O PS está onde sempre esteve

(Teresa de Sousa, in Publico, 26/04/2015)

Teresa de Sousa

       Teresa de Sousa

O PS é um partido de governo que soube sempre governar ao centro e aceitar a ordem europeia. Foi assim com Mário Soares, com António Guterres e com o primeiro mandato de Sócrates.

1. Há uma espécie de esquizofrenia em Portugal no que diz respeito ao debate público. O imediatismo das notícias, os sites que têm de ser permanentemente actualizados, e a mudança de agenda quase diária atrás de um novo acontecimento impedem, muitas vezes, que esse debate se faça com o mínimo de racionalidade.

Ontem, o PS era acusado de não apresentar medidas e o seu líder de estar demasiado silencioso. Hoje, o relatório elaborado por um grupo de economistas, com uma visão global e quantificada de um caminho diferente para vencermos a crise, afinal não serve para nada, dizem alguns. António Costa tem um calendário para preparar um programa de governo com pés para andar no quadro europeu que nos condiciona. O relatório é a primeira pedra. Convocou um painel de economistas e académicos com ideias diferentes mas com créditos firmados. Houve, nesse grupo de trabalho, discussões muito duras e muito longas. O resultado final pode e deve servir de base para um programa que não seja o habitual: promete-se tudo e, depois, logo se vê. É um dos hábitos políticos que mais corroem a democracia.

A segunda leva de comentários foi sobre o sítio em que o líder socialista quer o PS. Demasiado à esquerda? Nem por isso. Demasiado liberal? Talvez, mas não é crime, desde que as escolhas económicas levem em consideração o seu efeito sobre as pessoas. Com propostas controversas? Tinha de ser assim, para que o trabalho fosse ambicioso. Mais ainda do que a procura de uma marca ideológica, a crítica mais ouvida à esquerda foi ser “mais do mesmo”. Não é bem assim. Há um caminho diferente. Mas o que esta crítica verdadeiramente significa é aquilo que Lobo Xavier disse na últimaQuadratura e que cito de cor: quem esperava versões radicais esqueceu-se de que o PS é um partido europeu para o qual não está em consideração qualquer futuro que não passe pela Europa e pelo euro. Por isso, o estudo parte do cenário macroeconómico de Bruxelas, não põe em causa o Pacto Orçamental e propõe um caminho que será feito no quadro europeu. O PS é um partido de governo que soube sempre governar ao centro e aceitar a ordem europeia. Foi assim com Mário Soares, com António Guterres e com o primeiro mandato de Sócrates.

2. As dificuldades de António Costa não são diferentes das que os seus congéneres europeus enfrentam, no governo como na oposição. A social-democracia europeia continua em busca de um projecto que a distinga da direita mas que integre as mudanças radicais que a globalização trouxe consigo. A “terceira via” foi uma tentativa que fazia sentido mas que se revelou insuficiente para travar as desigualdades crescentes nas economias europeias. O desequilíbrio de poder interno na zona euro, com o domínio alemão, vai ter de encontrar um reequilíbrio que consiga levar em conta não apenas a competitividade europeia mas a coesão das suas sociedades. Não se vê outra forma de combater a vaga nacionalista. Mas a alternativa a este quadro europeu muito difícil seria, provavelmente, a fragmentação europeia, o pior dos cenários para Portugal. Também não se trata, como agora está na moda, de opor a democracia à Europa. É um falso dilema, pela razão simples de que as democracias europeias estabeleceram livremente um conjunto de compromissos que transferiu várias competências para o nível europeu e assumiram algumas responsabilidades que têm de honrar. É esse o contrato essencial da integração europeia, que a actual crise veio abalar mas que não pode morrer às mãos dos extremismos.

