O Facebook e os pró-russos

(Maria Manuela, in Facebook, 31/12/2023)

A Meta, Facebook, ou lá o que seja, não se coíbe de acrescentar a inúmeras publicações a advertência em nota de rodapé “ligação pró-russa”.

Ora, eu preciso que a Meta, o Facebook, ou lá o que seja, me explique o que SIGNIFICA ser “pró-russo”.

É que, se ser “pró-russo” é ser PRÓ Tolstói, Dostoiévski, Vladimir Solovyev, Vasily Rozanov, Lev Chestov, Leo Tolstoy, Sergei Bulgakov, Pavel Florensky, Nikolai Berdyaev, Pitirim Sorokin, Vladimir Vernadsky, e tantos outros filósofos.

Se é ser PRÓ Aleksandr Blok, Alexandr Pushkin, Anna Akhmátova, Boris Pasternak, Joseph Brodsky, Marina Tsvetaeva, Osip Mandelstam, Serguei Iessienin, Velimir Khlébnikov, Vladimir Maiakovski e tantos outros poetas.

Se é ser PRÓ Bolshoi, ou PRÓ um dos inúmeros ballets russos, que não têm paralelo no mundo.

Se é ser PRÓ Igor Stravinsky, Sergei Prokofiev,Dmitri Shostakovich, Tchaikovsky, ou um dos muitos outros magníficos compositores russos.

Se é ser PRÓ Lomonossov, Lobachevsky, Chebyshev, Sofia Kovalevskaya, Stoletov, Mendeleev, Popov, Butlerov, Botkin, Pirogov, Pavlov, Zhukovsky, Zworykin, Cherenkov, Lev Landau, Nikolay Basov, Prokhorov, Peter Kapitsa, Kantorovich, Semenov, Kurchatov, Sakharov, Korolev, Fyodorov, Alferov, Perelman, Andrei Geim e Konstantin Novoselov, Starobinsky, Sunyaev, Krasnopolsky, Kaspersky, ou PRÓ qualquer um outro, do enorme acervo de tantos extraordinários cientistas russos.

Se é ser PRÓ História magnífica da Rússia.

Então, QUALQUER indivíduo CULTO é “pró-russo”.

Ou será que a Meta, o Facebook ou lá o que seja, pensa que todos nós somos rednecks norte-americanos que, de História, apenas conhecem o Far-West e, de cultura, a da batata do Big Mac?


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As 5 mensagens enviadas pelo maior ataque aéreo da Rússia à Ucrânia

(Por Andrew Korybko, in open.substack.com, 29.12.2023, trad. Estátua de Sal)

Alguns estão surpresos com o facto de a Rússia agravar a situação neste momento delicado do conflito, quando tudo está, finalmente, a começar a acalmar.


O Ministério da Defesa russo confirmou na sexta-feira (28.12.2023) que lançou 50 ataques em conjunto e uma enorme barragem aérea contra uma ampla gama de alvos militares na Ucrânia durante a semana passada, incluindo locais e depósitos da indústria de defesa, tendo Kiev alegado ter sido, até agora, o maior ataque desse tipo durante a Operação Militar Especial. Ver os seguintes links: (1),  (2), (3), (4).

Isto ocorreu num momento em que as linhas da frente estavam em grande parte congeladas, o apoio ocidental diminuía e os principais meios de comunicação, como o New York Times, estavam debatendo ativamente se as conversações de paz deveriam finalmente ser retomadas em breve. Ver aqui.

Alguns estão, portanto, surpreendidos pelo facto de a Rússia agravar a situação neste momento delicado do conflito, quando tudo está, finalmente, a começar a acalmar, uma vez que a sua maior barragem aérea poderia dar credibilidade àqueles que afirmam que o Ocidente deve apoiar a Ucrânia “enquanto ela ataca”. Ver aqui.

O contexto suplementar em que ocorreu este ataque, em larga escala, sem precedentes, ajuda os observadores a compreender melhor porque é que a Rússia o executou e que tipo de mensagens procurou enviar ao fazê-lo.

Para começar, a Rússia reconheceu que a Ucrânia danificou um dos seus navios de desembarque no leste da Crimeia no início desta semana, o que alguns suspeitam ter sido causado pelo facto de Kiev estar no controle dos mísseis de cruzeiro ar-superfície britânicos Storm Shadow, com uma distância maior do que o relatado anteriormente. Ver aqui.

Era, portanto, importante que a Rússia respondesse a esta escalada dos seus rivais de uma forma esmagadora, numa tentativa de os dissuadir de outras escaladas futuras, quer com esses mesmos mísseis, quer através de quaisquer outros meios. Ver aqui.

