O verniz a estalar

(Estátua de Sal, 11/10/2015)

José Gomes Ferreira

José Gomes Ferreira

Clara Ferreira Alves

Clara Ferreira Alves

O espaço do comentário político em Portugal, se até aqui já era enviesado à direita, agora passou a ser um passeio de esquizofrénicos, uma procissão de fobias e um teatro de exorcismos.

TAKE I
Num espaço de comentário, frente a frente com Pedro Adão e Silva, o inefável José Gomes Ferreira veio mais uma vez introduzir no debate a ameaça do Apocalipse caso o PS faça um governo apoiado à esquerda. Ele são os mercados, ele são as taxas de juro, ele é Bruxelas, ele são 50 000 milhões para em 2016 se poder reciclar a dívida pública. Eu estranho este argumento: então a sumidade não passou a campanha eleitoral a subscrever a tese da PAF de que “o pior já passou”, o desemprego está a baixar, o crescimento está ao virar da esquina e que a austeridade já acabou? Parece que, afinal, só esteve tudo bem até às eleições, agora já está tudo periclitante e a piorar. Mas, o mais espantoso é José Gomes Ferreira concluir que não acredita, ainda assim, na hipótese desse governo do PS chegar a ver a luz do dia pois Cavaco – que ele diz que conhece muito bem -, nunca lhe dará posse! Extraordinário. Então se tal governo for apoiado pela maioria do Parlamento, Cavaco não dará posse ao governo?! Com que argumentos? A Direita propõe um golpe de estado contra a Constituição?! Estalou o verniz: para esta gente a democracia só vale enquanto consegue enganar e manipular o povo com as suas manobras. Quando tal não sucede torna-se golpista e totalitária. Nada que a História já não nos tivesse ensinado.

TAKE II
Mas o melhor foi a prestação de Clara Ferreira Alves no “Eixo do Mal”. Aí, a figura, falou de um acordo à esquerda como se estivéssemos em pleno “verão quente”. Ele são os mercados, ele são as taxas de juro – até aqui, seguindo a cartilha de Gomes Ferreira -, e concluiu com a ameaça de tanques na rua para colocar na ordem um governo “radical” como o que seria um governo chefiado por António Costa com o apoio do PCP e BE.
Eu, até tinha alguma consideração pela senhora. Mas depois desta declaração, não posso deixar de dizer que ela só se deve considerar de “esquerda” por mero snobismo e que critica Passos porque o considera um inculto suburbano de Massamá, que não leu o “Grande Gatsby”  e que julga que Cézanne foi poeta e Cesariny foi pintor. Clara sente o seu perfume de burguesa elitista e pseudoculta ameaçado pelos odores a óleo queimado dos proletários a tomar o palácio de S. Bento e o couraçado de Potemkim, ancorado no Tejo, pronto a disparar. Todos os seus terrores, tiques e toques de classe, durante décadas ocultos sob a capa de um criticismo sempre promovido pelos grandes da comunicação social, vieram ao de cima e deve ter reforçado a dose de Xanax. E para coroar a cereja no topo do bolo, declarou-se votante do PS mas que irá apoiar Marcelo para as Presidenciais. Parece que foi este o recado que Balsemão lhe mandou dar a António Costa.

