra total e dos seus efeitos reais.
    Se a dissuasão nuclear funcionou bem durante a Guerra Fria, não foi apenas devido a um equilíbrio de terror, mas também porque aqueles que a puseram em prática tinham experimentado a guerra e conheciam os seus efeitos.

    A guerra já começou. É apenas a intensidade que pode variar e continuar a aumentar acentuadamente.

    As ideologias mais ou menos consolidadas que impregnam os nossos zelotes e uma grande parte da população ocidental, como o esgotamento de todos os recursos, a sobrepopulação e o aquecimento global, estão a moldar as mentalidades de tal forma que são susceptíveis de tornar concebível, ou mesmo desejável, uma boa e grande colónia atómica.

    Se acrescentarmos a isto o colapso do sistema económico e financeiro ocidental, que corre o sério risco de arrastar todas as economias do mundo para um caos incerto, é fácil imaginar o interesse que a hiper-oligarquia teria em fazer com que as duas maiores potências nucleares do mundo entrassem em conflito. Tanto mais que, depois de terem investido tantos milhares de milhões em belas coleções de ogivas nucleares, já é tempo de mostrarem um mínimo de utilidade…

    Por fim, há a impreparação dos exércitos ocidentais para uma guerra convencional do género da de Verdun.
    O custo e o tempo que seria necessário para os atualizar, as consequências da modernidade nas capacidades físicas dos jovens adultos, já fragilizados mentalmente por décadas de feminismo, wokismo e “LGBTismo”, e em breve se tornará claro que, mesmo que isso signifique iniciar uma guerra, os nossos fanáticos preferirão provavelmente travá-la com mísseis.

    Por isso, sim, digamos que o campo de possibilidades parece muito aberto para uma guerra nuclear.

    PS:Este texto foi tirado da minha página do Facebook.

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