Zé Milhazes – o ingrato

Sófia Smirnov, in Facebook, 18/02/2023)


O José Milhazes, ontem não só atacou a embaixada da Rússia e o PCP pelo seu rancor conhecido a ambos – algo que a mim até me faz alguma confusão como pessoa decente que me considero -, como atacou também o jornalista Bruno de Carvalho. Aliás, eu ontem fiz imediatamente um post sobre o assunto sem ter sequer conhecimento dos verdadeiros factos agora descritos pelo Bruno de Carvalho no seu texto (Ver aqui). Limitei-me a comentar com base no que ouvi e usei o cérebro. Nem era necessária a explicação do Bruno para se perceber a anormalidade do que José Milhazes disse, o que já é normal.

Parte do que sei do José Milhazes é que em Portugal corria o risco de ser pescador ou padre mas que, pelas mãos do PCP, foi para a Rússia (na época URSS) que o sustentou e lhe deu formação como a outros. Não é vergonha ser pescador. Pelo contrário, é uma profissão que merece respeito pelo risco que aqueles homens correm diariamente e pela dureza da profissão. Se calhar até lhe tinha feito falta para aprender a dar valor ao bem que lhe fazem e a não cuspir no prato em que comeu.

José Milhazes é a imagem típica de inúmeros jovens licenciados com a mania que são espertos e só dizem disparates, sem conhecerem minimamente a rudeza da vida porque tudo lhes foi dado de mão beijada. Os jovens são imbecis queques na sua maioria (há exceções e ainda bem). O José Milhazes é um velho que se tornou imbecil e que não tem perfil de queque mas age como eles. Na verdade o Zé tem mais ar de taberna e bordel e é isso até que lhe dá piada e acaba por me fazer rir.

Mas, ó Zé, eu sei porque foi convidado a sair e ficou impedido de pisar solo russo durante 10 anos. Bem, não foi preso, enviado para a Sibéria e torturado como diz que fazem na Rússia à descarada. Se Putin já ouviu as barbaridades que tem dito, garantidamente já se arrependeu de não o ter prendido, até porque, como bem sabe, o podia ter feito, É pá, e nem desapareceu do mapa e não caiu de nenhum prédio como ele diz que o “ditador russo” manda fazer. Diz tantos disparates e tanta boçalidade que me pergunto que tipo de gente o ouve e lhe dá credibilidade: só ignorantes que nunca estiveram na Rússia, claro, que se acham informados – e alguns até exibem diplomas – mas que só têm ar naquelas cabeças. Bem, suspeito que, por esta altura, a proibição de 10 anos de pisar solo russo – e que já devia estar a terminar -, já deve ir em 110 anos. Acho que o Zé Milhazes se deve começar a esquecer de voltar a meter os pés na Rússia, até porque, há muito que o Zé Milhazes passou do imobilizado incorpóreo da Rússia para perdas e já está mais que ultrapassado. No fundo foi tratado como um equipamento que se avariou e foi despachado para a sucata. Isto é que dói ao Milhazes: é que nem a um chazinho envenenado que ele apregoa teve direito. Chiça, um ditador que mata e prende todos os que se lhe opõem! Descrição: 🤣

Para pessoas que se acham inteligentes mas não conhecem a Rússia e papam todos os discursos anormais, pergunto-me se não se questionam como ainda respira o Milhazes e vive sem medo. Uns não se questionam porque efetivamente não são inteligentes e nem pensam (alguns nem deviam votar na minha humilde opinião). Outros pensam – e até sabem que ele só se diz barbaridades -, mas são pagos para as difundirem e defenderem. E, é isto que temos por cá: uma multidão em que uns são mesmo imbecis e outros são pagos para o serem.

Quem não alinha com a manipulação e os esquemas impostos e até usa o cérebro, é logo comuna ou fascista (depende dos dias). Podem também ser nazis até porque, a maioria perdeu a completa noção do que foi e é o nazismo e até já lhe chamam democracia e apoiam a sua divulgação. Também são putinistas só porque não apoiam um regime corrupto, criminoso e com tiques nazis que, ainda por cima, arrastou o seu povo para a desgraça. Portanto, desde há um ano, apoiar a paz, não ser hipócrita e cúmplice de aberrações, ser lúcido e informado – porque o conflito começou oficialmente em 2014, mas começou a ser preparado um ano antes -, é suficiente para se ser perseguido, censurado, ofendido e maltratado.

