Black Hawk – ave que não cabe no ninho

(João Gomes, in Facebook,12/11/2025)


Portugal comprou quatro Black Hawk para servir o SNS. Quatro helicópteros de guerra em que se investiram mais de 30 milhões de euros, para aterrar… apenas num heliporto decente: o do Hospital de Braga. Sim, é verdade: o resto do país está, digamos, “sem capoeira”. Um país que mal tem espaço para galinhas agora tenta albergar aves de rapina metálicas que deveriam percorrer hospitais inteiros.

E aqui está o lado mais cómico (e doloroso): as aves pesadas do Estado português foram compradas à indústria americana, aquela que produz armas que fazem tremer o mundo, mas que, aparentemente, não se adapta a um cesto doméstico de serviço civil. É como comprar ovos de ouro e deixá-los nas mãos de quem já tem o poleiro mais caro do mercado – tudo em nome da eficiência e da proteção da saúde.

No fundo, esta compra resume muito da nossa política: gastar milhões em máquinas poderosas, sem perceber se cabem nos ninhais onde deveriam cumprir a sua missão. É a clássica situação de pôr todos os ovos num cesto… que, convenientemente, está sempre nas mãos de certas entidades, e não nas dos hospitais.

E a população assiste, entre incredulidade e gargalhada amarga, a mais um episódio de “investimento estratégico” que parece ter sido pensado mais para a indústria de guerra do que para os doentes que supostamente deveria servir.

Tal como os submarinos, vieram pelas mãos do… CDS. Desta vez não foi Portas, foi Melo – o do Atlético Norte.

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Nuno Melo, conde de Abranhos, marquês de Olivença e Condestável da Lusitânia

(Carlos Esperança, in Facebook, 03/10/2025)


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Nuno Melo, a seguir apenas referido por Abranhos, cobriu-se de glória quando, à frente dos principais generais da Lusitânia, prometeu não desistir da soberania sobre Olivença. Foi aí que ganhou as estrelas de marechal e o ânimo para a dilatação da fé e do Império.

Confiante no poder das suas Forças Armadas, da Terra, Mar e Ar, Abranhos sabe que é imprescindível na Aliança do Atlético Norte (ATN) e dispõe de relações especiais com o seu homólogo do Pentágono, o mais poderoso de todos os membros do ATN.

Foi assim que, quando o colega do Pentágono solicitou uma Base para estacionar aviões para exterminação de gente que abriga terroristas, logo lhe garantiu, meu amigo, tudo o que queiras, sem ligar aos chefes civis da Lusitânia, como se um chefe militar devesse submeter-se a civis.

Se Alípio Severo Abranhos, Conde d’Abranhos, seu ídolo, foi ministro da Marinha, por que motivo lhe havia de estar vedado o ministério da Defesa?

Confiante na boa estrela, a preparar-se para chamar os generais, ao seu Pentágono, em Lisboa, Av. Ilha da Madeira, e dizer-lhes que não tolera generais gordos, gajas ou gays, nem barbudos, dedicou-se a farejar terroristas em toda a Lusitânia.

Foi assim que viu terroristas em deputados, modelos feminismos e ativistas de direitos humanos. Abranhos não vacila na defesa da fé e dilatação do Império. Sabe, que todo o mal vem da Rússia, disse-o a Ir. Lúcia, e assim convocou, em absoluta clandestinidade, manobras para preparar as tropas para combater nos Urais.

Para passar incógnito, foi de balão inspecionar as manobras. Foi então que um indivíduo que caminhava por uma estrada, se apercebeu do balão a voar baixinho. O balonista acenava-lhe aflito e, conseguindo fazer o balão baixar o máximo, gritou-lhe:

– Pode ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às 2 horas da tarde, e já são quatro horas e nem sei onde estou. Pode dizer-me onde me encontro?

O indivíduo responde:

– Sim! Você está a flutuar a uns 5 metros acima da estrada, e está a 40º de latitude Norte e a 10º de longitude oeste.

O balonista Abranhos escutou-o e perguntou, com sorriso irónico:

– Você é engenheiro!

– Sim, senhor! Como descobriu?

– Simples! O que você me disse está tecnicamente correto, porém, a sua informação não me é útil e continuo perdido! Será que consegue dar-me uma resposta mais satisfatória?

