A guerra na Ucrânia e os “superficiais”

(Armando Rosa, in Jornal Maisribatejo.sapo.pt, 03/06/2022)

(Subscrevo este texto na íntegra e dou os parabéns ao seu autor. Responde com brilho e racionalidade à intolerância e primarismo mental de muitos que tem vindo aqui atacar este blog e a sua postura de revelar verdades “inconvenientes” sobre a guerra na Ucrânia, intoxicados que estão pelas manipulações de uma comunicação social vendida e sem cerviz. Temos que os perdoar porque estão hipnotizados. Mas devemos combatê-los para que acordem.

Estátua de Sal, 03/06/2022)


A ignorância é frequentemente a base das grandes certezas.


Os “superficiais”

A invasão levada a cabo pela Rússia ao território soberano da Ucrânia, tem sido analisada e discutida publicamente em inúmeros fóruns e por toda a gente que, mais ou menos informada, nas televisões, nas redes sociais ou em grupos mais restritos, dá a sua opinião categórica sobre o conflito, sobre as suas origens, ou sobre como irá acabar. O debate e a discussão deste tema é sempre interessante, especialmente entre gente informada e não dogmática.
Quando se iniciou este conflito, arrisco dizer que a quase totalidade dos opinantes que presentemente peroram sobre ele, nunca tinha ouvido falar no Donbass, de Lugansk, ou de Donetsk e a Ucrânia era, no seu imaginário, um país lá para os lados da Rússia de que ninguém fazia ideia de como era governado nem como apareceu em 1991, ano em que se tornou independente.
Este desconhecimento sobre um dos lados do conflito foi-se atenuando por força das circunstâncias. Muitos de nós iniciaram um quase “curso intensivo” de aprendizagem sobre a história daquele país que nos foi então mostrado como um modelo de virtudes e invadido agora por ordens de um considerado louco e assassino que apenas estaria a dar largas ao seu ímpeto imperialista. Outros, pouco ou nada se preocuparam em aprofundar o que quer que fosse sobre este enorme e importante país europeu. Foram assimilando o que lhes era vendido nos jornais e nas televisões, acreditando na narrativa oficial e sem contraditório público e publicado, o que, na perspetiva dos crentes, lhes dava um nível de conhecimento suficiente para argumentarem com qualquer historiador, estudioso, ou até com militares experientes em cenários de guerra semelhantes.
Pela sua falta de espírito crítico, pela recusa sistemática no aprofundamento das questões, pela negação de toda e qualquer informação com origem em fontes diferentes das oficiais e pela sua simplicidade de argumentação, chamei a essas pessoas de “superficiais”. Um “superficial” pode, ainda simplificando, enquadrar-se em vários subgrupos consoante o seu nível de superficialidade, podendo definir-se como “superficial primário”, aquele cuja informação vem apenas do que ouve, até ao “superficial esclarecido”, este já com preocupações de informação de outro tipo e de várias origens. Entre estes dois tipos, existem mais patamares que me abstenho aqui de mencionar, ficando ao critério do leitor esse exercício. Devo dizer desde já, que me considero num patamar intermédio, portanto sujeito à crítica de mais esclarecidos…
Vamos então ao tema:

Os “superficiais” e a guerra

Os “superficiais” rebatem qualquer tentativa de explicação das causas da guerra com a simplicidade de um ignorante ou a convicção de um crente: “Há um invasor e um invadido” ou “Putin é um ditador assassino e ele é a causa primeira e última desta guerra”. São estes os principais argumentos de rejeição de qualquer debate sobre as origens e a culpabilidade repartida da guerra.
Os “superficiais”, a exemplo do que aconteceu em outras guerras, vêm esta pelos olhos dos EUA/NATO/EU e das respetivas fontes oficiais. Quando confrontados com factos históricos e realidades inquestionáveis, continuam a negar evidências e a considerar análises lógicas como manipulações putinistas e tendenciosas.
Seguem alguns exemplos do pensamento superficial sobre a guerra da Ucrânia:

1- Para os “superficiais” a guerra só começou em 24 de Fevereiro. Não procuram saber, ou negam, que, desde 2014, a Ucrânia está em guerra contra os movimentos separatistas no Donbass, e que até 2021, morreram mais de 14 mil pessoas, entre soldados, milícias separatistas e civis. Acreditam piamente que esta é uma guerra apenas entre russos e ucranianos desvalorizando a determinante influência americana no golpe de 2014 que depôs o então presidente pró russo e colocou à frente do novo regime quem os influencers dos EUA no terreno (Victoria Nuland e Geoffrey Pyatt) quiseram, através de eleições ou simplesmente com manobras de bastidores.[1]

2- Apesar de todas as evidências e relatórios internacionais, os “superficiais” desvalorizam e até negam a influência nazi na vida política e social da Ucrânia, apenas se baseiam nas informações filtradas e de sentido único dos OCS ocidentais.

3- Os “superficiais” glorificam o comediante Zelensky e não querem saber nem ler sobre o seu trajeto político e a corrupção desenfreada que alimenta, nem como está a levar o seu país à total destruição e o seu povo à miséria e ao degredo. Porque só acreditam no que lhes metem pelos olhos dentro na comunicação social que adotam, não acreditam que ele é tão bom ou pior que Putin e que é completamente manipulado pelos EUA.

4- Um bom “superficial”, não há dia que passe em que não profira impropérios contra os russos e contra Putin, especialmente quando assiste às reportagens das TVs sobre bombardeamentos e sobre a mortandade provocada pelos russos. Para ele os soldados ucranianos são todos impolutos, em especial os Azovs e põem as mãos no lume pela sua seriedade e ética militar. Quando lhes são mostradas evidências de iguais atrocidades cometidas pelo exército ucraniano, reagem como sendo propaganda russa.

5- Por mais desmentidos e evidências da propaganda do governo ucraniano, na divulgação de “massacres” e de bombardeamentos de alvos civis, escolas, hospitais, um “superficial” nunca reconhece que essa informação pode ser um veículo de propaganda e de mistificação tendenciosa da guerra. Não se consegue convencer um “superficial” que os milhares de militares ucranianos, defensores numa cidade, se acantonam em habitações civis ou públicas e que, numa guerra, o primeiro objetivo de qualquer dos beligerantes é atingir as tropas inimigas aonde quer que estejam. Num local habitado, um alvo civil facilmente se torna um objetivo militar. Veja-se o que aconteceu em conflitos liderados pelo Ocidente, com muito maiores consequências de destruição.

6- Um “superficial” (mesmo que já mais esclarecido…) não sabe que existe um documento encomendado pelo governo dos EUA com o título “Extending Russia: Competing from Advantageous Ground”[2] que tem sido a “Bíblia” e o guião da estratégia americana no plano de enfraquecimento da Rússia, como consta no prefácio do documento: “… Com base em dados quantitativos e qualitativos de fontes ocidentais e russas, este relatório examina as vulnerabilidades e ansiedades econômicas, políticas e militares da Rússia. Em seguida, analisa as opções políticas potenciais para explorá-las – ideológica, econômica, geopolítica e militarmente (incluindo opções aéreas e espaciais, marítimas, terrestres e de vários domínios)…”. Este documento, a exemplo de outros também com origem na RAND Corporation (desde a guerra do Vietnam), foi elaborado em 2019, e tem sido seguido à risca pela administração americana e esta guerra estava lá prevista…

7- Mesmo o mais bem informado dos “superficiais” não aprofunda e nega as razões objetivas que levaram a que a Rússia se antecipasse à Ucrânia na escalada da guerra que já existia no Donbass desde 2014. Num artigo do jornalista suíço Guy Mettan, [3] com base em várias fontes mencionadas, é relatada a razão pela qual a Rússia decidiu avançar com a invasão. “Desde a declaração de Zelensky, em abril de 2021, sobre a possível recaptura da Crimeia à força, ucranianos e americanos decidiram desencadeá-la o mais tardar no início deste ano. A concentração das tropas ucranianas no Donbass desde o verão, as entregas maciças de armas pela NATO durante muitos meses, o treino acelerado de combate dos regimentos Azov e do exército, a intensificação do bombardeamento de Donetsk e Lugansk pelos ucranianos, em particular entre 16 e 23 de fevereiro (tudo isso permaneceu ignorado pelos meios de comunicação ocidentais, claro), provam que uma grande operação militar estava planeada por Kiev para o final do inverno, sem dar tempo aos russos para reagirem, de modo a tomar o controlo de todo o território ucraniano e tornar possível a rápida adesão do país à NATO e à UE.” Documento da OSCE (Organization for Security and Co-operation in Europe) confirma que a Ucrânia, só em um dia (19 de fevereiro), tinha feito mais de 1500 bombardeamentos nas regiões de Donetsk e de Lugansk, o que representa quinze vezes mais do que a média diária dos últimos 30 dias. [4]