Dito isto, proponho que todos os partidos e personalidades que queiram candidatar-se ao Palácio de Belém coloquem atrás deles, nas suas aparições públicas, um daqueles reclames luminosos que havia há muitos anos nos telhados dos prédios mais altos, sempre a piscar qualquer coisa como “Beba Ovomaltine”. Neste caso, “a União Europeia é a nossa casa e não tencionamos mudar”. Não há dúvidas quanto ao PS e ao PSD, mas há muitas dúvidas em relação a outros partidos ou personalidades que compõem a nossa paisagem política, mesmo que prefiram manter uma prudente ambiguidade.

3. O relatório tem algumas ideias inovadoras que merecem ser debatidas. Por exemplo, o crédito fiscal aos que continuam no limiar da pobreza mesmo trabalhando. A ideia não é nova. O estímulo fiscal aos working poors para que valha a pena trabalhar nasceu com os Novos Democratas de Clinton e foi adoptado pelos governos de Blair. Em Portugal, a medida seria tanto mais importante quanto os rendimentos de muita gente são baixíssimos, a um ponto quase indecente. A ideia, que não vai tão longe quanto Mário Centeno talvez gostasse, de caminhar para um “contrato único” merece um debate sério. É, grosso modo, o que se pratica no Reino Unido e uma resposta para combater a fragmentação do mercado laboral, que condena os mais jovens à precariedade e à desilusão. Muita gente tem criticado o corte provisório da TSU dos trabalhadores e o definitivo dos patrões. Já vi mesmo uma deputada da maioria atacar esta medida socialista, alegando que põe em causa a Segurança Social. Ferreira Leite fez a mesma crítica, só que é consequente com tudo aquilo que defende. Já a deputada deveria dizer isso ao primeiro-ministro, que não resiste a tirá-la do bolso para deixar a coligação nervosa.

A reforma da Segurança Social é outra questão fundamental. O PS fez a maior reforma que o país levou a cabo nos últimos tempos. A ideia de se trabalhar até mais tarde já está adquirida. Quanto à possibilidade de transitar para um sistema assente em dois pilares, um público e outro privado, pode e deve ser discutida, como já foi nos Estados Gerais dos socialistas em 1995, quando a questão da sustentabilidade do modelo social europeu já andava em discussão. Envolve um período de transição complicado e dispendioso, porque não pode mudar as regras a meio da vida das pessoas. E também pode não ser justa, num país em que os salários ainda são muito baixos. Mas não é proibido debatê-lo.

A taxa sobre as heranças não é nenhuma medida “esquerdista”. Se não me engano, são 15 os países europeus que a têm. Vem colmatar (apenas colmatar) um dos maiores dilemas com que as sociais-democracias europeias se defrontam e que decorre da globalização: não poder usar, da mesma maneira, os impostos como ferramenta da redistribuição da riqueza, devido a uma competição internacional que pressiona para baixo.

Mas a trave-mestra do documento é o estímulo ao crescimento da economia através do aumento do consumo interno, devolvendo rendimentos às famílias. É a velha dicotomia entre a via da oferta e a via da procura. E a verdade é que o maior problema das pequenas empresas não é poder despedir à vontade ou sequer reduzir os salários. É, sim, a falta de crédito e de mercado. Quanto ao crédito bancário, não nos podemos iludir com a propaganda dos bancos a prometer milhões para as PME. Quando elas lhes batem à porta, descapitalizadas e com poucas garantias, o crédito desaparece. Quanto ao mercado, não é uma classe média espremida até ao tutano que vai comprar os bens ou serviços que oferecem. Desde que as exportações continuem a portar-se bem, este “desequilíbrio” temporário pode ajudar a puxar pela economia. Claro que há muitas incertezas que não dependem de nós. O frágil crescimento económico da Europa, a revisão em baixa do crescimento da economia global são incertezas que vão prevalecer. Do mesmo modo, a queda do preço do petróleo, as baixíssimas taxas de juro, ou ainda a queda do euro em relação ao dólar são tendências que acabarão por se estabilizar num nível acima do actual. Mas os cenários servem para testar as variáveis e agir em conformidade com o ponto de chegada.

