Quando é que demais é demais?

(Marco Capitão Ferreira, in Expresso Diário, 07/02/2018)

 

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(Este tipo, Carlos Costa, é como o guarda do galinheiro que olha para o lado quando a raposa ataca. Com polícias destes qualquer larápio se delicia. E como a ocasião faz o ladrão, com um polícia destes não há banqueiro que resista à tentação de pisar o risco. Foi o que se viu. Para mal de todos nós e do país.

Comentário da Estátua, 07/02/2018)


Já aqui o escrevi. É dia de o repetir.

O nosso modelo de regulação e supervisão para o setor financeiro faliu. Colapsou. Não serve. Há uma entidade pública, que é o Banco de Portugal, responsável por garantir que o sistema financeiro é um contributo positivo para a qualidade de vida dos portugueses e para a Economia Portuguesa e isso não tem sido cumprido e não tem sido cumprido repetidas vezes.

Os factos ontem noticiados (aqui) não deixam margem para dúvidas. O Banco de Portugal sabia muito mais, algo que sempre se suspeitou, que foi sendo dito aqui e ali, com a diferença de que agora se sabe que há prova documental.

Enganar os outros Bancos do sistema financeiro quanto à real situação da Rioforte foi decidir proteger o BES, Ricardo Salgado, e o próprio Banco de Portugal (que supostamente tinha feito um tal de ring-fencing, que ia evitar o que aconteceu – o contágio entre as áreas financeira e não financeira do GES) sacrificando todos os outros.

Sacrificando o BANIF, que acabou por ter de ser resolvido.

Sacrificando a PT, que perdeu 900 milhões e a sua viabilidade como empresa portuguesa, autónoma e inovadora.

Sacrificando a lealdade com a CMVM, que permitiu que os pequenos investidores tivessem ido ao aumento de capital sem uma noção clara do risco, e onde todos tudo perderam.

Sacrificando, por fim, todos os portugueses, que tiveram de assumir à cabeça um custo de mais de 4000 milhões de euros (e, a prazo, muito mais do que isso).

Como também já em tempos aqui escrevi, o estatuto de independência que é reconhecido aos bancos centrais é um estatuto de independência para que eles cumpram melhor com o seu mandato junto da população; não é uma autorização para a impunidade na conduta e, neste aspeto, nós temos, demasiadas vezes, confundido as duas coisas.

Não sei que mais será necessário para se perceber de vez o que vem sendo óbvio há anos – e já o era antes de Carlos Costa ser reconduzido por Passos Coelho –, quando é que demais é demais? É a decência que está em causa.

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