BASTA, André!

(Carlos Esperança, 16/09/2019)

Não, não me refiro ao André Ventura, um ex-candidato de Passos Coelho à Câmara de Loures, agora no partido BASTA, de extrema-direita, abertamente racista e xenófobo. É mau e inteligente, mas suficientemente claro para não iludir inocentes.

Há mais Andrés na política. André Silva, engenheiro, é a face visível do PAN, partido das «Pessoas-Animais-Natureza», mais de animais do que das pessoas ou da natureza.

Aconteceu-lhe ser protagonista de uma novidade que resultou, e temo que passe a líder do grupo parlamentar de um partido sem conteúdo, que entrou no comboio da ecologia sem conhecer as pessoas, os movimentos ecologistas e os seus objetivos.

Confrange a ignorância política, as contradições e a impreparação que o separam de políticos competentes, por mais afastados que ideologicamente se encontrem entre si.

Foi deprimente assistir a debates de André Silva com António Costa, Catarina Martins, Rui Rio, Jerónimo de Sousa e Assunção Cristas, e apreciar o desastre na argumentação, nos conhecimentos e nos objetivos. Não foi um líder político, foi o pastor evangélico da seita radical a que faltam apoiantes e sobram crentes. O PAN não é um partido político, é uma patologia mediática com ambições parlamentares conseguidas.

A benevolência da comunicação social, a proteção de que gozam as figuras exóticas e a facilidade com que a ignorância é promovida a pós-ciência, apagam a mediocridade das prestações televisivas e a indizível entrevista ao Expresso, com gente letrada a imaginar que daquela cabeça possa sair um programa, um projeto ou uma ideia para o País.

A benevolência com que é tratado o medíocre pregador de banalidades compromete os políticos, que não lhe desmascaram a ignorância, por calculismo ou receosos de serem vistos como arrogantes.

André Silva não é uma desilusão, é uma perigosa ilusão que pode sair cara.

Apostila – Era cómodo ignorar este epifenómeno do folclore eleitoral, mas era cobardia de quem não teme insultos da horda de acólitos que o seguem, silenciar a opinião sobre uma epidemia que lembra os movimentos anti vacinas e os das medicinas alternativas. Não são ideologias, são crenças.

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27 pensamentos sobre “BASTA, André!

  1. Esta campanha contra o PAN já mete nojo.

    Andam para aí a roubar e a dar cabo do país e depois o problema é quem queira defender um gato…

    Este senhor da seita da extrema esquerda, em 30 anos nunca obstou a que o PCP, que de ecológico não tem nada, ande a queimar a imagem da ecologia com um partido verde fake só para ganhar tempos de antena.

    Mas aparece um verdadeiro partido ecologista desata a insultar a chamar nazis e tal.

    Os gajos do PAN acabaram de chegar á politica e não têm tanta experiência como gajos que andam lá hà vinte anos ?

    Granda novidade ó Esperança, você deve ser um génio para andar a descobrir estas coisas.

    Mas com tanta hipocrisia já me estão a dar vontade de ir votar no PAN.

    Antes animais que esta gente…

  2. O pan (assim mesmo) foi criado para ser muleta do PS; de resto foi o Costa que mais visibilidade lhe deu, chegando mesmo a afirmar que o pan poderia ser um “ajudante” na próxima legislatura

  3. O Sr. Esperança começa o artigo com uma “boca” contraditória: Diz que o PAN é mais de Animais do que de Pessoas e Natureza. Então os Animais não fazem parte da Natureza ?
    E além disso, foi o PAN que, com a sua acção, obrigou os outros partidos a incluirem nos seus programas, assuntos relativos ao Ambiente.
    Mais análises podia fazer ao artigo que não é mais que uma cambada de ofensas, mas acabo com uma pergunta (que podia ser também dirigida ao CDS):
    Estes ataques, não serão fruto do medo que têm do PAN ser mais votado que o partido a que o Sr. Esperança pertence?

