OTAN da Cultura e dos Mass Media 

(Por Fernando Buen Abad Domínguez, 08/03/2017)

OTAN da Cultura e dos Mass Media

Invadidos, explorados e desinformados… mas entretidos.

Há uma versão Cultural e Mass Media da Organização do Tratado Atlântico Norte composta por alianças estratégicas, entre monopólios diversos, sob um plano bélico orientado – também – para manipular as cabeças, as emoções e os imaginários. E surge pela “tele”. Trata-se de implantar divisão e ódio, conflitos religiosos, linguísticos, exclusão e racismo de todas as modalidades, é a sua receita anexa para explorar os povos e anestesiá-los. O negócio consiste em manter uma força dúctil, especializada em resposta rápida e ubíqua para destruir ou criminalizar todo aquele que incomode. Alienação do Atlântico Norte esparramado por todo o orbe. Não fica muito caro.

Se, por exemplo, se trata de acusar a Rússia, os oito estados membros da OTAN (EUA, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Reino Unido) terão à sua disposição redes de TV, rádio, imprensa e “redes sociais” oleadas permanentemente para justificar perante os olhos da sua “opinião pública”, qualquer barbaridade em nome da “paz” e da “ordem” internacional. E agora querem exportar isso para a América-Latina sob o controlo dos interesses mercantis militares. E há os que estejam felizes em Israel e na Colômbia.

Os impérios na sua fase atual, para forçar uma saída para as aflições das suas crises de sobreprodução, não desenvolvem só bases económicas. A exaltação militarista que desliza na moral burguesa com identidade OTAN, expressa as formas imperiais de expandir o capitalismo amante da guerra rentável contra todo o mundo. Os seus pássaros que mais chilreiam estão na ditadura bancária e na imprensa, cheias de petulantes dispostos a calcinar a realidade com saliva de opiniosos servis das propinas da casa branca. Temos nomes de sobra.

Há consórcios mediáticos transnacionais de joelhos ante a OTAM para estampar e enaltecer as suas loucuras militares nos nossos próprios narizes. Fazem passar a sua ética macabra como moral diplomática necessária para a aplicar contra os mais débeis mas disfarçados mediaticamente de “terroristas”. Os Estados Unidos impondo-se à União Europeia com a sua OTAM mediática dirige o extermínio da incómoda Líbia, Síria, Iémen, Iraque, Ucrânia, Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia…

Os “serviços de inteligência” impulsionam, com os seus “métodos” e “estímulos”, canais de TV, medias de todo o tipo e comentaristas, para adulterar os valores nacionais, alentar o consumismo, semear o ódio, injetar medo e criminalizar líderes sociais. Têm falsificado cenas bélicas filmadas especificamente para desmoralizar os povos! Têm linchado mediaticamente ”Deus e Santa Maria”… E isso não ocorreu só em “zonas de conflito” europeias, está ocorrendo em todo o mundo. Televisa, Globovision, Clarin, a Globo, por exemplo.

Centenas de recursos mediáticos operam tanto na Síria como em Santiago do Chile sob o mesmo jugo castrense. Há edifícios apetrechados – exclusivamente – que operam como aríetes da vingança burguesa contra tudo o que sonhe a povos em rebeldia. Os “hackers” equipados com visão espia penetram por onde quiserem (estilo Obama) para operar infatigavelmente com a mesma lógica da OTAN mas disfarçados de “defensores da liberdade de expressão”.

Por outro lado, por exemplo, suspendem com decretos-lei e regulamentos especializados Meios de Comunicação. A guerra Mediática Global com o método OTAN tem posto o mundo às avessas. Entretanto cresce o assassinato de jornalistas (México, Honduras…) e os que sobrevivem trabalham desprotegidos, sem condições adequadas de autodefesa. Quem toma a iniciativa de informar a verdade sobre o mal-estar social e suas lutas está em perigo.

Setenta e dois jornalistas pereceram nos últimos seis meses deste ano.

