As nossas “Garzonetes”

(In Blog O Jumento, 27/09/2017)
garconnetes
Notícia do dia:
“Ao aterrar em Joanesburgo o ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, foi detido ao abrigo de um mandato internacional emitido pela justiça portuguesa. Acusado  e condenado por corrupção ativa o antigo vice de José Eduardo dos Santos caiu em desgraça, tendo-lhe sido retirado o passaporte diplomático. Manuel Vicente já está a bordo de um avião a caminho de Lisboa, onde será preso e algemado por agentes da Autoridade Aduaneira, acompanhados do juiz Carlos Alexandre”.

Se esta notícia fosse verdadeira muitas outras também o seriam, o “Correio da Manhã” angolano teria divulgado todas as escutas e interrogatórios, já saberíamos o que oferecia à esposa, quantos primos tem e a cor das cuecas. Durante um ano e antes de ser condenado a sua imagem seria meticulosamente destruída e muito antes do julgamento já angolanos e portugueses o teriam condenado.
Os jornais portugueses já estariam a dizer que depois de Guterres tínhamos duas grandes personalidades de prestígio internacional, Maria José e Joana seriam as novas juízas Garzon, as Garzonetes portuguesas. Velhos camaradas do MRPP ou colegas de primária das Garzonetes estariam a formalizar uma candidatura a Prémio Nobel da Paz. Portugal teria feito o que muitos Tribunais Penais Internacionais não fazem, prender uma das mais altas personalidades de um dos países mais ricos do mundo, ainda por cima um dos países aliados de Portugal.
Pois, mas nada disto vai suceder, Manuel Vicente vai sobreviver às diatribes do nosso MP e ainda estará no ativo quando as nossas “Garzonetes” se reformarem. Entretanto, há uma grande probabilidade de o processo vir a destruir as relações entre Portugal e Angola. Graças à separação de poderes os magistrados são os donos da bola, ditam as regras, podem meter-se na política mas a política não se pode meter no MP. O país, os exportadores portugueses, as empresas que investiram em Angola, os que para lá emigraram, estão á mercê de um processo que todos sabemos que vai dar em águas de bacalhau, aliás, o mesmo que sucede a muitos outros processos.
Quem é que no fim disto tudo vai assumir o prejuízo da brincadeira? O país esteve em profunda crise financeira e precisa de ter boas relações com os principais parceiros, mas em plena crise alguém se lembrou de torpedear a relação de Portugal com um dos seus principais parceiros, com um processo sem saída. A crise está passando, os magistrados até já exigem aumentos e mais mordomias, mas os portugueses que vivem das relações com angola têm a sua vida pendurada por um processo de onde ninguém sabe como se sai.

As nossas "Garzonetes"

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(In Blog O Jumento, 27/09/2017)

garconnetes
Notícia do dia:
“Ao aterrar em Joanesburgo o ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, foi detido ao abrigo de um mandato internacional emitido pela justiça portuguesa. Acusado  e condenado por corrupção ativa o antigo vice de José Eduardo dos Santos caiu em desgraça, tendo-lhe sido retirado o passaporte diplomático. Manuel Vicente já está a bordo de um avião a caminho de Lisboa, onde será preso e algemado por agentes da Autoridade Aduaneira, acompanhados do juiz Carlos Alexandre”.