CONCLUSÃO
Estes dois episódios revelam e impõem-nos algumas reflexões e legitimam-nos algumas conclusões óbvias:
1) Não sei qual vai ser a decisão do PS sobre o apoio que dará, ou não dará, a um anunciado governo da PAF.
2) Mas sei que, qualquer que seja a decisão que tome, do ponto de vista democrático e constitucional, é tão legítimo um governo da PAF apoiado pelo PS, mesmo que seja pela abstenção, como um governo do PS apoiado pelo PCP e BE.
3) A direita quer fazer valer a tese de que há portugueses de primeira e portugueses de segunda, votos de primeira e votos de segunda, sendo estes últimos os que foram para o PCP e para o  BE.
4) Durante anos, os partidos à esquerda foram sempre acusados de se recusarem a fazer parte das soluções governativas, limitando-se a ser partidos de protesto e de institucionalização da conflitualidade social. Pois bem, quando eles se propõem sair do “ghetto” e a pulverizar em definitivo o famigerado “arco da governabilidade”, a direita agita fantasmas, semeia terrores e o verniz estala por todos os lados: de democratas só tem a epiderme e a sudação cutânea.
5) Depois, alguns dos argumentos que estes arautos, Claras, Ferreiras, e companhia usam é, no mínimo ridículo: que o PCP nunca fez parte de nenhum governo; que o BE é instável; que o partido mais votado sempre governou em Portugal com o apoio colaborante do maior partido da oposição. Ou seja, PS versus PSD, ou vice-versa, sempre dançaram o tango do poder.
6) A minha pergunta é a seguinte: mas há verdades históricas imutáveis? Mas há realidades cristalizadas a nível da dinâmica social?
7) Para esta gente, cristalizada no tempo, que aceita todos os opróbrios que tem sido impostos ao país pelos mercados da finança e pelos poderes de Bruxelas, desde que o financiamento para os seus privilégios e mordomias continue a fluir, o terror é a esquerda, mesmo a que é “bem-comportada” e não coloca em causa esses ditames. O perigo é o PCP, mesmo mais este que o BE. Como se tivessem parado no tempo.
8) Como se o Muro de Berlim não tivesse caído em 1989, como se a URSS não seguisse também hoje, e com mestria, as regras da economia capitalista, como se a China não tivesse entrado no mesmo jogo, até de forma impiedosa para as suas populações, permitindo que o Ocidente se abasteça de produtos chineses a baixo preço, e colmatando assim a baixa dos salários reais que tem vindo a ocorrer de forma significativa na Europa e nos EUA.
Como se Cuba, não tivesse já em funcionamento no seu território uma embaixada dos EUA.
9) Esta gente, à falta de melhores argumentos, recua décadas e com espalhafato e desfaçatez, invoca argumentos da Guerra Fria, da qual parece que tem saudades.
10) Assim sendo, e para que não abusem dos antidepressivos, eu recomendo à D. Clara e ao Sr. Ferreira que abasteçam a mesa de cabeceira com livros variados do John le Carré, para lerem nas noites de insónia que devem estar a ter. Se não for mais barato é pelo menos mais saudável, e eu, como sou um democrata – coisa que eu começo a duvidar que eles sejam -, não quero que lhes falte nada.

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54 pensamentos sobre “O verniz a estalar

  1. Concordo em absoluto. Estes são os profetas da desgraça, porque de algum modo lhes interessa. Que procurem outro emprego uma vez que já não merecem a confiança da grande maioria do Povo Português. Fora com estes comentadores sem vergonha e sem carater que venderam a alma ao diabo.

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  2. Assim, de repente, lembro-me que o Álvaro Cunhal chegou a ser ministro no primeiro governo pós 25 de abril, salvo o erro. Ministro sem pasta. Sintomático!

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  3. E não resisto em repetir uma novel badalada frase “…isto é tudo muito bonito, mas…”. Que o povo viva dificuldades, que os hospitais abarrotem de gente, que o desemprego nos obrigue a emigrar, que…são questões de somenos. Importante, isso sim, é garantir que tudo fique como dantes.
    Cambada !

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  4. Para a nossa Direita, só há Democracia quando ela dá origem a soluções de Governo sufragadas pelos ‘Mercados’. Têm aprendido muito com as longas reuniões passadas em Bruxelas a fazer ‘water-boarding’ mental a Tsipras… Sou profundamente descrente num acordo à Esquerda, mas quase que o desejo só para chatear…

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    • Sobre o artigo “verniz a estalar, so três comentários muito curtos
      1-A URSS ja desapareceu ha mais de 20 anos.
      2- A Clarinha sempre que a vejo farto-me de rir; o que ela estica o gargalo para disfarçar os 60 anitos que ja la vão
      3-O Zezinho, pela sua baixa estatura cultural, moral e cívica, anda em bicos de pés a ver se alguém dá por ele. Veja-se : alguém se lembraria de por o titulo que ele pôs num livro? O MEU GOVERNO. Um ego maior que o do hominídeo Zé Castelo Branco

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      • Esse comentário 2 é absolutamente desnecessário, bacoco e com laivos de um machismo já fora de moda. Não teria mais nada a dizer sobre as afirmações de CFA?

