A Cristas diz que António Costa julga que está num país das maravilhas

(Dieter Dellinger, 27/08/2018)

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(A Sãozinha e o Melo tiraram o verão para satisfazer uma paixão de infância que já tinham esquecido: brincar aos comboios. A Cristas tem-se divertido imenso e em cada estação onde pára, sai uma crítica ao Governo e às “esquerdas encostadas”, como ela adora dizer. 

O mais ridículo é ela falar de “encostos” à esquerda, quando o CDS nunca contou para nada na política em Portugal, a não ser quando se “encostou” ao PSD.

Comentário da Estátua, 27/08/2018)


Ela mostra o seu profundo desconhecimento da economia e situação mundial comparada com a zona euro e com Portugal.

Portugal tem uma taxa de desemprego da ordem dos 6,9% e a Zona Euro está nos 9,2%. O PIB português cresce um pouco mais que a zona euro, sendo, contudo, bastante mais baixo que o dos países mais ricos, mas não com uma diferença gigantesca.

Portugal tem uma dívida externa real muito mais baixa do que dizem as estatísticas devido à entrega de dívida pelo BCE ao BP e às reservas para amortizações, sendo da ordem dos 92% reais. Mário Centeno conseguiu gerir as finanças europeias no contexto europeu a ponto de ser eleito para a presidência do Eurogrupo, o que é algo que nem a Cristas nem a Catarina Martins entendem.

A Zona Euro é, sem dúvida, o país das maravilhas do Mundo inteiro, pois com 4,5% da população mundial detém 15,6% do Pib também mundial.

O Pib português é de aproximadamente 75% da Zona Euro, o que supera em muito o PIB per capita da maioria das nações do Mundo.

Portugal não é o primeiro país do Mundo e seria estúpido pretender que fosse quando não possui recursos naturais como carvão e ferro que deram origem à revolução industrial e tem um clima instável que não permite rendimentos regulares aos agricultores.

Mesmo com essas dificuldades, o que mais se discute é o pequeno atraso de comboios que não são todos novos quando há 6 milhões de automóveis e outros tantos contadores domésticos, segundo as estatísticas da EDP e que significam habitações independentes em prédios ou moradias. Além disso, todos os verões discute-se a falta de algum pessoal aqui ou acolá porque todos os trabalhadores têm o seu direito a um mês de férias acrescido de um segundo ordenado.

Estes número dizem pouco para quem desconhece os dramas que acontecem no Mundo. O nosso vizinho continente africano tem 54 nações e cerca de 15% da população mundial e apenas 1% do PIB de todo o Mundo.

Mais de metade da população africana desejaria emigrar para a Zona Euro e a maior parte dos seus países estão na miséria total como estão muitos da América Latina, a começar pela Venezuela, e da Ásia.

A zona euro é muito mais rica que outros países da União como a Polónia, Roménia, Bulgária, etc.

O desastre humanitário em vastas zonas do Mundo não tem comparação com nada no passado e já desembarcam africanos em Cádiz e qualquer dia chegam às costas algarvias.

O Mundo está a caminho de um imenso desastre humano devido ao excesso de população e falta de recursos. Portugal não tem esse excesso e a sua natalidade é baixa com uma elevada esperança de vida.

Portugal tem uma elevada percentagem de população envelhecida que não ficará por cá até aos 150 anos de idade. De acordo com as fórmulas matemáticas das “filas de espera”, a população infantil de hoje terá de sustentar uma população reformada equilibrada, ou seja, muito inferior à população ativa, mesmo que se viva para além dos 90 anos de idade.

Enfim dizer mal sem literacia matemática ou estatística é fácil e demasiado estúpido. Inteligente é conhecer os dados e isso está arredado dos neurónios da Cristas.

O CDS e os arruaceiros de serviço

(Carlos Esperança, 26/08/2018)

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Enquanto a comunicação social neoliberal, com laivos fascizantes, hesita entre o CDS e o promissor Aliança, à espera de nova chefia no PSD, cabe à Dr.ª Cristas e ao inefável Nuno Melo, ainda pesaroso do passamento do cónego Melo, que tão tarde se finou, a liderança dos ataques ao PS e ao BE.

Não se julgue que poupam o PCP, apenas usam a arma mais eficaz, esquecem-no como o fazem os seus órgãos de comunicação. É a melhor forma de o combaterem.

Recentemente, a Dr.ª Cristas reclamou indemnizações para os ‘espoliados do Ultramar, infelizmente perdido’, aceitando que o atual governo, quando demasiado substanciais, as dividisse por vários orçamentos. Pensou certamente em quem vivia do trabalho e não nas empresas que o pai herdou. É surpreendente o seu esquecimento nos governos que integrou, a omissão dos que lutaram pela libertação das colónias e dos que morreram ao serviço da ditadura, na guerra que nunca condenou, a protegerem as empresas do avô.

