A Síria e os “nossos ativos ocidentais”

(Pino Cabras, Deputado italiano in Observatoriocrisis, 12/12/2024, Trad. da Estátua)

Os líderes ocidentais comentam com alegria o fim da República Árabe Síria, substituída por uma coligação jihadista liderada por Abu Muhammad al-Jawlani, que tem uma longa história de militância terrorista no ISIS e na Al Qaeda.


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É muito interessante ler o desfile de declarações de muitos líderes ocidentais sobre o fim da República Árabe Síria, hoje conquistada e substituída por uma coligação jihadista liderada por Abu Muhammad al-Jawlani, que tem uma longa história de militância no ISIS e na Al Qaeda, e que como primeira medida libertou todos os terroristas do ISIS das prisões sírias.

As declarações dos figurões ocidentais também são interessantes pela uniformidade de estilo e argumentos, todos eles seguindo o mesmo padrão:

  1. Júbilo pelo derrube de Assad, rotulado como “ditador”.
  2. Referência genérica e muito monótona aos riscos associados aos novos líderes devido ao seu passado, quase nunca mencionado explicitamente.
  3. Confiança na boa oportunidade para alcançar bons acordos com os novos líderes.
  4. Alegria beligerante pela derrota estratégica de Putin. (pesquise na Internet declarações de Biden , Scholz , Von Der Leyen , Macron , Metsola , Starmer , Kallas ).
  5. Estes são os mesmos líderes ocidentais que, em certos momentos, fizeram todos os possíveis para nos assustar com o perigo do fundamentalismo terrorista e, hoje, celebram o primeiro triunfo verdadeiramente importante do jihadismo, que se torna um Estado na Síria, e fazem-no em proclamação, como zelosos repetidores das instruções de um esquema predefinido.

Você está surpreendido? Para quem acompanha estes acontecimentos há muitos anos não há surpresas. Em 19 de janeiro de 2016, o jornal The Times of Israel publicou declarações do então ministro da Defesa de Telavive, Moshe Ya’alon , que explicou que o Irão representava uma ameaça maior do que o Estado Islâmico, e que no caso de o regime sírio cair, Israel iria preferir que a Síria ficasse sob o controlo do ISIS em vez do governo iraniano. 

A declaração de Ya’alon soou como uma declaração de guerra ao Irão, uma guerra total em que cada movimento, aberto ou encoberto, era previamente justificado por Telavive. Ya’alon explicou sem floreados o que já sabíamos, mas que milhões de cidadãos ocidentais não sabem porque os jornais não os informam: os hospitais israelitas, no auge da agressão jihadista contra a Síria há dez anos, trataram milicianos jihadistas sírios feridos, e depois enviaram-nos de volta para lutar para enfraquecer ainda mais o Estado sírio.

A intervenção russa na guerra síria conseguiu alterar o equilíbrio, e aqueles que optaram por uma situação diferente queixaram-se com raiva: até as grandes e velhas raposas do imperialismo americano, Zbignew Brzezinski (1928-2017) e John McCain (1936-2018), levantaram as suas vozes alarmadas.

Na verdade, John McCain acusou Moscovo de “destruir os nossos ativos”, isto é, os militantes de grupos terroristas, considerados recursos orgânicos no que diz respeito às estratégias geopolíticas do Império. McCain, em particular, reuniu-se com vários líderes jihadistas em 27 de maio de 2013, depois de cruzar a fronteira entre a Turquia e a Síria, para discutir o envio de armas pesadas e outro tipo de apoio.

É instrutivo reler hoje uma declaração divulgada pelo Wikileaks, datada de dezembro de 2006 e assinada por William Roebuck, então encarregado de negócios da embaixada americana em Damasco, que dizia:

“Pensamos que as fraquezas de Bashar al-Assad residem na forma como ele reage aos problemas iminentes, sejam eles reais ou percebidos, como o conflito entre as reformas económicas, a corrupção, a questão curda e a ameaça ao regime, que representa uma presença crescente de extremistas islâmicos.  A nossa opinião resume a avaliação das vulnerabilidades do regime de Assad e sugere que poderíamos aumentar a probabilidade de potenciais eventos desestabilizadores”. 

Traduzido de forma menos suave: “devemos atiçar o fogo de tudo o que pode queimar Assad, incluindo aqueles assassinos nojentos, que são úteis aos EUA”.

Pouco importa se até há poucos anos o Ocidente declarou a Al Qaeda e os seus líderes, Al Zarqawi e Osama Bin Laden, terroristas e a expressão do mal absoluto. Hoje está claro que o fizeram para pôr em prática as suas técnicas de manipulação, o medo das massas e assim justificar novas guerras e leis de segurança draconianas. 