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  5. O apoio de Clara Ferreira Alves ao fala-barato Marcelo, que por sua vez apoiou o pessoal de moralidade e comportamento político muito duvidosos de uma direita reaccionária, obtusa e retrograda da coligação para mim é surpreendente e situam-na numa classe de pessoas por quem não tenho consideração e respeito. Gostava de averiguar porque razão não lhe servem os insuspeitos e valiosos apoio de Eanes, Sampaio e Soares a Sampaio da Nóvoa, que considero ser o candidato sem mácula e de alto valor presidencial, e vem apoiar uma pessoa sem currículo qualitativo para assumir o lugar da Presidência e que é conhecido do grande público apenas pela “popularucha” via televisiva, ainda por cima por via de comentários e análises políticas superficiais, tendenciosas e sem qualquer respeito pela objectiva realidade das situações. Clara Ferreira Alves já está a marcar o seu lugar em tempo oportuno e não descarto a possibilidade, já agora, de vir a apoiar qualquer dia o mentiroso e vigarista P.Coelho.

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    • Só as minorias conhecem Cesariny como pintor. É muito mais conhecido como poeta. Eu até sabia que também foi pintor. Mas já agora, com tanto preciosismo, veja lá se também descobre que Cézanne foi poeta…:)

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  6. Sobre os dez pontos estou plenamente convencido que as próximas horas e dias ( eles) comentadores ficarão com as orelhas a arder, gostei. estes comentadores só falam do que a redacão lhes manda dizer e de jornalistas têm pouco bem como de comentadores.

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  7. São preguiçosos mentais, que acham que basta desejar muito que as coisas voltam a 2007, onde podem voltar a fazer os seus discursos sobre os males do país e a soar muito inteligentes e preocupados. Apoiar de facto uma mudança, tá quieto, que ainda lhes atinge a carteira.

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  8. O acordo à Esquerda teria o mérito de ser tentativa de outra solução e quem sabe se não teria hipóteses de conseguir algo. Seria pelo menos um alerte para o resto da Europa, que bem precisa de dar uma curva naquele sentido. De governo mandados pelos “mercados”, estamos fartos não acham ?

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  9. Quando a democracia não funciona, quando o meu voto é considerado um voto inútil, há sempre a tentação de voltarmos ao passado e a única solução passa a ser luta na clandestinidade, não nos empurrem para lá, não nos joguem para fora de uma democracia na qual, até agora, temos acreditado. Puseram velhos contra novos, funcionários públicos contra privados, foram radicais nas medidas de cortes de salários aos trabalhadores para beneficiar os banqueiros que nos levaram à ruína, bipolarizaram o país com o seu radicalismo entre uma direita extremista e uma esquerda que, agora finalmente acordou e se prepara para apresentar uma solução governativa. Será muito mas muito grave que se deite a Constituição no lixo e se empurre o país para um conflito que não interessa a ninguém. O radicalismo só trás radicalismo e parece que é o que andam a semear. Espero que não. Tenham juízo!

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  10. Eu votei no PS porque quero mudar de Governo. A última coisa que desejo é ver o PS render-se à Direita. O PS é a ALTERNATIVA. Ninguém é alternativa quando se rende.
    Nunca houve em Portugal um governo do PS com o apoio do PCP e do BE ? pois então está na altura de haver.
    Recomendo a todos a canção do Pedro Abrunhosa: “Vamos fazer o que ainda não foi feito” !

    PS: a Clara Ferreira Alves há muito que vem demonstrando que não tem 2 neurônios funcionastes e conectados um ao outro ! O José Gomes Ferreira é uma coisa pior que isso.

