Raios partam o mafarrico

(In Blog O Jumento, 26/06/2019)

Parece que o mafarrico abandonou o PSD e depois de já ter mandado o Passos Coelho para uma brilhante carreira académica no ISCSP ainda se vai lembrar de mandar o Rui Rio para seu assistente. O pobre do Passos anunciou o mafarrico para setembro de 2016, contando com um pedido de ajuda à troika depois da publicação da execução orçamental, andou a brincar à oposição e foi o que se viu.

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O mafarrico faltou ao combinado mas parecia ter vindo no meio de labaredas em Pedrogão Grande. O Passos voltou a reanimar-se e quando um boy local o informou que já havia mortos e feridos, porque o povo se sentia abandonado pelo governo e optava pelo suicídio, o diabrete teve mais olhos do que barriga e não se conteve, deu a notícia e acabou no ridículo.

Entretanto o mafarrico ainda deu uns ameaços, tornou a vida num inferno aos utentes da linha verde do Metro de Lisboa e, já com o Passos a preparar as aulas, coube a outros diabretes o anúncio das boas novas: Cristas esmerou-se e o Tavares trabalhou tanto que acabou com o estatuto de senador da nação, discursando em Portalegre.

Reposta alguma normalidade no Metro os diabretes mudaram-se para o estado dos comboios e daí para as urgências, de onde se mudaram agora para a ginecologia. Pelo caminho ainda marcaram encontro com o mafarrico junto aos paióis de Tancos.

Mas o diabo já não é o que era e foi o que se viu nas eleições europeias, as tais eleições tradicionalmente ganhas pela oposição foram desta vez ganhas pelo partido do governo e pelo PAN.

Agora faz-se oposição por antecipação e dizem que o mafarrico vai aparecer sob a forma de uma grávida que chega a uma urgência onde nem há um especialista; ao que parece vai aparecer em Beja ou talvez em Faro.

Com uma oposição destas a direita ainda vai acabar marcando encontro com o diabo nas próximas eleições legislativas. Ainda vamos ver o rui Rio a ser assistente do catedrático Passos Coelho e a Cristas a escrever mais um livro sobre a sua interessante vida pessoal que, como todos sabem, deve ser muito divertida.

Famílias Governamentais

(In Blog O Jumento, 07/04/2019)

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Muito mais grave do que a contratação de um primo para assessor de um gabinete governamental é o que se pode passar em muitos concursos de admissão de funcionários públicos. Isso quando há concursos, já que no caso dos precários muitas escolhas feitas sem qualquer procedimento concursal obedeceram a critérios políticos ou familiares e agora passam à frente de outros cidadãos com dispensa de qualquer concurso. Basta ir a algumas autarquias para se perceber como muitos jotas e afilhados foram promovidos a funcionários autárquicos.

Encontrar primos e conhecidos nos gabinetes ministeriais de qualquer governo, a começar pelos de Cavaco Silva, é fácil. Desses até sabemos qual foi o critério da escolha, o pior é quando os laços são bem mais perigosos e não são identificáveis pelo apelido. Se aprofundarem as investigações vão encontrar muitos representantes de escritórios de advogados em gabinetes sensíveis, senão mesmo secretários de Estado escolhidos por grupos, basta olharem com cuidado para o governo de Passos Coelho.

Os governos não são centros de emprego onde deve respeitar-se o princípio da igualdade no acesso dos cidadãos aos cargos governamentais. O primeiro-ministro, os ministros e secretários de Estado escolhem quem bem entenderem, se escolherem incompetentes, irresponsáveis ou corruptos sofrerão as consequências nas eleições, se nada de grave se souber antes.

Ter mini conselhos de ministros familiares merece um sorriso e não parece ser um modelo de republicanismo. Mas se não gosto da escolha dos ministros da Administração Interna e da ministra do Mar não é porque são marido e esposa, não sinto uma especial simpatia pelas duas personagens e não foi o casamento que as melhorou ou piorou.

Mas é bom que todo o PSD se dedique a estas questões, é sinal de que o Centeno fez um bom trabalho e o Rui Rio não tem muito com que se preocupar. Como o PSD tem uma certa mania de ser salvador da pátria isso significa que podem ser dispensados para a próxima legislatura.

Fonte aqui

Uma oposição sem programa

(In Blog O Jumento, 02/04/2019)

Primeiro andaram um ano a divertirem-se convencidos de que o diabo lhes faria o trabalho, em vez de alternativas fizeram prognósticos desastrosos e antes do jogo, o resultado foi o que se viu, em vez de ir a São Bento o Mafarrico optou por se instalar na São Caetano e no Largo das Caldas.

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Abandonados pelo diabo a imaginação escasseou, tiveram de se dedicar a coisas menores, pouco importando que se tratassem de situações resultantes das políticas que adotaram no passado. O grande problema do país passou a ser a linha verde do Metro de Lisboa. Aqueles que agora dizem que os passes sociais é coisa de citadinos, andaram meses preocupados com os que os algarvios, beirões ou transmontanos sofriam quando iam de Metro entre o Rossio e a Praça de Alvalade.

O Metro lá superou as maldades que lhe fizeram e foi a Catarina Martins que encontrou um argumento fundamental na crítica às políticas de Mário Centeno, era tudo culpa das cativações. Desta vez a direita optou por ser bipolar, começou por comparar o sucesso económico à austeridade, sugerindo que Centeno era aluno do Gaspar, ao mesmo tempo descobriu que quem morria de pneumonia teria sobrevivido se não houvessem cativações.

Mas o diabo apareceu mesmo e veio trazendo o fogo do inferno, Passos exultou e até começou a sonhar com mortos e se as vítimas dos incêndios não podiam ser atribuídas ao governo, então alguém teria de se suicidar porque o governo não os ajudou e surgiram logo mortos e feridos. A teoria da culpa das cativações evoluiu para as teses da ausência do Estado, por causa do Centeno o Estado falhava. A tese até teve honras de apoio presidencial.

Sem mais desgraças alguém reparou que no executivo havia um casal a que se juntavam um assessor e uma chefe de gabinete, descobriram logo que o governo em vez de ter tomado posse em Belém tinha-o feito numa repartição do Registo Civil. Os jornalistas do Observador deixaram de  ler a comunicação social estrangeira para ver o que se podia copiar, agora era necessário encontrar primos até ao terceiro grau, tarefa penosa num país em que quase todos são Silvas, Pereiras ou Costas.

Cansaram-se depressa, esperemos para ver como é que a direita vai esconder que não têm propostas a fazer ao país, ficaram bloqueados com as políticas da extrema-direita chique e não conseguiram propor um programa diferente do de Passos Coelho.