    • Em que ficamos sr. Ricardo: é PAN ou PN? Ou o pleonasmo, segundo o seu critério, é dar uma mão à patinha!
      Pensa que a teatralidade amadora do seu PN também vai obrigar os outros partidos a fazer campanha de rua com criancinhas de meses ao colo! (vidé acção de pré-campanha este fim de semana na Madeira).
      Na área política o PAN é um sucedâneo do prof. Karamba na astrologia.

  4. Ui?

    Nota. Ó Carlinhos: o André Silva percebe mais da poda do que fala do que tu quando apinocadamente aparecias nas TV’s como presidente (cof! cof! cof!) tal Associação dos Infiéis que criaste. Aliás, o novo presidente daquela empresa unipessoal vai pelo mesmo caminho: vai-se ver quem é o rapaz e é qualquer coisa das engenharias, vai-se ao site da BNP e tem um único livro publicado (uma sebenta sobre engenharias, claro!, na editora da famosa Universidade Lusófona…) e são nulas as referências sobre o seu curriculum na net (as que há, obviamente, são sobre ainda e sempre sobre as engenhariaa). Como levas bastante porrada no lombo, nem preciso de me esticar.

  5. Afinal a esquerda humana, funcional e pragmática está limitada a um partido muito específico. Tudo o resto é para enxovalhar. Mas, como é normal nestes ataques de frustração, o “artigo” foca no mensageiro sem sequer se atrever tocar na mensagem, algo que cobre o Sr. Esperança de legitimidade sem dúvida.
    Há dez anos atrás, quando tentava discutir política com alguém com menos de 40 anos, a resposta era sempre a mesma: “Política? Não me interessa.” Para os jovens (e não só) a política sempre foi uma novela muito aborrecida, com personagens muito mal escritos e sem qualquer enredo. Para eles, “gostar” de política era como seguir curling ou coleccionar tubos de escape: algo muito específico, que requer muito tempo para se entender e extremamente aborrecido para todos os outros. Mas ficam sempre tudo muito chocado quando a abstenção ronda os 50%…
    A política portuguesa dos últimos 45 anos é um circuito fechado, uma câmara de eco. É onde conversas inteligentes e importantes sobre política a sério morrem, abafadas por milhares de artigos de opinião irrelevantes, centrados em torno dos políticos – do que fazem, dizem e comem – ignorando completamente as consequências das acções legislativas, constantemente arrastando o discurso para o banal e irrelevante (desde 2015 que artigos deste blog que comecem com “Rio disse”, “Cristas fez” ou “Costa responde” vão automaticamente para o lixo. Paciência para banalidades = 0)
    Daí que não me espanta nada a repugnância que a malta mais nova mantém neste sentido e há que agradecer aos Carlos Esperanças deste mundo por tal.
    Agora, de onde vêm toda esta inveja? Todo este fel? Bem, quando se baseia toda uma carreira em discutir o sexo dos anjos, quando a profissão é escrever sobre lugares comuns enquanto se espera o próximo sound bite do Costa (há que elogiar a seguir) ou do Rio (há que insultar a seguir), um partido como o PAN troca as voltas todas a esta gente.
    Começa logo com o PAN a enviar a dictomia esquerda-direita para a reciclagem. Só isso já deixou estes escribas da treta a espumar da boca. E agora? Onde é que eles se colocam? 40 anos disto e agora nada? Afinal o Benfica só faz sentido se houver um Sporting e/ou um FCP!
    O segundo pontapé nos túbaros surgiu com a extraordinária productividade legislativa do PAN no último parlamento. Bolas, houve alturas que até o BE ficou a ver estrelas, quanto mais os outros. É que ao contrário dos partidos do costume, com especial ênfase no PS e PSD, o PAN não fica escondido nos arbustos à espera da melhor altura para passar legislação, obcecado com décimas percentuais das sondagens da Católica.
    Por fim, depois de 4 anos disto, os portugueses estão a começar a acordar para o efeito. Goste-se ou não, o PAN colocou os jovens a falar e a discutir política e não há nada de negativo nisto (excepto para os Esperanças, Oliveiras, Tavares e demais). E o melhor? A discussão é sobre o que o PAN faz, quer fazer e para onde vai. Sim, por enquanto é principalmente centrada em torno de questões ambientais. Mas tendo em conta que as maiores ameaças à existência humana a curto, médio e longo prazos são as alterações climáticas e a perda de biodiversidade, faz algum sentido perder anos a discutir formas de baixar o défice em 0.01% quando o Alentejo está cada vez mais parecido com o Sahara e a baixa Lisboeta pode ficar debaixo de água na próxima década? Mas o que deixa os bananas do costume com o rabisque assado é que quando o PAN sai fora da matriz original, a sua abordagem pragmática continua a humilhar o resto dos bananas do parlamento.
    O André Silva não perde tempo com beijinhos em mercados, com sondagens online em como usar a barba ou a dissecar até à exaustão o que é A ou B disse ou queria dizer. As novas gerações (e algumas das velhas também) não têm paciência para discussões políticas de tasca. Há literalmente milhares de coisas mais interessantes para ver e fazer que discutir as costuras dos vestidos da Cristas, a sola dos sapatos do Costa ou a densidade capilar do Rio. O PAN está a cilindrar os partidos do costume porque, finalmente, os portugueses têm uma alternativa política funcional e pragmática, suficiente para os motivar ir votar no próximo mês.
    Enquanto o PAN resistir à típica complacência que infesta todos os demais partidos portugueses, enquanto evitar as discussões irrelevantes em torno dos personagens políticos e enquanto se mantiver fiel a matriz ideológica independente que apresentaram até aqui, podem contar com o meu voto.