A mim, na parte que me toca, podem chamar-me o que quiserem. Só ainda não me chamaram santa. Fui censurada um ano, cidadã portuguesa que dei lucro ao meu país desde que nasci, fui chamada de tudo mas não me ofendo. Sou democrata e tenho poder de encaixe – ao contrário de muitos que se dizem democratas mas só em palavras porque, quando são criticados, parecem bebés chorões, tão fraquinhos que são. Vem logo o bullying, o assédio e mais um par de botas. Eu, se fosse igual a eles, estavam tramados; tinha a polícia e os tribunais do país a trabalharem para mim e já nem deviam ter espaço para arquivo. Não há noção nem limite para a imbecilidade desses democratas fofinhos.

Mas há coisas graves nisto. E grave não são as críticas ou os nomes que nos chamam nas redes sociais: quem não tem perfil e estaleca para usar redes sociais ou ser figura pública preserva-se e à sua vida privada, não se expõe. Tudo tem um preço e não podem querer ser famosos e não serem criticados, não podem querer o melhor de tudo. Bem, podem querer, exigir é que não.

O grave é que neste país durante um ano existiu censura desmedida, como já não havia há 49 anos, promoveu-se a desigualdade até entre cidadãos nacionais e refugiados ucranianos, o racismo e a xenofobia. Foi permitido o crescimento de movimentos nazis e banderistas que meteram em risco até a segurança de cidadãos nacionais. Foram divulgadas identidades de cidadãos nacionais ao SBU (Serviços secretos da Ucrânia), e alguns até constam de uma lista negra para os liquidar. A sorte é que a lista já é tão grande que precisavam de mais um exército para fazerem o serviço. E quem divulgou essas identidades? Alguns que até sentam o befe como comentadores nas televisões nacionais, outros que nem sendo portugueses se movem em Portugal e nas Instituições portuguesas como peixinho na água e viajam e voltam livremente para a Ucrânia sem qualquer controlo e monotorização. E nem as atividades que tiveram cá durante 20 anos são investigadas, quanto mais agora em tempo de guerra, já que passaram a ser coitadinhos e heróis, apagando-se e ocultando-se todos os crimes e indecências …

Eu não me calo e não compactuo com anormalidades, podem lá mandar vir o SBU calar-me, até pode vir o Zelensky, sou fiel às minhas convicções e não me vendo. Nunca o fiz.


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A absoluta infâmia

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 17/02/2023)

Miguel Sousa Tavares

Ele, D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, lê um texto aparentemente já escrito antes de ouvir as conclusões da Comissão Independente sobre a pedofilia na Igreja Católica portuguesa. O detalhe é revelador: quaisquer que fossem as conclusões, a Igreja já tinha a resposta preparada, fossem 512 os casos documentados, cinco mil os denunciados (“uma ínfima parte”) ou 25 os ainda não prescritos, ou fossem 10 vezes mais, como devem ter sido ao longo dos anos. E a resposta da Igreja era banal e burocrática: sim, pediam “perdão a todas as vítimas” e não há “lugar na Igreja para os abusadores”. Mas sobre indemnizações às vítimas, nada; sobre as responsabilidades dos bispos encobridores, nada; sobre a entrega à justiça ou, ao menos, o afastamento dos suspeitos ainda no activo, logo se irá ver, há procedimentos próprios da cúria a respeitar. Ou seja, e tudo posto a nu, a hierarquia da nossa Igreja Católica confia em que, assente a poeira mediática e prescritos quase todos os crimes, tudo se resolverá com o esquecimento, uns pais-nossos e umas ave-marias e, ironia das coisas, um gigantesco espaço de confissões na próxima Jornada Mundial da Juventude, em que os pecadores serão os jovens e o perdão será concedido pelos padres. Um festival em que as vítimas prestarão vassalagem aos abusadores, representados por algumas centenas de bispos, alguns dos quais, quem sabe, durante décadas participaram na orgia pedófila ou se dedicaram a encobri-la, “fazendo o que era costume” — ou seja, e segundo o relatório da Comissão, registando as queixas recebidas apenas oralmente, de modo a não deixar rastos.

<span class="creditofoto">ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO</span>
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO

A Igreja, no seu livre-arbítrio, decidiu que o sacerdócio é exclusivo de homens e que estes devem viver em celibato — o que é um contrato contrário à natureza humana. Mas, se decidiu assim, o preço a pagar por essa decisão não pode recair nos filhos dos outros.