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  11. AFINAL QUEM GANHOU AS ELEIÇÕES ?
    A cirúrgica selecção de notícias e os comentários na comunicação social sobre os resultados eleitorais, são maioritariamente conservadores da situação actual, ignorando a inequívoca vontade de mudança expressa nas urnas.
    Afinal quem ganhou nas eleições legislativas ?
    O PAN ganhou um deputado
    A CDU ganhou um deputado
    O BE ganhou onze deputados
    O PS ganhou doze deputados
    A PàF (PSD-CDS) perdeu vinte e cinco deputados
    A coligação PSD-CDS continua a ser a força política mais votada mas PERDEU, perdeu nomeadamente a maioria de deputados na Assembleia da República, que lhes proporcionou a oportunidade de fazer tantas malfeitorias aos portugueses.
    Apesar do eficiente profissionalismo da sua campanha eleitoral, especialmente na comunicação social, a coligação de direita perdeu seiscentos mil votos!
    Os portugueses reprovaram claramente a política do Governo PSD-CDS e depositaram nos partidos de esquerda as suas esperanças num futuro melhor.
    Porque se distorce esta realidade e se insiste na velha máxima salazarista de que o povo não sabe bem o que quer, nem o que é melhor para o seu futuro?
    Porque se teme dar uma oportunidade às esquerdas de governar o país? Será que o PS ganha algo deixando o BE e o PCP a fazer apenas oposição, recusando partilhar responsabilidades de governação com os partidos à sua esquerda?
    Depois de uma campanha marcada pelo combate à política de direita, como poderia o PS viabilizar um governo PSD-CDS?
    A direita já teve muitas oportunidades de governar o país … com os resultados que todos os portugueses bem conhecem!
    A concertação entre os partidos de esquerda não será fácil e exigirá negociações aturadas para chegarem a compromissos sólidos sobre o muito que defendem em comum, aplanando as diferenças que os tem separado.
    Haverá riscos de estabilidade governamental, naturalmente, mas não serão muito maiores os riscos para os portugueses com a continuação do governo de direita, agora também com estabilidade muito duvidosa?
    Mesmo em termos partidários, se o PS apoiar o governo da direita, nas próximas eleições corre sério risco de ser ultrapassado pelo Bloco de Esquerda!
    Ao apostar nesta oportunidade de liderar um governo de esquerda, António Costa poderá salvar o Partido Socialista do desaparecimento, que tem acontecido aos socialistas noutros países europeus.
    Defensor Moura

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  12. Cara Estátua de Sal;
    Face à nova possibilidade de haver, de facto e verdade, um governo totalmente de esquerda os sonsos pequenino-burguesões camuflados sob o palavreado declamatório do esquerdismo, já não resistem à camuflagem com que se protegiam e rasgam as vestes habituais para envergarem a pele de sua própria natureza.
    A clarinha é a mais evidente recém-notável mas, como aqui tenho referido, pode juntar-lhes todos os outros dissimulados do eixo-do-mal e governo-sombra, assim como o pp, o vpv, o mst e tantos + – iguais que peroram missas de esquerda nas TVs com mas e mais mas e dezenas de se, se, se, se.
    Podem ser muito subtis na dissimulação do que verdadeiramente são ou se transformaram por necessidade ou felicidade que o oportunismo lhes proporcionou, contudo, na hora definitiva a voz do dono fala sempre mais alto.

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  13. É legítimo, democrático e constitucional que a coligação governe?

    i)A PaF ganhou as eleições.
    Mentira. A PaF, coligação de direita radical que se opunha política e eleitoralmente ao PS, à CDU e ao BE, teve menos votos que todos os outros que combateu na campanha eleitoral;

    ii)A maioria dos portugueses deu apoio à PaF e prefere a continuação deste Governo e destas políticas
    Mentira. Só votaram na PaF 22% dos portugueses inscritos para votar

    iii) as eleições foram livres, democráticas e justas
    Mentira. Que justeza e democracia existe quando uma das partes, em detrimento de todas as outras:
    • tem acesso ilimitado a todos os canais de televisão, jornais, etc;
    • dispõem dos comentadores e quejandos dos OCS, que se portam como putas para todo o serviço dizendo o que lhes dizem para dizer;
    • se serve do aparelho de estado e dos seus lugares no governo para tomarem medidas obviamente eleitoralistas e manipularem dados da situação económica do país;
    • tem as instituições internacionais, designadamente UE, a mandarem recados e a intervirem descaradamente na politica interna a favor dos seus desígnios;
    • dispõem de um presidente da república já meio demente, que é um mero serventuário do PPD/CDS, emporcalhando o cargo que ocupa .