Exageramos? Uma pequena amostra. Em janeiro de 1955, no Palácio de Chaillot em Paris, reuniu-se o “Comité de Cultura e Informação Pública da OTAN” e criaram, O “Festival da Canção Eurovisão”! Tal e qual. Além disso estabeleceram uma agenda de “ideias” para desenvolver “relações culturais” entre as nações que de imediato seriam submetidas ao negócio da guerra. Para isso era indispensável uma aliança entre os donos das televisões europeias. Criaram o seu mapa tecnológico estratégico e a sua “plataforma” disfarçada de “entretenimento”. O primeiro “Festival” devia realizar-se em abril de 1956.

A OTAN armou-se com um grande esquadrão de comunicação a grande escala. Milhões de pessoas, em todo o mundo, uniformizaram o seu olhar e os seus sentimentos sob uma só bandeira, a do espetáculo que torna invisíveis as invasões e os seus campos da morte. Aplausos e gritos, farândola à discrição, prémios de glamour e revistas cor-de-rosa. Tudo pode ser consultado nos mais de 23.000 documentos desclassificados.

A OTAN cultural e mediática tece o tapete debaixo do qual esconde os mortos que fabrica. A desinformação tem história como a da Somália e Ruanda que não tiveram, estas e todas, uma intervenção ética séria. Até que apareceu o relatório MacBride que foi congelado imediatamente. Hoje continuamos a sofrer, entre muitos outros, ataques mediáticos da chamada CNN que comparticipou, por exemplo, no “espetáculo” de linchamento de Saddam Hussein com as suas inexistentes Armas de Destruição maciça” com grande “rating”.

O método OTAN para desfigurar a opinião pública não é invencível. Demonstrou-o Fidel Castro, Hugo Chavez e os povos que continuam lutando. Neles reside uma miríade de fortalezas ainda que a OTAN leve a cabo operações difíceis de intercetar e contra-atacar. Os seus grupos de operações mediáticas e psicológicas com “Big Data” são os media. Assim se deve entender e os povos são chamados à emancipação Cultural e Comunicacional a curto prazo, desde as bases, ganhando a guerra semiótica, a disputa pela opinião pública e a nova Cultura e Comunicação Revolucionária que urge.


Fonte aqui: OTAN da Cultura e dos Mass Media

Quando os denunciantes dizem a verdade são traidores. Quando o governo mente é política

(Carey Wedler, in Theantimedia.org, 08/03,2017, Tradução de Estátua de Sal)

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Imediatamente após o Wikileaks ter libertado milhares de documentos revelando a extensão da vigilância da CIA e das práticas de hackers, o governo pediu uma investigação – não sobre a razão porque a CIA acumulou tanto poder, mas sim sobre quem expôs as suas políticas de intrusão.

“Uma investigação criminal federal está sendo aberta sobre a publicação pelo WikiLeaks de documentos que detalham supostas operações de hacking da CIA, segundo vários funcionários dos EUA”, informou a CNN.

De acordo com o Usa Today:

“O inquérito, de acordo com fonte governamental, procurará determinar se a divulgação representou uma violação do exterior ou um vazamento do interior da organização. Uma revisão separada tentará avaliar os danos causados por tal divulgação, disse o oficial. “

Mesmo o representante democrata, Ted Lieu, que tem exortado a que denunciantes surjam para denunciar irregularidades do governo Trump, afastou o foco daquilo que os documentos expuseram e deu toda a importância a questionar como tal poderia ter acontecido.

“Estou profundamente perturbado com a alegação de que a CIA perdeu o seu arsenal de ferramentas de hacking”, disse ele ao pedir uma investigação. “As consequências podem ser devastadoras. Peço uma investigação imediata no Congresso. Precisamos saber se a CIA perdeu o controle das suas ferramentas de hacking, quem pode ter essas ferramentas e como podemos agora proteger a privacidade dos americanos “.

