E, digo eu, até é bom que assim seja! Em nome do País e em nome do nosso futuro é bom e salutar que haja um líder da oposição com este porte: que diga abertamente que concorda e apresente, aqui e ali, visões diferentes, mas sempre sem aquele jugo ideológico que tinha, por exemplo, o seu antecessor.
Ficou vincado que Rio, um homem de números, não conseguindo rebater esses mesmos, adoptou uma postura “estadista”, não se distanciando nem afastando de Costa, como quem diz eu até discordo em alguns pontos (;o Partido a isso obriga) mas, no fundo estamos de acordo, prestou neste debate um bom serviço ao País!
Mostrou ser um homem aberto e pragmático tendo sempre por fundo um País melhor e isso, comparativamente com o seu antecessor até que me agradou!
Mostrou ser um ser aberto e liberal e, acima de tudo, um político ( sem ter ares disso) em quem Costa até pode confiar para, num País como o nosso, levar avante realizações importantes e decisivas de que o País necessita.
É evidente para mim que esse não é, nem de perto nem de longe, o que o PSD de quem ainda é líder, assim pense e esse é o seu maior problema: o de afirmar-se perante os seus na sua maioria distanciados do seu pensamento pragmático e aberto.
Os comentadores de serviço que por alguns instantes ouvi falaram das espectativas e, como tal…mas como tal o quê? Pensavam ser Rio como Passos? Não e faço-lhe essa justiça!
Mas esse é o problema deste PSD, um partido de bases radicais e direitistas e que, a partir de hoje, mais vão odiar este líder que, definitivamente, não é o seu! E não ver ser pela sua prestação de hoje que a sua ideia vai mudar… Então votamos Costa como muitos já decidiram…
É que esta manifesta concordância e abrangência não lhes agrada. É e será um traidor, pensam muitos embora não o digam…
Números são números e ele nenhum dos apresentados por Costa desmentiu ( ele é um homem de números) e isso, para os seus ficou gravado na pele! Concordar com este Governo naquilo que ele é mais forte? Imperdoável..
Foi este debate decisivo? Claro que não mas foi, na minha humilde óptica, decisivo no seu manifesto anuimento aos números, incostentaveis, apresentados por Costa: os atestados e verdadeiros!
De modo que Rui Rio, mesmo pretendendo com esta postura, próxima à de Costa, mobilizar as suas direitistas bases deu um tiro no pé e mostrou à saciedade o quanto delas está distante!
Costa esteve igual a si próprio, ciente do trabalho feito e que todos, com mais ênfase ou menos ênfase, reconhecemos.
Que ficou do debate, afinal?
O de um Rio mortinho por trabalhar com Costa!
Estarei assim tão errado? Mas será que os “seus” deixam?!!!
Não, não me refiro ao André Ventura, um ex-candidato de Passos Coelho à Câmara de Loures, agora no partido BASTA, de extrema-direita, abertamente racista e xenófobo. É mau e inteligente, mas suficientemente claro para não iludir inocentes.
Há mais Andrés na política. André Silva, engenheiro, é a face visível do PAN, partido das «Pessoas-Animais-Natureza», mais de animais do que das pessoas ou da natureza.
Aconteceu-lhe ser protagonista de uma novidade que resultou, e temo que passe a líder do grupo parlamentar de um partido sem conteúdo, que entrou no comboio da ecologia sem conhecer as pessoas, os movimentos ecologistas e os seus objetivos.
Confrange a ignorância política, as contradições e a impreparação que o separam de políticos competentes, por mais afastados que ideologicamente se encontrem entre si.
Foi deprimente assistir a debates de André Silva com António Costa, Catarina Martins, Rui Rio, Jerónimo de Sousa e Assunção Cristas, e apreciar o desastre na argumentação, nos conhecimentos e nos objetivos. Não foi um líder político, foi o pastor evangélico da seita radical a que faltam apoiantes e sobram crentes. O PAN não é um partido político, é uma patologia mediática com ambições parlamentares conseguidas.
A benevolência da comunicação social, a proteção de que gozam as figuras exóticas e a facilidade com que a ignorância é promovida a pós-ciência, apagam a mediocridade das prestações televisivas e a indizível entrevista ao Expresso, com gente letrada a imaginar que daquela cabeça possa sair um programa, um projeto ou uma ideia para o País.
A benevolência com que é tratado o medíocre pregador de banalidades compromete os políticos, que não lhe desmascaram a ignorância, por calculismo ou receosos de serem vistos como arrogantes.
André Silva não é uma desilusão, é uma perigosa ilusão que pode sair cara.
Apostila – Era cómodo ignorar este epifenómeno do folclore eleitoral, mas era cobardia de quem não teme insultos da horda de acólitos que o seguem, silenciar a opinião sobre uma epidemia que lembra os movimentos anti vacinas e os das medicinas alternativas. Não são ideologias, são crenças.
Toda a gente diz há muito tempo que o actual modelo de campanha eleitoral está ultrapassado. Não vale a pena sequer lembrá-lo, porque ninguém está disposto a mudar a rotina desgastada das campanhas e, ano após ano, fazem sempre o mesmo. Umas vezes são mais caras, outras menos caras. Mas não só não há qualquer rasgo de inovação, como há uma geral indiferença face àquilo que todos sabem: a inutilidade e o carácter contraproducente das campanhas, que contribuem para a abstenção.