Em segundo lugar, Zelensky ordenou recentemente às suas forças que fortificassem toda a frente após o fracasso da contraofensiva deste verão, pelo que a Rússia, provavelmente, queria sinalizar que nenhuma quantidade de trincheiras e outros obstáculos pode impedir o ritmo da sua Operação Especial enquanto o Kremlin se prepara para uma possível ofensiva. Ver aqui.

Qualquer abrandamento por parte da Rússia poderia ser mal interpretado, pelos seus rivais, como fraqueza e uma vontade de congelar o conflito ao longo da Linha de Contato, apesar dos seus 3 objetivos principais ainda não terem sido alcançados.

Trata-se de desmilitarizar a Ucrânia, desnazifica-la e restaurar a neutralidade constitucional naquele país, algo que o Presidente Putin reafirmou recentemente que gostaria de alcançar por meios diplomáticos, mas que não hesitará em continuar a perseguir através de meios militares, se isso for possível.

Ele também admitiu abertamente durante o mesmo evento que costumava ser ingénuo em relação ao Ocidente. Ver aqui.

Juntas, essas declarações formam a terceira mensagem que ele queria enviar, ou seja, que ele não é uma pessoa pusilânime.

Se as linhas de frente permanecessem em grande parte congeladas e a Rússia não intensificasse os seus ataques aéreos, mesmo que o seu navio de desembarque não tivesse sido danificado, então a sua referida admissão não teria sido acreditada pelo público, que poderia suspeitar que ele estava mentindo para encobrir concessões para a paz, especulativamente iminentes.

Estes últimos ataques serviram, portanto, para reforçar a sua credibilidade interna, ao mesmo tempo que mostravam ao Ocidente que ele leva realmente a sério a concretização dos seus 3 objetivos principais, de uma forma ou de outra, aconteça o que acontecer.

A quarta mensagem é que a Rússia quer que os ucranianos duvidem ainda mais da sabedoria do novo impulso de recrutamento de Zelensky e das suas ilusões messiânicas de vitória máxima, as últimas das quais foram divulgadas na reportagem de capa da revista Time no outono passado, citando um assessor sénior não identificado, e assim dividir a sociedade ucraniana. Ver aqui.

Zelensky está a tentar desesperadamente evitar a responsabilidade pelo fracasso da contraofensiva que levou a este impulso impopular, e que está a exacerbar as tensões pré-existentes entre ele e os seus rivais, especialmente Zaluzhny. Ver aqui,  aqui e aqui.

Estas tensões são tão graves que um especialista do poderoso “think tank” Atlantic Council apelou recentemente a Zelensky para formar um “governo de unidade nacional” a fim de mitigar “a raiva pública justificável contra as autoridades” que corre o risco de minar o seu governo ainda mais. Ver aqui.

Ao mostrar aos ucranianos que ainda pode atacar onde quiser, à vontade e numa escala sem precedentes, apesar do seu lado se aprofundar, a Rússia quer encorajá-los e à sua elite a levantarem-se contra Zelensky para pôr fim ao conflito.

Finalmente, a última mensagem que a Rússia enviou através da sua maior barragem aérea é que está vencendo a “corrida da logística”/“guerra de atrito” por uma margem tão ampla que nada que o Ocidente possa realisticamente enviar à Ucrânia, no futuro próximo, irá mudar essas dinâmicas. Ver aqui e aqui.

A exportação pelo Japão de sistemas de defesa aérea Patriot para os EUA no próximo ano – o que permitirá aos EUA substituir os seus próprios sistemas que planeia enviar para a Ucrânia -, não fará diferença, nem mesmo o fará qualquer outra coisa que o Ocidente e seus vassalos acabem por dar à Ucrânia. Ver aqui.

O próprio facto de a Rússia ter podido lançar um tal ataque 22 meses após o início do conflito, depois de todas as defesas aéreas que os seus rivais já deram à Ucrânia, é a prova mais convincente de que, até agora, ela está a vencer a NATO na “corrida” acima mencionada.

Se a ajuda da NATO fosse realmente tão eficaz como os seus gestores pensavam que fosse, então isto nunca teria acontecido, uma vez que a Rússia não desperdiçaria mísseis e drones valiosos.

Ao invés, o choque e espanto atingiram a Ucrânia e o Ocidente, o que deixou uma impressão profunda nas suas sociedades.

O que acabou de acontecer é um sinal do que, possivelmente, está para vir se a Ucrânia e o Ocidente, não cumprirem os pedidos da Rússia para desmilitarizar a Ucrânia, desnazifica-la e restaurar a neutralidade constitucional naquele país em troca do congelamento do conflito na Linha de Contato.