    Mesmo com todo este arsenal, apenas 22% dos portugueses que se podiam expressar eleitoralmente, lhes deram o voto. Se tivermos em conta o analfabetismo politico, o desinteresse típico do tuga, a predisposição para não exercer os seus direitos e deveres de cidadania, que o principal partido da oposição não inspira confiança, os números eleitorais compreendem-se muito bem.

    Afinal foi a comunicação social quem ganhou as eleições e persistem agora em determinar quem vai governar o país. Que javardice!

    O fenómeno BE/Catarina Martins

    Não podemos ignorar que interessava à direita que o BE tivesse esta retumbante vitória. Isto sem provocações e sem menosprezo das grandes qualidades de comunicação reveladas pelas gentes do Bloco.

    A verdade é que quanto mais votos tivesse o BE menos teria a CDU (e o PS).

    É claro para todos que os votos entregues ao BE apenas são uteis e importantes no Parlamento, o que já não é pouco, diga-se.

    Mas o BE não tem implantação real nas massas. É um partido de elites e de personalidades. Tem uma escassa influência sindical (nos sindicatos operários e de serviços) quando comparado com o PCP.
    Não tem autarquias. Não está nas fábricas, nas oficinas, nas colectividades. Ora isto faz toda a diferença nas lutas e nas acções de massas que decerto aí vêm.

    Daí que reafirme: para a direita e para o capital, é preferível os votos estarem no BE do que no PCP. É óbvio.

    E só assim se compreende toda a dedicação, elogios, apoio e tempo de antena que o BE/Catarina Martins/irmãs Mortágua dispuseram. E claro, tudo isto foi aceite conscientemente não se podendo criticar o BE dessa aceitação.

    Mas que não se iluda o Bloco: todos estes votos são flutuantes. Já aconteceu o mesmo em anteriores eleições e posteriormente o BE caiu de novo para metade dos deputados.

    A derrota do PS

    O PS foi o verdadeiro perdedor destas eleições legislativas de 2015. Os resultados obtidos vão ter um enorme impacto no interior do PS e na situação do país e dos trabalhadores.

    Ao PS está colocado com mais dramatismo que nunca o velho dilema: ou segue a tradição de trair a esquerda, trair a esperança legítima dos portugueses que desejam viver com dignidade, ou, finalmente, procura entendimentos à esquerda e adopta um programa de governo compatível com esses entendimentos.

    Não se sabe se por cobardia ou se para salvar a pele, a verdade é que logo na noite eleitoral António Costa quis entregar-se nas mãos daqueles que nos chupam até ao tutano e que o mesmo António Costa horas antes jurava que nunca apoiaria nem viabilizaria. Imagina-se os telefonemas oriundos do lado de lá da fronteira, e do lado de cá, que foram recebidos nos andares cimeiros do quartel-general da candidatura do PS…

    Para adoçar a entrega, invoca-se o costume: a governabilidade, a estabilidade, a responsabilidade, etc e tal.

    Mas mesmo assim, não é garantido que Costa tenha salvado a pele.

    O sector direitista do PS vai querer sangue.

    E já estão a demonstrá-lo: para já, conseguiram retirar o apoio do PS a um candidato à presidência da república de que sabem ter simpatias com a esquerda e apoiar uma candidata sem perfil e sem hipóteses de congregar apoios das outras formações da esquerda.

    Isto é, preferem oferecer a presidência à direita destronando o candidato António Sampaio da Nóvoa. (a fórmula “não apoiar ninguém à primeira volta” é uma vigarice politica, porque Maria de Belém, estando dentro do partido, naturalmente beneficiará automaticamente desses apoios)

    A fase seguinte é elegerem outro secretário-geral se este não servir os seus intentos ( Álvaro Beleza e outros já o disseram), que são: alcançarem um presidente da república da direita, um governo do bloco central com políticas de direita e uma maioria parlamentar do grande centrão.