8- Os “superficiais”, nos seus comentários e nos apoios que manifestam, mostram, indiretamente, o seu amor à guerra e ao seu prolongamento indeterminado, até às consequências que se recusam admitir ou prever. Interessante é que até alguns mais bem informados seguem este padrão belicista desvalorizando as consequências imprevisíveis para a humanidade que daí podem vir. Para eles a guerra só deve terminar quando a Rússia estiver totalmente derrotada e se for preciso, até ao último ucraniano. Como se o país com o maior poderio nuclear e bélico, iniciasse esta agressão com alguma perspetiva de derrota ou de submissão aos interesses dos seus inimigos do Ocidente.

9- Os “superficiais” adoram e batem as palmas de cada vez que são aprovadas sanções económicas à Rússia. Na sua ignorância, ou no seu desprezo pela situação dos europeus mais desfavorecidos, o que inclui o seu próprio destino, fazem por ignorar as repercussões que esses “pseudo” castigos vão ter nas economias europeias, com os aumentos dos preços e do custo de vida e suas consequências políticas e sociais. Ainda a procissão vai no adro e já começamos a sentir que os mais castigados iremos ser nós…

10- Os ““superficiais”” esquecem que, logo no dia 3 de março, uma semana depois do início da invasão, a Rússia se disponibilizou para iniciar conversações e que “O Porta voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscovo está a exigir que a Ucrânia acabe com a ação militar (iniciada em 2014) mude a sua constituição para garantir neutralidade, que reconheça a Crimeia como território russo e que reconheça as regiões separatistas de Donetsk e Lugansk como estados independentes.”[5] Claro que o comediante instigado pelos americanos, rejeitou liminarmente qualquer negociação. Preferiu, como marioneta que é dos EUA, levar o seu país e o seu povo para esta guerra cada vez mais difícil de terminar e de que ninguém prevê o desfecho. Os ““superficiais”” também acreditam (?) no que ouvem aos comentadores avençados que não deixam de repetir que o fim último dos russos é a ocupação e submissão total da Ucrânia. Como se comprova isso sempre foi falso e uma manipulação da propaganda americana.

11- Os “superficiais” são muito ativos nas redes sociais. É aí que apontam o dedo a quem procura explicações e tem algum pensamento crítico sobre o que se está a passar, recorrendo ao insulto fácil e à atribuição de epítetos como putinista, russófilo, traidor, etc. Como superficiais que são, ainda não se aperceberam que a Rússia já não é comunista e vai de utilizarem esse pretenso insulto como arremesso provocatório aos que ousam criticar as politicas belicistas dos EUA/NATO/EU, ou de quem apela à realização de conversações para a paz. É também nas redes sociais que participam ativamente com “likes” ou com comentários de alta aprovação a todos os posts que glorificam o comediante ou os “valentes” do batalhão Azov.

Os “superficiais” e o Donbass

O Donbass É uma importante região mineira e industrial, da Ucrânia, marcada pelo curso do rio Donetsk, cuja bacia é atualmente a segunda região mais densamente povoada da Ucrânia, com destaque para as cidades de Donetsk, Lugansk e Karkov.
O que os “superficiais” não sabem, negam ou desvalorizam:

