Missionários de um Deus vencido

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 19/07/2024)

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Para quem prega a democracia pelo mundo fora, com missionários armados até aos dentes, o atentado falhado contra Trump, bem como a permanência no espaço público da patética figura de Biden, revelam bem toda a tóxica hipocrisia de quem não respeita, em casa, as boas-práticas impostas aos de fora com baionetas. Hipocrisia, até quando se usa a democracia como escudo para alimentar o inferno genocida dos amigos, como ocorre em Gaza. Sem uma pinga de espírito crítico, desprovidos da capacidade de se olharem ao espelho sem os partirem, os protagonistas da tragédia americana desempenham os seus papéis, sem cuidar da triste imagem derramada para o resto do mundo.

Mas o que são hoje os EUA? Nascido o país de uma ideia setecentista de liberdade, própria e vigorosa, conseguiu firmá-la na primeira Constituição moderna. Ela esteve nas secretárias dos constitucionalistas franceses de 1789-1791, e tem sido modelo para muitas leis fundamentais de muitos outros países ao longo dos séculos.

A liberdade política original dos EUA respira um espírito de independência, das comunidades e indivíduos, contra qualquer tutela externa (duas guerras contra o Império Britânico). É uma liberdade republicana, representativa, que inventou o primeiro federalismo onde os cidadãos também contam. Mas essa liberdade liberal (o pleonasmo é só aparente) tem um poderoso antagonista. Fraco no início, mas que ganhou força com o crescimento da tecnologia e dos mercados. A liberdade económica. Ela é não só mais indomável e irrestrita do que a liberdade política, como, tem capacidade para a controlar e, eventualmente, destruir.

A liberdade económica norte-americana é iliberal. Não tem limites constitucionais, e ainda menos éticos. Produz bilionários, que transportam nos bolsos, senadores e candidatos presidenciais, como quem exibe troféus de caça.

No campo de batalha do mercado não há Convenção de Genebra, nem se fazem prisioneiros. A concentração de riqueza é hoje pornográfica. A desigualdade campeia. Cada cidade norte-americana fecha os olhos aos seus milhões de sem-abrigo (losers), pobres e doentes.

Em 1970 o Coeficiente de Gini (que mede a desigualdade, sendo ela maior quanto maior é o seu valor) nos EUA era de 0,39, hoje é de 0,49. Comparativamente, Portugal tem 0, 35 e a Rússia tem 0,36.

O Estado federal (haverá exceções nos planos municipal e estadual) é hoje uma instituição plutocrática, uma “democracia bilionária” (para citar o título de um livro de 2018, de George R. Tyler). Por isso, Trump será de novo o presidente dos EUA. O dinheiro dos bilionários, a começar por Elon Musk, jorra de Biden para a sua campanha. Como carisma do crepuscular deus da democracia.

Democratas Nervosamente Colapsando

(António Gil, in Substack.com, 20/07/2024)

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Democratas Nervosamente Colapsando. É isso que DNC significa, certo?

Façamos agora uma pausa nos contactos frenéticos entre os que constituem a Nata do Partido Democrata – é um partido cheio de gente gordurosa – para em algumas pinceladas rápidas fazer o ponto da situação.

O tempo passa rapidamente para todos mas principalmente para os que estão a tentar assumir o comando de um veículo que parece ter perdido o rumo. A urgência de alguns porém, não é a urgência de outros, pelo contrário.

Há alguns que já não se importam com a corrida para o abismo: são os que já estão ferrados, de qualquer forma. Entre eles está toda a equipa Biden e, claro, sua família. A equipa Kamala ainda hesita: eles têm medo de assumir o comando porque temem ser responsabilizados pelo desastre anunciado.


Fora disto e conspirando contra uns e outros, estão os que tentam aproveitar-se da situação. Este grupo porém é tudo menos coeso. Seus objectivos só coincidem no que diz respeito às duas etapas iniciais, a saber: 1- afastar Biden 2- afastar Kamala.

Depois disso – e isto é, se acontecer – entra-se em águas desconhecidas. Não é que haja um lote muito grande de candidatos para substituir aqueles que se querem depor. Embora a clique dirigente esteja superpovoada por doidos varridos, também na loucura há graus e não há assim tantos que sejam loucos o suficiente para levar a cabo uma missão que a cada dia que passa parece mais impossível.

Assim, Obama, Pelosi, Hilary, Schumer, Gavin Newson e outros ainda menos conhecidos, podem ver-se de repente lutando uns contra os outros para no fim… não haver já ninguém interessado em assumir as rédeas.

Isto pode parecer muito exagerado mas é um risco real. Lembram-se como depois de tanta gritaria para afastar Biden, de repente ficaram todos a assobiar para os lados, na sequência do atentado a Trump? claro que depois reagiram, mas esse momento pode voltar e com mais força.

No actual estado de nervos daquele gang esgrouviado, tudo pode vir bem a assemelhar-se a uma luta feroz por uma caixa vazia, numa dos famosas sextas feiras negras, americanas, quando tudo está em saldo mas, por precaução, alguns artigos foram retirados das caixas onde estavam embalados.

Fonte aqui.