    Ou seja, a mais vil e completa traição aos portugueses que vivem dos rendimentos do trabalho e das pensões, muitos deles votantes do PS (que se deviam organizar e não permitir estes desmandos a esta gente).

    Tudo isto vai ainda ser agravado tendo em conta as previsões de fraco crescimento económico que se vai verificar na Europa e em Portugal, com todas as consequências sociais e politicas que daí advém.

    É neste quadro complexo que se vai desenvolver a luta dos próximos tempos.

    O papel do PCP

    O PCP tem estado sempre presente na direcção dessas lutas, mas a conversão dessa postura não se tem traduzido no aumento significativo da sua influência parlamentar.

    Talvez também o PCP deva passar por algumas mudanças sempre difíceis e discutir a sério a sua organização interna, a sua liderança, os seus métodos de actuação, a formação dos seus quadros dirigentes, os seus paradigmas, sendo que o mais pernicioso é actuar-se como se o Partido fosse um fim e não um meio.

    Tudo em causa menos a sua ideologia marxista-leninista. É isso que lhe dá autenticidade e confiabilidade. É isso que o torna um partido ainda não contaminado. Mas é preciso agir.

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  14. Mesmo que não se goste, o exemplo da Grecia ajuda para quem gosta de exemplos reais. Pode e deve ser ensaidad todas as maiorias que se queira, mas tenhamos que reconhecer , que só foram explicitas quando perderam as eleições; nunca foram assumidas pelos demagogos, perante os eleitores, com lisura, antes e a tempo de cada um fazer um juizo sério do que lhe propunham. Mas como novidade boa, gosto de ver uma facção grande e dinossaurica do eleitorado finalmente achar que também deve contribuir para a governação. Porque quando o socrates arruinou o país e foi preciso pedir dinheiro, os tremendistas puseram-se imediatamente de fora; nem com a troika quiseram falar; felizmente que agora emendaram a mão e esperemos, que se forem governo assumam que os lirismos sovieticos acabaram, e que temos mesmo que falar com os nossos credores, com a UE e com o FMI e BCE.

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  15. Efectivamente, para estatua de sal não falta nada… Deixo só uma pequena achega:
    Se efectivamente não é para por a governar o partido ou coligação mais votada, porque é que em 2009, quando o PS ganhou com minoria, não se convidou antes o PSD a governar coligado com o CDS/PP? Sempre teria mais deputados que o PS e o resto seria uma questão de acordos pontuais.
    Mas não, só veem as coisas quando é para o lado da esquerda, não veem quando é para a direita.

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    • Em 2009, o PS teve 97 deputados e a soma dos deputados do PSD + CDS foi de 102. Como deve saber a maioria absoluta é atingida com 116 deputados. Logo, nunca o PSD + CDS poderiam ser chamados a governar pois não apresentavam uma solução estável de governo. Nesse cenário, chamou-se o partido mais votado. Neste caso é diferente. Havendo a hipótese de uma coligação PS+PCP+BE terão a maioria absoluta, pelo que não faz sentido chamar para formar governo o partido mais votado porque não passará o seu programa no parlamento. Não é a Estátua que enviesa a análise. Parece-me mais que é o amigo que o faz, quando não prepara de forma conveniente os seus raciocínios.

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  16. Meus amigos, no actual estado de coisas não adianta a vontade popular manifestar-se desta ou daquela maneira. Outros valores maiores se levantam, A cor do dinheiro(capital) é que decide sobre o noso futuro. Qualquer governo que seja consituido terá de de governar à imagem e sob as orientações do grande capital. Ora, a quem menos custa governar sob estas directrizes é aos governos de direita, nesta caso ao PàF. Se o PS procurar outra alternativa, terá, obviamente, todas as forças de bloqueio a impedi-lo, quer internas quer externas, e, a final, terá que se render, como aconteceu na Grécia. É esta a triste realidade a que chegou a Europa. Eu diria mais: para quê eleições? de nada servem.