12- Os “superficiais” desvalorizam que em 2014 os russos ou seus descendentes, eram e ainda são, a grande maioria dos habitantes daquela região e que, pela discriminação que lhes foi imposta pelo governo de Petro Poroshenko, no poder depois do golpe da Maidan, se revoltaram e iniciaram uma luta de guerrilha contra os ucranianos, a quem passaram a considerar ocupantes. Os “superficiais” desconhecem que os acordos de Minsk que implicavam um cessar fogo entre as partes, nunca foram cumpridos pela Ucrânia e não conhecem o que disse Poroshenko no seu discurso de 15 de maio de 2015, em Odessa, referindo-se a essa população russa: [6] «Nós teremos trabalho, eles não; teremos pensões, eles não, teremos apoio para as pessoas, crianças e pensionistas, eles não; as nossas crianças irão para escolas e jardins-de-infância, as crianças deles irão para os abrigos». Isso veio a verificar-se e agravou a revolta e a guerrilha. Alguns, que enchem a boca com o direito à autodeterminação dos povos, desvalorizam este bocado da história e negam a legitimidade da população russa no Donbass lutar pela sua independência. Muitos desses militam em partidos ditos de esquerda…

13- Entre 2014 e 2021, os bombardeamentos do exército ucraniano às populações de Lugansk e Donetsk, provocou mais de 14 mil mortos (3500 civis) mais de 1,4 milhões de deslocados e foram responsáveis por algumas dessas populações terem sido obrigadas a passar grande parte das suas vidas em abrigos e sem as mais elementares condições de sobrevivência. Essas situações estão bem documentadas por reportagens independentes de jornalistas ocidentais. [7] Apesar dessas evidências os “superficiais” acham que a guerra teve início em 24 de fevereiro de 2022.

14- Os “superficiais” não conhecem a “Lei dos Povos Autóctones” que foi feita e promulgada por Zelensky em julho de 2021. A lei estipula que os povos indígenas da Ucrânia são as comunidades étnicas formadas no país, portadoras de uma língua e de uma cultura distintas e que “não contam com uma formação estatal própria” no estrangeiro”.[8] Os russos (eslavos que representam cerca de 20 % da população da Ucrânia e mais concentrados no Donbass), não têm o direito de usufruir desta lei, sendo discriminados e não podendo continuar com a aprendizagem da língua russa, entre outras situações ultrajantes para a sua existência como etnia própria. Zelensky, mais uma vez, mostra o seu racismo e xenofobia em relação aos russos, situação que os “superficiais”, simplesmente, desconhecem, ou fingem desconhecer.

Epílogo

No passado dia 14 de março publiquei aqui um artigo sobre os “novos inquisidores”[9]. Embora em muitos fóruns, como por exemplo nas redes sociais, se possam confundir, existem diferenças assinaláveis entre “superficiais” e “novos inquisidores”. São estes que manipulam e supervisionam a informação consumida pelos “superficiais” mais primários, não fossem estes, crentes menos informados e seguidores acríticos das políticas e estratégias de quem nos está a conduzir para o abismo.
Ser ou não “superficial” será sempre um conceito relativo e todos seremos mais ou menos “superficiais” em qualquer tema que venha à discussão. Nunca ninguém terá o conhecimento absoluto sobre assuntos que tenham alguma complexidade ou interpretações múltiplas. Como eu disse no início, haverá sempre vários níveis de superficialidade. Cada um de nós que se autoavalie e se coloque no seu nível, consoante o tema que queira abordar…
Termino com duas citações que penso que se adaptam bem ao ambiente que se vive nos tempos que correm:
“ O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão da verdade” (Stephen Hawking)
“Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus.” (Albert Einstein)

Fonte aqui


Links referenciados:
[1]: https://www.youtube.com/watch?v=L2XNN0Yt6D8
[2]:https://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/research_reports/RR3000/RR3063/RAND_RR3063.pdf
[3]: https://www.afrique-54.com/2022/04/04/guerre-en-ukraine-la-suisse-capitule-la-soumission-europeenne-aux-americains-prend-de-lampleur/?fbclid=IwAR1VlBWjbYBqgopMgV4IqvZQbNoCmxKeODx1CuUa1dBILncUOOrrK2Uw1fg
[4]: https://www.osce.org/files/2022-02-19%20Daily%20Report.pdf?itok=95901
[5]: https://www.dn.pt/internacional/russia-apresenta-as-condicoes-para-parar-a-invasao-a-ucrania-14656801.html
[6]:https://www.youtube.com/watch?v=fRso46iepho
[7]: https://www.youtube.com/watch?v=b8j0tJsKltg&t=19s
[8]: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1787034/ucrania-aprova-lei-sobre-povos-autoctones-que-exclui-russos
[9]: https://estatuadesal.com/2022/03/25/a-guerra-na-ucrania-e-os-novos-inquisidores/


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Alteração da narrativa

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 02/06/2022)

O general norte-americano Mark Milley deu recentemente nota de que as negociações seriam a solução lógica para o conflito ucraniano, salientando que “ambos os lados devem chegar, por eles próprios, a essa conclusão”.


