Imprensa antidemocrática

(Isabel Moreira, in Expresso Diário, 03/11/2018)

ISA_MOR

O jornalismo sempre me fascinou. De resto, quando comecei a estudar Direito, não punha de lado a hipótese de ser jornalista. O papel que a liberdade de imprensa teve de resistência contra os poderes públicos, a enorme conquista que foi o fim da abjeta autorização administrativa para a fundação de jornais e da censura prévia ao material impresso são património coletivo.

Para além desse enorme papel de resistência, a liberdade de imprensa é uma garantia constitucional da livre formação da opinião pública num Estado constitucional democrático. Ou seja: não há democracia sem liberdade de imprensa. Não há, concretamente, democracia participativa, esclarecida, não condicionada, sem liberdade de imprensa.

A responsabilidade dos órgãos de comunicação social e dos jornalistas é, assim, gigante. Por isso mesmo a Constituição consagra uma série de direitos e de garantias associados à liberdade de imprensa. Cada meio de comunicação social, cada jornalista, protegido constitucionalmente sabe que goza da garantia da independência do poder político e do poder económico porque tem de haver autonomia, mas também tem de haver transparência (desde logo quanto aos meios de financiamento) e pluralismo.

A liberdade de imprensa, que doeu a conquistar, é uma garantia constitucional da livre formação da opinião pública, escrevia.

Estamos a viver um momento dramático. Há órgãos de comunicação social com enorme projeção que se dedicam a condicionar a formação da opinião pública num sentido antidemocrático (e há financiamento para isso).

Antigamente apenas o Correio da Manhã (e os seus “jornalistas”) dedicava tempo a fomentar o populismo, o ódio à classe política, a normalização do crime da quebra do segredo de justiça, o sexismo, os vários “ismos”.

Atualmente, com a força das redes sociais, o estilo Correio da Manhã está a colonizar a os órgãos de comunicação social e a imprensa que se tinha por “séria”. Não-notícias são partilhadas pelo CM e imediatamente pela SIC, TVI, JN, DN e por aí fora, num concurso desesperado pelo número de visualizações da “notícia”, enquanto que a democracia passa ao lado, enquanto que o ódio se espalha, enquanto a livre formação da opinião pública para, desejavelmente, uma boa participação democrática, seja uma palavra: alienação.

Aos órgãos de comunicação social referidos juntam-se as colaboradoras e os colaboradores que têm de fazer pela vida. Pululam pela CMTV a dizer sim à divulgação degradante de imagens de detidos, assaltando o Estado de direito em benefício da sua conta bancária, enquanto escribas como Assunção Cristas estão no pasquim CM, porque entre ser cúmplice de um meio criminoso e ganhar uns votos, escolhem a segunda opção.

O Observador dedica-se a destruir a direita democrática e razoável portuguesa e não hesita em fazer de CM quando lhe convém. O Observador tem um projeto político claríssimo e está lá o reacionarismo que quer ver sentado na AR.

Os outros meios de comunicação social estão a fazer pela vida degradando-se aos poucos. Precisamos, urgentemente, de apoiar o jornalismo sério, independente e comprometido com o Estado de direito. Ainda o há.

É a livre formação da nossa opinião que está em causa. É a democracia que está em causa.

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14 pensamentos sobre “Imprensa antidemocrática

  1. Estou a imaginar um jornalista ao serviço,em determinadas circunstâncias,de uma certa clique de deputados,para satisfazer a vaidade e omnipotência destes,que os há,e-pegando nas palavras desta senhora deputada socialista-, “pululam”, pelos corredores do poder,nomeadamente na Assembleia da República,digo eu.Reagiu a deputada,da forma arrogante que todos conhecemos, sem o discernimento que lhe seria útil no caso específico a que se reporta,no seu alto pedestal com a vaidade que grande parte dos seus camaradas de bancada já nos habituaram.Perdeu a oportunidade,perante os portugueses que lhe pagam as enormes mordomias,e aos da sua classe,justificar a leviandade da sua quietude ao fazer o triste espectáculo em local de trabalho(AR),deixando inclusivé tão mau exemplo do que um(a) simples profissional não deve fazer ao serviço da sua entidade patronal.Escreveu,e disse nada,e a democracia que propala da forma egocêntrica que sua personalidade nos habituou,uma vez mais foi vítima.É a cultura disso mesmo que estes imberbes nos querem transmitir:a vitimização, pura e simples,em detrimento de um povo que se pretende “sábiamente” quanto mais burros melhor.Eu rejeito.

