Esmagado!

(Por Estátua de Sal, 01/10/2017)

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Os resultados das eleições autárquicas só são surpresa para aqueles que andaram distraídos ou para os crentes servis da direita. Os comentadores de serviço – cegos pela propaganda que lhes encomendam, e pelas mentiras que vendem e nas quais acabam por acreditar para poderem dormir descansados -, estão em transe. Preocupados pela derrota histórica do PSD, de Passos Coelho e dos seus acólitos. Preocupados pela ascensão do PS e pela subida e/ou manutenção das forças à sua esquerda.

Portas está morto. A Cristas mostrou como se pode matar o pai sem cometer parricídio. Passos anda a monte e está a ser procurado pelas claques laranjas para o chutarem de vez para o canto de onde nunca devia ter saído.

E não é só Lisboa a prova da hecatombe. É por todo o lado, de norte a sul. que o PSD desaparece. Bastiões tradicionais da direita no norte e no centro vão mudar de mãos para o partido socialista. O Bloco de Esquerda coloca vereadores em Lisboa e no Porto e, provavelmente, noutros centros urbanos.

Quais os motivos, no fim de contas deste cataclismo? Do meu ponto de vista as razões são simples. Enquanto Passos conseguiu enganar o eleitorado convencendo-o de que a brutal austeridade que impôs ao país era obrigatória por não haver outra alternativa, ainda foi tendo o benefício da dúvida e conseguiu mesmo ganhar as últimas eleições legislativas. Só que, dois anos passados, e tendo a Geringonça aliviado a austeridade e provado que, na prática, o país pode crescer, a vida das pessoas pode melhorar, e ainda assim serem cumpridas as restrições da dívida e do déficit, o discurso de Passos tombou como um castelo de cartas. A máscara caiu-lhe e ficou claro que praticou a austeridade com gosto e por opção ideológica.

E por isso, o país só poderia castigá-lo, a ele e ao partido que encabeça.

E a destruição, do meu ponto de vista, ultrapassará o próprio Passos. Para o PSD, mudar de líder na sequência deste cenário, já não deve ser suficiente para conquistar o terreno perdido. Um partido que aceita e consente ser liderado por Passos Coelho, não pode ser apenas por distracção ou só por oportunismo: é porque, na totalidade ou em grande medida, aceita e defende as políticas e a postura ideológica de quem o dirige. É por essas razões que o PSD passou a ser um partido suspeito aos olhos de grande parte dos eleitores, pelo que os resultados estão à vista. Em consequência, o ensaio de viragem à xenofobia e ao primarismo que Passos tentou ensaiar em Loures com a candidatura de André Ventura veio a provar-se ser mais um tiro no pé: o eleitorado não acolheu tais propostas.

O CDS, ainda que esteja muito longe da implantação nacional do desagregado PSD, com a retumbante subida em Lisboa, pode com legitimidade, vir a liderar o discurso da direita. É merecido e era em grande medida expectável, apesar não ser muito difícil pescar no eleitorado da direita em oposição à meia-morta Leal Coelho.

Passos Coelho, só tem uma solução, se é que ainda lhe resta algum pingo de vergonha e de respeito por si próprio e pelos desígnios do eleitorado: demitir-se e abrir o processo de eleição de uma nova liderança no PSD.

 

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