As primeiras semanas da guerra na Ucrânia deram alento àqueles que pensavam ser possível a Ucrânia, devidamente treinada e equipada pelo Ocidente, vencer militarmente a Rússia.

A superioridade militar da Rússia começa a vir ao de cima. Não significa que a guerra esteja ganha por Moscovo, até porque não sabemos ainda o que significa para a Rússia, em termos territoriais e políticos, ganhar esta guerra. Não se conhecem declarações das autoridades russas sobre essa matéria.

Mas, no ar, paira uma tendência. Para além da evolução da situação tática no Donbass, há relatos de rendições e deserções entre as forças ucranianas. São públicas as mensagens de soldados desesperados, que se queixam da falta de munições, artilharia, equipamento inoperável, ao que se adiciona a dificuldade em rodar forças, situações que chocam com a imagem de um exército vencedor, como deu nota o “Washington Post”.

Estes desenvolvimentos parecem pressagiar o insucesso das forças ucranianas, uma realidade que não se pode negar. Interrogamo-nos também sobre a sua capacidade para lançar uma contraofensiva que inverta o atual rumo dos acontecimentos, e os revezes sofridos no campo de batalha.

Esta inversão da tendência tem sido acompanhada no plano político por vários desenvolvimentos, que apontam para a necessidade de se encontrar, quanto antes, uma solução política. O primeiro-ministro italiano Mario Draghi apresentou ao Secretário-Geral da ONU António Guterres um plano para terminar o conflito assente em quatro pontos.

Por outro lado, o “New York Times” referiu, que “à medida que a guerra continua, Biden deve deixar claro ao presidente Volodymyr Zelensky, e ao seu povo, que existe um limite para o empenho dos Estados Unidos e da NATO no confronto com a Rússia, e limites para as armas, dinheiro e apoio político que eles podem reunir.” Continuava afirmando “ser imperativo que as decisões do Governo ucraniano sejam baseadas numa avaliação realista de seus meios e de quanta destruição a Ucrânia pode suportar… confrontar esta realidade pode ser doloroso… é isso que os governos têm o dever de fazer, e não correr atrás de uma «vitória» ilusória.”

No mesmo sentido, pronunciou-se o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, no Fórum Económico Mundial, afirmando que as negociações deviam começar dentro dos próximos dois meses, sugerindo que, “idealmente, a linha divisória regressasse ao statu quo ante.” Mais recentemente, frustrando a aspiração de Kiev, o Presidente Joe Biden decidiu não fornecer sistemas de lançamento múltiplo de foguetes, que pudessem atingir o território russo na profundidade.

Contrariando avaliações anteriores, parece que Kiev não vai gozar de um apoio de equipamento e armamento “ilimitado”, como inicialmente se pensava.

Divergindo das declarações do Secretário de Defesa Lloyd Austin, quando há mais de um mês referiu que o objetivo era enfraquecer a Rússia, o general Mark Milley deu recentemente nota de que as negociações seriam a solução lógica para o conflito ucraniano, salientando que “ambos os lados devem chegar, por eles próprios, a essa conclusão”.

Parece incontornável que algo está a mudar em Washington, acompanhando a evolução da situação no terreno, que tende a piorar para a Ucrânia. Quanto mais tarde Kiev negociar pior será. Em último caso, poderá não lhe restar mais nada do que assinar a capitulação.