Quem – tal como eu – apresentou numerosos documentos para demonstrar a estreita relação que sempre existiu entre as organizações terroristas islâmicas e os serviços de inteligência ocidentais e especialmente com as operações sujas dos serviços israelitas, foi acusado de ter “uma mentalidade conspiratória”. Mas hoje as ações dos terroristas jihadistas são um grande motivo de alegria nas redes sociais para toda a elite dos governos ocidentais.

A pimeira lição que emerge dos factos: o que é comummente definido como “terrorismo” é, na maior parte dos casos, uma ferramenta de manipulação de massas, apoiada por entidades estatais e orquestrada com o consentimento dos poucos proprietários de quase todos os meios de comunicação social tradicionais.

Estes meios de comunicação social têm a tarefa de alimentar a histeria e os medos coletivos quando ordenados, destacando algumas vítimas inocentes e ignorando outras. Com esse controlo rígido da narrativa, a operação oposta também é alcançada: transformar os assassinos em rebeldes e em novos estadistas da noite para o dia.

Segunda lição e não menos importante: há uma uniformidade de papagaio nos chefes de governo e nos eurocratas que agora apoiam “o ponto de viragem sírio”, demonstrando que também eles, tal como os quadros da Al Qaeda, não são verdadeiros “líderes”. São simplesmente simples “ativos” de um sofisticado sistema de dominação, são “recursos” inteiramente nas mãos de quem realmente dirige o Império. E, portanto, podem rapidamente alinhar-se com os outros “ativos” das guerras eternas.

Fonte aqui.


 

Um vendaval de sangue varre a Síria

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 10/12/2024, revisão da Estátua)

Milhares juntam-se na praça central de Hama para assistir aos julgamentos sumários e execuções de antigos oficiais do Exército Árabe Sírio pelo HTS.

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Um vendaval de sangue varre todo o país. Por toda a Síria, centos de casos filmados, geolocalizados e confirmados de matanças de cristãos, ex-militares, alauitas, quadros administrativos e académicos, até terríveis crimes cometidos dentro dos hospitais e praticados contra doentes internados. Tais imagens não são, obviamente, mostradas aos europeus manipulados, teledirigidos e anestesiados. Entretanto, como nunca jamais ocorreu no passado, com a impunidade do cobrador de favores que ajuda o terror e lembra o preço ajustado, o regime israelita bombardeia a seu bel-prazer todos os objectivos que estabeleceu para erradicar a Síria do mapa, invade-lhe o território e alega desenvolver uma operação visando alargar o território dos Golãs já ocupado desde 1967 e estabelecer uma região-tampão com desconhecida profundidade em território sírio.

É evidente que há quem se regozije com tudo o que de terrível ali acontece, os mesmos que durante mais de um ano assistiram impávidos à destruição de uma cidade de dois milhões de habitantes e desculparam a campanha contra o Líbano, da qual resultaram milhares de mortes. De facto, há que o reconhecer, este sistema de dois pesos, duas medidas, domina os ocidentais há muitas décadas e não se pense que dele fará contrição, pois este ocidente não é Ocidente, as suas capitais não são Washington, Paris, Berlim ou Londres, mas outra à qual prestam vassalagem.

Hoje, após o tratamento e da entrega de um trabalho que me foi solicitado com urgência, dediquei meia hora à leitura atenta da Constituição da Síria de Assad. Um monumento à tolerância, à inclusão e à partilha do poder entre cristãos, muçulmanos e judeus, um tesouro jurídico de rara beleza e equilíbrio.

Logo no seu articulado geral afirma não aceitar «grupos políticos com base na religião, no sectarismo, na tribo, região, classe, profissão ou discriminação de género, origem, raça ou cor» (4); precisa o lugar e o papel das mulheres («O Estado deve proporcionar às mulheres todas as oportunidades que lhes permitam contribuir efetiva e plenamente para a vida política, económica, social e cultural e deve trabalhar para remover as restrições que impedem seu desenvolvimento e participação na construção da sociedade» (23); respeita a «inviolabilidade da vida privada», assegura a educação universal e gratuita para rapazes e raparigas, assim como a liberdade científica, literária, artística e cultural.

Bastaram 48 horas para eclipsar a ilusão da liberdade e do «25 de Abril sírio» que tantos quiseram ao arrepio da básica inteligência, ou acreditavam realmente que da Irmandade Muçulmana, da Al Qaeda e do ISIS nasceria um regime de freios e contrapesos e a cultura westminsteriana que, mesmo na outrora livre Inglaterra, conhece dias de quase ditadura?


