O Novo Banco e a pesada herança

(Por Carlos Esperança, 04/03/2019)

Chuta para cá mais mil milhões, diz o Ramalho, o CEO do Novo Banco…

Há quem recorde a ministra Maria Luís, uma promoção do aluno, ora catedrático, que exasperou Paulo Portas e o obrigou à provisória demissão irrevogável, a dizer que a resolução do BES não custaria um cêntimo aos contribuintes, o que a Dr.ª Cristas, de férias, logo apoiou, a partir da praia, pela confiança que lhe merecia a ansiosa amiga.

Claro que foi uma afirmação tão irresponsável com a do maior economista português, e um dos maiores de Boliqueime, a confirmar a solidez do banco de Ricardo Salgado, em cuja vivenda a sua primeira candidatura vitoriosa a PR foi gizada, durante um modesto jantar para quatro casais. Além do anfitrião e do protocandidato a PR, Marcelo e Durão Barroso eram as cabeças pensantes, também presentes, que urdiram a infeliz candidatura vencedora.

O Dr. Carlos Costa, do Banco de Portugal, responsável pela venda, incumbiu, por cerca de 30 mil euros mensais, o Dr. Sérgio Monteiro, conhecido por secretário de Estado das Privatizações, com cadastro na matéria (ANA, CTT, TAP e CP Carga), para proceder à venda. O resultado foi a escolha do fundo Lone Star para tomar 75% do Novo Banco, a custo zero, com o Fundo de Resolução a assumir um “mecanismo contingente” que cobre até 3,9 mil milhões de euros em potenciais perdas com determinados ativos do ex-BES.
Parece que o fundo abutre comprador, se agarra ao “mecanismo contingente” como as carraças aos cães.

Compreende-se que o PSD faça questão de chamar o ministro das Finanças à AR e diga que Mário Centeno tem que se “responsabilizar pela situação”.

Na impossibilidade de punir os carrascos, pagam as vítimas. E vítimas somos todos nós.

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2 pensamentos sobre “O Novo Banco e a pesada herança

  1. Continua a desonestidade intelectual dos “Socialistas” e seus simpatizantes. Sim, já sabemos como foi a resolução em 2014 e como decorreram as negociações para a venda desde 2015, mas quem é que foi para o governo e em 2017 aceitou:
    – dar o banco ao fundo abutre por 0 €;
    – assinar “cheque” de 3,9 mil milhões de € de garantias;
    – manter 25% do Novo Banco nacionalizado, como justificação para continuar a “nacionalizar” os prejuízos;
    – pedir só 750 milhões à Lone Star, e para capitalizar o seu próprio banco de forma insuficiente;
    – aceitar escolha do Sérgio Monteiro e BdP sobre o comprador;
    – ajoelhar perante diktat do BCE sob ameaça da dissolução caso essa venda não ocorresse;
    – manter Portugal sem soberania nem democracia (i.e. sem poder de decisão sobre como usar próprio dinheiro) dentro deste da estultícia chamado Zona €;
    – votar contra propostas do Parlamento (PCP, Verdes, BE, PAN) para manter o banco sob controlo do Estado;
    – derrapar défice durante anos a fio para esconder, grão a grão, o verdadeiro custo da decisão;
    – perder dinheiro dos impostos deixados de cobrar à banca que fica com “prejuízos” espalhados ao longo do tempo;
    – perder dinheiro nos mercados, ao termos de nos endividar para pagar buraco Privado, e só receber pagamento ao longo de 30 anos;

    Foi o governo do PS, o Primeiro Ministro António Costa, e o Ministro do €-grupo (ex-Ministro das Finanças de Portugal) Mário Centeno. Por mais branqueamentos que tentem fazer, por mais memórias que tentem reavivar da negligência do anterior governo PSD/CDS, a verdade é esta.

    Agora vou já ali buscar o puto à escola (fechada devido à greve dos professores), depois passo pelo hospital onde tenho familiar idoso em lista de espera (devido à greve dos enfermeiros), e depois vou bater com a cara na porta do tribunal (devido à greve dos oficiais de Justiça), demoro mais meia-hora a passar pela estrada menos esburacada (para evitar a outra em risco de derrocada devido à falta de investimento Público), e finalmente vou ao multibanco levantar o dinheiro para pagar os disparates da banca privada e dos “grandes” empresários deste país, isto ainda antes de regressar à minha casa (que paga IMI máximo) mas não tem saneamento básico, nem uma estrada com iluminação, ou passeio, ou uma simples valeta acimentada.

    PS! PSD! CDS! Privatizações! Défice zero! Zona Euro! BCE! Banqueiros! Imparidades das empresas… É mas é p*ta que nos impariu!
    Chamem-me Radical por pensar fora da narrativa do Establishment, é um elgoio, e não deixo de ter razão. Juízo têm os Islandeses que recusaram estas poucas vergonhas (e puderam fazê-lo exatamente porque estão fora da Zona €). Nós os Portugueses somos de outra estirpe, preferimos salvar bancos, receber ordens de órgãos não-eleitos, votar sempre nos mesmos, não incomodar os Estabelecidos, e perder dinheiro com fartura, segundo um estudo, foram já mais de 210% do PIB (41 mil € por cada português desde adesão ao €, ou 170 €/mês ao longo de 10 anos por cada pessoa):

    https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/quanto-perdeu-cada-portugues-com-a-introducao-do-euro-think-tank-alemao-calcula-impacto-415836

    Com Geringonça ou sem ela, desde que no poder estejam os mesmos partidos de sempre, então tudo muda para tudo ficar na mesma. Seja A.Costa ou Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque ou Centeno, PS ou PSD/CDS, BPN ou Novo Banco, Vítor Constâncio ou Carlos Costa, Trichet ou Draghi, Barroso ou Junker, Merkel ou Macron… no final paga o Zé, come a austeridade e cala, e tem ainda de levar com propaganda “€uropeísta” de manhã à noite, e com insultos contra todos os que pensem para lá dos interesses do Establishment Europeu, ou dos Estabelecidos em Portugal. Estou farto! Em 2019 tenho 2 hipóteses de votar para mudar e aviso (e quem avisa vosso amigo é), ou ouvem os descontentes e isto muda mesmo, ou em breve os coletes amarelos e os Salvinis chegam cá também…

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