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Milhões para Zerolensky, sanções para Moscovo

(oxisdaquestao in blog Oxisdaquestao, 03/06/2022)

À grande maioria das pessoas soa estranho que, enquanto a CEE/UE diz destinar milhares de milhares de euros ao regime de Kiev, prossegue com os seus pacotes de sanções – vai no 6º – à Rússia. É que tais pacotes não trazem receitas adicionais aos cofres de Bruxelas, bem pelo contrário, estão a arruinar as economias e as finanças europeias!

Então o que se passa ?

Vejamos o caso como um negócio, que de negócios sabem as oligarquias do velho (e decrépito) continente! Comecemos pelas sanções: elas são impostas a pretexto da Operação Militar Especial que a Federação Russa leva a cabo na Ucrânia e que visa: a) defender as populações do Donbass dos nazis de Kiev que estiveram em guerra contra elas desde o 2014, do Maidan da CIA/UE/NATO; b) desnazificar a Ucrânia; c) desmilitarizar o território de forma a que ela deixe de ser uma imensa base militar da NATO; e) chamar à razão os que não querem uma Europa segura e chegam a vê-la, sem constrangimento, como campo de uma qualquer guerra. Mas o caso é que a Federação Russa é imensamente rica e o Ocidente quer as suas riquezas! E tem um plano de longa data para se apropriar delas que remonta aos anos da II Guerra Mundial. Portanto, os oligarcas do Ocidente querem uma mudança de regime que ponha a Rússia nas mãos de um novo Yeltsin bêbado e entreguista (ou vários se existisse essa possibilidade). Então neste plano de saqueio da NATO estão perfiladas as oligarquias gringas e os seus caniches europeus, as oligarquias das sobras, dos colonizados. O roubo sonhado e tentado é de tão grande valor que os donos do capitalismo ocidental acreditam que é ele, e talvez só ele, que os vai salvar da sua crise terminal. Do seu coma atual. As sanções da estúpida Úrsula funcionam como um investimento; quando é para ganhar as oligarquias arreganham os dentes, mesmo que cariados, e dão beijinhos.

Agora a parte da entrega dos milhões aos nazis corruptos de Kiev: a camarilha no poder, dominada por ideias e ideais nazis, sustenta uma guerra ( perdida ) em substituição da nato e suas oligarquias, dentro do plano, e em modo bélico. Zerolensky, o palhaço-nazi do judeu sionista Kolomoisky é o testa de ferro do regime e tem a missão de permitir e enviar para a morte os seus cidadãos. Diz a propaganda que até ao último! Saber-se-á um dia quantos milhares de milhões arrecadou, ele, o herói que manda os outros morrer e se droga longe das zonas de conflito…

E então para continuar a receber dinheiro, Zerolensky, começou a exigir a entrada da Ucrânia na CEE/UE. Dona Úrsula de imediato viu um novo negócio para a troika que forma com o cara de cú e o Borrell; e prometeu resolver a petição em junho-julho deste ano 2022. O problema é que agora, para as oligarquias das colónias, não sendo seguro o saque da Rússia, a entrada dos nazis na CEE é um puro desinvestimento, ou seja uma despesa, ainda incalculável mas de certeza de milhões de milhões. Só ter a CEE de alimentar os 25 milhões de ucranianos em situação de pobreza, sem pão e sem aquecimento, faz que algumas oligarquias nacionais se oponham ao nefando projecto acalentado pela incompetente! Itália e França já rabeiam, a Hungria já se sabe que não irá em tretas, a Alemanha daqui a meses, de calças na mão, vai torcer o nariz, e só talvez o reino bubónico diga que sim em nome da ibéria…

Investir é uma coisa; admitir despesas, outra, totalmente diferente! As oligarquias nunca se assumiram como instituições de caridade; bem ao contrário, vivem dos subsídios públicos e favores particulares dos que governam em seu nome e proveito. Essa é a caridade que reclamam, mas para si!

Por isso escorrem milhões para Kiev distribuir pelas contas do costume em paga de fazer a Federação Russa gastar milhões na sua Operação Militar Especial; mas metê-la na CEE/UE, para já, não. Começa a ser despesa a mais para Bruxelas e a troika não é de grande confiança nos seus cálculos. Vamos com calma, precisamos ver no que isto dá (Macron com os seus botões, Dragui a puxar pelos seus galões de ativo da Goldman Sachs )!

Fonte aqui


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