(Carlos Marques, 25/07/2022)

(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de António Filipe ver aqui. Entretanto, resolvi dar-lhe a divulgação que, penso, merece.
Estátua de Sal, 26/07/2022)
Quase podia assinar por baixo, mas lá está, sejam atlantistas anti Rússia, ou sejam dos que percebem a justificação da intervenção militar Z, como eu, há uma contradição nos discursos dos pacifistas, PCP incluído, que salta à vista de todos:
«os perigos de aproximar a NATO das fronteiras da Rússia, a NATO não só foi alargada até essas fronteiras, contrariando compromissos assumidos, como a Ucrânia, após o golpe de Estado de 2014 foi armada, treinada, integrada em ações da NATO, e lançou uma guerra aberta contra as populações do Donbass em violação dos Acordos de Minsk. As responsabilidades da Rússia na escalada do conflito a partir de fevereiro de 2022 são reais e condenáveis»
Primeiro fala-se do contexto. Certo.
Fala-se do perigo da agressiva/ofensiva NATO. Certo.
Fala-se do golpe de 2014. Certo.
Fala-se da preparação militar feita desde então. Certo.
Fala-se até da guerra que UkronaZionalistas fizeram contra povo do Donbass em violação dos acordos de PAZ. Certo.
Mas depois conclui-se que a intervenção Russa é condenável? Não bate certo.
É por isso que os atlantistas anti Rússia têm ganho o debate. Não se pode olhar a todo esse contexto, aos factos presentes nos relatórios da OSCE de que os UkronaZionalistas começaram esta batalha em 16-Fevereiro-2022, e depois dizer que a Rússia fez mal em ir acudir o povo do Donbass.
Ou se é do lado dos UcronaZionalistas, ou se é do lado do povo do Donbass e dos seus aliados da Rússia. Não é possível ser coerente num meio termo. Como já disse e repeti tanta vez antes, até se pode ser pró-PAZ, mas não se pode ser ao mesmo tempo crítico de quem (EUA/NATO) tornou a guerra inevitável e de quem (Rússia e LDPR) intervém para travar os violadores (UcronaZionalistas) dos acordos de PAZ de Minsk.
A posição do PCP, com estas palavras, com este contexto (2014-2021) seguido desta conclusão (condenar intervenção Russa), não bate certo. É por isso que é tão fácil aos atlantistas anti Rússia atacar o PCP e colocar o público contra o PCP. É difícil defender o que é incoerente.
A posição dos atlantistas anti Rússia é claramente abjeta. Seria como apoiarem a Alemanha em 1945 e criticarem a intervenção dos Aliados. Mas a posição do PCP é incoerente, pois é como criticar a Alemanha Nazi (certo), mas depois condenar também o desembarque na Normandia porque “se é sempre pacifista”.
A minha posição pode ser criticada pelo lado dos abjetos, e até pelo lado dos pacifistas, mas pelo menos é coerente. Critico a Alemanha Nazi, e apoio a intervenção militar cujo sucesso é a única garantia do fim da guerra. Assim mesmo olho para este conflito. Há um lado que violou acordos de PAZ, e há outro que intervém para salvar vidas no Donbass e dar uma tal tareia nos agressores UkronaZionalistas que eles mais tarde ou mais cedo têm de se render, de forma que o acordo de PAZ que se segue seja sustentável, permanente, e irrevogável.
E estar hoje a 100% com os exércitos da Federação Russa e das Repúblicas de Lugansk e de Donetsk, não significa qualquer apoio ao regime Russo nem ao seu líder Putin. Da mesmíssima maneira como ver um documentário da Segunda Grande Guerra (ou Guerra Patriótica) e torcer pelo lado dos Aliados, não faz de nenhum de nós um apoiante do atual regime oligárquico dos EUA, do atual regime monárquico do Reino Unido, ou do regime soviético, e muito menos admirador de Roosevelt, Churchill, ou Stalin.
Simplesmente há 2 lados, o que começou a guerra, e o que nela foi obrigado a entrar para lhe pôr fim. E há que escolher um lado. O lado que intervém por obrigação (Rússia) até pode negociar um tratado de PAZ, mas o lado que deu início ao conflito (Ucrânia, EUA/NATO) só o aceita negociar depois de irremediavelmente derrotado. Tenho pena que assim seja, mas é assim mesmo que é. O pacifismo fica infelizmente para depois, para defender as ideias e acções que evitem que a guerra volte a acontecer.
A Alemanha Nazi só foi derrotada com os tanques russos e 28 milhões das suas vidas, os aviões britânicos (nações da Commonwealth incluídas) e a ajuda tardia (mas mais vale tarde que nunca) de lend-lease dos EUA. Não foi, nem nunca seria, derrotada por um PCP/Pacifistas a agitar a bandeira branca, a falar do contexto que levou à guerra, a condenar a “escalada” após desembarque na Normandia ou crimes de guerra como o de Dresden, e a cantar o kumbayá…
Diziam estas pessoas, do PCP/PEV até à ala Esquerda do PS, passando por BE e Livre, que se estão 10 pessoas à mesa e se senta um fascista, ou se levantam todos, ou passaram a estar 11 fascistas à mesa. Ora eu digo o mesmo em relação aos belicistas da NATO, aos criminosos de guerra dos EUA/Ocidente, e aos nazis da Ucrânia. E vou ainda mais longe do que o paradoxo da tolerância de Karl Popper, vou mesmo até ao paradoxo do pacifismo por mim mesmo agora inventado: se estão 10 pessoas à mesa e chega um nazi-fascista armado, ou se levantam e disparam contra ele, ou passaram a estar 11 nazi-fascistas à mesa, uns vivos, outros mortos pelo nazi-fascista que entretanto disparou contra o comunista, contra o socialista, contra o social-democrata, e contra os de minorias étnicas.
É esta a lição de 2022. Se o PCP e os pacifistas dizem que a ditadura UkronaZionalista violou os acordos de PAZ e atacou o Donbass, das duas uma: ou apoiam a intervenção militar necessária para os travar, ou estão do lado do agressor que queria fazer uma limpeza étnica no Donbass. Ao contrário do teatro de guerra, não há zonas cinzentas aqui. Ou é preto, ou branco!
PS: e o mesmo digo agora também em relação à Palestina. Os pacifistas são aliados do apartheid de Israel e da limpeza étnica atualmente a ser levada a cabo pela ditadura racista de Israel apoiada pelo Ocidente. Agora que aprendi a lição de 2022, sou 100% a favor de que a Palestina seja armada e que se crie uma coligação internacional para intervir militarmente contra Israel. Estão chocados com esta posição? Pois eu estou é chocado com a realidade que parece não incomodar ninguém, esta sim um genocídio, em câmara lenta, a ocorrer na Palestina.
ARMAS, ARMAS, e MAIS ARMAS, para a Palestina, JÁ!
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