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  2. Concordo de todo com o texto. Porem, e dadas as circunstancias atuais do momento ,a senhora deputada colocou-se a jeito, mais sabendo “ela”, e, muito bem de toda a situacao reacionaria em oposicao ao governo da qual faz parte, qualquer de nos comete uma distracao,estou certa que este “deslize”, lhe vai trazer mais atencao e cuidado.

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  3. E porque será que sabendo nós que a imprensa que temos cada vez mais depende de noticias verdadeiras ou não nos pomos a jeito. O defeito também é nosso.

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  4. Da série “Se o ridículo matasse…”®

    «O jornalismo sempre me fascinou. De resto, quando comecei a estudar Direito, não punha de lado a hipótese de ser jornalista.», eheheh!

    Nota, e declaração de interesses. Tenho no meu (glorioso?) curriculum o facto de ter gasto algum tempo e apontado as inúmeras bacoradas que a sôtora Isabel Moreira escrevia na blogosfera portuguesa e, tantas foram as vezes, que ela deixou descansadinhos os gajos com um mínimo de cabeça e, felizmente, enfiou a viola no saco. Não queria deixar de assinalar, portanto, o seu regresso graças à veia filantrópica d’A Estátua de Sal… numa das frases mais rídiculas do ano de 2018 (ainda vai a tempo?).

    Plúvio, marca registada.

    _______

    Isabel Moreira – Chove, aqui e é excelente!
    https://chovechove.blogspot.com/2017/08/a-prosa-manca-da-doutora-isabel-moreira.html

    quinta-feira, 24 de agosto de 2017
    A prosa manca da doutora Isabel Moreira
    A náufraga Visão de hoje traz uma página de propaganda a Fernando Medina assinada por Isabel Moreira. Entre outras coisas a articulista diz as seguintes, previsíveis nela mas tontas sempre:

    «Lisboa pode provar que a inclusão de todas e de todos beneficia a cidade»

    «Um candidato ou uma candidata à CML não pode ser desligado* da sua filiação partidária»

    «Há quatro anos, os lisboetas e as lisboetas eram mais pobres»

    «todas e todos assistimos à aposta na reabilitação urbana»

    Revelando, porém, uma incongruência estilística assustadora, a azougada parlamentar do PS, jurista, Mestre em Direito Constitucional, ex-professora universitária, profere no mesmo reclame ao alMedina da mesquita as seguintes inesperadas atrocidades:

    «os pagamentos aos fornecedores», no lugar de «pagamentos às fornecedoras e aos fornecedores»

    «temos mais de 300 mil idosos», no lugar de «temos mais de 300 mil idosas e idosos»

    «escolas dos nossos filhos», no lugar de «escolas das nossas filhas e dos nossos filhos»

    «Ganham os senhorios», no lugar de «Ganham as senhorias e os senhorios»

    Isabel Moreira, “Uma Lisboa inclusiva e livre” | Visão, 24.Ago.2017

    Tenham paciência mas não posso deixar de denunciar publicamente estes desvarios de lesa-antropologia e de vil atropelo ao asseio gramatical por parte de representantes do povo eleitos num Estado de direito democrático.
    De resto, Isabel Moreira não é virgem. Nestas patifarias na Visão, digo.
    Para que conste.

    Se o ridículo matasse…
    ____________________________________________
    * «não podem ser desligados», s.f.f.
    . Plúvio / 24.8.17 Hiperligações para esta mensagem

    Etiquetas Fé, Fernando Medina, Fervor em manobras, Gamártica, Isabel Moreira, PS, Se o ridículo matasse

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    • Adenda, em tempo.

      Manuel G.: é completamente desolador que todos, todos!, os comentários supra ou infra exibiram, pateta e alegremente, calinadas elementares sobre o manejo da língua portuguesa.

      Assim:

      1.
      a vitimização, pura e simples,em detrimento de um povo que se pretende “sábiamente” quanto mais burros melhor.Eu rejeito.
      JORGE MANUEL ROSA ESBERARD, rejeita? e faz muito bem!, ora!, porque eu também o rejeito a si pois os advérbios não têm acento há quase cem anos… Imagine-se!

