Regling, grande maluco, vais levar um carolo

(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 01/07/2016)

nicolau

Depois de Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças, ter dito que estava mais preocupado com Portugal do que com a situação do Deutsche Bank, eis que surge outro alemão, Klaus Regling, diretor-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), a entidade responsável pelos resgates aos países que integram a União Europeia, a dizer o mesmo.

Só pode ser coincidência, claro: dois alemães a dizer o mesmo, coisa estranha. As declarações, feitas por Regling numa conferência citada pela France Press, acabaram por ser divulgadas no Twitter pelo próprio MEE, desta forma singela: “O único país que me preocupa é Portugal, independentemente do Brexit, porque o governo [português] está a recuar relativamente às reformas”.

Ora muito bem, Regling. Se tu achas que a situação portuguesa é mais perigosa para a instabilidade dos mercados e da economia europeia e mundial que o Brexit, estás seguramente a precisar de óculos ou então de voltar à universidade, porque deves ter feito o curso cortado à cadeira de Macroeconomia. É que um país que vale menos de 2% do total da economia europeia incomoda seguramente menos a União que a saída do clube do Reino Unido, a terceira maior economia da UE. É óbvio, não é, Regling?

Mas digo-te mais. Quando fazes uma afirmação desta gravidade, através de um tweet, como se fosses um miúdo traquina, devias explicar tintim por tintim em que dados é que te baseias. Eu sei que te incomoda o aumento do salário mínimo (que esteve congelado durante quatro anos – mas isso não interessa nada, pois não?) que passou de 485 euros para 505 no final de 2015, para 530 este ano e que deve chegar aos 600 euros durante a legislatura. É isso que vai provocar um terramoto na economia portuguesa?

Eu sei que queres ainda mais reformas no mercado laboral. Mas se o despedimento coletivo e individual já foi tão flexibilizado, o que queres mais? Que se possa fazer um Simplex com o nome “Despeça na Hora?” É claro que também queres acabar com a contratação coletiva. Pois… também se pode acabar com os sindicatos, com a lei da greve e com a generalidade dos direitos dos trabalhadores. Se voltarmos ao período antes da Revolução Industrial, o nosso mercado laboral atingirá, enfim, a flexibilidade que tu e mais uns quantos como tu acham que devia existir em países como Portugal. Mas não sei se te conseguimos agradar.

Aqui para nós, Regling, tu não fazes a mínima ideia do que estás a dizer, pois não? Ouviste o Schäuble e foste na onda. Não percebeste que o Schäuble estava a desviar as atenções do buraco negro que é o Deutsche Bank, considerado pelo FMI o maior risco para a estabilidade mundial do sistema financeiro e cuja filial norte-americana ainda esta semana chumbou nos testes de stress efetuados pela Reserva Federal dos EUA.

Regling, tu passaste a tua carreira profissional basicamente a pular entre o FMI e o Ministério das Finanças alemão. Estás onde estás porque és alemão, percebes, Regling? E é por isso que tens de repetir o que diz o chefe.

Apesar das parvoíces que dizes, pelo que vejo nas fotos não pareces mau rapaz (se bem que as fotos não garantam nada). Em qualquer caso, Regling, chega cá a cabeça. Mereces um bom carolo pelo disparate que disseste – e que no cargo em que estás não podes nem deves dizer.

12 pensamentos sobre “Regling, grande maluco, vais levar um carolo

  1. Estamos nós entregues nas mãos destes convencidos que nunca fizer nada na vida e por isso não sabem o que é passar dificuldades para, pelo menos, não passar fome.
    Parabéns pelos vossos comentários sábios.

  2. Este Regling (talvez primo do Bowling) teve o condão de ressuscitar (?) o senhor Belmiro Azevedo que já manifestou a opinião de que a economia tem que ser baseada em baixos salários.

  3. Em 1 de julho de 2016 23:12, “A Estátua de Sal” escreveu:

    > estatuadesal posted: “(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 01/07/2016) > Depois de Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças, ter dito que > estava mais preocupado com Portugal do que com a situação do Deutsche Bank, > eis que surge outro alemão, Klaus Regling, diretor-geral” >

  4. Nicolau!
    Segundo Ingebor Bachmann cito: -“A história ensina , mas não tem alunos”- o que quer dizer que eles não aprenderam nada com a sua própria história .
    Deutsch Bank é a Hidra pode emergir a qualquer momento e para qualquer lado ,mas à boa maneira napoliónica há que atacar para se defender .
    É bom que tenhamos bom jornalismo . Força e obrigada

  5. caro Nicolau, com essa conversa nem a mim convencia. Eu que vivi e convivi com alemães e ingleses diariamente no mesmo espaço durante sete meses, apercebi-me de que apenas respeitam quem lhes responda à letra e demonstre que faz melhor que eles, portanto se eles fazem bullying sobre nós, só respondendo à punhada é que somos capaz de os meter na ordem, com conversa, não se chega lá. 😀 😀

  6. Caríssimo Nicolau, e as marionetes não têm direito à vida!
    Sabes quanto cai na conta desta, todos os meses?
    Lá disse um dia o poeta:

    Parla a pega e papagaio,
    Os elefantes dão urros.
    Geme a vaca, berra o toiro,
    ZURRAR É PRÓPRIO DOS BURROS!

    Mas diz o Povo, lá do alto da sua sabedoria que:
    “Os cães ladram, e a caravana passa”
    Que, adaptado ao Portugal de hoje (onde, a cada dia que passa, os correligionários das duas ilustres germânicas marionetes citadas – os nacionais-pafistas – vão perdendo o pio) poderíamos escrever:
    “Os cães ladram, mas a geringonça funciona, …e legislativas, só lá para 2019”

    Força, Nicolau, e um pouco mais de vinagre na tinta onde molhas a caneta, porque eles, esses miseráveis de espírito (que não de pilim), germânicos e portugas, merecem!

    Abraço

  7. Caríssimo Nicolau, e as marionetes não têm direito à vida!
    Sabes quanto cai na conta desta, todos os meses?
    Lá disse um dia o poeta:

    Parla a pega o papagaio,
    Os elefantes são urros.
    Geme a vaca, berra o toiro,
    ZURRAR É PRÓPRIO DOS BURROS!

    Mas diz o Povo, lá do alto da sua sabedoria que:
    “Os cães ladram, e a caravana passa”
    Que, adaptado ao Portugal de hoje (onde, a cada dia que passa, os correligionários das duas ilustres germânicas marionetes citadas vão perdendo o pio) poderíamos escrever:
    “Os cães ladram, mas a geringonça funciona, r legislativas, só lá para 2019”

    Força, Nicolau, e um pouco mais de vinagre na tinta onde molhas a caneta, porque eles, esses miseráveis de espírito (que não de pilim) merecem!

    Abraço

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.