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A tentativa de assassinato

(Paul Craig Roberts, in PaulCraigRoberts.org, 17/07/2024, Trad. Estátua de Sal)


Há quem diga que é demasiado cedo para saber o que explica o quase assassinato de Trump. No entanto, é possível argumentar que já sabemos tudo o que alguma vez saberemos. A passagem do tempo simplesmente permite a construção de narrativas oficiais, que são usadas para turvar as águas.

Apoio os apelos a uma investigação oficial, mas as investigações governamentais são sempre encobertas. Pensemos no relatório da Comissão Warren, no relatório da Comissão do 11 de setembro, no relatório NISH. Se houver uma investigação, não vai dar em nada e, se por acaso der, os jornalistas não a vão noticiar.

Dispomos de toda a informação necessária para formar uma opinião. Há pouco escrevi que temos três hipóteses de explicação para as quais existem provas. Mas duas das explicações fundem-se numa só. A retenção, pelo diretor do Departamento de Segurança Interna, de recursos adequados dos Serviços Secretos à campanha de Trump pode ser integrada na explicação da incompetência. Portanto, temos duas opções, ambas apoiadas por provas ou provas circunstanciais: incompetência dos Serviços Secretos e uma pose de incompetência para encobrir um assassínio organizado.

O facto mais certo que temos é que, apesar da presença protetora dos Serviços Secretos e da polícia local, Donald Trump quase foi morto, uma pessoa foi morta e duas ficaram gravemente feridas. Nenhum dos disparos foi evitado pelos Serviços Secretos e pela polícia local, que só entraram em ação depois de Trump estar caído e presumivelmente morto.

Portanto, o que temos é o fracasso total dos Serviços Secretos. O que é que pode explicar esse fracasso total? Há quem diga que é o sacrifício da competência profissional à diversidade e à inclusão. E há provas disso. O regime de Biden ainda não fez uma única nomeação com base no mérito e na capacidade. Todas as nomeações foram feitas com base na raça, no género e na preferência sexual. Os profissionais dos Serviços Secretos têm-se queixado destas nomeações não profissionais e salientado que a competência da agência tem sido comprometida pela “diversidade, equidade e inclusão”.

Independentemente da razão, seja incompetência ou cumplicidade, é evidente que a diretora dos Serviços Secretos falhou. Não conseguiu proteger Trump e, se se tratou de um assassinato oficial, não conseguiu eliminar o alvo. Então, vai demitir-se? Claro que não. Será promovida a um cargo mais elevado, exatamente como aconteceu com todos os que não conseguiram impedir o ataque de 11 de setembro nos EUA.

Vejamos alguns dos indícios de que a incompetência é um disfarce para uma conspiração para assassinar Trump. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o facto de os telhados dos edifícios estarem desprotegidos. Na minha qualidade de antigo Secretário Adjunto do Tesouro, nos tempos em que os Serviços Secretos reportavam aos Secretários Adjuntos do Tesouro, isto pareceu-me inconcebível.

Também achei inconcebível que uma pessoa com uma espingarda pudesse aparecer numa zona protegida e subir a um edifício, onde ficava com uma visão clara de uma pessoa alegadamente protegida, e não ser abordada.

Inicialmente, foi-nos dito que os edifícios tinham, de alguma forma, escapado à zona protegida. Mas, mais tarde, ficámos a saber, o que vale o que vale, que o edifício com o assassino no topo estava ocupado por forças policiais ou dos Serviços Secretos. Como é que é possível que o assassino não tenha sido visto e detido?

Sabemos que os Serviços Secretos foram cúmplices do assassínio do Presidente John F. Kennedy e de Robert F. Kennedy, privando assim a América de uma liderança instruída e consciente. (Ver sobre esse assunto o texto aqui.

Sabemos, com base no processo civil que a família de Martin Luther King ganhou, que a versão oficial do assassínio de Martin Luther King é um encobrimento do que parece ter sido uma operação do FBI.

Tantos livros foram escritos por insiders que documentam o assassinato pela CIA de líderes estrangeiros que adotaram uma linha diferente da linha que Washington insistia em impor, que temos provas concretas de que Washington usa a força bruta para impor a sua agenda.

Com os Estados Desunidos – os azuis e os vermelhos – mais divididos do que a divisão causada pela determinação do Norte em impor um regime tarifário à custa do Sul, a noção de Trump de que pode alcançar a unidade é uma fantasia.

Não há possibilidade de unidade. O bem e o mal não podem ser unificados.

A responsabilidade de Trump, partindo do princípio de que uma segunda e uma terceira tentativa de assassínio não serão bem-sucedidas, é erradicar o mal que está nas mãos dos democratas, nas mãos da esquerda liberal, nas mãos dos intelectuais, que transformaram os Estados Unidos da América numa Torre de Babel de Sodoma e Gomorra.

Trump não pode levantar o punho e dizer “lutar, lutar, lutar” e depois comprometer-se com os seus e os nossos inimigos para unir os americanos com o mal.

A única coisa que me impede de estar convencido de que a tentativa de assassinato foi uma conspiração do Deep State para se livrar de Trump é a ausência de uma narrativa pré-preparada para ser repetida incessantemente pelos presstitutos. No entanto, a narrativa oficial pode ter sido preparada para cobrir um assassinato bem-sucedido, não um assassinato falhado. Nesse caso, não existe uma narrativa pronta. Será interessante ver que narrativa as elites governantes irão construir.

Fonte aqui.


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