O custo da vacina para o Covid-19 da Big Pharma será pago em vidas e em milhares de milhões de dólares

(Paul Craig Roberts, in Resistir, 10/05/2020)

A grande indústria farmacêutica (Big Pharma) e seus apaniguados tais como Anthony Fauci e Robert Redfield estão determinados a usar o Covid-19 para vacinar todos nós a expensas das nossas vidas e dos nossos bolsos. Eles estão a utilizar os media, profissionais dependentes de subsídios, revistas médicas e os media presstitutos para efectuar uma campanha de desinformação acerca de um tratamento barato e com êxito a fim de abrir o caminho para uma vacina provavelmente sem êxito e possivelmente perigosa – mas muito lucrativa.

O tratamento bem sucedido é a hidroxicloroquina-azitromicina e zinco. A Hidroxicloroquina tem sido usada durante décadas para tratar malária, lupus e artrite reumatóide, tendo décadas de registo de segurança. Apesar dos recorde de utilização segura, a Big Pharma e seus contratados cozinharam uma narrativa de desinformação, dizendo que se a tomar terá um ataque de coração. Como Trump endossou a hidroxicloroquina, toda a gente que está contra Trump por outras razões optou pela linha da Big Pharma como mais uma via para o objectivo de desacreditar Trump.

A matéria de facto é que médicos envolvidos com o tratamento do Covid-19 relatam resultados de grande êxito com a hidroxicloroquina. Tenho postado um certo de relatos nos quais médicos e cientistas renomados informam a eficácia e a segurança geral da hidroxicloroquina.

Ver por exemplo:
www.paulcraigroberts.org/…
www.paulcraigroberts.org/…

A notícia do êxito da vitamina C no tratamento do Covid-19 também é objecto de desinformação por parte da Big Pharma e dos seus comparsas.

A campanha óbvia de desinformação contra tratamentos com êxito e baratos do Covid-19 levou muitos à conclusão de que “a pandemia do Covid-19 foi planeada antecipadamente desde o princípio” (ver por exemplo,
www.lewrockwell.com/… ).

Deadly Medicines and Organised Crime.

Quer tenha sido ou não planeada antecipadamente, a Big Pharma e Bill Gates pretendem ganhar muito dinheiro com uma vacina do Covid-19. Na verdade, a Big Pharma, Bill Gates e a escumalha sua associada são assassinos. Eles estão a matar pessoas com a sua campanha contra um tratamento eficaz e a preço acessível.

Isto pode impressionar algumas pessoas crédulas que confiam no sistema como sendo uma acusação excessiva, mas a Big Pharma desde há muito deixou claro que os lucros vêm antes da vida. O Dr. Peter C. Gotzsche, professor de investigação clínica, director do Nordic Cochrane Center e médico chefe do Rigshospitalet e da Universidade de Copenhagen documentou que as “medicinas” da Big Pharma são o terceiro maior homicida após as doenças do coração e do cancro
Deadly Medicines and Organised Crime: How Big Pharma Has Corrupted Healthcare ).

Foram-nos vendidas vacinas mesmo diante das provas dos danos que causam a algumas pessoas e do facto de serem utilizadas apesar de uma entendimento imperfeito do sistema imunitário humano. Além disso, os coronavírus não são de uma classe que permita vacinas eficazes.

Mas estamos em vias de ter uma, quer seja eficaz ou não e quer queiramos ou não ser vacinados. Bill Gates está a trabalhar para garantir que a vacinação seja obrigatória para todos. Caso contrário não poderá sair de casa ou do seu centro de contenção da FEMA [Federal Emergency Management Agency]. O dinheiro está a ser canalizado não para um tratamento eficaz conhecido mas sim para a investigação de vacinas, à medida que as companhias e os países correm em busca de uma patente. Bill Sardi informa que Chicago “já comprou as seringas e definiu locais para as estações de vacinação”.
www.lewrockwell.com/… ).

Os americanos precisam de se esforçar para compreender como o dinheiro corrompeu tudo. Muitas das pessoas e instituições em que antes confiávamos, na verdade agora dependem de subsídios de empresas, agências governamentais e doadores com interesses próprios com agendas em que a vítima é a verdade. Sim, cientistas agora mentirão por dinheiro. As universidades produzirão “estudos” que promoverão a agenda do doador. Médicos dependentes de donativos de Washington vão segurar suas línguas quando lhes forem apresentadas afirmações obviamente falsas, tais como as de edifícios de aço de construção sólida construídos para resistirem a colisões de aviões a entrarem em colapso devido a incêndios isolados de baixas temperaturas e choques de frágeis aviões de alumínio.

