Velhos são os trapos

(João-MC Gomes, In VK, 15-07-2024)

Foto: Franklin Roosevelt

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Se o problema de conduzir um país fosse a velhice ou a dificuldade de andar, nunca Franklin Roosevelt o teria feito, pois ele enfrentou a poliomielite aos 39 anos e, apesar da deficiência, liderou os EUA durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Foi o único presidente americano com uma deficiência física mas, para a época, talvez tenha sido um dos maiores em termos políticos e sociais.

O problema de liderança dos EUA é a sua política que é conduzida pelos grupos de interesse económico e, obviamente, precisam de um presidente que apresente já algumas deficiências CONGNITIVAS, tornando-se incapaz de lidar contra os lobos dos grandes lobbies.

Os EUA estão numa encruzilhada terrível e as convulsões internas espelham-se nas organizações que controlam a segurança dos seus cidadãos a todos os níveis. Se não há provas concretas da morte de Kennedy ter tido o “selo” da CIA, as dúvidas sobre a tentativa de assassinato de Trump apontam para ela ou para um “inside job” de um grupo interno ligado á segurança. São demasiadas as evidências das “falhas” na pequena cidade de Buttler e do desprezo das secretas para os avisos feitos pelos participantes no evento da campanha eleitoral à presidência. E, se Trump em relação a Biden é um presidente de direita e com um perfil menos “democrata” do que o seu opositor, na verdade o seu anúncio antecipado de medidas que trazem mais democracia aos EUA e a um estado de maior paz no Mundo fez os seus detratores entrar em pânico, perante o evoluir da incapacidade de Biden e a sua insistência em continuar na corrida à Casa Branca.

Biden já perdeu, mas resta saber para quem. Trump já ganhou, mas resta saber se ainda chegará ao pódio da Casa Branca e se, depois de lá estar, consegue dar conta das políticas que anunciou, sem colocar em risco a sua segurança, porque uma coisa é certa e está confirmada: quando os lobbies da indústria militar, da economia global, etc. virem o seu lucro em risco, Trump poderá deixar de ser presidente com um novo atentado.

O atentado a Trump era bastante previsível

(Por Alexander Dugin, na página de Raphael Machado, in X, 15/07/2024)

O atentado a Trump era bastante previsível. Não há dúvida de que tudo foi organizado pelos globalistas com o apoio da parte do Deep State que os sustenta. A única maneira de manter o vovô desmiolado no poder é matar Trump, que de outra forma, dadas as circunstâncias, venceria quase certamente. O atirador foi imediatamente eliminado por um franco-atirador dos serviços secretos para acertar as contas. Em essência, houve uma tentativa de golpe de estado nos Estados Unidos.

O chefe do GUR ucraniano, Budanov (reconhecido como terrorista na Rússia) admite abertamente que os DRG ucranianos tentaram repetidamente realizar ataques terroristas contra Putin. Na Eslováquia tentou-se remover o Primeiro-Ministro Robert Fico, que se opõe ao apoio à junta nazi de Kiev. Agora houve um atentado contra Donald Trump, que, aliás, é muito crítico em relação a Zelensky e ao seu regime. Este é o verdadeiro rosto da hegemonia e do mundo unipolar: qualquer um que se oponha ao globalismo, qualquer um que o obstrua, está sujeito primeiro à demonização (através dos instrumentos da cultura do cancelamento), depois à eliminação física, e os assassinos e terroristas, os criminosos e os criadores de genocídios, que servem os globalistas, são apresentados como combatentes pela liberdade e como “vítimas inocentes”. A propaganda de Kiev certamente afirmará que “Trump atirou na própria orelha”, e algo nesse sentido será insinuado pela mídia globalista, onde tudo é construído com base em mentiras cínicas e criminosas.

Não há dúvida de que a responsabilidade pelo atentado contra Trump, o líder da corrida presidencial dos Estados Unidos, é da fação de Obama, Blinken, Hillary Clinton e do finalmente fora de si Biden, que já avisou que “a liberdade está acima da democracia”, o que significa que a democracia e as suas leis estão, doravante, suspensas. Em nome da “liberdade” (de governar e continuar a governar) pode-se matar. O liberalismo está finalmente a tornar-se totalitário com todas as suas características, até o assassinato direto de políticos indesejados.