      2.
      Muito bem finalmente alguém responsável põe o dedo na ferida concordo com o que escreveu
      Artur Kendall, tem de comprar uma caixa de vígulas, mas esse alguém responsável, a Isabel presumo, a sôtora é responsável do quê e porquê exactamente?

      3.
      Concordo de todo com o texto. Porem, e dadas as circunstancias atuais do momento ,a senhora deputada colocou-se a jeito, mais sabendo “ela”, etc.
      Maria de Fatima Pereira Ribeiro, que eventualmente comprou o teclado a prestações e ainda não tem os acentos, está a comentar que parágrafo deste artigo da Isabel?!

      4.
      Denunciar estes ataques å democracia portuguesa por parte das direitas, e estarmos atentos…
      J.Albernaz, para além daquele toque balcânico da bolinha (é giro!) a sua frase embrulhada, esta, quer dizer exactamente o quê?

      5.
      E porque será que sabendo nós que a imprensa que temos cada vez mais depende de noticias verdadeiras ou não nos pomos a jeito.
      Carmindo A Alves, idem, sua excelência escreve em chinamarquês, mas tome nota: e que no notícias usa-se acento.. sim?).

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      • Segunda adenda, a de agora.

        Sobre o assunto importante, como da sôtora Isabel Moreira não se espera que consiga pôr-se de fora a olhar para o que escreve ou diz para, desta forma simples, atingir aquilo que é o ponto essencial dos assuntos que aborda (e foi a moça assistente universitária na FDUL, diz o Plúvio…) houve um tipo que escreveu isto por aqui n’A Estátua de Sal.

        RFC diz:
        Setembro 24, 2018 às 12:54 pm

        Ó Jorge, faça-me um favor.

        Como se percebe que até pensa pela sua cabeça, bem ou mal que é este o caso, a expressão sobre as fake news comporta todo um peso negativo que lhe é conferido pela administração de Donald Trump. Tem um objectivo óbvio, de descredibilizar as correntes que se conseguem expressar numa imprensa diversa (que se traduz, em última análise. pelas ameaças físicas dos seus apoiantes aos jornalistas que acompanham os seus comícios), e, conseguido isto, de substituir o debate sobre o que deve ser a gestão da Res Publica surgindo, em seu lugar, a utilização sem filtros da Palavra pelo líder carismático que [então] assumiu o controle totalitário sobre o que é a mentira ou é a verdade.

        Quer-me parecer que este tempo corre em paralelo com o desenvolvimento tecnológico, tal como o uso da rádio pelos líderes (os ditadores, nomeadamente) nos anos 30. Hoje, faz-se o mesmo a partir do teclado, ou da performance no púlpito, sem necessidade de “mediadores” outros (que não sejam da Fox News em que o líder nos disse para acreditar) mas com o recurso a trolls, de uma infra-cidadania amorfa e passiva e, é claro!, de quem interrogue ou contextualize o que Ele diz.

        Dito isto, que viva o Expresso vivo!

        Aqui, free: https://estatuadesal.com/2018/09/22/o-expresso-faz-mea-culpa/ .

        ______

        [Quem é míope sabe isto, mas. Devo esclarecer que ali onde estava, antes, um rxxxidculo-ou-assim durante o complexo processo manual que consiste em reler-apagar-apagar-e-reescrever acabou por ficar um rí quando deveria ter ficado um ridículo como está a cantarolar alegremente o passarinho lá em cima.]

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        • tú só com com uma boa dose de afectos á bolsonaro é que te passa esse tesão que te sobe do rego pela espinha acima e ultimamente tens evidenciado umas ganas que para te satisfazer deves ter que ser afectado com uma boa dúzia de bolsonizações.

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          • Enganaste-te na porta, pázinho? É que o urinol da taberna é ali ao lado (e quanto a esses erros de urtografia são típicos do Aspirina B e são sobejamente conhecidos, eis o tal pilha-galinhas que anda fugido à bófia), .

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  5. Parece-me que está a falar dela …
    Tambem , andam para aqui a falar de Democracia !… Mas isso existe ? Qual é a percentagem de patetas lusitanos infelizmente em vias de extinção
    p.s.
    Um Advogado apareceu com o termo “lambe-cricas” . Sabem o que é ?

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