Olhe, rico, vá o menino manifestar-se para a rua. Mas olhe que já tem os jornais

(In Blog Aspirina B, 27/10/2016)

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Nota prévia: A direita parece que anda a desempenhar uma peça de Pirandello. O João Miguel Tavares diz que é muito difícil ser de direita em Portugal. Tem boa solução, JMT, emigre, seguindo os conselhos do Passos Coelho. O Camilo Lourenço diz que o PCP está a trair os “ideais comunistas” dos quais ele é um autentico zelador. Todos apelam ao Mário Nogueira, ao Arménio Carlos, à UGT e aos sindicatos para fazerem greves e manifestações. Que chatice, não é? Mas tem bom remédio.

Que seja a direita a fazer as manifestações e que façam greve às mordomias. Eu gostava de ver uma manifestação encabeçada pelo Tavares, pelo Camilo, pelo Abominável César das Neves e com o Dinis atrás a tomar apontamentos e a malta do Observador a gritar: “O povo unido jamais será vencido”. Atrás deles, já com a língua de fora, o Medina Carreira dizendo entre dentes: “É a desgraça, e morre toda gente menos eu que já tomei as minhas precauções”… (Estátua de Sal).


Qual é o último grito da moda entre a nossa direita mediática? É este lamento: “Que tempos estes, valha-nos deus, já nem os sindicatos protestam! Assim é difícil. Não há igualdade de oportunidades. Estou enfastiado, pois estou.”

Por estes dias, sentem-se vítimas da falta de solidariedade dos seus velhos aliados. E perguntam o que é feito daqueles bons velhos tempos em que os governos do PS eram minoritários e tinham líderes pouco carismáticos (estou a par, sim) ou eram minoritários pelo efeito de golpes sujos e começavam a ser derrubados pelas manifestações de rua, viam o processo agravar-se com os incentivos dados por Cavaco, veja-se bem, aos protestos de rua e depois era só um saltinho até ao derrube na Assembleia. Chamava-se a isso boas oportunidades e longe da direita falar em desigualdades.

Continuando nos factos. Até há pouco tempo, ouvíamos o PS a lamentar-se que só com maioria absoluta é que conseguia governar, pois nem a extrema-esquerda jamais aceitava juntar-se-lhe para uma solução governativa, nem a aliança com a direita (se fosse sequer possível) era conveniente democraticamente porque, com o tempo, constituiria um desgaste para os socialistas e significaria o reforço dos partidos da extrema-esquerda. Esta era a situação, que durou décadas. O lamento do PS tinha razão de ser e foi preciso Sócrates para abalar esta construção e conquistar uma maioria absoluta. É verdade que ainda não havia Costa e o seu gosto real por partir pedra à esquerda. Também nunca a direita tinha ido tão longe na falta de vergonha como de 2011 a 2015.

O lamento recente da direita, onde pontuam Tavares, Baldaia e toda a coluna da direita do Observador, além de muitos outros que não leio mas sei que existem e andam desesperados, é, portanto, mais uma das suas falácias. Cavaco Silva governou durante dez anos. Foi mesmo o governante que mais tempo se manteve à frente do executivo depois do 25 de abril (dez anos). Durão Barroso durou pouco, mas sabemos porquê e não foi de todo por “desigualdade de oportunidades”. Foi antes por uma grande oportunidade. Embora apenas para o chefe. Santana Lopes durou ainda menos e também sabemos, nós e os jornalistas (que andavam num virote surreal e nunca visto), muito bem porquê. Passos durou mais de quatro anos e sabemos por que razão foi travado. Foi uma razão de tal maneira ponderosa que, pela primeira vez, os partidos arqui-inimigos do PS sentiram a obrigação de mudar de agulha e transpor a enorme barreira que separava o fácil e confortável protesto da participação na responsabilidade da governação. Um milagre só possível graças ao massacre sobre os portugueses de quatro anos de directório alemão pelas mãos de Passos, Gaspar, Albuquerque e restante pandilha de submissos.

A direita anda amargurada e não tarda começa com os golpes sujos. Já está a ensaiar com o Fernando Medina. Não estou a vê-los na rua.


Texto original aqui

Um pensamento sobre “Olhe, rico, vá o menino manifestar-se para a rua. Mas olhe que já tem os jornais

  1. Que me lembre, aquando da “manifestação dos 100.000” professores (nem sabia que havia tantos…) o Nogueira era endeusado por uns, enquanto outros guardavam um suspeito silêncio sobre o homem e o sindicalista!

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