    • E que tem o PAN a dizer sobre os direitos laborais? Sobre a subcontratação e PPP no SNS? Sobre o CETA? Sobre o funcionamento do Euro, a união bancária ou o novo fundo de investimento alemão? Sobre o financiamento da SS? Sobre as taxas de imposto e o investimento?
      Coisas menores face aos hospitais para cágados e piriquitos, mas ainda assim importantes.

      • Basta ir ler o manifesto. Está lá tudo.
        A noção que só os partidos “velhos” é que sabem governar, que o resto anda só a compor o boletim de voto para não parecer mal, pois, é graças a essas atitudes que agora anda tudo com as mãos na cabeça sem saber como tocar no PAN.
        A grande indisposição vêm do facto de o PAN ter agarrado o eleitorado que o PS e PSD andam a salivar à séculos: os novos. Pois, é que o PS pode ganhar a maioria absoluta em Outubro mas nas próximas eleições, o facto de os seus votantes terem o péssimo hábito de morrer de velhice é capaz de estragar as contas à dinastia política. Temos pena. Como disse atrás, tiveram décadas atrás de décadas para inverter a matriz manhosa que hoje os caracteriza e ao invés apenas carregaram na narrativa bolorenta que têm afastado os portugueses da política. Agora anda tudo aflito a comparar o PAN com a extrema-direita (a idiotice da comparação nem merece discussão) que é como quem diz, “pode ser que esta cole e ainda tiramos mais uma década de mais do mesmo com isto”.
        Hoje as pessoas andam preocupadas com o ambiente e o futuro em geral. Dos do costume só se ouve a lenga-lenga cansada do mais do mesmo, um chorrilho de chavões que apenas servem para confundir os velhotes confusos nas bancas do mercado matinal e pouco mais.
        O PS e o PSD também tiveram que aprender (mal, mas vá), ou se calhar o Soares e o Sá Carneiro nasceram ensinados?
        O André Silva é engenheiro de profissão, assim como a maioria dos elementos do partido. Sinceramente, sinto-me mais confortável em entregar a economia do país a uma pessoa que ao menos sabe fazer contas e mexer numa folha de Excel. Já o António Costa nem Inglês decente consegue falar…

        • Está lá tudo? O programa eleitoral é uma declaração de intenções muito bonito, sem um único número, sem uma única previsão económica, sem uma única referência aos impedimentos dos acordos assinados, sem uma única menção de onde estão os recursos para tanta coisa.
          Se sabe fazer contas, que as mostre.