A MÁQUINA DE CORTAR FIAMBRE

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 25/04/2015)

Clara Ferreira Alves

                Clara Ferreira Alves

Na vulgata bíblica, o nosso coelho seria um bem-aventurado, bem-aventurados os pobres de espírito porque deles será o reino dos céus.

Temos de considerar os pronunciamentos do primeiro-ministro como indissociáveis do dr. Passos Coelho. O que quer dizer que quando diz uma palurdice com jovialidade ou desdém, o primeiro-ministro fala. E Passos Coelho diz não uma mas várias palurdices. Anote-se a imaginativa comparação de Portugal com Singapura e a aposta na “competitividade” da economia portuguesa (a sétima mais lenta do mundo). É a comparação do sétimo cágado do mundo com o galgo asiático. Calcula-se que o nosso primeiro nunca tenha posto um pé em Singapura e muito menos passado os olhos pelas obras completas de Lee Kwan Yew. Um fez do prostíbulo e entreposto colonial de Singapura um país moderno, próspero e que trata bem os seus nacionais, outro esqueceu-se de pagar a Segurança Social e em vez de escrever e fazer obra entretém-se a denunciar os pecados alheios e a desculpar-se dos próprios. Na vulgata bíblica, o nosso Coelho seria um bem-aventurado, bem-aventurados os pobres de espírito porque deles será o reino dos céus. Um simples. Mas teria de ser um simples de coração e quanto a isto não estou certa. Vem à tona na pior altura um rancor ou uma malícia que diminuem qualquer primeiro-ministro. José Mariano Gago, um ex-ministro e um colega da política e de Governo morreu. Morreu discretamente, como viveu. Os homens com obra não precisam de portadores de recados nem de agências de comunicação. O ex-ministro da Ciência morreu e o que se espera de um chefe de Governo é que, educadamente, lamente a perda, cumprimente a família e faça o elogio institucional. Não se trata aqui de mortuis nihil nisi bonum e sim de um ato de justiça. E não se ajustam contas nem se fazem insinuações com mortos. Li nos jornais que no pronunciamento público sobre a perda, o primeiro-ministro introduziu um “apesar de”. Deu um contributo inestimável “apesar de” ter feito parte de governos socialistas. É como entrar num funeral e dar os pêsames à família dizendo: foi um grande homem apesar de ser vosso parente. Porque José Mariano Gago foi não apenas um ministro visionário, competente e dedicado que mudou a educação e qualificação científica em Portugal, fê-lo com o Partido Socialista e com os socialistas. Tinha sido um resistente, um chefe estudantil da oposição que não tinha medo do regime e que conseguia ser ao mesmo tempo um aluno brilhante, destemido e convicto. José Mariano Gago trabalhou com António Guterres e com José Sócrates como primeiros-ministros e nunca renegou essa companhia. O problema de Passos Coelho, e do corpo expedicionário que o acompanha na intimidade do boudoir político e aos quais, como dizem as notícias, ele “ouve”, e que “consulta”, é o da falta de juízo e conselho. Deviam obrigá-lo a medir as palavras porque há um limite para a palurdice. Ou o primeiro-ministro pensa o que diz, e acha que se Mariano Gago não fosse socialista aumentava o seu capital humano, político e científico, ou então o primeiro-ministro estava a fazer humor à custa de um adversário político prematuramente morto por doença. O diabo que escolha.