O engenheiro raciocina por segundos e depois pergunta ao balonista:

– E você é o líder do CDS!

– Sim, sou o presidente do CDS! Como é que descobriu?

– Fácil! Se for capaz siga o meu raciocínio: você subiu sem se preparar e sem ter a mínima noção de orientação!

Não sabe o que fazer, onde está, nem para onde ir!

Fez promessas e não tem a menor ideia de como conseguirá cumpri-las!

Espera que outras pessoas resolvam o seu problema, continua perdido e acha que a culpa passou a ser minha!

Apostila – Este texto é ficcionado, a descrição do incidente é plagiada e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Voando sobre um ninho de cucos – IV

(Carlos Esperança, 17/10/2021)

Na observação da ornitologia política a que me propus, antes de regressar aos pássaros de maior porte, vale a pena depenar um pardal da direita dura, Nuno Melo, que pretende substituir o atual presidente da comissão liquidatária, Francisco Rodrigues dos Santos.

O deputado profissional, em Lisboa e Bruxelas, sem possibilidade de euro-deputar, quer deputar em Lisboa, sendo obrigado a disputar a liderança do clube, o CDS, ao Chicão.

Nuno Melo é uma ave canora da capoeira da direita tesa, capturada por Cavaco, Passos Coelho e Paulo Portas, onde Cavaco era considerado um intelectual e Passos Coelho estadista. Pontificavam aí os Drs. Relvas, Marco António e Nuno Melo, quando Cavaco entrou em defunção política, Portas no mundo dos negócios, e Passos Coelho na cátedra universitária que lhe arranjou Sousa Lara, ex-censor de Saramago e futuro porta-voz do partido fascista, e a D. Cristas geria o CDS. Um bando de aves sonoras!

Nuno Melo, independente de direita, entre Salazar e Rolão Preto, em tamanho reduzido, considera o Chicão com falta de maturidade democrática, ele que viu na referência ética e espiritual do ELP e MDLP, o cónego Melo, “uma personalidade com um papel ativo, à sua escala, para a implantação da República tal como hoje (2008) a vivemos”, e que, lastimoso, propôs um voto de pesar à AR, quando do passamento do explosivo clérigo.

O antigo pajem de Paulo Portas viu aprovada contra si uma moção de censura proposta pela direção de Ribeiro e Castro. Nuno Melo voou sempre à direita do seu bando.

Este pardal ficou mudo quando o CDS foi expulso do PPE por conduta antidemocrática e quando a fotografia do fundador, Freitas do Amaral, foi retirada do Largo do Caldas, mas não se coibiu de afirmar que “o VOX não é um partido de extrema-direita” quando logrou obter deputados na Andaluzia com um decálogo programático fascista.

Santana Lopes e Nuno Melo eram os delfins quando Rui Rio, no PSD, venceu a tralha cavaquista e Francisco R. dos Santos, no CDS, foi o insólito herdeiro dos despojos da D. Cristas.

Perante as lutas intestinas da direita, inconformado por não estar mais à direita, nem ter credibilidade eleitoral, para apagar o incêndio que lavrava nas suas hostes, teve de sair dos bastidores o incendiário-mor, D. Marcelo, que agora dirige as operações contra o PS, para já, e contra toda a esquerda no futuro próximo.

Nuno Melo tem grandes hipóteses de voar, muito baixinho, que a envergadura eleitoral não lhe augura grandes alturas, e é o preferido do regente da orquestra que, ansioso, teve de fazer uma OPA amigável dos partidos da direita democrática.

Eanes tentou lançar um partido novo, a D. Marcelo bastou-lhe falar aos microfones para lhe caírem 2 no regaço. Nuno Melo é o ornamento do PSD à espera de entrar para a AR.

Começa a ser intolerável a conduta do PR em relação aos partidos de esquerda. Não lhe permite a fogosidade nem a ambição manter-se na área das suas competências e evitar a intriga e a chantagem, sobre os partidos de esquerda e sobre o eleitorado.

Para já, foi determinante na candidatura de Paulo Rangel e do irrelevante Nuno Melo, mas, enquanto patrocina as aves referidas, devia recolher as asas e as garras.


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