Como disse o Presidente Putin em meados de Dezembro;

«(…) as nossas tropas têm a iniciativa (…) estamos fazendo o que consideramos necessário, o que queremos», e isto continuará daqui em diante até que os 3 objetivos principais da Rússia sejam alcançados de uma forma ou de outra.

Fonte aqui.


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Feliz Ano Novo, sim! Mas…

(Carlos Marques, in comentários na Estátua de Sal, 30/12/2023)


A narrativa dos coitadinhos ainda está bem viva no império genocida ocidental, com as massas totalmente manipuladas pela propaganda. Vi no Telegram uma reportagem de uma menina palestiniana que ficou sem pais, sem família, sem casa, sem terra, e sem uma perna. Mesmo assim sorriu e falou do futuro. Umas semanas depois, estava também morta após um ataque ao hospital onde recuperava. Vi também os meninos despidos nos campos de prisioneiros em Gaza ocupada. Vi coisas que ninguém devia ver. E isto é só o que vejo à distância, nem imagino como será no local. O número de mortos andará já bem acima dos 25 mil, quase todos civis, a maioria mulheres e crianças. Fora os feridos que são mais do dobro. E os milhões de refugiados – dupla e triplamente -, que apesar de vivos, já ficaram sem vida. E entretanto do que é que se fala na MainStreamMerdia? Daquilo que anuncia a Casa Branca, a Comissária Europeia, o Netanyahu e companhia, e claro, os “coitados” do 7 de Outubro.

E agora que o UkraNazistão aprendeu que o mundo ocidental tolera todo o tipo e escalas de agressão, desde que dirigidas contra povos não ocidentais, eis o ataque propositado com armas de destruição massiva, ilegais – já que são de fragmentação -, que com grande precisão e Intelligence ocidental, foram disparadas contra uma praça em Belgorod onde decorria uma feira natalícia. Mais de 20 mortos civis, várias crianças, num só ataque UkraNazi. Se os naZionistas podem, eles também podem. São esses os valores europeus.

Nos canais pró-Russos, só se vê uma coisa: uns, com raiva, queriam retaliação; outros de cabeça fria a explicar que a SMO tem de continuar nos mesmos termos, sem baixar ao nível do adversário, com a retaliação a ser como de costume: só alvos de natureza militar.

Os Russos têm valores. E não querem saber se a MainStreamMerdia ocidental vai só mostrar depois os efeitos colaterais das antiaéreas UkraNazis+NATO, cujos estilhaços provocam esporádica destruição em zonas civis, dizendo que foi um “ataque indiscriminado do Putin”.

Voltando ao naZionistão, os ataques contra civis não são só em Gaza, são também no Sul do Líbano. Contra civis e contra jornalistas. Já foram assassinados quase 100.

Mas do que falam as presstitutas ocidentais? Do Navalny…

Semana sim, semana não, lá morrem mais uns civis e crianças em Donetsk. Mas do que falam as presstitutas ocidentais? Das “vítimas raptadas” pelo Hamas. Vão ao ponto de assim designarf a uma das mulheres com uniforme das IDF que foi levada de mota pelo Hamas. Uma invasora ilegal, que faz parte das forças armadas do agressor, e é feita prisioneira de guerra legitimamente pelo movimento de resistência do povo ocupado, é uma “vítima”, uma “coitadinha”.

E, quando a África do Sul avança para o Tribunal dos tribunais (Tribunal Internacional de Justiça, não confundir com a palhaçada do Tribunal Penal Internacional que emitiu um mandato para Putin mas nunca o fez para Obamas nem Netanyahus), acusando Israel de genocídio, eis que os naZionistas usam a carta dos “coitadinhos”, e chamam “antissemita” à África do Sul.

Tempos houve em que o movimento de libertação do Apartheid, e até o Nélson Mandela, eram chamados “terroristas”, e os brancos violentos e invasores eram os “coitadinhos”. Os Sul-africanos conhecem bem a missa. Por isso é que estão nos BRICS ao lado de Rússia, China, Irão, e companhia.

Agora é esperar que a justiça atue, que fique preto no branco que há um genocídio a decorrer, que o agressor é o naZionista, que a vítima é quem só tem o Hamas e meia dúzia de túneis e explosivos artesanais para se defender.

A seguir, ou o circo do Tribunal Penal Internacional acata a decisão do Tribunal Internacional de Justiça, ou será o fim do circo ocidental. Ou Netanyahu (e quem lhe dá armas e vota contra o cessar-fogo) são julgados por genocídio, ou um movimento em massa de países sairá do Tratado de Roma.

É este, já agora, o jogo de longo termo de Putin no que ao mandato de captura diz respeito. Quantos mais dias passam com esse mandato, sem que os genocidas ocidentais tenham um igual, mais a Rússia e o Sul Global ganham na arena internacional e mais o império genocida ocidental fica isolado.