Há uns bons anos, se a memória não me falha e a memória do então vivo Vasco Graça Moura também não, o romancista Fernando Namora tinha num dos romances a frase: “o ruído ensurdecedor da máquina de cortar fiambre”. Namora teve o seu período de esplendor e foi sepultado sem ter ressuscitado mas no tempo em que isto se passava estava muito vivo e era muito lido e vendido. O Vasco e eu tínhamos uma pequena coleção de pérolas literárias, uma coleção de péssimas imagens da literatura portuguesa, e esta era uma delas. Uma descoberta do Vasco, juntamente com esta de outro estro: “O pôr do sol no Tejo parecia a hemoptise de um príncipe russo”. Ou mais ou menos isto… Eu gosto particularmente do ruído ensurdecedor da máquina de cortar fiambre, que me parece um arranjo minucioso de insignificâncias. Suponho que o autor comparava o ruído ensurdecedor da máquina de cortar fiambre a uma orgia sonora destinada a contrastar ou reforçar o resto da frase. Nunca li o livro nem li a frase mas confio na memória seletiva do Vasco Graça Moura. Se não fosse de Namora seria igualmente válida a proposição. Utilize-se o ruído ensurdecedor da máquina de cortar fiambre quando há necessidade de um termo que defina a frase destituída de sentido, nula, prodigiosamente vazia. O “cant.” Muito do jargão político oficial é isto. E muito do discurso político do PSD de Passos é isto, o ruído ensurdecedor da máquina de cortar fiambre. Se quisermos associar à imagem a ideia de austeridade, cortar o fiambre, a frase é perfeita. E o autor um génio porque o que não resultou na literatura resultou, por metáfora e metonímia, na vida.

Afinal há outra. E não é a TINA

(Nicolau Santos, in Expresso, 25/04/2015)

Nicolau Santos

       Nicolau Santos

TINA. There Is No Alternative. Para que melhor aceitássemos todas as medidas draconianas que tivemos de suportar durante o programa de ajustamento, foi-nos dito e redito pelo Governo e seus ideólogos que não havia outra alternativa. A receita era esta e qualquer outra não resolvia o problema. A contestação científica, a nível interno, só tinha vindo até agora da escola de Coimbra. No plano político, tirando os casos do PCP e BE, o PS nunca conseguiu apresentar uma estratégia diferente. Pois bem, esse tempo acabou. Doze economistas, dos quais 10 são independentes, elaboraram um documento com 95 páginas, onde está consubstanciada uma alternativa clara à política económica seguida pela troika e pelo Governo e que, segundo os autores, “é compatível com a manutenção do país na zona euro, um maior crescimento económico, criação de emprego, promoção da competitividade e maior sustentabilidade da dívida pública, num quadro de cumprimento dos compromissos orçamentais”.

O documento tem uma primeira e clara vantagem: consubstancia o custo ou a receita de cada uma das 19 medidas propostas. A segunda vantagem é que, a acreditar nos valores apresentados, nenhuma delas, per se, é suscetível de conduzir à situação de desequilíbrio que tivemos em 2011. Um estímulo de pouco mais de 600 milhões de euros à economia em 2016 não é seguramente algo que tire o sono a qualquer economista com um mínimo de bom senso. A terceira vantagem é que as mudanças são faseadas no tempo e não inversões abruptas. E em quarto o documento põe no centro da sua estratégia o crescimento, sem o qual não se consegue nem a redução da dívida externa, nem uma maior competitividade, nem a criação de emprego, nem a sustentabilidade da segurança social.

Proposta do PS tem riscos, exige explicações, mas é corajosa e traça um caminho diferente para o país.

Até agora, tivemos uma estratégia assente na desvalorização do custo da mão de obra, no enfraquecimento do Estado e na redução dos apoios sociais como forma de tornar a economia mais competitiva. A tónica foi toda colocada do lado da oferta. Esta proposta vai pelo aumento da procura, através da subida do rendimento das famílias, com impacto no consumo, no investimento e na criação de postos de trabalho. Corrige os cortes sociais. E coloca o Estado, enquanto impulsionador da inovação e dinamizador da ciência e investigação, como a peça-chave para tornar as empresas e a economia mais competitivas.

Há riscos? Claro que há, desde logo porque se se verificar o cenário mais negativo para a zona euro isso afetará negativamente todo o exercício. Depois, o aumento do consumo pode acabar por ser suprido em grande parte pelo lado das importações, sem haver uma resposta do investimento. Em terceiro, algum desagravamento fiscal que se verifica pode não ser compensado pelas novas fontes de receitas ou se não houver o crescimento económico, colocando em risco a descida do défice. E em quarto, as mexidas na segurança social têm de ser muito bem explicadas para serem bem compreendidas.