              • Siiiim.

                Nós conhecemos as “contas certas” dos partidos que nos têm governado nos últimos 40 anos.

                Aquilo é só génios da matemática.

                Curiosamente a esses já os cruzados anti-pan exigem nada.

                Porque será ?

                • O problema não é não serem génios da matemática, é acharem que o que vem de Berlim é aplicável na vida real.
                  Mas, no entanto, já que o PAN também quer fazer boa figura na Eurolândia, tem que fazer o mesmo faz-de-conta… nem quer saber, o que teria consequências bem piores.
                  Não é uma questão de exigir ou não exigir aos outros. Perante o compromisso, assumem cumpri-lo. O PAN ignora-o, sem alternativa e sem assumir as consequências de um plano de intenções.

              • Calculo que deva andar estático com todo o progresso que o PS, PSD e demais fizeram até aqui nessas questões.
                Até porque o Soares e o Sá Carneiro nasceram ensinados…
                Velhos do Restelo, afinal andam por todo o lado. Reclama, reclamam mas na realidade é apenas um grito patético por uma atenção que nunca realmente comandaram. O PAN não foi o primeiro nem vai ser o último partido a entrar na assembleia e exigir mudança. É uma das consequências da evolução humana: novas ideias e novas abordagens eventualmente que deixam os velhos que falharam em evoluir a contemplar a própria extinção. Como o cérebro já não tem a plasticidade de antigamente, olha, limitam-se a reclamar, chorar e a implorar por mais umas décadas de mais do mesmo…
                Depois estranham quando os partidos do costume se revelam complacentes e inúteis. Pudera! Assim que o PS e PSD se aperceberam que há pelo menos 1 milhão de tansos que votam neles cegamente e que o outro milhão de “independentes” se limita a saltitar entre um e outro a cada 4 anos, que motivação sobra para ser excelente? Se está ofendido com a popularidade do PAN só têm a si, e todos os outros ceguinhos ideológicos, a culpar. Caso o PS ou o PSD se tivessem mantido fiéis à sua matiz ideológica inicial, o PAN provavelmente teria surgido como uma iniciativa partidária desses lados. Infelizmente para si, já não estamos em 1977…

                • Não sou culpado de eleger deputados responsáveis, tenho pena de estragar o discurso.
                  Não tenho nada contra a mudança, grande parte são boas e inevitáveis a longo prazo, mas não se fazem só porque se quer. Há que considerar alocação de recursos, prioridades, contrariedades, negociação e por aí adiante.
                  Um partido que nem arranja suplente para um debate não parece que leve isso muito a sério.

  6. Esperança… só de nome… como não chegam a lado nenhum, encostam-se à sombra de pseudo ideologias e atacam quem os incomoda. Posicionar-se na sociedade é uma coisa, abrir a e vomitar tanto fel é… NOJENTO. Seu ateu de meia tigela, pseudo qualquer coisa.

  7. Não sei quem é Carlos Esperança mas o que aqui escreve está na linha de uma certa vaga anti-PAN que, tendo começado com pequenos grupos como os caçadores e toureiros, junta actualmente pessoas de quase todas as áreas políticas, por vezes tão diferentes como o PCP e o CDS, já para não falar de jornalistas, comentadores profissionais, etc.
    O excelente comentário de Ricardo Almeida (12:30) explica bem as causas da irritação e da agitação que tem provocado este pequeno partido com apenas um deputado no parlamento, o que é uma coisa invulgar, pois não parece haver nada no seu programa que seja racionalmente condenável, antes pelo contrário.
    Mas estes ataques gratuitos, caricaturais e muitas vezes grosseiros dizem mais sobre quem os faz do que sobre o PAN – revelam intolerância pura e simples, de que nem os próprios se apercebem. O facto de expor assim, mesmo que involuntariamente, essa hipocrisia é mais uma razão para se saudar o aparecimento do PAN na política portuguesa e acompanhar com atenção o seu percurso.

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