A trapalhada

(In Blog O Jumento, 19/12/2016)

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A candidatura autárquica do PSD a Lisboa está transformada numa trapalhada digna dos tempos de Pedro Santana Lopes que acaba por ser um dos artistas principais deste espectáculo pouco digno daquele que é um grande partido autárquico e que espera que o país tenha um azar para que Passos Coelho o salvar.

Pedro Santana Lopes andou uns meses a brincar às autárquicas, testando a sua popularidade e avaliando os apoios que ainda poderá ter no partido. Começou por dizer que não era candidato a nada quando foi reconduzido na Santa Casa, seguro no tacho deu a entender que poderia ser candidato, só para avaliar as suas possibilidades de vitória. Como é melhor ter um pássaro na mão do que dois a voar Santana desistiu, demitir-se da Santa Casa era um grande prejuízo económico e associar-se  a Passos coelho era um perigo para o que pode restar da sua carreira política.
Passos está acantonado cada vez mais à direita, governou com um programa económico com ideias dignas do Chile de Pinochet e entrou em guerra aberta com Marcelo Rebelo de Sousa. Aos poucos o líder do PSD é um produto tóxico para o centro político e ninguém com bom senso se associa a um líder que começa a parecer doente.
Santana percebeu que uma derrota autárquica ao lado de Passos era o seu fim, ficava sem Santa Casa e sem cargo público, teria de viver dos seus modestos comentários na SIC Notícias, o dinheiro mal daria para suplementos alimentares e de alma.
No meio desta confusão a concelhia de Lisboa do PSD faz vídeos imbecis sobre ciclovias e convida um opositor de Passos para elaborar um programa autárquico do PSD. É óbvio que nenhum candidato autárquico se vai dar ao trabalho de ler este programa eleitoral paralelo.
É cada vez mais óbvio que ninguém no seu pleno juízo e com prestígio político se vai juntar à extrema-direita das docas para salvar Passos Coelho de um desastre político. Passos Coelho não é o político corajoso de que alguns falam e tem medo de enfrentar Medina, pondo à prova o seu direito democrático a governar, de acordo com a sua ladainha da vitória eleitoral. No sábado dizia-se que o PSD ia apoiar Assunção Cristãs, dois dias depois já só estão a negociar umas juntas de freguesia.
Nesta tabuada das contas eleitorais, em que Passos tenta encontrar uma solução para voltar a vencer perdendo as eleições o PSD multiplica os tabus, para cada hesitação de Passos Coelho surge um novo tabu.

MANIFESTO ANTI-“BULLING” (ao PEDRO)

(Joaquim Vassalo Abreu, 18/12/2016)

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Ao Pedro Passos Coelho, bem entendido, que está a ser vítima de uma campanha de destruição interna como eu nunca vi e daí a minha solidariedade.

Sou absolutamente contra todos os tipos de “bulling” e contra todos os tipos que, armando-se em fortes, só sabem bater em quem está na mó de baixo.

Eu este fim de semana não li qualquer jornal, mas não sou insensível àquelas pequenas notícias que aparecem nas TV´s em rodapé, pequenas chamadas de atenção nos BLOGS que sigo, ao que me vão informando no Facebook e ao que, esporadicamente, vou ouvindo numa televisão cá da casa que esteja ligada. E este fim de semana ouvi coisas que até para mim, e quanto ao julgamento que de ti faço, ultrapassam tudo o que é razoável, principalmente vindo de amigos ou supostos amigos teus.

O João Jardim, por exemplo, que acordou de uma profunda hibernação de dois anos, veio acusar-te de “sem carácter” e de teres destruído o centro! Tudo porquê? Porque naquela tua tentativa de “abraço de urso” ao CDS, tu descuraste o ponto de gravidade, inclinaste demasiado o barco para a direita, não içaste as velas e não fossem outros virem compensar do outro lado o teu barco teria afundado mesmo. Mas continua em perigo, e de que maneira.

O Jorge Bacelar Gouveia, e este calma aí pois este eu conheço há muitos anos e até é primo da minha esposa, veio-te acusar de dirigires um “Partido sem ideias, sem pessoas e que vai definhando num economês”, e de tu abrires a boca com a “social democracia” quando o que ele observa é que tu transformaste o Partido em tudo menos social democrata e não quer acreditar que tu, à falta de candidato a Lisboa, vás apoiar a Cristas. Ainda veio uma Estorninho em tua defesa perguntando ao Jorge o que fez ele nestes quatro anos e se promoveu debates, mas a coitada levou uma respostas daquelas que ninguém quer ouvir e que diz, no fundo, que apesar de não viver da política, sempre debateu, criticou ou elogiou, na sua liberdade de opinião, mas que, trabalha, tem obra publicada, sempre manteve a sua profissão mesmo quando cargos ocupou, ao contrário de muitos outros a quem não se conhece profissão própria e nada mais fizeram do que saltitar de cargo em cargo, à mama das benesses do poder e do cartão laranja…Como diz o outro: leva…

E isto é muito grave Pedro. Para além da desconsideração do outro Pedro em quem tantas esperanças depositavas e que vive da Misericórdia, do alheamento a que te vota o Marcelo e da supina ousadia que alguns dos teus de Lisboa tiveram de te desafiar a ires tu a votos em Lisboa contra o Medina eu, vendo-te tão cercado, atrapalhado e sem saberes o que fazer, decidi ajudar-te!