“Deixai vir a mim as criancinhas”, a frase de Cristo, não significa dispor dos filhos dos outros para satisfação das frustrações sexuais de homens castrados da sua natureza por imposição de fé. Os padres nunca tiveram filhos, nunca os viram crescer no útero de uma mãe, nunca os viram nascer, nunca os vigiaram nas doenças, nunca os levaram à escola, nunca brincaram com eles, nunca sofreram por eles, nunca sentiram que dariam a vida por eles, nunca perceberam que pode­riam matar por eles.

O que esses predadores de Cristo andaram a fazer aos filhos de outras mulheres e homens ao longo de décadas e séculos, nos seminários, colégios, retiros e paróquias, está muito para além da capacidade de perdão. Eu olho para a cara de muitos destes bispos e percebo que eles não entendem ou não querem entender, apenas querem apagar a memória da ignomínia — o que é diferente de exterminar a raiz do mal. E é por isso que tantos não aceitam e não cumprem as directrizes do Papa Francisco. Preocupa-os mais a dignidade do altar onde ficarão ao lado do Papa, mesmo que custe milhões, do que o remorso dos crimes cometidos contra milhares de crianças confiadas à sua guarda, a quem despojaram cobardemente de toda a dignidade e inocência. Resta-nos um consolo no meio de tanta podridão, tanta infâmia: por uma vez, uma comissão fez o seu trabalho até ao fim, com persistência e coragem, contra o silêncio e a ocultação. O país deve-lhe isso.

2 Num distante 4 de Agosto de 2014, estávamos muitos de nós de férias, um confiante Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, veio anunciar-nos que tinha decidido ser o primeiro entre pares a lançar mão do mecanismo de resolução de um banco privado: o BES. Fazia-o com a bênção do Governo de então, de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque. Sobre a nebulosa de um banco na iminência de falência, ele, garantiu-nos, iria erguer um banco novo e com todas as condições para triunfar no mercado. Para tal iria injectar nele — provisoria­mente, é claro — €4,9 mil milhões de dinheiros públicos, mas apenas para o lançar na praça. Mas, ficássemos nós descansados, tudo isso o Estado recuperaria até ao último tostão. Uns anos e várias asneiras depois, o Novo Banco foi vendido a uns gordos do Texas com má fama por um preço de aflitos e com o Estado, através do Fundo de Resolução, a ficar responsável por aquilo a que chamaram o “capital contingente”: traduzido por miúdos, os créditos duvidosos. E durante vários anos os créditos de cobrança duvidosa ou de valor garantido — palacetes no Estoril, herdades no Alentejo, seguradoras, Comportas, aventuras do presidente do Benfica — foram vendidos ao desbarato, sendo o saldo, necessariamente passivo, cobrado no final de cada ano ao Fundo de Resolução. Uns exercícios passados e sem conseguir, mesmo assim, disfarçar mais os proveitos do negócio, o Novo Banco começou, enfim, a registar lucros e o processo de resolução foi declarado oficialmente extinto, com o saldo final de €3,4 mil milhões de prejuízo para o Estado. Se a isso somarmos os €4,9 mil milhões da injecção inicial, temos que a aventura da resolução custou aos contribuintes um total de €7,3 mil milhões, abatendo os mil milhões que a Lone Star pagou pelo banco — sem contar com os €4 mil milhões deitados a perder no BESA, quando a “garantia irrevogável” de Angola foi rasgada pela imbecilidade da gestão pública do Novo Banco. Nada mau para o tal banco novo que não nos iria custar um tostão! Carlos Costa goza agora uma reforma dourada e dita livros de memórias sobre intrigas palacianas em que ele foi herói e todos os outros foram vilões; Maria Luís Albuquerque trabalha como consultora para um dos antigos credores da troika que é suposto ter enfrentado como ministra das Finanças, e Pedro Passos Coelho consta que é um desejado D. Sebas­tião para reensinar o país a sair da sua zona de conforto, como ele disse então. E se escrevo isto é apenas porque é preciso dizer que nem toda a gente perdeu a memória. Segue-se a TAP.