De acordo com as declarações de Lieu, o problema não é necessariamente que a CIA esteja a espiar os americanos e  a invadir através da tecnologia a vida de pessoas inocentes sem o seu consentimento. É que a CIA tem utilizado mal as suas ferramentas de espionagem e, ao fazê-lo, colocou em risco a privacidade dos americanos colocando as ferramentas supostamente ao alcance  de “atores maus”. O problema então não é a agência ter sido corrupta ao violar os direitos básicos de privacidade dos cidadãos, mas não ter sido suficientemente competente para manter a sua corrupção em segredo.

É neste estado que se encontra a narrativa acerca dos denunciantes nos Estados Unidos. Os denunciantes dão um passo em frente para denunciar atos ilegais por parte do governo – algo que o governo alega apoiar – e, imediatamente, as instituições e os meios de comunicação afastam o debate sobre o delito denunciado, e concentram a sua atenção na libertação ilícita de segredos.

Pondo de lado o fato que, de acordo com a popular mitologia americana, violar a lei é um dever patriótico, as reações do governo e dos políticos são hipócritas como é habitual.

Quando Chelsea Manning revelou a evidência dos condenáveis crimes dos EUA na guerra do Iraque,  que levaram soldados a atacar diretamente a equipa de jornalistas da Reuters, a resposta não foi investigar quem permitiu esses crimes (de fato, um manual do Pentágono posterior descrevia casos em que seria permissível matar jornalistas; esta versão do manual só foi retirada depois de protestos de repórteres). Em vez disso, Manning foi submetido a um tribunal militar que emitiu várias sentenças de prisão perpétua, uma punição cruel e inusitada revertida somente nos últimos dias de governo do presidente Obama, no meio das suas tentativas de salvar a sua pecaminosa governação do seu record de ataque aos direitos humanos, à transparência e ao registo de denunciantes.

Quando Edward Snowden revelou a extensão da vigilância em massa, sem mandato, da NSA a cidadãos americanos e milhões de outros em todo o mundo, a resposta do governo não foi investigar em primeiro lugar a razão desses programas existirem. Em vez disso, os EUA fizeram uma perseguição mundial ao denunciante, e ordenaram que o avião do presidente boliviano, Evo Morales, fosse forçado a aterrar, na esperança de apanhar o denunciante. E o Congresso aprovou de seguida a decepcionante lei “EUA Freedom Act”, que legalizou a vigilância contínua.

Edward Snowden permanece no exílio, e os políticos do establishment apelidam-no repetidamente de traidor por ter exposto os crimes do seu governo. Alguns, incluindo o diretor da CIA de Trump, Mike Pompeo, pediram sua execução. A vigilância em massa continua, e o próprio presidente Trump está a tentar conter esses poderes, ao mesmo tempo que acusa o ex-presidente Obama por supostamente o ter espiado.

E assim por diante. O mesmo aconteceu com John Kiriakou, Thomas Drake, William Binney e Jeffrey Sterling. O governo é denunciado por transgressões  e abusos e os governantes, ao invés de tentarem provar serem representantes do povo e remediarem essas transgressões, apontam o dedo às denúncias e desviam-se do essencial, ao mesmo tempo em que se recusam a pôr em causa ao poder injusto que é revelado as agência de informações possuírem.

Muitas pessoas já estão conscientes de que o governo faz pouco por elas, e de facto não trabalha para as servir, (a confiança dos americanos nos líderes políticos  e no governo, em geral, é assustadoramente baixa). Em vez disso, agentes e agências governamentais operam para aumentar e concentrar os seus próprios interesses e poder. É por isso que as penas previstas na lei contra a morte de funcionários do governo são mais rigorosas do que contra a morte de civis. É por isso que roubar o governo é considerado mais escandaloso para o Estado do que roubar um civil. O governo considera os “crimes” cometidos contra si próprio merecedores da maior sanção, mas muitas vezes não consegue levar a justiça aos assuntos da sociedade civil, satisfazendo as pretensões das pessoas que materializam o seu suporte financeiro através dos impostos que pagam.

Desse modo, o Estado nem sequer tenta mostrar arrependimento pelas suas políticas violadoras, mesmo quando elas são expostas e espalhadas pelos meios de comunicação social para que o mundo veja. Em vez disso, com a ajuda da corporação dos media, o debate é deslocado para saber se a WikiLeaks é uma organização criminosa, ou se Edward Snowden é ou não um traidor.

