O terramoto Trump

(Por P e p e E s c o b a r, in Resistir, 07/11/2024)

A minha caixa de correio está infestada de relatórios chorosos de Think Tankland americanos a perguntarem, incrédulos, porque é que Kamala poderia perder. É bastante simples – para além da sua absoluta incompetência e mediocridade, literalmente a cacarejar em voz alta.


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O terramoto Trump, na escala política de Richter, foi de morte – literalmente. O que era suposto ser um espetáculo totalitário liberal foi brutalmente, sem cerimónias, varrido para fora do parque – qualquer parque. Mesmo antes do dia das eleições, o pensamento crítico estava ciente do que estava em jogo. Com fraude, Kamala vence. Sem fraude, vence Trump. Houve, na melhor das hipóteses, tentativas (falhadas) de fraude. A questão-chave continua a ser: o que é que o Estado Profundo dos EUA realmente quer?

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A vitória de Trump e cinco perguntas do WikiLeaks para ele

(In Resistir, 06/11/2024)


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A vitória de Trump representa uma verdadeira bofetada nos seus vassalos europeus. Os atlantistas da UE – gente como a Úrsula, Macron ou Scholz – estão agora aterrorizados. Com a mentalidade subserviente que os caracteriza, eles gostariam apenas de terem um patrão gentil (o que não é o caso do sr. Trump). Mas nem lhes passa pela cabeça defenderem a soberania nacional, o fim do apoio às guerras sujas no Médio Oriente e na Ucrânia, o desenvolvimento nacional, o restabelecimento de relações normais na Eurásia, ou o combate à ditadura do capital financeiro que estrangula os povos europeus. Continuarão a ser vassalos, mas agora tratados como tais pelo sr. Trump.


A WikiLeaks lançou publicamente as seguintes perguntas a Trump, numa antecipação do seu possível regresso à Casa Branca:

1. Como vai lidar com os chamados “lobos com chapéus MAGA” [1] do estado profundo que rondam a sua equipa de transição, fazendo-se passar por MAGA a fim de obter posições poderosas numa futura administração Trump? Afinal de contas, a questão do pessoal é política.

2. Na sua anterior administração, nomeou figuras como Mike Pompeo, John Bolton, William Barr (ex-CIA), Robert O’Brien, Nikki Haley e Elliott Abrams, que muitas vezes se opuseram à sua retórica “America First”, especialmente em matéria de política externa e liberdade de expressão. Se for novamente eleito, pode garantir que estes indivíduos, ou outros como Tom Cotton e Marco Rubio – ambos financiados por empresas de armamento – não ocuparão cargos na sua administração?

3. Muitos destes indivíduos não só se opuseram às suas políticas como trabalharam ativamente contra si, chegando mesmo a apoiar a sua acusação. Por exemplo, Mike Pompeo acusou-o de guardar documentos confidenciais, sugerindo que isso colocava em perigo os soldados americanos. Também ordenou à CIA que elaborasse planos para assassinar Julian Assange, suprimiu a divulgação dos ficheiros JFK a pedido da CIA e afirmou que “não existe um estado profundo na CIA”. Qual é a sua posição em relação àqueles que apenas fingem apoiar o MAGA?

4. Muitos desses antigos responsáveis agora ganharam dinheiro e têm lucros substanciais fazendo lobby para empresas de armas, bancos e corporações estrangeiras. Por exemplo, Pompeo fundou a American Global Strategies, que aconselha empresas de armamento, juntou-se à empresa israelense de desinformação e censura Cyabra e assumiu posições na empresa siderúrgica japonesa Nippon Steel (fazendo lobby para aumentar as importações de aço estrangeiro para os EUA) e na empresa de armamento DYNE Maritime (procurando contratos relacionados com a AUKUS). Chegou mesmo a criar o seu próprio banco de investimento militar-industrial, Impact Investments e, tal como Hunter Biden, entrou para o conselho de administração de uma empresa ucraniana, a Kievstar, apesar de não ter experiência relevante. Embora o caso de Pompeo possa ser extremo, outros têm funções igualmente lucrativas. Será que Irá proibir nomeações daqueles que têm incentivos financeiros para iniciar guerras ou aumentar a vigilância e a censura em massa?

5. Uma facção crescente no seio do Partido Republicano e entre os independentes defende uma política externa menos orientada pela influência da CIA e pelos lucros da indústria de armamento. Figuras como Robert F. Kennedy Jr. e Tulsi Gabbard apelaram a um maior controlo da CIA e à redução das intervenções no estrangeiro.

No entanto, a escolha de pessoal é política. Será que os infiltrados do “pântano” conseguirão bajulá-lo a fim de ocuparem cargos de influência e assumirem o controlo da sua administração, reduzindo o MAGA a uma mera retórica?

[1] MAGA: Make American Great Again, slogan da campanha de Trump.

Fonte aqui

Requiem pelos comentadores e “especialistas” das TVs

(João-MC Gomes, In VK, 06-11-2024)

Os mentirosos interesseiros – ou como a vitória de Trump denuncia a mentira dos orgãos de comunicação social.


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Os resultados das recentes eleições presidenciais nos Estados Unidos revelaram, mais uma vez, a fragilidade e o enviesamento gritante de um sistema de análise política que se auto-intitula como imparcial, mas que, na prática, se mostrou profundamente tendencioso.

A expectativa amplamente propagada de um “empate técnico” ou até mesmo de uma vitória de Kamala Harris, apoiada por analistas, comentadores e empresas de sondagens, revelou-se ilusória e desastrosamente distante da realidade. Este episódio trouxe à tona não só uma falha de proporções monumentais, mas também uma perigosa tentativa de manipular a percepção pública.

É inegável que a cobertura mediática, sobretudo nos principais meios de comunicação portugueses e internacionais, foi permeada por um alinhamento político evidente. As previsões e análises não apenas falharam no cálculo preciso das intenções de voto, mas foram igualmente caracterizadas por uma insistente narrativa que beneficiava um lado específico. Essa inclinação não é acidental, mas uma demonstração clara de como o discurso mediático contemporâneo pode ser moldado para influenciar a opinião pública.

Comentadores e analistas deveriam, por princípio, buscar uma postura de imparcialidade. No entanto, o espetáculo oferecido por muitos destes profissionais foi vergonhoso: declarações categoricamente erradas foram repetidas ad nauseam, moldando a expectativa coletiva em direção a um desfecho conveniente para uma determinada perspetiva política. Não é aceitável que tais figuras, após o erro evidente, simplesmente sigam em frente sem qualquer forma de retratação pública. A sua responsabilidade, enquanto formadores de opinião, é imensa, e a falha em reconhecer a falta de isenção só mina ainda mais a confiança do público.

As empresas de sondagens, por sua vez, desempenham um papel crítico no processo democrático. Contudo, os erros repetidos e a metodologia enviesada suscitam questões sobre a sua credibilidade. A tendência de “puxar” a narrativa para um lado é inaceitável e enfraquece o propósito fundamental das sondagens: fornecer uma leitura justa e honesta da vontade popular. Ao afastarem-se desse propósito, estas empresas tornam-se cúmplices na manipulação da opinião pública.

Diante das evidências esmagadoras da distorção, os responsáveis têm a obrigação moral e ética de se retratar. A cobertura de eleições, especialmente em democracias de alta importância global, deve ser feita “sem lados”, com total comprometimento com a verdade. Continuar a privilegiar uma narrativa política específica, ao custo da precisão e da confiança, só perpetua um ambiente de desinformação e polarização. É hora de exigir responsabilidade e compromisso real com a isenção.