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3 Por mais que eu leia e por mais que me esforce para entender de economia — e acreditem que me esforço ainda —, a economia permanece para mim um mistério indecifrável. Com a guerra da Ucrânia, os combustíveis fósseis escalaram todos de preço e nós, consumidores, passámos a pagar preços absurdos, que determinaram uma subida em cadeia da inflação. Os Governos intervieram para mitigar o efeito do preço dos combustíveis nos consumidores e o BCE interveio para conter a inflação, subindo as taxas de juro, mesmo correndo o risco de mergulhar a Europa numa recessão. Tudo isto faz sentido para os economistas, o que não faz sentido para os consumidores são os lucros exorbitantes das petrolíferas neste cenário e, mais ainda, a contestação ao imposto sobre “os lucros caídos do céu”. Entre nós, a Galp acaba de anunciar lucros recorde de €841 milhões e todos os bancos também foram atrás. Mas, contestando o imposto sobre os lucros excessivos dos bancos, o professor de Economia João Duque explicava aqui, no último Expresso, que, ao não pagarem nada sobre os depósitos — uma das fontes de lucro, face aos 4% cobrados nos empréstimos —, os bancos estavam a fomentar o consumo, fonte do nosso crescimento económico. Ou seja, desincentivando a poupança e incentivando assim o consumo, os bancos eram, afinal, os grandes beneméritos da nossa economia — pelo que não havia razão para os taxar por lucros extraordinários, antes para os aplaudir. E eu, que aprendi na faculdade, de outros professores de Economia, que a saúde dos paí­ses estava na capacidade de poupança, com a qual os bancos financiavam os investimentos, que faziam a economia crescer! Estamos sempre a aprender!

4 Perante um desvanecido Parlamento Europeu, Zelensky apelou à urgente entrada da Ucrânia na União Europeia com um argumento que, em boa verdade, lhe foi fornecido pelos próprios europeus: que na guerra contra os invasores russos ele está a defender os valores europeus. Mas não é verdade, assim como não é verdade que, como reza a propaganda ocidental, Putin se tenha oposto à adesão da Ucrânia à UE. Putin opôs-se e opõe-se, sim, à adesão da Ucrânia à NATO, pela razão elementar de não gostar de ver mísseis nucleares do inimigo estacionados no seu quintal das traseiras, tal como Kennedy não os quis ver em Cuba, em 62: tão simples quanto isto. Agora, se, como também reza a propaganda ocidental (e aí eu concordo), é do interesse de Putin ver a UE desmembrada por dentro e reduzida à ineficácia, a entrada da Ucrânia servirá às mil maravilhas os seus interesses. Não se trata apenas da questão de a Ucrânia ultrapassar na adesão países que há mais tempo estão em lista de espera — com o caso extremo da Turquia a embaraçar tudo e todos — ou dos custos astronómicos da sua adesão para o orçamento comunitário, ou da revolução que exigiria na PAC. Esses problemas, que já seriam capazes, por si, de paralisar a UE durante anos, deixariam de fora, porém, o principal deles, a médio e longo prazo: é que, ao contrário do que jura Zelensky, os valores da Europa não são os valores da Ucrânia. Na sua matriz, a UE — e a sua antecessora, a CEE — colheu a inspiração política nos valores da democracia ateniense, depois solidificados por décadas de democracias liberais na Europa Ocidental, embora com excepções (Portugal e Espanha). Mas a Ucrânia, como a Rússia, pertence a outra história, outra civilização e outra Europa: a Europa eslava e autocrática. Não é por acaso que os valores tradicionais liberais da UE esbarraram, após o alargamento a leste, com a resistência autocrática de países como a Chéquia, a Polónia ou a Hungria. Assim como não é por acaso que os dossiês mais complicados que estão a ser negociados entre a Ucrânia e a UE, nesta fase de pré-adesão, sejam assuntos que nem sequer estiveram em cima da mesa quando, por exemplo, Portugal e Espanha negociaram: corrupção endémica das instituições do Estado, falta de independência dos tribunais, insuficiente liberdade de imprensa. Em Bruxelas, a Ucrânia é um elefante no meio da sala. Os democratas europeus sabem-no e Putin também. Um pouco mais de conhecimento da História e de percepção geopolítica e um pouco menos de entusiasmos infantis chegariam para o entender.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia


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Carta aberta ao Presidente da República

(Sófia Smirnov, in Facebook, 15/02/2023)

(Publico este texto porque também eu digo que já chega de tanta anormalidade e indecência. E a autora fez bem em o publicar no site da Presidência da República. Para que, Marcelo, não venha mais tarde dizer que desconhecia os crimes de Zelensky, como hipocritamente veio agora dizer que desconhecia os crimes de reiterada pedofilia perpretada no seio da Igreja, pelos padres e bispos a quem ele beija a mão, reverente e obrigado.