Mas dentro dessas incertezas — e outras haverá — a proposta é corajosa, sólida, credível e traça um caminho diferente para Portugal e para os portugueses. O outro, que trilhámos nos últimos quatro anos, trouxe-nos até aqui — e não se recomenda se queremos um país mais eficiente, mais competitivo e mais justo.


O regresso do debate económico

As propostas económicas apresentadas pelo Partido Socialista têm um enorme mérito: fazem regressar o debate de onde ele nunca deveria ter saído, às opções político-económicas dos dois maiores partidos portugueses. E se durante alguns anos, sob o peso da eurocracia europeia e da crise de 2008, que nos explodiu em casa em 2011, parecia não haver qualquer alternativa à linha seguida pelo Governo, hoje manifestamente sopram novos ventos na Europa e, pelos vistos, também em Portugal. Como é óbvio, PSD e CDS já começaram a tentar fazer passar a ideia de que estas propostas nos vão reconduzir à situação que levou o país a pedir ajuda internacional. Mas é difícil aceitar tal crítica. Primeiro, porque quem elaborou estas propostas foi um grupo de economistas independentes e de várias escolas, vários deles já com longos e reconhecidos trajetos nas suas áreas de atividade. Logo, estas propostas têm de ser rebatidas com argumentos técnicos e não apenas com gritaria política. Quem as quiser demonizar terá de provar, por A mais B, que elas não são exequíveis. Depois porque o alívio fiscal que o PS propõe é, segundo o grupo de trabalho, encaixável quer na descida do défice quer da dívida. É claro que, para isso, conta-se com um significativo crescimento da economia, que nenhuma organização internacional prevê (mas que o Governo também subscreve). O PS aposta na procura, o PSD na oferta. O primeiro quer repor o rendimento disponível das famílias; o segundo quer facilitar a vida às empresas. Veremos o que decide o eleitorado.


Mariano Gago: apesar de…

Na ciência portuguesa, há um antes e um depois de José Mariano Gago. Foi dos melhores alunos do Técnico e um brilhante cientista. Mas também foi dirigente estudantil e opositor do regime antes de 1974. Depois, colocou os seus conhecimentos ao serviço da Res Publica, com a convicção profunda de que Portugal se desenvolverá pela ciência e inovação ou dificilmente se desenvolverá. Foi quem mais tempo ocupou um cargo ministerial (12 anos no total) desde 1974. E fê-lo na pasta da Ciência. Sob a sua égide, nasceu um grupo muito alargado de investigadores de grande qualidade em todos os domínios das ciências, vários deles atingindo posições internacionais de destaque. Lutou para ligar a investigação às empresas. Definiu um sistema justo e reconhecido de avaliação para unidades de investigação e investigadores. Em várias áreas de I&D, o país é hoje uma referência. Devido a ele. Apesar de, como elegantemente disse o primeiro-ministro, Mariano Gago “ter servido em governos do Partido Socialista”.


Imagem sem título

Há os que passam e os que ficam

Há os que ficam onde os seus restos mortais ficarem
ou cinzas forem dispersas

Há os que ficam nos que lhes são mais próximos:
amores, filhos, m
ãe, amigos, mulher, etc.

Há os que ficam em muitos outros desconhecidos

Há em geral espaços em que todos ficamos mortos

Mas no tempo, na transformação do tempo

Só um ou outro raro e belíssimo no fazer e no fazer-se

Ficará.

Como este assim

Que será sempre encontrado no tempo todo

Na história da ciência na Europa

E neste nosso país

Transformado o nosso tempo

Transformados nós

pelo seu Fazer

No Seu Fazer-se.

Maria de Sousa,

(Cientista, professora emérita da Universidade do Porto e júri do Prémio Pessoa, num poema dedicado a José Mariano Gago)