Se esta notícia fosse verdadeira muitas outras também o seriam, o “Correio da Manhã” angolano teria divulgado todas as escutas e interrogatórios, já saberíamos o que oferecia à esposa, quantos primos tem e a cor das cuecas. Durante um ano e antes de ser condenado a sua imagem seria meticulosamente destruída e muito antes do julgamento já angolanos e portugueses o teriam condenado.
Os jornais portugueses já estariam a dizer que depois de Guterres tínhamos duas grandes personalidades de prestígio internacional, Maria José e Joana seriam as novas juízas Garzon, as Garzonetes portuguesas. Velhos camaradas do MRPP ou colegas de primária das Garzonetes estariam a formalizar uma candidatura a Prémio Nobel da Paz. Portugal teria feito o que muitos Tribunais Penais Internacionais não fazem, prender uma das mais altas personalidades de um dos países mais ricos do mundo, ainda por cima um dos países aliados de Portugal.
Pois, mas nada disto vai suceder, Manuel Vicente vai sobreviver às diatribes do nosso MP e ainda estará no ativo quando as nossas “Garzonetes” se reformarem. Entretanto, há uma grande probabilidade de o processo vir a destruir as relações entre Portugal e Angola. Graças à separação de poderes os magistrados são os donos da bola, ditam as regras, podem meter-se na política mas a política não se pode meter no MP. O país, os exportadores portugueses, as empresas que investiram em Angola, os que para lá emigraram, estão á mercê de um processo que todos sabemos que vai dar em águas de bacalhau, aliás, o mesmo que sucede a muitos outros processos.
Quem é que no fim disto tudo vai assumir o prejuízo da brincadeira? O país esteve em profunda crise financeira e precisa de ter boas relações com os principais parceiros, mas em plena crise alguém se lembrou de torpedear a relação de Portugal com um dos seus principais parceiros, com um processo sem saída. A crise está passando, os magistrados até já exigem aumentos e mais mordomias, mas os portugueses que vivem das relações com angola têm a sua vida pendurada por um processo de onde ninguém sabe como se sai.

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A oposição dos relatórios

(In Blog O Jumento, 26/09/2017)
passos coelho mada man
Hoje deveríamos estar a comemorar a chegada do diabo, o mafarrico deveria ter vindo no ano passado, por ocasião da divulgação do relatório da execução orçamental, para devolver o poder ao “legítimo primeiro-ministro”, o tal senhor que ganhou as eleições, mas cujo governo não passou no parlamento, ficando para a história graças às cheias de Albufeira.
Passado um ano, o diabrete de Massamá volta a usar relatórios como cajado, agora já não se preocupa com os da execução orçamental, nem se excita na véspera das revisões da notação das agências de rating. Depois de um verão em que inventou mortes, uns por suicídio e outros que supostamente estariam escondidos no galinheiro dos pavões do jardim da residência oficial e São Bento, Passos vasculha relatórios.
Há algo de semelhante entre o relatório da execução orçamental de Setembro de 2016 e o suposto relatório da secreta militar, uma inutilidade institucional que por aquilo que se diz parece servir para que uns rapazolas engajados partidariamente se entretenham a coçar os ditos enquanto a cada dia 21 os contribuintes lhes abonam as contas bancárias.
O relatório da execução orçamental estava armadilhado, Paulo Núncio e Maria Luís Albuquerque tinham “roubado” muitas centenas de milhões de euros de receita fiscal de 2016 para fazerem campanha eleitoral em todo o ano de 2015. Por isso Passos andou 7 meses com a sua pantomina do primeiro-ministro no exílio, convencido de que quando todas as vigarices da sua equipa fiscal rebentassem com as contas, o que deveria suceder em setembro.
Também este relatório das secretas, no pressuposto de que existe, cheira que tresanda a manipulação por parte de gente que o PSD infiltrou nas secretas. É ridículo que um qualquer sargento-mor escreva um relatório com opiniões pessoais sobre o primeiro-ministro ou sobre o ministro e que depois esses governantes sejam achincalhados na praça pública. Só alguém sem grande sentido de Estado e que luta desesperadamente pela sobrevivência, se socorre de um relatório para fazer política.
Qualquer pessoa com um mínimo de lucidez conclui que se tal relatório existe e com as críticas referidas no Expresso, o mesmo jornal que deu voz aos falsos mortos de Pedrógão Grande, toda a hierarquia que nele colocou um despacho de “concordo” ou que decidiu remetê-lo a outras instituições deveria estar já demitida. No dia em que os funcionários do Estado servirem para elaborar relatórios a achincalhar governantes ou quando estes tiverem de obedecer a sargentos da secreta, o melhor é perguntar a Madrid se não quer trocar a Catalunha por Portugal.
Sem agenda e sem propostas Passos faz uma política baseada em relatórios pouco se importando se existem mesmo ou se correspondem à verdade. Há um ano esperava por um relatório cujos dados ele próprios tinha mandado manipular, já anunciou mortos por suicídio e mortos escondidos, agora socorre-se de um relatório mais do que duvidoso. Um dia destes ainda vai ler o relatório da sua autópsia política e pelas movimentações de Rangel, Santana, Marco António, Montenegro e Rui Rio já faltou mais para que isso aconteça.