Os políticos não querem e não sabem ser diferentes, mas também não têm muita margem de manobra para o serem, ou porque não sabem nem querem — o populismo é o que está a dar — ou porque os militantes dos partidos estão viciados na rotina e ficam em abstinência se não lhes derem o festival de camisola. E a comunicação social penaliza a mudança.
Vejamos alguns destes factores. Os militantes partidários das estruturas fazem parte da pressão para se fazer sempre o mesmo. Querem o líder para passear na sua terra, levá-lo a cumprimentar o senhor Francisco, comerciante, que é muito “amigo” do partido, ou seja, ajuda a financiar as campanhas locais. E trazer o líder a encontrar os seus conhecidos locais é um factor de influência e importância, mesmo que tudo se passe numa redoma que nunca muda há dezenas de anos, a não ser quando o senhor Francisco morrer ou se zangar com o partido.
E há nos partidos quem goste muito de campanhas eleitorais. As campanhas hoje são essencialmente feitas em outdoors, em páginas do Facebook mais ou menos profissionalizadas e em pseudo-eventos de rua, e há muito dinheiro a ganhar aí. Militantes das “jotas” são pagos para acompanhar o líder em caravanas de terra em terra. Empresas e pseudo-empresas “amigas” ligadas aos partidos, ou, melhor, aos funcionários e militantes do partido, oferecem serviços de marketing, de importação de “brindes”, de organização de eventos, numa rede que se ilumina nas campanhas eleitorais.
A comunicação social, cuja cobertura é tão estereotipada como as campanhas, precisa dos eventos artificiais como as “arruadas” e os pseudocomícios para ter alimento de imagens, sons e incidentes anedóticos para encher os telejornais e os jornais e, se não lhos derem, desata a protestar pela “pobreza” da campanha, ou pelos “erros de comunicação”, ou a referir as ausências que devem ser punidas. Tudo isto se passa num ambiente de desertificação de ideias e propostas, e tudo o que é mais sério ou não é coberto ou é tido como sem interesse mediático.
E por aí adiante. Deviam todos parar para pensar, mas nos dias de hoje parar para pensar é tão contraditório com o estilo de vida centrado nos devices, nos telemóveis e nas redes sociais, que é um acto quase de per si revolucionário. E nós não temos uma abundância de revolucionários. E pensar exige tempo lento, silêncio, solidão e espaço e é tão hostil à ecologia da pressa, do barulho, das 24 horas em directo.
Uma das coisas que se podiam ir fazendo era restringir os temas de campanha e, sobre os temas, que sobrassem do pandemónio de querer falar de tudo, fazer propostas a sério, com princípio, meio e fim, com ideologia e política, e saber. Não são propostas tecnocráticas, são propostas políticas. E centrar tudo aí.
Eu admiraria um candidato que dissesse: “Eu vou gerir nos próximos quatro anos tudo o que tiver que gerir, sem rasgos especiais, nem inovações, nem experiências, nem “reformas”, o melhor possível, mas há duas ou três coisas em que vou mudar, e muito. Por exemplo, vou concentrar os recursos e meios do Estado para melhorar as condições de habitação dos portugueses, e julguem-me por isso. Vou mudar toda a rede ferroviária, modernizá-la, e colocá-la ao serviço dos utentes dos transportes e das empresas. E julguem-me por isso. Vou baixar o nível da pobreza de forma significativa e reconstruir o elevador social. E julguem-me por isso. Direi com clareza como o conto fazer e com quem o conto fazer, e as decisões que devem ser tomadas, quem fica a ganhar e quem fica a perder. Defrontarei os interesses e os privilégios que impedem a mudança. E é isso que vou discutir na campanha eleitoral. Não esperem de mim qualquer omnisciência de ter que responder a tudo, até porque há matérias que não domino, mas sei escolher quem as conhece e sei ouvir o que me dizem.
Não vou fazer 50 coisas, vou fazer três, mas três estruturantes. Em todos estes casos vou concentrar recursos, meios e conhecimento especializado. No fim do mandato, as mudanças têm que ser significativas e inequívocas, serão de natureza quantitativa e qualitativa e, se for um problema que possa ser resolvido por umas décadas, ficará resolvido. Julguem-me por isso. E irei candidatar-me de novo a um outro mandato da mesma forma, com mais três programas estruturantes, seja o interior, seja a modernização da administração pública, seja o combate à corrupção, seja a reforma das Forças Armadas.”
A campanha seria, assim, séria e sóbria, mas colocaria a comunicação social a subir pelas paredes acima, com o aborrecimento da campanha. A prazo, provavelmente teria uma fase de “estranha-se”, antes de ter uma fase de “entranha-se”. Por isso, precisa de tempo, e provavelmente não será “ganhadora”, a curto prazo, mas com perseverança, seria pedagógica e refrescante. Em vez da “novidade” superficial e do ruído, das modernices da moda, dos truques e das frases assassinas preparadas pelas agências de comunicação, faria um esforço para ser útil. Admito que me digam que tal é hoje completamente impossível na ecologia mediática dos nossos dias. Talvez. Mas eu não acho que essa ecologia seja um progresso da democracia, bem pelo contrário.