Até lá, ainda muita maldade vai acontecer. Os naZionistas querem ocupar a Palestina toda, completar a limpeza étnica, e o Hitler de Telavive, Netanyahu, já fala em voz alta sobre o desígnio bíblico da Grande Israel, desde o rio Nilo até aos rios Tigre e Eufrates.

Pois que assim seja, que os naZionistas pisem as linhas vermelhas que é preciso pisar, que a guerra se torne regional, que os países em redor percebam que têm de fazer como a Rússia – defender-se militarmente em território do inimigo -, e que o projecto naZionista chegue de vez ao fim. Nem com as fronteiras de 1947 vão poder ficar. Se os palestinianos ficam sem nada e os povos em redor são também ameaçados, pois então não fica nada para ninguém.

E isto, parece que não, mas está ligado aos StormShadows britânicos com Intelligence dos EUA que depois, pela mão de UkraNazis, atingem a frota Russa no Mar Negro. É dessa frota que sairão os mísseis que afundarão os barcos anglo-saxões que atualmente cercam a Mesopotâmia.

A Rússia pode até nem fazê-lo diretamente, mas já se fala em voz alta em repetir o comportamento ocidental: escolher um proxy, armar até aos dentes quem odeia USAmericanos+vassalos, e depois pegar nas pipocas e ficar a ver soldados imperialistas ocidentais a arder.

Para já, são só o Hezbollah (contra as IDF na Galileia ocupada), os Houthis (contra a cadeia de abastecimento do naZionistão pelo Mar Vermelho), e os movimentos de resistência no Iraque (contra as bases dos invasores dos EUA) e da Síria (contra os invasores dos Montes Golã). A seguir, a coisa pode ficar feia, bem feia. Até porque os naZionistas estão mesmo a levar em frente o plano de empurrar os palestinianos para o Sinai, o que o Egito já disse que seria uma declaração de guerra.

Ora, se até lá não houver uma mudança de regime na Europa, a propaganda dos “coitados” vai subir de nível e soldados europeus estarão envolvidos nessa guerra, que nem é a de “Israel vs Hamas” nem a de “Putin vs Ucrânia”, é a guerra contínua do Império genocida ocidental contra todos os outros ou, como a propaganda lhes chama, a “democracia liberal” contra o “resto”.

Os sinais estão aí para quem os quiser ver. A Alemanha declara o rearmamento, a Irlanda e Suíça debatem a sua neutralidade e a Finlândia e Suécia acabam de vez com ela. O Japão volta a fornecer armas para a guerra. O AUKUS prepara o teatro de operações em volta de Taiwan. Armadas anglófonas rodeiam a Venezuela e a Mesopotâmia. A Chéquia recusa ir à ONU explicar como o seu MLRS foi usado para matar civis em Belgorod, e ameaça sair só porque na AG se votou por um cessar-fogo na Palestina. A Moldávia fala em reanexar a Transnístria pela força. Na Sérvia tenta-se um Maidan enquanto se invade o Kosovo e se anexa o Montenegro à NATO. A Polónia arma-se até aos dentes. Os Países Baixos dizem que se vão preparar para a guerra contra a Rússia. E, um pouco por todo o Ocidente, as poucas vozes da razão e da paz são tratadas como inimigos e traidores.

E na capital do Império genocida, Washington, a farsa eleitoral serve apenas para se escolher qual o lado que quer cometer o holocausto dos palestinianos mais depressa, e se quer em simultâneo guerra contra a Rússia, contra a China, contra o Irão, contra a Venezuela, ou contra todos. Falar de paz é “antissemitismo” ou “putinismo” ou “comunismo” ou “antipatriotismo”. Votem em quem votarem, só há na verdade uma opção: dentro de casa o NeoLiberal-Fascismo, e fora de casa o double down ao imperialismo genocida e à guerra permanente. Mas, ó gentes: “millions for Ukraine/Taiwan/Israel create jobs in our weapon factories”. Já chegou a este pronto a campanha eleitoral.

E, enquanto isto, em Portugal as presstitutas que têm poder para decidir do que se fala na comunicação social, entretêm o povão com a novela da sucessão a Costa, e a novela das alianças partidárias entre os vários sabores das direitas fascistas. Propostas? Zero. Real politique? Zero. Geopolítica? Zero. Futuro do país? Zero. E diz o Louçã – ver artigo aqui -, do “alto” dos 4% do seu partido pró-UkraNazis/NATO, que são boas notícias… Que tragicomédia que é este país.

Esta pode ser a nossa última passagem de ano… Boas festas!


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