Estátua de Sal, 16/02/2023)


Acabei de deixar uma mensagem na página da Presidência da República Portuguesa e aconselho a todos que comungam da minha opinião a fazê-lo, já chega de tanta anormalidade e indecência.

Aqui fica o texto na íntegra:

Exmo. Sr. Presidente da República portuguesa.

Como cidadã portuguesa e face às notícias adiantadas pela comunicação social sobre a atribuição do grande colar da Ordem da Liberdade pelo Sr. Presidente da República de Portugal a Volodymyr Zelensky, venho enviar esta mensagem e agradeço que faça uma comunicação oficial a todos os portugueses sobre este assunto. Portugueses que são manipulados por uma comunicação social parcial e tendenciosa, sem que seja cumprido o previsto na Constituição da República e sem possibilidade do contraditório, como vimos no jornal da noite da SIC e de outros canais nacionais há mais de um ano e sem que exista fiscalização e penalização por parte das entidades competentes.

Há cerca de 3 anos que os portugueses são limitados na sua liberdade mas o último ano foi abusivo na violação dos valores democráticos.

Não tenho qualquer ligação ao PCP nem nunca tive mas, o ano passado assisti a um vergonhoso ataque a um Partido Democrático com assento parlamentar e com mais de 100 anos. Defenderia qualquer outro que tivesse sido atacado vergonhosamente por um grupo de cidadãos de nacionalidade ou naturalidade ucraniana a quem foi permitido tudo, até à exibição de simbologia nazi que atenta contra os valores democráticos não só portugueses como europeus.

Condeno qualquer guerra e qualquer invasão de um país soberano mas também condeno a inexistência de decência e desigualdade de critérios porque, a Ucrânia não foi o primeiro país soberano a ser invadido e nunca se viu tal apoio a um outro qualquer país invadido, e a lista é longa.

Como eu neste momento pensam milhares de portugueses que estão revoltados com a desigualdade e a diferença de critérios impostos pelo Governo Português e pelo Senhor Presidente da República. Não será por acaso que a popularidade do Governo que até foi eleito por uma maioria dos eleitores e a popularidade do Sr. Presidente da República tenham sofrido um revés significativo e visível. O motivo é só um e só não o entende quem não quer entender. A população portuguesa costuma ser paciente e calma mas quando decide que chegou a altura de parar é inevitável e espero que as decisões incautas dos nossos líderes não arrastem o país e a sua população para cenários complicados, como começamos a ver noutros países europeus.

A atribuição de tal honra ao líder de um país em guerra, mesmo que invadido, não me parece coerente nem decente por vários motivos. Em primeiro lugar porque o líder que se pretende condecorar é o responsável por inúmeros crimes de guerra praticados contra soldados russos. Também não considero que Vladimir Putin fosse uma pessoa apta a receber tal honra.

Em segundo lugar, e o mais grave, algo que o Senhor Presidente tem a responsabilidade de saber, Volodymyr Zelensky, antes de qualquer conflito armado não só era o Presidente de um país corrupto, sendo ele próprio referenciado como tal na investigação dos Pandora Paper, como foi o responsável político de inúmeros crimes contra a Humanidade praticados desde 2019 na Ucrânia, entre os quais:

1) A transformação de clínicas de fertilidade num autêntico negócio vergonhoso de bebés on-line, onde os futuros pais podem escolher a cor de olhos e sexo da criança em troca de dezenas de milhares de euros. Suponho que seja óbvio que a Ucrânia não só se tornou na maior fábrica de bebés do Mundo para venda – sim porque se trata de um comércio de crianças -, como é evidente a existência de manipulação genética nestas clínicas de gestação de substituição. Acrescento o facto de ser completamente desconhecido o destino a dar a tais crianças, é desconhecido o seu paradeiros após o pagamento, da mesma forma que é desconhecida a forma como estas crianças são educadas e criadas. Quanto às mulheres pobres que são usadas como gestantes e como máquinas de gestação em troca de 350€ mensais e de apoio medico durante os 9 meses de gestação (era o valor que recebiam em 2020 e existem notícias e investigações disponíveis) será desnecessário dizer que, além de tudo aquilo por que passam fisicamente, têm consequências psicológicas sem qualquer acompanhamento posterior. Este exemplo que dou não só é uma violação dos direitos básicos das crianças como das mulheres ucranianas usadas para este negócio monstruoso.