A arquitetura do poder no mundo está mudando radicalmente, passando do poder unipolar do Ocidente para vários polos. Esta é a multipolaridade. Trump representa os Estados Unidos como um dos polos – mesmo que o mais forte e poderoso – de um mundo multipolar. Os globalistas não se preocupam com os Estados Unidos como com qualquer outro país. O que eles precisam é do poder planetário, o poder absoluto do capital supranacional. E todos os países, incluindo os EUA e os da Europa, são apenas instrumentos para a criação do governo mundial. Trump é pela América e contra o governo mundial. Assim como Putin é pela Rússia, Xi Jinping pela China, Modi pela Índia e Orban, Fico, Marine Le Pen e o AfD pela Europa.

O mundo multipolar é um sistema de soberanias, enquanto os globalistas querem o único poder planetário, que caiu em suas mãos com o colapso do Pacto de Varsóvia e o colapso da URSS mas que agora está escapando de suas mãos e ao qual se agarram freneticamente. Os globalistas finalmente passaram à tática do terror direto. É um fato consumado, não uma série de coincidências. É hora de atacar a rede globalista.

Tucker Carlson disse-me em Moscovo que Trump teme seriamente ser assassinado pelos globalistas. Ao que parece, não sem razão.

Quanto mais o senil Joe se afunda na senilidade, mais provável é que Trump seja assassinado. Eles já tentaram uma vez. Pessoas morreram, pessoas foram feridas. Deus salve a América e toda a humanidade da quadrilha criminosa de liberais e globalistas.

Se não os pararmos agora, eles nos destruirão a todos.


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Cegueira e ressentimento

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 13/07/2024)

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Uma breve declaração inicial de Biden, deu o mote à Cimeira da NATO. O Ocidente promete acelerar numa irrestrita corrida bélica, contra a Rússia e a China. As intervenções seguintes exaltaram, numa euforia febril, os biliões gastos e a gastar na “Defesa”.

Biden tropeçou nas palavras, quando quis sair do texto que lhe haviam dado. Há meses, ou anos, que uma indústria poderosa de “mentira organizada” (uso uma expressão de Hannah Arendt), ao serviço de quem manda nos EUA, ocultou do povo americano e do mundo que o presidente declinava rapidamente nas suas faculdades mentais, mantendo, contudo, intacta a primitiva pulsão de poder.

Nunca foi tão acertado, como no caso de Biden e dos seus colegas de Cimeira, recordar o sermão do padre António Viera, proferido na Lisboa de 1669, sobre a cegueira dos governantes: “Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.” (Obra Completa, ed. J.E. Franco e P. Calafate, To. II, Vol. IV, 224).

A cegueira do Ocidente, incluindo uma UE mergulhada no hábito da servidão, reflete a ignorância atrevida dos seus líderes, incapazes de esclarecer se sobra esperança no futuro, depois de tanto sacrificar no altar da guerra? Podemos fechar os olhos, mas o colapso ambiental e o vírus da desigualdade não se esquecem de nós. Para quê tantas armas, se apenas o arsenal nuclear de Moscovo seria capaz de destruir todas os países presentes na Cimeira?

Há uma raiz mais irracional dessa cegueira. O profundo ressentimento contra a Rússia, por esta ter atravessado o Rubicão do “mundo com regras”, impostas unilateralmente. Tudo partiu da ideia fútil de que Moscovo fora derrotada na Guerra Fria, quando, como ensina Clausewitz, um país só é realmente derrotado quando as suas Forças Armadas são destruídas, através de uma “decisão pelas armas” (Waffenentscheidung). Nada disso aconteceu em 1991, nem acontecerá no futuro. Quem provocasse uma guerra direta com a Rússia encomendaria o dia do juízo final.

A revista médica Lancet revelou que o número real de mortos em Gaza, é de 186.000 (7,9% da população total). Sinto tristeza por os órgãos de soberania portugueses seguirem o guião da guerra infinita na Ucrânia, enquanto encolhem os ombros perante o genocídio, assistido por Washington, em Gaza.

O PR irá defender, perante o próximo Conselho de Estado, o nosso apoio à imolação do povo ucraniano para reaver fronteiras tornadas quiméricas. O que está em causa, contudo, não é só a Ucrânia, mas salvar a nação portuguesa de ser empurrada para o vórtice da aniquilação. Frente ao maior perigo existencial da nossa história, o PR, a AR e o Governo persistem na clausura de uma cegueira imperdoável.