Voltemos à conduta da excelsa Senhora e do truculento Nuno Melo, ambos ousados no ódio que destilam, alheados da urbanidade, com insulto fácil e antena aberta para todos os despautérios.

Denunciam o desgaste da ferrovia, que Ferreira do Amaral matou com o betão e Durão Barroso com a miopia que privou Portugal da alta velocidade, quando havia apoios da UE, e do aeroporto, agora urgente e dependente da ANA, levianamente privatizada. Quanto aos comboios, podiam informar-se junto de Manuel Queiró, seu correligionário, ex-presidente da CP que, com a sua experiência, os pouparia às asneiras que debitam.

Limpam lixo nas praias, para as câmaras televisivas, e não o evitam no CDS. São hábeis no ruído mediático e inanes nas ideias e projetos para o País. Nuno Melo fala da alegada dívida dos estaleiros de Viana do Castelo para com Paulo Portas, que os privatizou, e cala-se com os submarinos.

A deriva reacionária do CDS levou o seu fundador, Freitas do Amaral, a abandoná-lo e o PPE a expulsá-lo. Só voltou ao convívio da internacional conservadora e demo-cristã graças a Durão Barroso, para formar o Governo que comprometeu o País na invasão do Iraque e empolgou, com a participação no crime, a direita que o apoiava.

Hoje é o PPE que se aproxima do CDS de Nuno Melo e da Dr.ª Cristas.

Triste sinal dos tempos!

Dr.ª Cristas justiceira

(Por Carlos Esperança, in Blog Ponte Europa, 08/08/2018)

 cristax

A Dr.ª Cristas apareceu no ministério da Agricultura como António Barreto, num antigo Governo do PS, ou Pilatos, no Credo Romano. Não se adivinham as obscuras razões.

A Dr.ª Cristas, confundindo eucaliptos com legumes, incentivou a cultura intensiva dos primeiros e jamais imaginou a jurista que as couves e os nabos não são a matéria prima das celuloses, e bastava-lhe ler jornais para perceber que o aquecimento global, de que só Trump duvida, e os eucaliptos têm uma ação devastadora nas florestas nacionais.

Para cúmulo da ironia foi a Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território no XIX Governo e só perdeu as pastas do Ambiente e do Ordenamento do Território depois da demissão do irrevogável Portas para, no regresso as ceder a Jorge Moreira da Silva, um ministro que acrescentou ao CDS, além da vice-presidência do Governo para si próprio. A Dr.ª Cristas continuou na Agricultura e no Mar.

Conhecida pela lei dos despejos, gosto das touradas e pela leviandade com que aceitou a resolução do BES, sem conhecer o assunto e indiferente às consequências, a pedido da amiga, ministra das Finanças, é hoje a voz da ciência e a consciência crítica do país que finge conhecer. Perora sobre tudo e parece o Nuno Melo de saias, a debitar a raiva da pequenez do partido que Portas lhe endossou.

Enquanto o menino guerreiro, sem generais nem soldados, se prepara para ser o Manuel Monteiro do PSD e Rui Rio é pasto das chamas do seu grupo parlamentar, os jornais e as televisões, sem saberem quem hão de ouvir no PSD, procuram-na com a avidez com entrevistam o PR em calção de banho e lhe exibem a flácida ginecomastia bilateral.

Nos intervalos dos incêndios, Marcelo e Cristas são os convidados de turno de todos os programas.

É nauseante ouvi-la criticar os contratos dos 40 helicópteros que não previram o uso de retardantes, como se a ausência do ‘espumífero’ fosse incúria do Governo, declaração que a comunicação social amplificou, e não fosse motivada por reduzir a capacidade de transporte de elementos operacionais a bordo. D. Cristas ignorou que “nos contratos celebrados para o período 2013-2017 não foi prevista, igualmente, a utilização destes produtos”, apesar de integrar esse governo, onde chegou a ministra da Agricultura, tal como o Conde d’Abranhos a ministro da Marinha, apesar de enjoar.

Mas o pior de tudo é ouvir esta direita falar de ética. Haverá mais leveza ética do que a ida de Barroso para a Goldman Sachs, após a crise financeira da UE, emprego dourado aparentemente negociado ainda antes da sua saída de presidente da CE? Ou da ministra das Finanças, Maria Luís, para assessorar a Arrow Global a aconselhar o fundo abutre em operações de risco que podem envolver Portugal, com saberes que não adquiriu pela via académica ou profissional, mas pela tutela do ministério das Finanças?

Para esta direita, vale tudo. E tem sólidos apoios e cumplicidades insuspeitadas!


Fonte aqui