Já não é a primeira vez que o faço, que desinteressadamente o faço, já o fiz com o Seguro quando ele procurava ideias e acho que até contigo quando te dei a minha opinião de como mudares Portugal e como o fazeres crescer. E, normalmente, os meus conselhos são assim do tipo “ovo de Colombo”, assim do tipo “Como é que eu não pensei nisto?”, estás a ver? Coisas óbvias, portanto. Vamos então a isso:

LISBOA- Pedro, diz-me uma coisa: sabes de onde é o Medina? Isso mesmo, do Porto e filho de Comunistas! Então eu pergunto-te: Porque não um do Porto a conquistar Lisboa a um outro do Porto, já que dos de Lisboa ninguém se abalança a concorrer contra o do Porto?

Mas quem, perguntas tu? O RIO, obviamente. Ele não vai no Porto porque não quer ir contra o seu amigo RUI. Questões de amizades, percebes? Mas conquistar Lisboa seria para ele um grande prazer que, para ti, só terá um senão: é ele aproveitar a embalagem e conquistar-te o São Caetano à Lapa. Mas desse armistício tratas tu com ele…

PORTO- Tal como em Lisboa não há nenhum portuense que queira desafiar o RUI que, ainda por cima, diz que é independente, mas não consta que tenha declarado a independência do Porto apesar de, também para ele, o Porto ser uma nação. Só tens que mandar um teu de Lisboa, não só para acabar com qualquer almejo independentista seu, como para assegurar a soberania de Lisboa como centro do poder.

Eu sei que é um desafio arriscado, mas eu vou-te sugerir um nome: o CARREIRAS, pá! Esse, o de Cascais. É que Cascais está sempre assegurada, nem que ponhas lá a Marilu ou o Castelo Branco…

Desafia-os Pedro! Mexe-te e responde-lhes à letra, Pedro!

Este é o meu simples contributo, um misto de solidária preocupação com aquele desejo que eu já te manifestei: Continua Pedro! Não desistas Pedro!

PS: Não é Partido Socialista, Pedro, é “post scriptum”, assim uma coisa que, depois de já ter escrito, acrescentamos. Uma chamada de atenção ou, por exemplo, um simples conselho. Como este que te vou dar: Olha, não sejas como o “Jasus” do meu Sporting que não ata nem desata. Aliás, ata mais do que desata…

Sincerely Yours, como quem diz: Sempre à disposição!


Texto original aqui

Cobardia política

(In Blog O Jumento, 18/12/2016)

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A candidatura da direita cristã ultra conservadora à autarquia de Lisboa não é a candidatura de alguém com especial vocação para a gestão, com currículo e com consenso à direita, antes pelo contrário, é a candidatura de alguém vazia, que lidera um partido confessional e que se comporta como uma freirinha militantes e que se candidata a pensar apenas na sua projecção político, com o objectivo de se afirmar face ao seu antecessor na liderança do CDS e de rasteirar o seu antigo parceiro de coligação governamental.

Pela personalidade da candidata, pelos seus objectivos políticos e pela forma como lançou a sua candidatura, Assunção Cristas era a última personalidade do CDS a ser apoiada pelo PSD. Seja qual for o resultado das próximas eleições, Assunção Cristas vencerá e Passos Coelho será o único e grande derrotado, mas, pior do que isso, esta candidatura destrói a imagem do PSD como partido mais à esquerda e com dimensão autárquica. Na capital aquele que historicamente é o maior partido autárquico desiste de um projecto nacional em favor de uma candidatura de um partido quase marginal. É como se o PS apoiasse uma candidatura do Arnaldo Matos.

Passos Coelho não apoiará a candidatura de Cristas pensando na vitória, porque acredita num projecto autárquico que pouco mais é do que umas missas na Sé ou pelas qualidades da candidata. Se apoiar Cristas é porque o líder do PSD não tem qualquer projecto para Lisboa, como não tem para muitas grandes cidades do país, porque quer desvalorizar as eleições autárquicas e, mais do que tudo, por pura cobardia política.

O grande vencedor das legislativas, o político audacioso que vergou Portas e Cavaco, o homem resiliente, o salvador da pátria, o líder sem alternativa na liderança do seu partido tem medo de se candidatar a Lisboa. Sabe que há uma grande probabilidade de perder as autárquicas e opta por desvalorizar estas eleições e não ir a jogo. Qual é a imagem de referência das candidaturas autárquicas do PSD, não é Lisboa nem o Porto, não é Sintra nem Oeiras, não é Loures nem Aveiro. O PSD de Passos não concorre nestas eleições, passa.

Com esta opção Passos revela-se um político sem a coragem de pedir aos portugueses que o apoiem, que demonstrem confiança nele votando num projecto autárquico por si liderado. Em vez disso esconde-se, não apresenta qualquer projecto autárquico, da mesma forma que não tem ideias para o país, fica emboscado à espera que o diabo o ajude, que os reis magos seja a segunda versão da troika ou que algum raio caia em cima de António Costa e de Marcelo Rebelo de Sousa.

Passos está perdido na sua estratégia, o partido só acredita nele em público e se engodado com um prato de lombo assado, em privado todos lhe rogam pragas, os independentes fogem dele como da sarna e até os mais liberais do Observador já o dão por acabado. Passos Coelho tem medo das autárquicas e esse medo é tanto que prefere esconder-se atrás da Assunção Cristas, é a cobardia política em todo o seu esplendor.