A Gronelândia já era. O que interessa agora é fazer a opinião pública europeia engolir o sapo

(Zé-António Pimenta de França, in Facebook, 17/01/2026)


Já está tudo decidido, o que vão debater nas “negociações” é simplesmente de que forma os “spin doctors” europeus e americanos vão disfarçar a cedência total para convencerem a plebe de Oslo a Lisboa que tanto a Europa como os EUA ficaram a ganhar…


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As televisões, jornais e respectivos comentadores andam há um par de dias a dar enorme importância ao envio de militares europeus para a Gronelândia. São 15 franceses, 13 suecos, dois alemães, dois holandeses, dois finlandeses, dois noruegueses e um britânico, um total de 37 militares do chamado ‘Velho Continente’, numa “missão de reconhecimento na Gronelândia” que poderá depois ser “complementada por mais tropas, meios aéreos e navais”.

Um gesto cuja vacuidade é tão evidente que até incomoda, já que por mais tropas que a Europa para lá mande, não há defesa possível ante uma eventual invasão americana.

Mas não, nos diferentes telejornais eles levam a coisa a sério. E uns dizem que é “um sinal solidariedade para com a Dinamarca” [ante a ameaça americana, certamente], enquanto o diplomata sénior francês Olivier Poivre d’Arvor precisou que se trata de “um primeiro exercício para mostrar que a NATO está presente”. Ou seja, a NATO está presente para quê, para lutar com quem? Não será com a Rússia nem com a China, que andam bem longe. Então é por causa dos EUA de Trump, só pode ser. Resumindo, NATO contra NATO, mas isso não pode ser dito, é assunto tabu…

Os comentadores dos canais de TV desdobram-se em “doutas” argumentações de entre as quais está rigorosamente excluída qualquer alusão à consequência mais notória deste “imbróglio”: a vertente europeia da NATO aprofunda a sua divisão com os EUA (que já vem de trás com o conflito ucraniano), o patrão todo poderoso da Aliança Atlântica (que só é aliança para cuidar dos interesses dos EUA, mais evidente não pode ser!). Disso, dessa divisão crescente, não convém falar, porque levaria certamente a conclusões incómodas sobre a absoluta nulidade que tem sido a política externa da UE nos últimos 20 anos, totalmente abandonada ao bel-prazer dos diferentes inquilinos da Casa Branca em Washington…

Assim, a quase totalidade dos comentadores (com uma ou duas excepções) evita cuidadosamente falar disso, é o elefante na sala que ninguém quer ver.

Em conclusão, mais uma vez se confirma que a comunicação social abandonou totalmente a sua missão de informar e esclarecer a opinião pública, de alertar para os problemas que nos cercam e ameaçam. Existe para adormecer a opinião pública, dirigi-la de forma a que continuemos a confiar nos funcionários de Bruxelas (que ninguém elegeu) e nos seus representantes em cada Estado-membro (esses sim eleitos, mas submissos e conscritos pelo tsunami regulatório da UE).

OK, tudo está bem, a Europa está a enviar militares para preparar a resistência ao invasor, é o que nos contam. Mas alguém acredita nisso? Claro que não. Mas convém fingir que tudo está sob controlo. Ainda por cima o invasor não é chinês, nem é russo, é o ‘Daddy americano’…

Insisto: os jornais e canais de TV já não informam nada, pelo contrário, a sua missão é apenas uma: dirigir e controlar a opinião pública de acordo com os interesses da oligarquia que desde há pelo menos três décadas se apoderou totalmente do aparelho de comunicação social ocidental. A liberdade de informação já não existe, a liberdade de opinião está cada vez mais restringida e ameaçada…

O Big Brother do “1984” de George Orwell tornou-se uma realidade, o pensamento único já vigora, só falta mesmo criar o “Ministério da Verdade”…

No fim de contas, haverá um teatro negocial, mais ou menos longo (não será demasiado longo porque o Trump precisa de uma vitória a tempo da “midterm elections” que são já daqui a 10 meses) sempre reportado pelos “pivots” da TV (os pastores do rebanho) como “duras, francas e decisivas”. E no final de contas haverá um acordo que será totalmente favorável aos americanos.

Já está tudo decidido, o que vão debater nas “negociações” é simplesmente de que forma os “spin doctors” europeus e americanos vão disfarçar a cedência total para convencerem a plebe de Oslo a Lisboa que tanto a Europa como os EUA ficaram a ganhar…

Os que não concordarem com essa narrativa que então será apresentada é porque são traidores a soldo de Beijing ou Moscovo, mais nada!

Siga o baile! A menina dança?…

O império contra-ataca

(Por João Carlos Graça, in SCF, 16/01/2026, revisão da Estátua)


É provável que tenha chegado a altura em que todos aqueles sinceramente preocupados com a soberania dos seus países debatam, mesmo muito a sério, o que deve ser feito para salvar o que pode e deve ser salvo.


