A vitória amarga

(In Blog O Jumento, 02/10/2017)
vitoria
As eleições autárquicas têm destas coisas, no meio da alegria dos que festejam a vitória muitos sentem o amargo da derrota na sua boca. O mesmo sucede com os derrotados, enquanto Passos apareceu na televisão com a cara de quem tinha acabado de ver o diabo, alguns dos seus festejaram como se o seu partido tivesse ganho as legislativas.
Sinto-me um derrotado, na minha junta de freguesia ganhou o CDS, algo que nunca tinha acontecido, na minha terra voltaram a eleger uma equipa que está conduzindo o município ao colapso financeiros e onde se inventam empresas que vivem em exclusivo de adjudicações diretas na venda de produtos mais ou menos imaginários.
Nem sempre os eleitores têm a sabedoria de que os políticos tanto falam e candidatos como Isaltino são uma prova disso. Nas autárquicas vota-se pelos mais variados motivos, mas também há muitas vitórias e derrotas merecidas, em consequência dos bons ou maus candidatos propostos, dos bons ou maus desempenhos.
Pessoalmente fui vítima das duas coisas, em Lisboa vou viver numa ilha do CDS graças à política do município. Medina ganhou Lisboa, mas não pode iludir uma realidade, não fez uma campanha melhor do que a da Assunção Cristas e pagou por erros de cuja responsabilidade não se pode ilibar. O despotismo da EMEL, uma empresa que se transformou numa verdadeira força policial que não respeita nada nem ninguém foi uma preciosa ajuda para a líder do CDS, em muitos bairros de Lisboa o voto foi uma consequência das acções do verdadeiro presidente da câmara nas ruas, o presidente da EMEL.
Na minha terra o PS insistiu com um candidato cuja família ou preside ou se candidata desde há duas décadas. Toda a gente sabia que ia perder, mas o PS local insistiu no pressuposto de que os eleitores cederiam por cansaço. O PS nacional nada fez e limitou-se a ignorar o município, como se tivesse tinha ou como se tivesse sido entregue a Espanha, António Costa parou a campanha em Tavira, Ana Catarina Mendes ficou-se por Castro Marim. Convidaram os eleitores a votar pela quarta vez numa equipa incompetente do PSD.
Pessoalmente sinto o amargo de boca com esta sensação de que fui um dos muitos vitoriosos derrotados. Pior ainda, não devo este amargo à competência ou à qualidade dos candidatos da direita, mas sim à má qualidade ou à gestão negligente daqueles em que votei ou votaria. As vitórias nestas autárquicas escondem muitas derrotas, o PSD poderá ter levado uma tareia em Lisboa, mas Medina perdeu muitos votos que não deveria ter perdido. Em muitas localidades onde o PS perdeu tal deve-se mais à falta de qualidade da estratégia do PS ou do PCP do que ao mérito das candidaturas da direita. Esperemos que os festejos nacionais não iludam esta realidade.

Quem também teve uma vitória amarga foi Fernando Medina, em Lisboa:

É verdade que volta a ser presidente da CML e no meio de tanta vitória a sua teve o destaque de um prolongado abraço a António Costa. Mas a verdade é que a vitória de Medina em Lisboa foi, no mínimo, amarga. A verdade é que :
  • Nestas eleições a direita teve no seu conjunto 31,8%, contra os 23,26% que tinha tido em 2013, aumentando a votação de 53,970 para 80.309.
  • O PS passou de 50,91% para 42,02%, tendo perdido 10.345 votos numas eleições onde a abstenção diminuiu, tendo a votação passado de 45,06% em 2013 para de 51,17%, a que correspondeu um aumento de votantes na ordem dos 23.843 eleitores.

Num dos períodos de maior progresso na  capital, quando Lisboa está na moda ao nível mundial, e mesmo perante o descalabro do PSD, o sofrimento que os excessos de austeridade infligiram aos lisboetas, com uma redução significativa na votação, Medina não só perdeu a maioria absoluta de que dispunha, como ainda viu a percentagem do seu score eleitoral diminuir na ordem dos 8,89%, tendo perdido votos.

Medina ganhou em Lisboa, mas se comparar os resultados com os de 2013 tem muito para refletir sobre esta sua grande vitória. Há duas causas evidentes para este mau desempenho de Fernando Medina, o fato de se ter convencido de que ia ganhar e só quando percebeu o ascendente de Assunção Cristas é que deu corda aos sapatos. Com menos recursos e com dois ou três gaiatos mais uma dúzia de bandeirinhas a líder do CDS deu uma lição a Fernando Medina e ao PS de Lisboa sobre a arte de bem fazer uma campanha eleitoral.

Outra causa desta vitória a lembrar uma limonada sem açúcar é o ódio que grassa em Lisboa em relação à prepotência com que os cidadãos são tratados, tema a que voltarei. Vários amigos meus disseram-me que não votariam em Medina e a justificação era sempre a mesma: a EMEL. Esta instituição está a transformar-se num monstro e parece estar para a CML como os cães estão para o pastor. A autarquia decide e manda os cães da EMEL ladrar aos cidadãos como se estes tivessem de ser ovelhas medrosas e obedientes.

Se Fernando Medina não souber acabar com a prepotência, os abusos e o total desprezo da EMEL/CML pelos cidadãos de Lisboa, corre um sério risco de quando o perceber já ser demasiado tarde. A EMEL, com  os seus abusos, está a promover o ódio dos lisboetas à CML e ao seu presidente.

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Um pensamento sobre “A vitória amarga

  1. Perfeitamente de acordo com esta análise. De certa forma até fiquei contente por Medina não ter a maioria absoluta. Chato foi a D. Cristas ter uma votação bastante expressiva. De certa forma Medina tornou-se vaidoso e arrogante. Espero bem que sem a maioria absoluta saiba fazer alianças e saiba arrepiar caminho com políticas para os cidadãos residentes na cidade e não só políticas com os olhos nos turistas e nas taxas que eles cá deixam. Tal como tantos outros este também precisa de refletir.

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