As autárquicas e o dia seguinte

(Joseph Praetorius, in Facebook, 01/09/2017)

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Joseph Praetorius

De acordo com os primeiros resultados, o coelhismo conseguiu ainda lugar em Lisboa e Porto. A extrema direita dos caixeiros, viajantes ou residentes, mantém uma preocupante representação.

E Isaltino foi reconduzido, por um eleitorado que assim se pronunciou sobre o que pensa dos juízes do tribunal de Oeiras. Não ando longe de tais conclusões, eu próprio.

Cristas, criatura da nova lei do arrendamento desalojante, responsável pela acentuação da pobreza de miríades de velhos e pelo fim inglório das lojas históricas, parece ter conseguido mobilizar os masoquistas com pendor para as rechonchudas. Cristas celebrizou-se ainda por ter assinado sem ler a resolução do BES que tanta desgraça, intencionalmente, semeou. Tem o apoio do cadáver insepulto do PPM.

Desencadear-se-à em breve a chacina organizacional dos coelhos, segundo ameaças vindas a público – verdadeira noite dos pernas-longas – e alinham-se já uns fenómenos a armar em lebre. Mas as lebres nas coelheiras não costumam ter grande destino… Podendo todavia ocorrer que os sucedâneos tenham melhor sorte.

Aparentemente, a coisa funciona assim: o eleitorado continua a caracterizar-se por um alinhamento político liberal de esquerda. Quando a esquerda trai a componente liberal, formam-se maiorias de direita. Quando a direita trai a componente social, formam-se maiorias de esquerda. E o que isto significa – num país onde a iliteracia é esmagadora – é que o eleitorado reage aos riscos que percebe, ou à violência que o atinge.

Não parece difícil de perceber.

A direita – assim designando os desempregados e avençados em risco, com destaque para as “grandes sociedades” de advogados, boa parte das quais já com os lobbystas a dizerem que “sempre” tinham dito – pode vir a refugiar-se em massa no PS e conviria que alguém, ali, a mandasse dar uma volta muitíssimo grande. Isso não vai acontecer e a próxima crise computará esse lastro.

As negociatas, com os ecos de ressentimento dos que entram em penúria, vão dar cabo da coisa rapidamente se a direcção política não se puser ao alto. E não o vai conseguir. (Nunca conseguiu).

Acentuando-se estas expressões eleitorais nas próximas legislativas (talvez a coisa aguente até lá), o dito PSD rebenta, porque não pode viver sem distribuir e gerir empregos e negócios (os autárquicos e os da administração central).

A grande alteração da noite é que a Alexandra ainda não foi, mas vai ser eleita.

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2 pensamentos sobre “As autárquicas e o dia seguinte

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