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  17. DE FACTO CHEGUEI A TER ALGUMA ESPERANÇA DE QUE ESTES DOIS COMENTADORES FOSSEM MAIS ISENTOS. MAS COMO AFIRMOU O OUTRO SÓ HÁ DUAS CLASSES SOCIAIS: EXPLORADOS OU EXPLORADORES, EMBORA COM VÁRIOS NÍVEIS E DIFERENCIAÇÃO DE CONHECIMENTO.

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  18. Eu gostava de ter conseguido sintetizar o texto, objecto destes comentários, e confesso que estava a elaborar um meu sobre esta temática, na medida em que também assisti aos dois epifenómenos destes dois Ferreiras, mas para tanto me não chegou o engenho e a arte, pelo que me resta aqui proclamar: que agradeço ao autor; subscrevo de cruz; e vou tentar tornar viral tão esclarecedor quanto notável análise.
    E para todos estes escribas que nos media vão surgindo em catadupa, como cogumelos reaccionários, marionetas do grande capital que lhes alimenta o estômago – seu avatar – deixo aqui duas oitavazitas que ensaiei aquando da campanha, tendo substituído, depois, o último verso, inspirado no Francisco José Viegas quando perguntado sobre o que faria se um funcionário das finanças lhe pedisse a factura à saída de um café:

    Cessem, de todo o sábio político e burguês,
    Os poderes que com promessas vãs têm alcançado;
    Cale-se de comentadores jornalistas e tê vês
    A fama das grandes vitórias que lhes têm dado;
    Que aqui recantarei o peito ilustre Português
    Que vergou Caetano e Spínola – o alucinado.
    E que cesse tudo dos saudosos do que então ruiu,
    Porque novas e gloriosas portas Abril abriu.

    E Vós, meu Povo humilde, que de tanto explorado,
    No campo na mina na fábrica no escritório
    Na escola na universidade ou desempregado,
    Que vais resistindo aos algozes desse relambório,
    Mesmo que sejas idoso ou estejas emigrado,
    Não queiras dar de novo para esse peditório.
    Dos incomensuráveis logros dos “do arco” sabes Tu
    E, se vacinado estás, diz-lhes [que vão tomar no cu].

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  19. Se a PaF ficar a governar Portugal teremos a continuação do neoliberalismo, que acredita nas liberdades individuais, com eles encavalitados ao Estado, mas tendem a esquecer o papel do Estado como representante de toda a comunidade e como garante do bem comum.

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  20. “Porque quando o socrates arruinou o país e foi preciso pedir dinheiro, os tremendistas puseram-se imediatamente de fora”
    Pois claro cristo das 9 às 6,56; arruinou o país e mais a Grécia, a Irlanda, Chipre e só não arruinou completamente a França, Itália, Espanha e outros porque nesses países a oposição aprovou os respectivos PECIV o que, embora tendo de pedir dinheiro como nós, não tiveram troika porque também não foram seus discípulos ‘além da troika’ como foram e são os actuais agora ditos pafiosos.
    Pois, meu cristo fora da cruz, Sócrates arruinou o país com as faraónicas obras do TGV e Novo Aeroporto que o páf herdou e tem na língua mas, sobretudo, com o Alqueva, as energias renováveis, a fábrica da Embraear em Évora, a nova fábrica da Portucel em Setúbal, a nova refinaria de Sines, o magalhães que o/a (segundo jrs) portas vende envergonhado às escondidas, os milhões investidos a título de formação dados às fábricas de calçado e automóveis sem os quais não se teriam mantido, tudo ‘arruinações’ deixadas pelo Sócrates de que os pafiosos vivem hoje em dia vangloriando-se das exportações.
    Para não falar da iniciada implantação cá da fileira da ‘mobilidade electrica’ com empresas portuguesas a desenvolver projectos inovadores na área e o país prestes a inaugurar uma fábrica de baterias e tudo os pafiosos destruiram e agora o moreirinha tentam ‘reinventar’ como autor. Assim como tentam destruir o investimento em ciência e inovação mas babam-se com as descobertas científicas que os sábios portugueses trazem ao mundo frequentemente.
    Tudo obras faraónicas despesistas que arruinaram o país dando-lhe de comer e fazendo-o sobreviver apesar dos pafiosos.

