O CDS e a extrema direita

(Carlos Esperança, 30/04/2019)

A expulsão do CDS do Partido Popular Europeu (PPE) pelas suas posições reacionárias, incompatíveis com a matriz política dos partidos conservadores e demo-cristãos que o integram, parece esquecida.

O regresso à família política europeia deve-se aos bons ofícios do PSD, que precisou de se coligar com o CDS, para que Durão Barroso se tornasse PM e pudesse prosseguir a gloriosa carreira, impulsionada pela invasão do Iraque, passando pela presidência da CE e acabando na dourada sinecura de chairman do banco Goldman Sachs, em Londres.
Foi assim que o CDS voltou ao Governo depois da saída do próprio fundador, Freitas do Amaral, inconformado com a deriva antieuropeísta e reacionária do partido que fundara com Adelino Amaro da Costa.

Com Durão Barroso, Santana Lopes e Passos Coelho, o CDS esteve sempre disponível para formar governos de direita, legitimidade que não se contesta. Só a desconfiança na competência da Dr.ª Maria Luís, para ocupar a pasta das Finanças, levou Paulo Portas a pôr em causa a avença. Persiste a lembrança da demissão irrevogável e da farsa da posse da ministra, num governo fantasmagórico, só do PSD. O regresso do CDS, com poderes reforçados de Portas, foi a legalização à posteriori de espetáculo circense protagonizado pelo PSD e o notário privativo, Cavaco Silva.

Com a posse do atual Governo, que a AR impôs a Cavaco, o PSD foi ardendo em lume brando, à espera do Diabo, enquanto Paulo Portas tirou ilações e foi tratar da vida, sem precisar da uma cátedra de favor, deixando o partido à Dr.ª Cristas que, eufórica e com surpreende estridência, se julgou a líder da direita.

Esquecida da sua irrelevância, face ao PSD, começou a declarar-se candidata a PM e a alternativa ao atual governo, convencida de que destruiria o partido de que o seu está condenado a ser satélite.

A deputada, acusadora e ruidosa, sempre pronta para censurar outros partidos, não pode agora remeter-se ao silêncio depois da declaração do candidato do CDS ao Parlamento Europeu ter negado que o VOX espanhol fosse um partido de extrema-direita. Nenhum deles pode ignorar as 100 medidas que o partido fascista apresentou para Espanha onde o carácter antidemocrático, homofóbico e xenófobo atingem o apogeu da demência.

Compreende-se que Paulo Portas finja de morto, face às declarações de Nuno Melo, ou que Adriano Moreira se cale, depois de branqueado o passado, graças à sua inteligência e cultura, como se não tivesse reaberto o Campo de tortura do Tarrafal em 1961. O que não se compreende é o ruidoso silêncio de Assunção Cristas e a manutenção do cabeça de lista em representação de um partido que se diz conservador e democrata-cristão.

Já é tempo de a Dr.ª Cristas cacarejar qualquer coisinha a este respeito, a menos que se identifique com as declarações de Nuno Melo a respeito do VOX.

A líder do CDS não pode limitar-se, com o que aprendeu no ministério da Agricultura, a ensinar os deputados a distinguir um repolho de um eucalipto.


As melhoras, Rio…

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 25/02/2019)

Quando chegamos a uma época como esta, pré-eleitoral, eu tenho um estranho fetiche que é o de olhar para os painéis de publicidade que os Partidos e seus líderes decidem exibir e tento descortinar, vislumbrar e mesmo adivinhar as mensagens que eles, mesmo que de um modo subliminar, nos tentam impingir…

E a verdade é que já vi dois dignos de acerca deles me de debruçar. E, mesmo com algum sacrifício e dor, da responsabilidade dizem que de uns bicos de um papagaio que um nunca vi nem tive, sobre eles me debruçarei…assim como quem diz, percebem?

Da substância do Melo nem me vou alongar muito, pois já muitos o comentaram e eu parece que me atrasei! Nele ele diz que ” A Europa é aqui”! Todos foram pelo óbvio: claro que é porque tu estás sempre aqui, apressaram-se todos a dizer!  Mas é claro que é e se todos o dizem é porque é mesmo e quem sou eu para o contradizer?

Agora, no que diz respeito ao Portugal ., traduzindo : Portugal “ponto” , aí a coisa muda mesmo de figura e eu dou por mim bloqueado: nem ando para trás nem para a frente! Digamos que esbarrei contra aquele “ponto”, ponto acerca do qual ainda não vi uma única palavra escrita! Que raio quererá ele significar?

Que quererá ele significar se não passa de um inócuo simples ponto e não tem acoplado uma simples virgula de modo a se poder dizer que é um ponto e virgula para assim se poder dar sequência ao Portugal, tipo um País situado na extremidade ocidental da Europa; à beira mar plantado e coisas assim…ou então mais um ponto, de modo a ficar dois pontos, significando esses dois pontos depois do tal Portugal um aviso, ou uma lembrança, vá lá, à Europa, avisando-a de que ” A Europa (agora) é aqui”. Mas falhou o “agora”!

O facto é que o Melo esqueceu-se ( eu ter-lho-ia lembrado mas, na sua sobranceria, nem uma ideia me pediu.,.) e assim se desvaneceu para ele aquilo que poderia ter sido uma grande conquista! O que resta é aquela frase seca e isolada do ” A Europa é Aqui”, como que alguém nisso possa acreditar…Só se for para ti, é o que muitos dizem, ó “Dandy” de Joane! Como é que um tipo tão loquaz tanto simplifica?