2) Crimes contra os superiores direitos das 100 mil crianças despejadas em orfanatos em situação deplorável e atadas a berços, com crianças órfãs misturadas com crianças deficientes. Tal informação consta em inúmeros relatórios de várias organizações mesmo antes do conflito. Aliás a Ucrânia tem uma taxa de crianças deficientes anormal, nunca antes vista, nem mesmo após o acidente de Chernobyl, o que não deixa de ser estranho mas que provavelmente terá a ver com as manipulações genéticas das clínicas de fertilidade.

3) Crimes contra a população do Donbass ou russófonos, com cidadãos a serem atados a postes na rua e a serem humilhados e agredidos, num total desrespeito para com parte de um povo.

4) Tráfico de mulheres para redes de prostituição e de crianças para redes de pedofilia, são inúmeras as crianças ucranianas em redes de pedofilia.

5) Violação de mulheres e jovens por serem falantes de russo. Se o Sr. Presidente quiser posso enviar-lhe uns vídeos aberrantes filmados e publicados pelo Batalhão Azov e que deixam qualquer cidadão de bem chocado e petrificado, Batalhão esse integrado no exército ucraniano e alguns elementos são próximos de Volodymyr Zelesnky;

6) Tráfico e venda de armas no mercado negro e na internet. Até mísseis doados por países da NATO já são vendidos na Dark net;

7) Fabrico e tráfico de drogas químicas que invadiram os países europeus durante a pandemia e que atualmente afetam os nossos jovens porque são vendidas on-line e enviadas pelo correio. Sugiro que o Sr. Presidente se informe sobre a toxicodependência no nosso país atualmente.

8.) Censura de meios de comunicação e partidos políticos mesmo antes de qualquer conflito.

9) Apoio a batalhões e milícias ultra nacionalistas, com ideologias nazis e Banderistas que inclusive treinaram terroristas do Daesh nos seus campos de treino.

Sr. Presidente da República bastava um dos crimes que enumerei para um Chefe de Estado não ser digno de uma condecoração nem ser digno de ser aplaudido na Assembleia da República de um Estado Democrático como Portugal.

Condecorar o Sr. Presidente Zelensky é condecorar e apoiar qualquer um dos crimes que referi anteriormente e transformar Portugal e os portugueses em cúmplices de aberrações.

O Senhor Presidente já se denominou indevidamente e aos portugueses como sendo todos ucranianos, mas eu não sou ucraniana, sou portuguesa e tenho orgulho de o ser.

Sou uma defensora dos direitos humanos e sobretudo do superior interesse das crianças do Mundo, sejam elas portuguesas, ucranianas, russas, sírias ou palestinianas porque não discrimino povos, nasci em democracia e sou tolerante o que não sou também é tonta e hipócrita.

Apoio todo o tipo de ajuda humanitária ao povo ucraniano mas não apoio o financiamento de um regime corrupto que atira diariamente o povo europeu para a desgraça e muito menos o financiamento de uma guerra e de armas que só por si contraria não só o previsto na nossa Constituição da República como assassina as bases de todo o projeto europeu que sempre foi um projeto de Paz.

Senhor Presidente, solicito como cidadã, ponderação e moderação. O mundo ocidental não é inocente neste conflito, a diplomacia é o caminho.

Irei tornar esta mensagem pública até porque, os portugueses não têm sido questionados ou consultados e o povo português tem voz e não é a da nossa comunicação social ou dos deputados que supostamente nos deviam representar com decência, que neste momento têm condições para falar e decidir pelo Povo. Aliás, tudo é manipulado, não só a informação como até as sondagens. Lançam-se números de sondagens sem qualquer informação adicional, nem o universo estatístico nem sequer os responsáveis por tais sondagens, chegámos a este ponto.

Deixo ao seu critério e ponderação este meu texto e caso necessite estarei à sua inteira disposição para qualquer esclarecimento sobre o que escrevi embora tudo o que referi seja público e amplamente noticiado antes do conflito.

Pela Paz, ponderação e diplomacia mas também pela estabilidade do Estado Português que todos temos noção que atravessa uma fase difícil, e em que temos de ser ponderados e responsáveis. Mas assim é difícil.


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