(João Gomes, in Facebook,12/11/2025)

Portugal comprou quatro Black Hawk para servir o SNS. Quatro helicópteros de guerra em que se investiram mais de 30 milhões de euros, para aterrar… apenas num heliporto decente: o do Hospital de Braga. Sim, é verdade: o resto do país está, digamos, “sem capoeira”. Um país que mal tem espaço para galinhas agora tenta albergar aves de rapina metálicas que deveriam percorrer hospitais inteiros.
E aqui está o lado mais cómico (e doloroso): as aves pesadas do Estado português foram compradas à indústria americana, aquela que produz armas que fazem tremer o mundo, mas que, aparentemente, não se adapta a um cesto doméstico de serviço civil. É como comprar ovos de ouro e deixá-los nas mãos de quem já tem o poleiro mais caro do mercado – tudo em nome da eficiência e da proteção da saúde.
No fundo, esta compra resume muito da nossa política: gastar milhões em máquinas poderosas, sem perceber se cabem nos ninhais onde deveriam cumprir a sua missão. É a clássica situação de pôr todos os ovos num cesto… que, convenientemente, está sempre nas mãos de certas entidades, e não nas dos hospitais.
E a população assiste, entre incredulidade e gargalhada amarga, a mais um episódio de “investimento estratégico” que parece ter sido pensado mais para a indústria de guerra do que para os doentes que supostamente deveria servir.
Tal como os submarinos, vieram pelas mãos do… CDS. Desta vez não foi Portas, foi Melo – o do Atlético Norte.
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