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  21. Em parte, concordo com o seu post, mas há algo que me incomoda. Baseado numa opinião da Clara Ferreira Alves, já fez um retrato completamente depreceativo da senhora. Considero isso errado. Mesmo dentro da esquerda, pode haver pluralidade de opiniões. Uma pessoa que vota PS não estar de acordo com um acordo com o BE e PCP não deixa de ser de esquerda, não é automaticamente snob, etc. Há muita gente de esquerda que faz estes ataques ao nível pessoal a quem não tem a mesma opinião que a sua e, enquanto pessoa de esquerda, isso me incomoda,

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    • Não foi a posição dela que eu verberei, mas a forma como a defendeu e os argumentos que usou: gastos, engelhados, e ideologicamente datados. Parece que ela parou no tempo, em 1975. É pena, porque a pequena até escreve bem. Mas depois de dizer que Marcelo é que é bom, fiquei esclarecido em definitivo.

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  22. Inacreditável..!! Eu não me choco com a eventual maioria de esquerda mas anti democrática..!! O que me impressiona é que um derrotado que só tinha uma saída digna demitir-se, se torne o centro das atenções..!! Então as vitórias pequenas ?? Ah, foram substituídas por grandes derrotas. Quem dá um vintém pelo COSTA..!!??

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      • Esta sua afirmação é muito discutível. O facto de o sr, o conhecer mais como poeta, não é um facto universal. Também gostaria de saber por que é que o meu comentário, que foi o primeiro e diz exactamente o mesmo que o de Daniel Abrunheiro ainda está à espera de aprovação.

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  23. Eu, não votei PS, porque não tenho memória curta. Sei o que foram os governos PS.
    Achei muita piada o facto de até se saberem os resultados das eleições, o PCP acusava o PS de ser um partido de direita, que pactuava com a política da coligação….no momento em que saíu o veredicto, vieram logo dizer que a esquerda tinha de se unir e formar uma coligação com o PS, para governar.
    Não quero que os meus esforços, destes últimos quatro anos tenham sido em vão.
    Quanto ao BE, achei uma certa graça, o facto de dizerem que mesmo sem saberem qual o programa de governo da PAF, votariam contra. E suponhamos… se esse programa, fosse coincidente com o deles??? votavam contra???, ou seja serão sempre do contra seja,( seja aquilo que for). Portanto acho que, uma coligação com o PS para governar, dá-me vontade de rir…ou chorar já não sei.
    Nota breve: Ninguém falou em mudar o sistema judicial, que é por aí que temos de começar, para ver se acabamos com esta corrupção, e pouca vergonha em que este pobre país está.
    ESTOU TRISTE.

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  24. É verdade. Há muito boa gente neste país a desejar que o tempo pudesse voltar atrás 8 dias, para mudar o voto (ou votar). Muitos (a maioria?) dos que votaram PS. Muitos (a maioria?) que votaram BE pela primeira vez. Muitos que se abstiveram.
    O PS vai sair enfraquecido depois destes episódios, seja qual for a decisão final. Não é possível a coexistência de facções tão distintas no partido.

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  25. O passado do Bloco e PCP no seu passado têm demonstrado irresponsabilidade face à situação do país, acredito que neste momento a sua postura possa ser outra, mas não estou minimamente descansada.

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  26. Bom com tanta dúvida e obstinadas certezas, nem o diabo já escolhe !?… Há pessoas que denotam algum cansaço, longe destes malabarismos ocasionais e que objetivamente, nada são; à esquerda à direita como quiserem, para ano falaremos na mesma coisa, mas o pano de fundo será outro.

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  27. Há 40 e tal anos que andam de mão em mão sem conseguirem uma estabilidade digna e coerente governativa. Deixem-se de ataques uns aos outros. Façam uma por se entenderem sem fazerem o Povo sofrer sempre a votar e sem saberem em QUEM VOTAR…

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