Resistir é sempre combater

(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 20/05/2016)

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  Baptista Bastos

O cerco a Portugal possui idênticas características às que se organizaram em torno da Grécia. E Portugal é aqui tratado como um menino que se portou mal na classe e, por isso, tem de sofrer um castigo exemplar.

(À memória do grande português Vasco de Magalhães Vilhena, cujo centenário agora ocorre)


Partido Popular europeu não gosta do Governo português. Preferia, de longe, Passos Coelho e os seus. O Partido Popular é um almofariz de interesses e de ideologias e conglomera gente de direita, de extrema-direita, alguns neonazis e comporta uma base revanchista várias vezes revelada por alguma imprensa internacional.

Essa imprensa, e alguma de marca portuguesa, é fértil em publicar boatos, asserções cuja origem não indica. Nas últimas semanas, insiste em que Portugal vai ser punido por não cumprir as regras. É isto, é aquilo, é aqueloutro: uma ciranda de indícios, cujos objectivos notórios pretendem criar um clima de tensão e angústia entre os portugueses.

Ante esta atmosfera, surgem, caridosos e “mui” patriotas, os inesquecíveis Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho que vão pedir à “União” Europeia que não castigue os relapsos. A situação seria caricata não se dera o caso de possuir os contornos do indecoro. O cerco a Portugal possui idênticas características às que se organizaram em torno da Grécia. E Portugal é aqui tratado como um menino que se portou mal na classe e, por isso, tem de sofrer um castigo exemplar. Albuquerque e Coelho, vertendo lágrimas de crocodilo, surgem para aliviar a desgraça, embora António Costa e membros do seu Governo asseverem, constantemente, não haver motivos de alarme, ainda que não ocultem que a tenaz de quem manda na Europa seja cada vez mais opressiva.

Como já temos dito, e estamos muito bem acompanhados, porque as ideias de um homem não lhe pertencem em sistema de exclusividade, a União Europeia é uma estrutura mais económica do que solidariamente política, foi traída nos seus princípios generosamente humanistas para se transformar num condomínio de negócios de que a Alemanha é a grande beneficiária. Basta assistir, pelas televisões, ao enxovalho de se ver dirigentes de nações europeias, de médio ou grande quilate, como serventuários de Angela Merkel, que não é outra coisa do que factótum de grandes e ocultos interesses.

As coisas não podem continuar como estão. E se o alvo desses interesses cavilosos é, neste momento e depois da humilhação por que passa a Grécia, o Governo português, temos de nos acautelar como povo e como nação. Sei muito bem os perigos que correm cronistas que se não intimidam. Mas nem todos os jornais pertencem ao “dinheiro sujo” de Angola (como disse João Soares), nem obedecem às instruções de um advogado esconso, feio e velhaco que por aí se move, em sórdidas malfeitorias.

“Entre os portugueses, traidores houve às vezes”, ensinou o Poeta. Mas entre os portugueses sempre houve, há e haverá gente honrada, que sabe muito bem que resistir é combater. Conheço alguns, de uma nobre estirpe, que pertencem ao património moral da nação.

 

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