Como disse o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, sobre os vazamentos:

“Esse é o tipo de divulgação que mina nosso país, a nossa segurança. Este alegado vazamento deve preocupar todos os americanos pelo seu impacto na segurança nacional. … Qualquer pessoa que revele informações classificadas será responsabilizada e punida de acordo com as sanções máximas previstas  na lei. “

Enquanto isso, é suposto que temos que aceitar as investigações que o governo faz sobre si próprio e sobre as suas próprias acções, que (surpresa!). Normalmente tais investigações  encontram pouco ou nenhum desvio no comportamento das agências governamentais, o que, muitas vezes, consolida e amplia os poderes e actos clandestinos postos a nu pelos denunciantes.


Fonte aqui

 

 

Hoje é Dia Mundial da Mulher, a metade da humanidade cujo trabalho até na UE vale menos

(Cristina Peres, in Expresso Diário, 08/03/2017)

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Vou fazer como a repórter da revista Forbes que recomenda a quem não tenha a certeza do que fazer neste dia: usa a tua voz! O menu de comemorações à escolha é variado, mas a verdade é que o programa à disposição depende muito do ponto do planeta onde se estiver.

Em Portugal, ao googlar “dia internacional da mulher”, passa logo para “mujer” porque em português de Portugal a informação imediata que se encontra na net é mais histórica do que atualizada e estimulante à participação.

Há uma convocatória para que 8 de março seja dominado por uma greve planetária pelos direitos das mulheres, esse grupo diverso para quem o próprio género é passível de muitas e diversas definições. Ficam aqui os exemplos de dez ações diretas por mulheres que mudaram o mundo.

Women of the world unite! Mulheres do mundo, uni-vos! É o apelo partilhado pela opinião de Agustina Paz Frontera – co-fundadora do movimento #NiUnaMenos contra a violência exercida sobre as mulheres – e de Winnie Byanyima – diretora executiva da Oxfam Internacional – que escrevem no site da Al Jazeera porque é que todas as mulheres devem estar disponíveis e otimistas neste dia do ano “tão importante”.

Como os governos são maioritariamente compostos por homens, dá que pensar que em Itália as mulheres, além de receberem mimosas, possam oficialmente aceder aos museus gratuitamente neste dia; que na China tenham direito a meio dia livre de trabalho; e que na Rússia, onde muito recentemente uma lei revogou que agressões físicas por parte dos maridos possam ser consideradas violência doméstica “porque fazem parte da cultura russa”, têm direito a um dia inteiriiiiiiinho de folga. Aqui ficam seis sugestões transnacionais a que poderá dedicar-se hoje em particular, mas que são igualmente válidas nos outros 364 dias do ano. Decida aqui a sua opção de participação em #BeBoldForChange: qual a prioridade que vai escolher entre 1. combater a desigualdade 2. fazer campanha contra a violência (leia aqui sobre as dificuldades de combater a prática das excisão feminina) 3. bater-se pelo avanço das mulheres 4. celebrar as realizações das mulheres 5. promover a educação das mulheres?

Leia aqui uma opinião avalizada sobre limitações das mulheres muçulmanas na vida pública diretamente dependente de legislação que é escrita por… homens. E aproveite o facto de o jornal i não ter hesitado em fazer manchete com o dossiê especial de 13 páginas dedicado ao tema: Marido deixou de ser o “chefe de família” há 40 anos. Leia como até 1977 competia ao homem decidir todos os atos da vida conjugal comum.

Quem duvidar disto tudo, consulte aqui o site da Comissão Europeia onde estão registadas as discrepâncias salariais entre homens e mulheres nos 28 Estados-membros, que mais depressa se reduzem para 27 do que ficam mais igualitários. Tem aqui para consulta num belíssimo gráfico animado o pay gap coligido pelo Wall Street Journal. Lembre-se entretanto que, apesar do grau de negação que por aí anda a alimentar protecionismos e nacionalismos fazemos parte dos países mais privilegiados do mundo.