Há várias formas de estudos poderem ser concebidos para se chegar à conclusão de que um tratamento específico é ou não eficaz. Considere-se a hidroxicloroquina. Um estudo pode obter maus resultados com este tratamento, utilizando-o como um tratamento numa fase tardia quando o Covid-19 estiver tão avançado que o paciente está para além do tratamentos. Este parece ser o caso do relatório do New England Journal of Medicine o qual diz que “a utilização de hidroxicloroquina não estava associada a um risco significativamente maior ou menor de entubação ou morte”.


https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2012410 ).

Tal como qualquer doença, o tratamento com êxito precisa começar o mais cedo possível, não na etapa final. Os muitos médicos que relatam êxitos com a hidroxicloroquina enfatizam que o tratamento deveria começar cedo e não ser utilizado só como um último recurso.
Acontece que o estudo publicado pelo NEJM foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde, uma organização influenciada pela Big Pharma que é hostil a uma cura e não a uma vacina. Também é curioso que o artigo, “Observational Study of Hydroxychloroquine in Hospitalized Patients with Covid-19”, tenha sido rapidamente publicado em poucas semanas, ao invés do extenso tempo habitual necessário para passar pelo processo de revisão por pares. E é igualmente curioso que muitos ficaram satisfeitos por usar o estudo a fim de desacreditar a hidroxicloroquina, apesar do estudo inconclusivo.

Um establishment corrupto e os media que podem vender-nos o 11/Set, armas de destruição maciça de Saddam Hussein, ogivas nucleares iranianas, utilização de armas químicas por Assad, uma invasão russa da Ucrânia, o Russiagate e um grande número de outras mentiras podem também vender-nos o bloqueio de um tratamento bem sucedido enquanto aguardamos por uma vacina.

Há muitas décadas George Stigler, da Universidade de Chicago, afirmou que o problema da regulamentação é que todas as agências reguladoras acabam por ser capturadas pelos negócios que estão incumbidas de regulamentar. Assim, vemos que a EPA [Environmental Protection Agency] está nas mãos de poluidores, a regulamentação da banca está nas mãos de banqueiros, a regulamentação das telecomunicações – 5G, por exemplo – está nas mãos de companhias de tecnologia que pretendem lucrar – e a aprovação de novos medicamentos está nas mãos da Big Pharma, tal como o currículo das escolas de medicina. Os médicos são treinados para ligar os sintomas aos testes e, quando confirmado por um teste, o médico consulta online o tratamento específico da Big Pharma.

A minha geração cresceu sem vacinas e sem todas as doenças associadas às vacinas entre a juventude super-vacinada de hoje. Hoje em dia, as vacinas começam ao nascer e aumentam com o passar dos anos. Será que o sistema imunitário natural alguma vez se desenvolveu?

Esta é uma pergunta irrelevante. A força motriz da vacinação é o lucro, não a saúde. Se quisermos um sistema de saúde ao invés de um sistema de morte, a Big Pharma tem de ser nacionalizada e administrada por cientistas com salários sem direitos de patente e “bónus de desempenho”.


O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/…

A vacina é um mau negócio?

(Francisco Louçã, in Expresso, 25/04/2020)

Uma reportagem do “Financial Times” desta semana apresenta declarações surpreendentes de alguns dos responsáveis das maiores empresas da indústria farmacêutica. Em resumo, põem em cima da mesa uma chantagem: precisamos de milhares de milhões de dólares nas nossas contas antes de começarmos a produzir qualquer vacina. E acrescentam um apelo, que os governos se entendam para tomar conta da distribuição mundial da vacina, quando ela existir. Esta curiosa combinação de capitalismo ganancioso e de socialismo planificador é o retrato da pandemia.

ELES QUEREM LUCROS

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Começo pela ganância, afinal ela vem sempre primeiro. David Loew, vice-presidente da Sanofi Pasteur, quer rios de dinheiro antes mesmo da certeza de que uma vacina resulte: “Se a indústria não souber como vai estar o mercado daqui a 18 meses, não pode pagar todos os custos.” A preocupação com o mercado, explica Loew, é que se poderia repetir o que se passou com o ébola ou com a gripe de 2009, passado o susto a procura decresce. Ou seja, se os curamos, os doentes passam a ser um problema, não compram mais medicamentos. Christophe Weber, executivo da japonesa Takeda, explica que “o meu medo é que, depois da epidemia, toda a gente se desinteresse”. Yusuf Hamied, diretor da Cipla, grande produtor farmacêutico na Índia, reforça que “não podemos assumir todos os custos”, lembrando que, em 2009, estava a produzir um antiviral cuja procura caiu depois do susto da gripe. David Ricks, presidente da Eli Lilly, e também da Federação Internacional de Produtores Farmacêuticos, apela ao apoio dos governos, explicando com candura que “não deve haver quem obtenha vantagens, concordo a 100%. Mas os investidores dão-nos capital e esperam um lucro”.

