A Economia na Europa

(Por Dieter Dellinger, 25/02/2019)

Duas correntes económicos debatem entre si na Alemanha, e na maior parte dos países europeus e nos EUA.

Uns dizem que é preciso aproveitar os juros baixos para investir, principalmente nos países como a Alemanha, Holanda e outros que têm saldos orçamentais altamente positivos. Na Alemanha há muitas necessidades porque as autoestradas, ferrovias, os ICE (comboios super rápidos), pontes, hospitais, etc. estão envelhecidas e há margem para reduzir os impostos das empresas e dos trabalhadores, a fim de tornar a produção alemã mais barata.

Outros dizem o contrário, apontando para o facto de as economias andarem sempre aos altos e baixos e poder surgir uma crise. Claro, muitos dizem que o medo da crise é que pode produzir a crise com uma queda nos PIBs ou uma subida mínima.

Na verdade, há algo que ninguém vê, mesmo quando está, como eu, a teclar num computador portátil ligado à Internet.

É que, o investimento feito nos últimos vinte anos em Internet e informática pessoal, hoje existente em muitos milhões de lares, tal como a fibra ótica e a automação nas fábricas, etc. foi feito sem grande crescimento da economia.

Proporcionalmente ao número de utentes e à extensão mundial de empresas como a Google, Apple, Facebook, Microsoft. Youtube, etc. o investimento é baixíssimo. Uma pequeníssima alíquota do que seria o investimento em siderurgias, fábricas de automóveis e construção civil que não faltam na Europa e no terceiro Mundo.

Muitos países, incluindo Portugal, equiparam-se com tudo, mesmo nos tempos em que o PIB não crescia. A revolução 4.0 é demasiado barata para fazer crescer economias, mas dá lucros fabulosos a alguns magnatas que andam de sapatilhas de borracha.

Por byte a queda de preços foi fenomenal nos computadores que, sem aumento de preços, já estão com discos de terabytes e os automóveis pejados de sensores e computadores de bordo não sofreram grande aumento.

Claro, há na Europa dois grupos de países, os que conseguem empréstimos a juros inferiores aos do crescimento do PIB como acontece com Portugal, Alemanha, Holanda, etc. e outros como a Itália e Grécia que ainda pagam juros a longo prazo a quase o dobro do crescimento dos seus Pibs.

Portugal está, apesar disso, numa situação intermédia com uma dívida de 103% do PIB, mas muitos economistas dizem que a dívida de Maastricht de 60% do PIB para todos não tem sentido em período de excesso de dinheiro.

Os produtos baratos da China, Índia, etc. evitaram muito investimento industrial na Europa e deram às populações a possibilidade de se abastecerem com artigos de consumo corrente acessíveis a toda a gente. Vimos que, no Bairro Jamaica, os apartamentos clandestinos com tijolo mal amanhado têm antenas parabólicas porque as empresas da Net não fazem ligações a casas ilegais e os pobres não prescindem da televisão e até de Internet.

Por outro lado, vejo no Metro e na saída das escolas crianças e adolescentes agarrados aos seus Smartphones. Infelizmente, muitos economistas não vêem nada disto porque não têm espírito científico e são homens como Cavaco, Bessa, César das Neves, etc. que não são economistas, mas sim políticos porque só lhes interessa ver o que serve para dizer bem ou mal de uns ou outros partidos.

Caro é o envelhecimento das populações. Mas o seu custo é compensado pelo custo relativamente baixo de muitos dos itens  que descrevi aqui e não pode estar em causa a redução das pensões daqueles que, o PSD, designa como “peste grisalha”, que são os sacanas, como eu, que querem continuar a teclar e a receber a sua reforma.

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4 pensamentos sobre “A Economia na Europa

  1. Algumas notas
    1 – O PIB como medida de desempenho não vale nada. É muito genérico, economicista e já nos anos 30 o Kuznets que inventou o conceito chamava a atenção para as suas lacunas. Por exemplo, em Portugal a economia não contabilizada vale uns 30% do dito PIB, sem contar com os serviços reais e essenciais que o PIB nunca contemplou; por exemplo, os trabalhos domésticos, como cozinhar, a limpeza, o cuidar das crianças, tarefas que só são medidas (quando são) se efetuadas num restaurante, com a utilização de uma empresa de limpeza ou num explicador com porta aberta
    2 – Para aumentarem o PIB, os avatares de Bruxelas acrescentaram como “produtivos” os serviços sexuais das prostitutas e como investimento a aquisição de cangalhada militar. Por exemplo, a compra de uma bala de canhão, é investimento embora nada produza quer quando armazenada em Tancos ou disparada algures
    3 – O drama da dívida em geral é a sua utilidade para alimentar a volúpia financeira, as pirâmides de Ponzi que contribuem de modo decisivo para o aumento do PIB embora não satisfaçam necessidades humanas mas apenas a engorda de especuladores. Por outro lado, a dívida pública é uma forma de captura dos rendimentos futuros de uma população, endividada sem ser consultada e onerada para o seu pagamento. Cada tuga contribui, anualmente com 800 euros só com os encargos. E, pior, ninguém sabe qual a afetação real dos empréstimos contraídos pela dita República
    4 – A satisfação das necessidades de uma população é o único critério válido para que se trabalhe e, como hoje isso não é tecnicamente difícil logo se coloca a questão de se trabalhar hoje tanto ou mais do que há 100 quando as 8 h era meta a atingir. Adivinhem quem se apropria dos ganhos de produtividade. E adivinhem quem gera a volúpia consumista e fomenta o endividamento para a satisfazer. E observem o grau de idiotia de quantos passam horas a olhar para écrans de vários tamanhos, viciados em imagem corrida, a forma mais superficial e manipulável de obter informação
    5 – Voltando à dívida. Não conheço na classe política quem considere a ilegitimidade da maior parte da dívida pública. Primeiro porque foi imposta e, em segundo lugar porque não foi afeta a nada conducente ao bem-estar da plebe. Depois porque a sua reestruturação nada acrescenta, sobretudo dadas as baixas taxas de juro. E, em terceiro lugar porque ninguém sequer aventa a necessidade de um downsizing brutal nos balanços do sistema financeiro global com a eliminação da dívida ilegítima, um chamado jubileu.
    Há alguns anos fiz umas simulações de reestruturação da dívida que, exigiriam crescimentos de 6% no diáfano PIB
    Como o Dieter diz e bem, os sacripantas citados são meros economicistas; desconhecem as ciências sociais coisa que é comum nos ditos economistas. E que só uma abordagem da realidade que resulte da interação das várias ciências sociais fornece realismo. O que se aprende na universidade é catecismo; o do César das Neves e o outro, mais laico, baseado no empreendedorismo, na competitividade, na empregabilidade, na criação de valor e no crescimento do PIB
    VL, economista
    PS – No blog http://grazia-tanta.blogspot.com/ há muito material sobre estas questões. Por exemplo, este artigo
    O economicismo ou o discurso do empobrecimento compulsivo
    http://grazia-tanta.blogspot.pt/2015/05/o-economicismo-ou-o-discurso-do.html

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