Minhas ideias sobre a tentativa de assassínio de Trump

(Chris Hedges, in Resistir, 14/07/2024)

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O assassínio de Trump não eliminaria o anseio de dezenas de milhões de pessoas, muitas delas condicionadas pela direita cristã, por um líder de culto. A maioria dos líderes da direita cristã construiu os seus próprios cultos.

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O atentado a Trump era bastante previsível

(Por Alexander Dugin, na página de Raphael Machado, in X, 15/07/2024)

O atentado a Trump era bastante previsível. Não há dúvida de que tudo foi organizado pelos globalistas com o apoio da parte do Deep State que os sustenta. A única maneira de manter o vovô desmiolado no poder é matar Trump, que de outra forma, dadas as circunstâncias, venceria quase certamente. O atirador foi imediatamente eliminado por um franco-atirador dos serviços secretos para acertar as contas. Em essência, houve uma tentativa de golpe de estado nos Estados Unidos.

O chefe do GUR ucraniano, Budanov (reconhecido como terrorista na Rússia) admite abertamente que os DRG ucranianos tentaram repetidamente realizar ataques terroristas contra Putin. Na Eslováquia tentou-se remover o Primeiro-Ministro Robert Fico, que se opõe ao apoio à junta nazi de Kiev. Agora houve um atentado contra Donald Trump, que, aliás, é muito crítico em relação a Zelensky e ao seu regime. Este é o verdadeiro rosto da hegemonia e do mundo unipolar: qualquer um que se oponha ao globalismo, qualquer um que o obstrua, está sujeito primeiro à demonização (através dos instrumentos da cultura do cancelamento), depois à eliminação física, e os assassinos e terroristas, os criminosos e os criadores de genocídios, que servem os globalistas, são apresentados como combatentes pela liberdade e como “vítimas inocentes”. A propaganda de Kiev certamente afirmará que “Trump atirou na própria orelha”, e algo nesse sentido será insinuado pela mídia globalista, onde tudo é construído com base em mentiras cínicas e criminosas.

Não há dúvida de que a responsabilidade pelo atentado contra Trump, o líder da corrida presidencial dos Estados Unidos, é da fação de Obama, Blinken, Hillary Clinton e do finalmente fora de si Biden, que já avisou que “a liberdade está acima da democracia”, o que significa que a democracia e as suas leis estão, doravante, suspensas. Em nome da “liberdade” (de governar e continuar a governar) pode-se matar. O liberalismo está finalmente a tornar-se totalitário com todas as suas características, até o assassinato direto de políticos indesejados.

A arquitetura do poder no mundo está mudando radicalmente, passando do poder unipolar do Ocidente para vários polos. Esta é a multipolaridade. Trump representa os Estados Unidos como um dos polos – mesmo que o mais forte e poderoso – de um mundo multipolar. Os globalistas não se preocupam com os Estados Unidos como com qualquer outro país. O que eles precisam é do poder planetário, o poder absoluto do capital supranacional. E todos os países, incluindo os EUA e os da Europa, são apenas instrumentos para a criação do governo mundial. Trump é pela América e contra o governo mundial. Assim como Putin é pela Rússia, Xi Jinping pela China, Modi pela Índia e Orban, Fico, Marine Le Pen e o AfD pela Europa.

O mundo multipolar é um sistema de soberanias, enquanto os globalistas querem o único poder planetário, que caiu em suas mãos com o colapso do Pacto de Varsóvia e o colapso da URSS mas que agora está escapando de suas mãos e ao qual se agarram freneticamente. Os globalistas finalmente passaram à tática do terror direto. É um fato consumado, não uma série de coincidências. É hora de atacar a rede globalista.

Tucker Carlson disse-me em Moscovo que Trump teme seriamente ser assassinado pelos globalistas. Ao que parece, não sem razão.

Quanto mais o senil Joe se afunda na senilidade, mais provável é que Trump seja assassinado. Eles já tentaram uma vez. Pessoas morreram, pessoas foram feridas. Deus salve a América e toda a humanidade da quadrilha criminosa de liberais e globalistas.

Se não os pararmos agora, eles nos destruirão a todos.


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A guerra são os negócios por outros meios

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 15/07/2024)


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O atentado contra Donald Trump é uma comprovação. Os Estados Unidos são um estado cuja identidade é o negócio e, logo, a guerra. O bipartidarismo em que se expressa o domínio de uma oligarquia sobre outra é uma luta entre dois campeões de negócios. Tradicionalmente, os Democratas representam as oligarquias financeiras e os setores exportadores, especialmente as indústrias do entretinimento e a dos armamentos. Os Republicanos têm a sua base tradicional nas oligarquias associadas ao mercado interno, à agricultura e ao evangelismo.

O que está em jogo nas próximas eleições é a vitória da oligarquia que lucra com a imagem do capitão América nos cartazes e nos ecrãs de todo o planeta e com a venda de equipamentos militares e afins – a América que vive dos conflitos – ou a vitória da oligarquia que defende o mercado interno e depende dele, que joga pelo seguro de um mercado fixo de 400 milhões de consumidores, que se quer reindustrializar.

Biden representa a oligarquia de export e Trump a oligarquia que joga pelo seguro em tempo de crise: que se fecha sobre si para fazer a América grande antes de se meter em aventuras. 

Os financiadores da campanha de Biden necessitam da guerra na Ucrânia e sentem esse manancial de lucros em risco, com a derrota do seu campeão. O desespero é mau conselheiro. O atentado contra Trump seria sempre vantajoso para este. Mesmo que, com uma rebuscada teoria da conspiração, os democratas tentassem apresentar o ataque como uma habilidade à Bolsonaro, com a auto facada, os republicanos poderiam e estão a fazê-lo, passar a mensagem de que o atentado se deve à incúria, ao desleixo e até à cumplicidade das forças debaixo do comando dos democratas. Os democratas estão entre o fogo e frigideira: Trump vítima real é mais forte. Trump vítima fictícia também é mais forte.

Os europeus fazem em qualquer caso papel de papel higiénico. O que pode fazer a União Europeia e o Reino Unido para levar Biden a parecer vivo? Decretar mais sanções à Rússia? Incentivar Netanyahu a arrasar rapidamente a faixa de Gaza, e a enterrar os palestinianos que ainda lá sobrevivem para que a tragédia saia dos ecrãs das televisões? Assassinar o novo presidente do Irão? Lançar uma bomba nuclear tática na Crimeia? Provocar um incidente com um submarino russo no Mar Báltico? Convocar um grande conselho de estrategas portugueses com os doutores Nuno Rogeiro, Paulo Portas e José Milhazes, mais a doutora Ferro Gouveia e o general Isidro para decidir o caminho a seguir?

Se, como lemos, Hollywood retirou o pagamento e a propaganda a Biden, se a Lockeed Martin (fabricante dos F16 e dos F35) e a Boeing (fabricante de aviónicos) fizeram o mesmo, se Elon Musk está a equacionar desligar os satélites que tem sobre a Ucrânia a dirigir os seus misseis e antimísseis – se não há dinheiro, como manter o espetáculo da campanha de Biden no ar? 

Há duas américas, pelo menos. Os burocratas de Bruxelas e os mordomos ingleses apostaram as suas fichas no circo que anda em tournée e esqueceram-se dos rodeos.