O coro de dirigentes da Big Pharma descreve o seu receio. De facto, eles demonstram que a indústria privada é incompetente para conduzir a investigação científica de base. Sem o aguilhão do lucro fácil, os seus laboratórios resumem-se ao mercado imediato e não investem no que demora e mobiliza recursos para medicamentos cuja rentabilidade futura é desconhecida. E o mercado exclui: quando o Brasil e a África do Sul lutaram contra as multinacionais farmacêuticas para disporem de tratamentos para o VIH a preço comportável, foi só quando ameaçaram produzir genéricos sem autorização que as empresas aceitaram negociar. Considerando estas estratégias de lucro, percebe-se porque é que, apesar de a classe dos coronavírus ser conhecida há décadas, estamos ainda desprotegidos perante os seus riscos. O mesmo critério se aplicou a outras doenças: como o ébola ficou no Sul do planeta e não ameaçou os países do Norte, as pesquisas para o tratamento foram desvalorizadas. Assim, se não são laboratórios universitários e públicos a assumir a linha da frente da investigação científica, o mundo fica mais vulnerável.

O PÚBLICO É A NOSSA SALVAÇÃO

E é aqui que entra a versão socialista e planificadora das grandes farmacêuticas, pedem que os governos se entendam e dirijam a distribuição da futura vacina. Têm razão. No mesmo sentido, Seth Berkley, presidente da Gavi, um fundo internacional para as vacinas, diz que “precisamos de um acordo sobre o acesso e produção dado o risco, para comprar grandes quantidades a preços baratos para distribuir nos países com baixo rendimento”. Ou que, “se não houver solidariedade mundial, a pandemia afetará mais algumas regiões e levará a migração”. Severin Schwan, presidente da Roche, suíça, pede um acordo entre os governos para gerir a distribuição de medicamentos.

Considerando o que a Casa Branca já tentou fazer, apropriando-se de carregamentos em aeroportos internacionais e tentando adquirir o exclusivo de remédios preparados em empresas estrangeiras, a disputa pelo stock da futura vacina é um perigo. Só o evitamos se umas Nações Unidas dirigirem a sua distribuição. Não é fácil, mas se não for assim já sabemos quem serão os sacrificados. A ordem mundial do caos é a maior ameaça contra os pobres do Norte do planeta e contra todo o seu Sul.

O Chico afinal não vem

Era hoje que se entregava o Prémio Camões a Chico Buarque. Já nem sei se pela sua obra literária, que revelou o grande romancista, se pela poesia e pela música, que nos ensinam a viver desde há tanto tempo. Mas a pandemia fechou o Atlântico e a hora não está para a festa que seria esse reconhecimento da grande cultura popular; até fica adiada a bofetada de luva branca em Jair Bolsonaro e no seu discurso de ódio. Será depois. E se esta tarde ouviremos a ‘Grândola’ nas janelas, sugiro-lhe que também nos lembremos desse ‘Tanto Mar’ que nos juntou, bem como da curiosa história das duas versões, a de 1975, que foi proibida no Brasil da ditadura e divulgada em Portugal, a da festa, e a de 1978, a da desilusão depois da festa. Repare no essencial, o que o tempo não altera: há sempre um cheiro de alecrim e uma primavera em algum canto do nosso jardim. Navegar, navegar.

Sei que estás em festa, pá,
Fico contente,
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim.

Eu queria estar na festa, pá,
Com a tua gente,
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim.

Sei que há léguas a nos separar,
Tanto mar, tanto mar.
Sei também quanto é preciso, pá,
Navegar, navegar.
(…)
(1975)

Foi bonita a festa, pá,
Fiquei contente,
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim.

Já murcharam tua festa, pá,
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Em algum canto de jardim.