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último editorial da SCF e o artigo de Finian Cunningham parecem-me mapear adequadamente a perceção dominante no Ocidente acerca dos acontecimentos recentes na Venezuela. Enquanto o editorial sublinha, na conduta de Trump, a queda generalizada das máscaras e as possíveis vantagens, pelo menos, do fim da hipocrisia, o artigo de Cunningham destaca a formação correlativa na mente ocidental de uma ideia generalizada sobre uma alegada “simetria” entre os atos da Rússia na Ucrânia e o ataque dos EUA à República Bolivariana.

A construção desta noção popular duma relação simétrica entre dois supostos males tem, claro, uma longa história por detrás. Na verdade, o modus operandi deste discurso e do procedimento memético correspondente é basicamente o mesmo que já está na base das estórias da suposta indignação ocidental relativamente ao pacto Molotov-Ribbentrop de 1939. Jacques Pauwels expôs de forma apropriada a sofística fundamental e a mistificação por detrás deste último caso: veja-se aqui e aqui. Vou agora enunciar vários pontos relevantes relativamente ao caso mais recente.

Antes de mais, sublinhe-se que ninguém procedeu oficialmente a qualquer suposta divisão do mundo em “esferas de influência”, seja entre os EUA, a Rússia e a China, ou noutra versão. Ninguém, isto é, exceto talvez alguns meios de propaganda imperial. Nem Vladimir Putin nem Xi Jinping anunciaram qualquer novidade sobre este tema. Houve apenas muito alarido mediático relativo ao facto de os EUA apertarem o seu controlo sobre o “hemisfério ocidental”, como óbvia “compensação”, caso sentissem a sua influência ameaçada noutros locais. Mas isso é tudo.

Em segundo lugar, as relações EUA/Venezuela e Rússia/Ucrânia estão a anos-luz de distância entre si, sendo quase impossível rastrear semelhanças. Para começar, a “grande república” de proprietários de escravos do Norte e a Gran Colombia não podiam ser mais diferentes desde os respetivos inícios. A contínua expansão territorial e a subsequente evolução imperial dos primeiros, em contraste com o desmembramento da segunda e as dificuldades subsequentes dos seus herdeiros (Colômbia, Panamá, Equador e Venezuela), definem trajetórias socio-históricas totalmente diferentes. Quanto à Rússia e à Ucrânia, a verdadeira questão é, pelo contrário, como é que as deliberações de dezembro de 1991 de Boris Yeltsin, Leonid Kravchuk e Stanislav Shushkevich, isto é, os chamados acordos de Belavezha, que liquidaram não só a URSS, mas um milénio inteiro de história russa unida, alguma vez puderam ocorrer. Qualquer espectador imparcial do desmembramento da URSS só poderia questionar-se: mesmo assumindo uma redução necessária daquele corpo político (com a imparável saída, designadamente, das 3 repúblicas bálticas), como é que pelo menos uma “União Eslava” baseada na Rússia, Bielorrússia e Ucrânia nem sequer foi tentada? Como, e porquê exatamente, todo aquele furor radical e desenfreado da dissolução? Exatamente como, e porque é que, o célebre sonho húmido de tantos no Ocidente Coletivo (Ludendorff, Hitler, Churchill, Brzezinski…), sobre a “barriga mole” da Rússia ser separada dela e voltado contra ela, foi tão facilmente realizado?

Isso deve permanecer por muito tempo como tema para investigação adicional, obviamente. Mas devemos agora acrescentar que, mesmo na forma reduzida que manteve em 1991, ou seja, basicamente com uma fronteira ocidental a corresponder à divisão estabelecida pelo infame Tratado de Brest-Litovsk (denunciado alguns anos depois pelo governo bolchevique), a Federação Russa teve uma paciência quase infinita perante a sua impertinente irmã do Sudoeste. Os casos mais recentes de secessão de antigos distritos ucranianos devem, de facto, ser considerados de acordo com as deliberações da ONU que estabelecem um equilíbrio entre os princípios cardinais que são tanto a integridade territorial dos Estados como a autodeterminação das populações. É decerto mais do que óbvio para quem tentar manter uma mente independente que a Rússia interveio, e assim reconheceu as regiões descontroladas, incorporando-as depois, só mesmo quando gravíssimas violações da resolução 2625 da Assembleia Geral da ONU, de 24 de outubro de 1970 (que afirma que a integridade territorial se aplica a Estados que se comportam de acordo com o princípio da autodeterminação dos povos, tendo assim governos representando toda a população pertencente a esse território) ocorreram de forma repetida e consistente, fazendo assim inequivocamente a balança inclinar-se para o lado do princípio da autodeterminação.

