Acordo para não atacar centrais de energia?

(João Gomes, in Facebook, 29/01/2026, Revisão da Estátua)


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Fala-se, nas últimas horas, de um possível entendimento entre a Ucrânia e a Federação Russa para evitar ataques a centrais de energia e infraestruturas críticas. Fala-se – e é importante sublinhá-lo – sem confirmação oficial, sem comunicado conjunto, sem garantias verificáveis. Por agora, trata-se de um dado incerto, mais próximo de um sinal do que de um acordo.

Ainda assim, o simples facto de esse sinal existir não é irrelevante. Num conflito em que a energia foi usada como arma – para escurecer cidades, paralisar economias e pressionar populações civis – qualquer indício de contenção merece atenção. Não por ingenuidade, mas por realismo: as guerras raramente terminam de repente; começam, quase sempre, por pequenas suspensões do absurdo.

O ceticismo é inevitável. A experiência recente mostra que entendimentos deste tipo foram anunciados, violados e enterrados em poucos dias, por ambas as partes. A palavra “acordo” tornou-se frágil, quase decorativa. Mas também é verdade que ninguém negoceia a paz a partir do silêncio absoluto das armas – começa-se, regra geral, por escolher o que já não se ataca.

Se este eventual compromisso se confirmar, será menos um gesto de boa vontade do que um reconhecimento tácito de limites: há infraestruturas cujo ataque deixa de trazer vantagem estratégica e passa apenas a acumular desgaste político e humano. É pouco, mas não é nada.

Convém, portanto, manter duas atitudes em simultâneo: prudência e atenção. Prudência para não vender ilusões; atenção para não desperdiçar sinais.

Porque, numa guerra prolongada, até uma pausa mal definida pode ser o primeiro ensaio de uma negociação mais séria. E, neste momento, qualquer ensaio – por frágil que seja – já é melhor do que a repetição mecânica da destruição.

Ameaçar é barato, executar é caro

(Vns News Brasil, in Facebook, 29/01/2026, Revisão da Estátua)


Milhões de pessoas no mundo acompanham a tensão entre Irão e Estados Unidos e interrogam-se por que, mesmo com tantas ameaças, os EUA ainda não atacaram de forma direta. A resposta é simples: as guerras não começam por emoção, começam por cálculo. Para Washington, atacar o Irão agora teria um custo enorme — militar, económico e político — maior do que o custo de esperar.

Hoje, o que existe é uma guerra indireta. O Irão testa mísseis, fortalece as suas forças e atua por meio de aliados regionais. Os EUA respondem com sanções, presença militar e pressão diplomática. Ainda assim, algumas linhas não foram cruzadas: não houve ataque direto ao território americano, não houve mortes em massa de soldados dos EUA e não há prova confirmada de que o Irão possua uma ogiva nuclear operacional pronta para uso. Enquanto esses fatores não acontecerem em simultâneo, a guerra aberta é evitada.

Para que os EUA ataquem “de verdade”, alguns gatilhos seriam decisivos: um ataque iraniano direto contra bases ou cidades americanas, muitas mortes de militares dos EUA atribuídas claramente ao Irão, ou a confirmação de que o país alcançou capacidade nuclear militar plena. Esses cenários mudariam o cálculo político em Washington e tornariam a resposta militar quase inevitável.

Caso uma guerra começasse, o primeiro alvo dos EUA não seria uma invasão terrestre imediata. O foco inicial seria aéreo e tecnológico: bases de mísseis, sistemas de defesa, centros de comando, instalações nucleares e infraestruturas militares estratégicas. O objetivo seria enfraquecer rapidamente a capacidade de resposta iraniana.

Mesmo assim, o Irão não é um país fraco. Ele não precisa de vencer os EUA em poder militar — basta resistir e impor custos. O país possui um grande número de mísseis, forças bem distribuídas, instalações protegidas e aliados regionais capazes de atacar interesses americanos e desestabilizar o Médio Oriente. Isso elevaria o preço do petróleo, afetaria o comércio global e pressionaria as economias no mundo inteiro.

Por isso, comparar o Irão com o Iraque de 2003 é um erro. O Iraque tinha um exército fragilizado, poucas alianças, defesas expostas e isolamento total. O Irão, ao contrário, tem capacidade militar maior, influência regional, uma infraestrutura defensiva mais sofisticada e apoio indireto de aliados estratégicos. O Iraque caiu rápidamente; o Irão enfrentaria uma guerra longa, cara e imprevisível.

No fim, se a guerra acontecer, os EUA provavelmente venceriam militarmente, mas pagariam um custo altíssimo. O Irão sofreria danos severos, mas não seria eliminado facilmente. Quem certamente perderia seriam os civis, a estabilidade regional e a economia global.

A guerra ainda não começou não por falta de ódio ou ameaça, mas porque, até agora, o custo de atacar continua maior do que o custo da contenção.

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Enquanto o vento sopra a Ministra dorme…

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 28/01/2026, Revisão da Estátua)


Alguém que acorde a Ministra da Administração Interna. Talvez ninguém a tenha avisado, mas passou por Portugal a depressão Kristin com danos a nível nacional: 5 mortos, milhares de ocorrências, infraestruturas destruídas, estradas cortadas, gente sem luz, sem água, sem respostas, estado de calamidade em Leiria.

Coisas pequenas.

Nada que justifique levantar-se muito cedo.

Alguém que lhe bata à porta para vir dar a cara. Para tranquilizar. Para dizer ao país…“Estamos aqui. Vemos o que se passa. Coordenamos. Se algo emperrar, desbloqueia-se. Se faltarem meios, reforçam-se.”

A Proteção Civil, o IPMA, os bombeiros, as forças no terreno fizeram — como sempre — o seu trabalho técnico, profissional e incansável.

E fizeram-no bem.

Mas mesmo quando a máquina técnica funciona, a presença política continua a ser necessária.

Não para substituir quem sabe — mas para acompanhar, comunicar, ouvir, articular e corrigir falhas em tempo real, para amanhã não repetirmos os erros de hoje.

Governar a partir do sofá, a ver a CMTV e a emitir comunicados não é suficiente.

Ninguém a vai culpar por uma tempestade. Não é preciso ficar em casa à espera que a agência de comunicação decida quando é seguro aparecer sem riscos.

Portanto…se alguém conhecer o despertador da Ministra, agradece-se. Não para fotografias em cima de carros de bombeiros para o Instagram… mas para governar.

Já vem tarde e meio “obrigada”.

Mas é melhor do que este vazio político em momentos de emergência nacional.

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