Sei que há léguas a nos separar,
Tanto mar, tanto mar.
Sei também quanto é preciso, pá,
Navegar, navegar.
(…)
(1978)

2021 começa a desenhar-se, e é feio

Ainda nos vamos arrepender de ter tolerado, alguns com bonomia, a alegoria da ‘guerra’ para descrever a resposta à covid-19. Estava-se a ver que a imagética guerreira se iria espalhar sem amanhã, os governantes adoram imaginar-se como Churchill de charuto ou como Eisenhower na sala dos mapas, com tanques miniatura à voz dos chefes (Schwarzkopf na “Tempestade do Deserto” é um mito mais infeliz, melhor ficar com Eisenhower). O problema é que uma guerra que não é guerra conforta governantes que se pensam como um comando militar, permitindo a ideia de que viveremos em exceção permanente. Não faltarão ministros inebriados pelo silêncio no espaço público ou pela vontade de calar oposições. Há um Orbán escondido em cada esquina do poder.

No entanto, o pior dos efeitos do simulacro guerreiro é que banaliza as ameaças. A maior de todas é Donald Trump, sobretudo se for reeleito no outono, o que parece possível, e o seu foco é o Pacífico. Já se notou, ao longo dos últimos quatro anos, que a grande mutação geoestratégica foi a vertiginosa aceleração da disputa entre os EUA e a China, mas 2021 será pior do que já vimos, e por duas razões.

A primeira é que a pandemia pode estar a ser o Momento Chernobyl dos Estados Unidos. A força de Washington como poder hegemónico baseia-se no seu poder económico e tecnológico (a maior concentração de capital), monetário (80% das transferências nas cadeias produtivas e dois terços das emissões de títulos são em dólares), militar (800 bases no estrangeiro) e até cultural (a língua e a comunicação). Este poder estabelece uma rede de alianças. Manda, mas tem-se desgastado militarmente (o fracasso no Afeganistão, no Iraque, na Somália), tecnologicamente (a derrota no 5G) e economicamente (o crescimento da China), mas sobretudo politicamente. O isolacionismo de Trump assusta os seus subordinados e o seu negacionismo, primeiro, e a irresponsabilidade perante a covid, depois, demonstram que não é um líder. Mais fraco é mais ameaçador.

A segunda mudança é a emergência da China como potência mundial, usando o tempo contra o rival. Estabelece redes (cem países têm dívidas à China, mais do que ao FMI). Exibe a sua capacidade (4 mil milhões de máscaras produzidas em cinco semanas) e oferece cooperação onde a Casa Branca mostra desprezo. Não tem uma moeda dominante, mas tem poder financeiro. E tem Trump do outro lado, a certeza da incerteza. Em 2021, estes colossos estão a acelerar um contra o outro, e isso é uma ameaça belicosa. Se há risco de guerra, para já económica, é aí que desponta.


Pandemia: a Casa Branca e o FMI, os primeiros infectados

(Atílio Boron, in Resistir, 21/03/2020)

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Guerras, crises económicas, desastres naturais e pandemias são acontecimentos catastróficos que mostram o pior e o melhor das pessoas – tanto dos dirigentes como das pessoas comuns – e também dos actores e instituições sociais. É nestas circunstâncias tão adversas que as belas palavras se desvanecem no ar e dão lugar às acções e comportamentos concretos.

Há poucas e apenas contendo as lágrimas o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, denunciou perante as câmaras o grande engano da “solidariedade europeia”. Não existe tal coisa, disse Vucic, é um conto infantil, um papel molhado. Logo a seguir agradeceu a colaboração da República Popular da China. E tinha razão na sua queixa. Aqui na América Latina percebemos há muito que a União Europeia é uma trama mesquinha concebida para beneficiar antes de mais nada a Alemanha através do seu controle do Banco Central Europeu (BCE) e, com o euro, submeter os países da eurozona aos caprichos ou os interesses de Berlim.

A hesitante reacção inicial do BCE diante de um pedido excepcional de ajuda da Itália para enfrentar a pandemia que está a devastar a península mostrou o mesmo que havia denunciado o líder sérvio. Um escandaloso “salve-se quem puder” que lança por terra as retóricas edulcoradas sobre a “Europa dos cidadãos”, a “Europa una e múltipla” e outras divagações do estilo. Contos infantis, como disse Vucic.

O mesmo e ainda mais vale para o bando de criminosos que se instalou na Casa Branca pela mão de Donald Trump que, perante um Irão fortemente afectado pela pandemia, só se lembrou de escalar as sanções económicas contra Teerão. Tão pouco deu mostras de reconsiderar sua política genocida de bloqueio a Cuba e à Venezuela. Enquanto Cuba, a solidariedade internacional feita nação, auxilia os viajantes britânicos do cruzeiro Braemar a navegar no Caribe, Washington envia 30 mil soldados à Europa e seus cidadãos, alentados pelo “capo”, tratam de enfrentar a epidemia comprando armas de fogo! Nada mais a argumentar.

