Semanada

(In Blog O Jumento, 23/10/2016)
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A rezar ao diabo

 

Esta era a semana que Passos Coelho esperava há vários meses, setembro seria o mês da desgraça orçamental o que levaria a DBRS a baixar a notação da dívida soberana para lixo e daí a um segundo resgate era um passo. Voltaríamos a ver um filme que já passou no nosso país, os juros baixariam, a direita europeia faria as acusações do costume a Portugal e Passos exigiria eleições antecipadas, as tais eleições com que ele sempre sonhou. Só que Passos anda com azar e tudo sucedeu ao contrário.
Com o PSD sempre em queda nas sondagens, com a Assunção Cristas a subir, com um vice-presidente a emigrar e o Marco António mais escondido do que o Pedro de Arouca, resta a Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque fazerem pela vida.
A deputada em part time lembrou-se de ser vice-presidente do PSD e fez umas declarações, Passos desatou a dar entrevistas e até vai deixar de fazer de morto na discussão do OE, promete fazer propostas, pelo que se espera que sejam as reformas de que tanto fala, cortes de vencimentos, de prestações sociais e de reformas.
Enquanto um Pedro tenta ressuscitar, o Pedro de Arouca anda desaparecido e até já circulam piadas na Net em que ele promete que só aparece quando o SCP for campeão nacional. Entre diretos de 24 horas por dia na TVI24 e na CMTV e declarações a correr de uma senhora que é coordenadora não percebi bem do quê, só reparei que se chamava Fazenda, anda por aí muita confusão sobre se há ou não coordenação. Uma coisa é estranha, um MP que tanto gosta de mediatizar a investigação criminal faz agora de conta que nada tem que ver com o assunto.

Ó Gomes Ferreira, arranja outra táctica

.(Por Estátua de Sal, 21/10/2016)

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José Gomes Ferreira

O Passos dizia que vinha aí o diabo. Uma das hipóteses era que ele entrasse pelo Ártico, via Canadá, trazido no trenó da DBRS, a tal agência de rating que dá à dívida pública portuguesa a notação de  “investimento”, permitindo assim que o BCE a vá comprando.

Hoje mesmo, soubemos que não veio e que, até Abril, não vai entrar pelo Norte. A DBRS, manteve a notação da dívida portuguesa no nível de “estável”, como era esperado, o que só pode ser positivo para o país, pelo menos no curto-prazo.

Chamado a comentar o evento na SICN, o Gomes Ferreira, lá foi dizendo que é uma boa notícia, um pouco a contragosto, digo eu.
Mas o mais inédito foi a sua crítica à agência de rating. Que não dá “ponto sem nó”, que nada é “de borla”, que é “pró-cíclica”, que não faz boas avaliações, etc.

Ou seja, a DBRS seria boa se tivesse cortado o rating da República. Como não o fez, é porque é parcial, e porque falseia a realidade e age dessa forma porque tem ganhos económicos com isso.

O GF parece um marciano. Então não é dessa forma que todas as ditas agências agem?! Acha o GF que as notas das agências tem alguma coisa a ver com os “fundamentais” das empresas e dos países? Se acha eu só lhe posso chamar tolo e manipulador. Antes da crise de 2008 o Lehman Brotters tinha uma nota de +AAA dado por todas as agências de rating e foi o que se viu: faliu e estava mais que falido há muito tempo.

Portanto, não querendo sublinhar a vitória do país, logo do Governo de Costa, GF optou por descredibilizar a DBRS e a nota que dá à dívida portuguesa.

Só me resta dar um conselho: Ó GF muda de táctica. Já ninguém te leva a sério. Se tiveres dificuldade telefona ao Jorge Jesus para te dar a táctica discursiva que deves usar e quais os reforços a comprar em Janeiro para seres mais credível.

E se não confias no JJ telefona ao Diabo. Ele, apesar de não aparecer, costuma atender as chamadas a tipos como tu, com vocação para a aldrabice, que me parece ser uma qualidade que te vai muito bem com o tom de pele.

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