Além disso, para a sua Operação Militar Especial a Rússia invocou a “segurança coletiva”, também um princípio consagrado nas diretrizes da ONU, e de forma mais do que razoável e justa nesse aspeto. Isto refere-se não só à Ucrânia, acrescento e sublinho agora. Vários outros membros recentes da NATO na Europa de Leste, quer repúblicas ex-soviéticas quer antigos membros do Pacto de Varsóvia, comportam-se outrossim de forma consistentemente temerária, ameaçando a Rússia de forma explícita e desavergonhada, tornando-se assim ipso facto um alvo legítimo para o poderia militar russo. Como é óbvio, nada sequer remotamente semelhante a este padrão enlouquecido de comportamento ocorreu na relação Venezuela-EUA. O pobre país sul-americano só gostaria de ser deixado em paz. Que mundo maravilhoso seria realmente este, se ao menos os EUA pudessem ocupar-se dos seus próprios assuntos, vivendo e deixando os outros viver em paz…

Mas é mesmo só isso. O único evento mais ou menos “simétrico” que alguma vez tivemos, relativo a este tema, foi, é claro, a abusivamente chamada “crise dos mísseis de Cuba” de 1962, que foi na verdade a crise dos mísseis turcos de 1962: 1), os EUA ameaçaram descaradamente a URSS, através da Turquia; 2), a URSS respondeu da mesma forma, via Cuba; 3), o “país excecional” ficou instantaneamente indignado, até ao pânico e à histeria coletiva; 4), os dois grandes chefes brancos conversaram e fumaram os cachimbos da paz; 5), a URSS retirou-se de Cuba, e os EUA tiraram os seus mísseis da Turquia; 6), “Ei, ei, salvámos o mundo hoje, toda a gente está feliz, as coisas más foram-se embora” (aqui).

Acabou tudo?

Infelizmente, porém, hoje-em-dia, apesar de todos os benefícios associados à ressurreição da Rússia alcançada sob a presidência de Vladimir Putin, ainda não existe uma “projeção de poder” russa suficiente, como se costuma dizer, para proteger os países das Caraíbas/América do Sul. Por conseguinte, não há margem para qualquer possível “Tit for Tat” à Kruschev-Kennedy, apenas cachimbos de paz equívocos e provavelmente enganadores: desta vez, para ser claro, as coisas más vieram para ficar.

É natural que as pessoas tenham a triste confirmação de que os bons perdem sempre, que tenham aquela sensação desoladora de ânimo quebrado à maneira de Ulisses, “como se o seu pai ou o seu cão tivessem acabado de morrer”.

Por outro lado, a China parece manter-se na sua atitude de “paquiderme”, para usar a expressão de Jhosman Barbosa (aqui), limitando as suas preocupações à esfera económica, provavelmente esperando prevalecer no término dos próximos 5 mil anos e, em termos práticos, deixando os EUA escapar impunes em tudo, assumindo que, no fim, lhes seja apresentada pelos Yankees uma transação formalmente “win-win”, como maneira de os compensar formalmente. Seja como for, tudo permanecerá inapelavelmente circunscrito e “transacional” dentro desse domínio.

Entretanto, é provável que tenha chegado a altura em que todos aqueles sinceramente preocupados com a soberania dos seus países debatam, mesmo muito a sério, o que deve ser feito para salvar o que pode e deve ser salvo: isto refere se, por exemplo, do Brasil, que terá certamente de libertar as mentes dos seus quadros militares da “educação” que estes têm recebido do seu patrono do Norte nas últimas décadas; e que provavelmente terá também de denunciar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares que o país foi persuadido a aceitar por Fernando Henrique Cardoso, como argumenta aqui Paulo Nogueira Baptista

Num ambiente totalmente diferente, isto diz respeito também a todos os chamados “aliados europeus” dos EUA, começando pela “UE”, a Dinamarca oficialmente à frente de todos (Gronelândia), Portugal provavelmente o segundo na linha de sucessão (Açores). Ah, mas por agora podemos ter a certeza de que estas questões não serão discutidas por ninguém que concorra à Presidência da República Portuguesa na campanha eleitoral que decorre enquanto escrevo, neste mês de janeiro. Nem de longe. Em vez disso, o consenso quase universal irá, sem dúvida, apontar para: 1) aceitação dos célebres 5 por cento de gastos públicos afetos à compra de armamento dos EUA; 2) persuasão dos nossos jovens a aceitarem ir morrer nas estepes Citas, lutando bravamente contra os Orks e em defesa dos interesses da BlackRock.