Fiel aos seus patronos, o Fundo Monetário Internacional demonstrou pela enésima vez que é um dos focos da podridão moral do planeta que, uma vez passada esta pandemia, terá seguramente seus dias contados. Numa decisão que o afunda nas cloacas da história recusou uma solicitação de 5 mil milhões de dólares apresentada pelo governo de Nicolás Maduro apelando ao Instrumento de Financiamento Rápido (IFR) criado especialmente para socorrer países afectados pelo COVID-19.

A razão alegada para a negação do pedido arrasa qualquer resquício de legalidade porque diz, textualmente, que “o compromisso do FMI com os países membros baseia-se no reconhecimento oficial do governo por parte da comunidade internacional, como se reflecte na condição de membro do FMI. Não há clareza sobre o reconhecimento neste momento”.

Dois comentários sobre este ataque miserável: primeiro, ainda hoje no sítio web do FMI figura a República Bolivariana da Venezuela como país membro. Portanto a clareza “sobre o reconhecimento” é total, ofuscante. Claro que não chega para ocultar o facto de que a ajuda é negada a Caracas por razões políticas rasteiras. Segundo, desde quando o reconhecimento de um governo depende da opinião amorfa da comunidade internacional e não de órgãos que a institucionalizam, como o sistema das Nações Unidas?

A Venezuela é membro da ONU, é um dos 51 países que fundaram a organização em 1945 e integra várias das suas comissões especializadas. A famosa “comunidade internacional” mencionada para hostilizar a Venezuela por personagenzinhas como Trump, Piñera, Duque, Lenín Morono e outros da sua laia é uma grosseira ficção, como Juan Guaidó, que não chegar a somar 50 países dos 193 que integram as Nações Unidas.

Por conseguinte, as razões profundas desta recusa nada têm a ver com o que diz o porta-voz do FMI e são as mesmas que explicam o absurdo empréstimo de 56 mil milhões de dólares concedidos ao corrupto governo de Maurício Macri e que foi utilizado maioritariamente para facilitar a fuga de capitais rumo às guaridas fiscais que os EUA e seus sócios europeus têm disseminadas por todo o mundo.

Espero com fervor que a pandemia (que também é económica) e o desastre do empréstimo a Macri convertam-se nos dois lúgubres coveiros de uma instituição como o FMI que, desde a sua criação em 1944, afundou centenas de milhões de pessoas na fome, na pobreza, na doença e na morte com suas recomendações e condicionalidades. Razões profundas, dizíamos, que em última instância remetem a algo muito simples: o FMI não é outra coisa senão um dócil instrumento da Casa Branca e faz o que o inquilino de turno lhe ordena. Quer asfixiar a Venezuela e o Fundo faz os seus deveres.

Não faltará quem me acuse de que esta interpretação é produto de um anti-imperialismo alucinado. Por isso adoptei o costume de recorrer cada dia mais ao que dizem meus adversários a fim de defender os meus pontos de vista e desarmar a direita semi-analfabeta e reaccionária que medra por estas latitudes. Leiamos que escreveu há pouco mais de vinte anos Zbigniew Brzezinski num texto clássico e um dos meus livros de cabeceira: “O grande tabuleiro mundial. A supremacia estado-unidense e seus imperativos geoestratégicos” em relação ao FMI e ao Banco Mundial.

Ao falar das alianças e instituições internacionais que surgiram após a Segunda Guerra Mundial disse que “Além disso, também se deve incluir como parte do sistema estado-unidense a rede global de organizações especializadas, particularmente as instituições financeiras internacionais. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial consideram-se representantes dos interesses “globais” e de circunscrição global. Na realidade, contudo, são instituições fortemente dominadas pelos EUA e suas origens remontam a iniciativas estado-unidenses, particularmente a Conferência de Bretton Woods de 1944″. (p. 36-37)

Será preciso dizer algo mais? Brzezinski foi um anti-comunista e anti-marxista furioso. Mas como grande estratega do império devia reconhecer os dados da realidade, do contrário seus conselhos seriam pura insensatez. E o que ele disse e escreveu é inobjectável.

Concluo acrescentando minha confiança em que Cuba e Venezuela, seus povos e governos, sairão airosos desta duríssima prova a que se vêm submetidos pela imoralidade e prepotência do ditador mundial, que se crê com direito a dizer a todo o mundo o que tem de fazer, pensar e dizer, neste caso através do FMI. Não será preciso esperar muito para que a história lhe dê uma lição inesquecível, para ele e seus lacaios regionais.