Ora deste estamos, portanto, libertos (ufa…) mas, ainda hoje mesmo, em chegando a Esposende, naquela primeira rotunda junto ao Continente, que é que eu vejo ali escarrapachado na minha frente, pois fazia a rotunda para  virar à direita para Góios? Um cartaz do Rui Rio, um cartaz que nem na Póvoa ainda exibe, com a sua cara retocada a botox, só pode ser, e sem aqueles prolongados pêlos que lhe escapam atrás, que significam desleixo porque moda não parecer ser, mas que a produção tratou de eliminar, tudo isto em tom alaranjado, tal como as palavras a seguir no mesmo cartaz impressas: “Conto contigo, ou consigo já nem sei, para melhorar Portugal”!

Desde já vos digo que aquele modo tão directo e franco de a mim se dirigir, não tendo tido aquela ousadia do Seguro quando escrevendo-me uma carta a pedir-me ideias me tratou por caro amigo…ele que nunca me tinha visto mais gordo…nem mais magro, ok?, me embeveceu! E verifiquei que, ao contrário do outro, o tal de Seguro, que queria a minha ajuda para ambos mudarmos Portugal, o Rui é mais comedido e só quer “melhorar” Portugal, o que significa que é contra radicalismos bacocos!

Mas nem ele nem os dele pensaram bem no que escreveram pois é bom de ver que ao querer “melhorar” Portugal é porque admite implicitamente que ele goza de boa saúde, está razoavelmente bem de vida e não apresenta sintomas negativos…Então? Quer contar comigo para quê? Para “melhorar” não conte comigo! Ainda se fosse para “mudar”...

Ele e os seus se tivessem escrito “mudar Portugal”, e talvez por lhe terem lembrado qual era a minha receita, não o escreveram, pois tinham por certo conhecimento do que eu disse ao Seguro quando ele aqui há uns anos me mandou aquela célebre carta em que, tratando-me por amigo, me solicitou ideias, que ele sabia que eu tinha, para ambos mudarmos Portugal!

É que eu, depois de muito matutar sobre o assunto, depois de estudar tudo e mais alguma coisa sobre a nossa génese e os feitos da nossa grei, cheguei à revolucionária solução que, de um modo desinteressado e sem reclamar qualquer soldo, enviei ao Seguro…

António, eu sei que tu sabes que eu decidi concorrer às Primárias para te abater mas, ciente que as oitenta ideias que tens não te chegam para nada, o Costa mesmo sem ideias come-te de cebolada, digo-te de uma vez por todas o que penso, e toma nota:

Mudar Portugal para outro País, um assim tipo Holanda seria até interessante mas como tem diques a coisa fica feia e os custos seriam astronómicos…de modo que te sugiro uma solução mais em conta, restringida ao espaço interno e sem aqueles custos de contexto da outra…

Qual? É simples meu caro: Mudas o Minho para o Algarve; o Algarve para Trás os Montes; Trás os Montes para o Ribatejo; o Douro para o Douro pois está muito bem onde está; o Alentejo para a Estremadura e Lisboa para a Corunha…

Lisboa para a Corunha? Mas isso seria tomar a Galiza? Exacto: não é o crescimento por que anseias? Ora aí esta!

Assunção Cristas, o sentido de Estado e a linguagem

(Carlos Esperança, in Facebook, 31/08/2017)

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A presidente do CDS, agremiação cujo desvio reacionário afastou o fundador, procura a permanência no cargo que Nuno Melo aguarda. Este é o genuíno herdeiro ideológico do tio, cónego Melo, o da estátua de 7,5 metros que decora Braga, cuja lealdade a Salazar, ao MDLP e ao ELP era à prova de bomba. Além disso, tem perfil miguelista e caceteiro.

Assunção Cristas, acossada dentro do partido que espera o seu fracasso em Lisboa, onde até o PSD de Passos Coelho conseguirá derrotá-la, esbraceja para se manter à tona num clube condenado a ser a muleta de qualquer PSD.

Curioso é o carinho que a comunicação social lhe dispensa, não faltando a condenação ao primeiro-ministro a quem a senhora deputada, chamou reiteradamente mentiroso, no Parlamento, por tê-la designado por “aquela senhora”, indelicadeza despercebida pela minha origem social e débil domínio do léxico urbano.

A excelsa senhora, que não considera a palavra “mentiroso” um insulto, também viu na referência à sua virtuosa dignidade um “tom de linguagem menos próprio”.

Impróprio é liquidar o grupo económico GES/BES, num Conselho de Ministros virtual, a pedido de uma amiga pouco recomendável, por email, e sem conhecimento do dossiê. Impróprio foi pensar que a carreira académica e umas galochas conferiam competência suficiente para sobraçar uma pasta onde a sua inépcia foi posta à prova.

O que urge perguntar aos portugueses, mesmo aos nostálgicos do Governo PSD/CDS, é se preferem Passos Coelho a António Costa, Cavaco a Marcelo, e Maria Luís a Mário Centeno.

Gostava de poder contar o número de eleitores assumidamente sadomasoquistas.