Não é de admirar que as pessoas tenham a sensação avassaladora (para usar a expressão que Tom Waits foi buscar Emir Kusturica) de que basicamente “Deus está ausente em negócios”; de que há mais do que uma fuga na sala das caldeiras; de que assassinos, ladrões e advogados mandam tudo; e de que tudo se limita realmente a “um acordo” ou a “um esquema”. Mas, por outro lado, será que acabou mesmo tudo? E será que algum dia vai acabar? Embora isso possa parecer (e realmente seja) apenas um consolo muito modesto, o sentimento de ânimo quebrado de Ulisses pela morte do pai e do cão não são a forma como Odisseia termina, pois não?

Fonte aqui

Polémica na Groenlândia revela à Europa a crua realidade do sistema internacional

(Por Lucas Leiroz, in SCF, 27/12/2025, revisão da Estátua)


Groelândia pode ser o fim do sonho liberal europeu.


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Uma recente polêmica envolvendo as declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia e a atuação de seu enviado especial para o território ártico revela muito mais do que um simples ruído diplomático entre Washington e Copenhague. Trata-se, na verdade, de um choque direto entre a realidade crua da política internacional e as ilusões cultivadas por décadas pelas elites liberais europeias, que insistiram em acreditar numa ordem mundial “baseada em regras”, comprovada neutra, estável e garantida por instituições multilaterais.

As tentativas da Casa Branca de suavizar o discurso — como fez Jeff Landry ao afirmar que os EUA não pretendem “conquistar” ou “tomar” a Groenlândia — não resistem a uma análise minimamente realista. O próprio Trump já foi claro ao afirmar que a ilha é uma necessidade estratégica para os Estados Unidos e que sua incorporação ocorreria “de um jeito ou de outro”. A retórica conciliadora serve apenas para consumo diplomático e midiático, enquanto os fatos apontam para uma postura abertamente coercitiva.

Do ponto de vista da Dinamarca, o apelo ao direito internacional, às normas jurídicas e à suposta inviolabilidade da soberania estatal é tão compreensível, quanto profundamente ingênuo.

A história das relações internacionais demonstra, de forma inequívoca, que a soberania não é garantida por tratados ou declarações formais, mas pela capacidade concreta de defesa. Estados que não dispõem de meios materiais — políticos, militares e estratégicos — para proteger seus interesses acabam subordinados à vontade das grandes potências.

Guerras, anexações e conquistas nunca deixaram de existir. O que ocorreu, especialmente após o fim da Guerra Fria foi, segundo a construção de uma narrativa conveniente, que tais práticas foram superadas por uma nova ordem liberal. Essa “ordem baseada em regras” sempre foi, na realidade, um instrumento de dominação ocidental, com regras impostas pelos próprios Estados Unidos, então vistos como “líderes” do Ocidente Coletivo. Embora essa ordem servisse aos interesses de Washington, foi exaltada como modelo universal. Agora, quando os EUA demonstram disposição para ignorá-la abertamente, o mito desfaz-se.

A União Europeia, por sua vez, revela mais uma vez a sua impotência estratégica. Incapaz de agir de forma autônoma e dependente da tutela militar norte-americana, Bruxelas limita-se a declarações vazias e gestos simbólicos. A OTAN, invocada frequentemente como garantia última da segurança europeia, não oferecerá qualquer apoio real à Dinamarca em caso da crise se agravar. A aliança existe para defender os interesses dos Estados Unidos, não para confrontá-los. Esperar o contrário é desconhecer a própria natureza da organização.

Nesse contexto, a Groenlândia torna-se apenas mais um exemplo da lógica imperial que estrutura o sistema internacional. Sua localização estratégica no Ártico, seus recursos naturais e sua importância militar fazem dela um ativo valioso num cenário de competição crescente entre grandes potências. A autodeterminação dos groenlandeses, frequentemente invocada pelas autoridades americanas, aparece mais como pretexto de que como princípio genuíno, seletivamente aplicado conforme a conveniência política de Washington.

O caso também evidencia o contraste entre a postura russa e os países ocidentais. Moscovo, ao longo dos últimos anos, tem insistido numa leitura realista das relações internacionais, em que poder, segurança e interesses nacionais são elementos centrais. Essa visão pragmática foi essencial para a tomada de decisão russa pela defesa de sua soberania através do uso da força, após o esgotamento das vias diplomáticas, na Ucrânia. Essa abordagem, embora demonizada pelo Ocidente, mostra-se cada vez mais consistente diante do colapso das ilusões liberais.

Para a Dinamarca, a lição é dura, mas necessária. Não haverá salvação vinda de tribunais internacionais, resoluções da ONU ou promessas de aliados. O sistema internacional continua sendo um espaço de disputa, onde a força — em suas múltiplas dimensões — permanece decisiva. Ignorar isso é optar pela vulnerabilidade. A crise da Groenlândia não é uma anomalia, mas um sintoma do fim de uma era de autoengano europeu diante da realidade do poder global.

Fonte aqui