Os “rebeldes” sírios vieram roubar e saquear, realizando até mesmo execuções públicas. A SÍRIA retrocedeu vários séculos em poucas horas. A barbárie afetou pessoas que tinham amplas liberdades civis e políticas. O “pecado” da Síria, é ter petróleo. Ver vídeo abaixo.

Para que o pagode perceba como está a ser “encavado”…!

(Ana Kandsmar, In Facebook, 09-12-2024, revisão Estátua de Sal)

(O título deste artigo foi tomado de “empréstimo” do Facebook do Major General Raúl Cunha, que lá partilhou o texto. 🙂

Estátua de Sal, 10/12/2024)


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Gostaria de pedir aos “colegas” jornalistas para, por obséquio, recuarem um pouco no tempo. Alguns anos apenas e, por uma questão de elementar justiça, retratem-se. Peçam desculpa.

É que não foram terroristas do ISIS, Al-Qaeda ou outros grupos de escumalha humana que, em nome de Deus, o Grande, foram os autores dos muitos atentados em território europeu. Ou melhor, foram, mas não eram e não são terroristas.

E não foram terroristas os responsáveis pelos ataques em Paris, Colónia, Nice, Madrid… Sevilha, Helsínquia, Londres ou Torres Gémeas (aqui então é que não foram mesmo 😆). Foram freedom fighter’s delicodoces como um “mon cherrie” e, até agora, incompreendidos pelo Ocidente.

Pois, acabou-se a incompreensão. Agora já os compreendemos bem. Ocuparam um país inimigo de Israel, logo, nosso inimigo; inimigo dos EUA, logo, nosso inimigo; amigo da Rússia, logo, nosso inimigo; amigo do Irão, logo, nosso inimigo.

Estes freedom fighter’s, que celebramos hoje são os mesmos que combatemos ontem e que, voltaremos a combater amanhã, quando os seus alvos estiverem numa qualquer cidade europeia.

Depois chora-se um bocadinho, mas não muito, porque afinal, até fomos nós que os financiámos, e, de qualquer maneira, que interessam as vidas de uma dezena ou mesmo uma centena de pessoas que levam com uma bomba em Barcelona? Nada, quando comparado com um golpe de estado num país, lá longe, que tinha um regime que nos andava a incomodar.

Aquilo nem era democrático nem nada. O Assad era um ditador, mandava cortar pilinhas a insurgentes e cabeças a terroristas. Pelo menos agora, estes novos heróis só vão cortar as cabeças aos cristãos (os terroristas ficam a salvo, ufa!), e impor medidas bem mais duras, em especial às mulheres… Mas quanto a isso, peanuts! Elas só servem é para estar ao fogão, mesmo. Ah… e abrir as pernas por baixo da burka.

Acabou-se também o direito dos gays enrabarem e serem enrabados, mas que importa isso? Para a sodomia temos o Ocidente. Querem apanhar no cu? Não sejam parvos, têm sempre Paris! Uma enrabadela de frente para o Sena é muito mais romântica que virada para um minarete.

Não estraguem é a festa. Hoje é tempo de celebrarmos os novos democratas que devolvem a Síria à Liberdade e à Soberania! Por liberdade, entenda-se nanominimicroliberdadezinha… Pronto, podeis respirar e soltar uma bufa de vez em quando… É isto… Mas é bom, boas bufas… Até podem ser mais que duas a cada 10 minutos e ter cheiro e tudo! No mais de resto, liberdade com algumas limitações, claro… mas, nada de mais.

Vamos apenas assistir a “talibans” fazendo “talibanices”. Tal como no Afeganistão. Os tais “radicais moderados”… (Ahahahaha ….isso existe? 😂😂) também vinham trazer liberdade aos afegãos, até eram feministas, queriam lutar pelos direitos das mulheres, lembram-se? E os jornalistas, muito contentinhos, do alto da sua tremendaaaaa, enormeeeee e descomunal imbecilidade, lá iam preenchendo os blocos noticiosos com as barbas fofinhas dos heróis talibãs, em euforia pelas ruas esburacadas de Cabul, enquanto traulitavam o sempre tão pacificador Allahu-akbar!

É isto…hoje o Ocidente, retângulo merdoso onde eu me incluo, celebra a queda de um regime secular que, com pulso de ferro, controlava uma horda de selvagens e a ascensão ao “trono” dessa mesma horda de selvagens. Boa, boa! 👏👏

Fonte aqui.